{"id":1644813285,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/327-divulgacao\/13717-opiniao-a-forca-da-tradicao-sergio-carvalho"},"modified":"2025-11-07T16:34:24","modified_gmt":"2025-11-07T16:34:24","slug":"opiniao-a-forca-da-tradicao-sergio-carvalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/opiniao-a-forca-da-tradicao-sergio-carvalho\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: \u00abA for\u00e7a da tradi\u00e7\u00e3o\u00bb, S\u00e9rgio Carvalho"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/quaresma_3_190227073957.jpg\" \/><\/p>\n<p><p>A maioria dos crist\u00e3os, a maior religi\u00e3o mundial, iniciou a sua prepara\u00e7\u00e3o para a P\u00e1scoa, com a celebra\u00e7\u00e3o de Quarta-feira de Cinzas. Ao longo de 40 dias, v\u00e3o viver a Quaresma, um tempo de ora\u00e7\u00e3o, penit\u00eancia e convers\u00e3o, para celebrar a maior festa da sua f\u00e9 \u2013 a Paix\u00e3o, Morte e Ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo.<\/p>\n<p>\u00c9 certo que, desde o Conc\u00edlio Vaticano II, muitas das pr\u00e1ticas e tradi\u00e7\u00f5es quaresmais parecem ter ca\u00eddo em desuso, n\u00e3o porque tenham sido suprimidas, mas porque o relativismo de uns e a interrup\u00e7\u00e3o da transmiss\u00e3o da Tradi\u00e7\u00e3o foi interrompida para as novas gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Se uns querem fazer uma religi\u00e3o \u00e0 sua medida, apenas praticando o que gostam e lhes conv\u00e9m, outros, por sua vez, n\u00e3o ensinam, nem transmitem \u00e0s novas gera\u00e7\u00f5es as pr\u00e1ticas tradicionais, nem o esp\u00edrito da Tradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Como recordo, com saudade, sem saudosismos, as tradi\u00e7\u00f5es deste per\u00edodo\u2026<\/p>\n<p>Se noutros tempos, o in\u00edcio da Quaresma era um dia de preceito respeitado por quase todos, com prociss\u00f5es penitenciais, como vemos em registos fotogr\u00e1ficos, por exemplo de Aur\u00e9lio Paz dos Reis, nos in\u00edcios do s\u00e9culo XX, no Porto. Verificava-se a aflu\u00eancia massiva \u00e0s igrejas para receber a imposi\u00e7\u00e3o das cinzas (feitas com os ramos benzidos no Domingo de Ramos do ano transato), recordando a finitude do ser humano, ouvindo as palavras \u00ablembra-te, homem, que \u00e9s p\u00f3 e ao p\u00f3 h\u00e1s de voltar\u00bb. Ap\u00f3s as celebra\u00e7\u00f5es, os fi\u00e9is sa\u00edam com a fronte marcada com a cruz e assim permaneciam durante o dia.<\/p>\n<p>Noutros tempos, os arranha-c\u00e9us de Nova Iorque faziam um jogo de luzes, criando a cruz, na ilumina\u00e7\u00e3o dos edif\u00edcios; as cadeias de comida r\u00e1pida, como a MacDonald\u2019s, criava um hamburger de peixe, o macfish, para n\u00e3o perder clientes, \u00e0s sextas-feiras, devido \u00e0 abstin\u00eancia da carne.<\/p>\n<p>Uma cor introspetiva, como o roxo dos paramentos dos sacerdotes, lembrava a penit\u00eancia e o luto da Paix\u00e3o de Cristo e a <em>velatio <\/em>(cobertura das imagens sagradas com panos roxos, para os fi\u00e9is se focarem somente na cruz); as flores e ornamentos eram retirados dos altares; dava-se a supress\u00e3o dos c\u00e2nticos com a palavra \u00abaleluia\u00bb, que s\u00f3 ecoariam, novamente, no S\u00e1bado Santo, na Vig\u00edlia Pascal.<\/p>\n<p>As celebra\u00e7\u00f5es penitenciais, prega\u00e7\u00f5es, serm\u00f5es e o cumprimento do preceito da confiss\u00e3o anual; as vias-sacras nas igrejas e nas ruas, faziam com que tudo fosse num crescendo at\u00e9 atingir o auge, na celebra\u00e7\u00e3o da Semana Santa e da P\u00e1scoa. Muito do que enunciei, \u00e9 mantido por alguns, outros ab-rogam-se em fazer coisas a seu belo prazer, adaptando-as a modas e sensibilidades.<\/p>\n<p>O catolicismo tem como fontes e pilares da F\u00e9: as Sagradas Escrituras, a Sagrada Tradi\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica e o Sagrado Magist\u00e9rio. Esta tr\u00edplice base assegura o fundamento b\u00edblico da Quaresma, as formas como os Ap\u00f3stolos e os seus sucessores entendiam e praticavam a f\u00e9 e os documentos publicados pela Igreja, atrav\u00e9s daqueles que t\u00eam o m\u00fanus de ensinar.<\/p>\n<p>Porque \u00e9 que se deixaram morrer e acabar tantas das tradi\u00e7\u00f5es? Porque \u00e9 que a Quaresma n\u00e3o \u00e9 not\u00edcia e o in\u00edcio do Ramad\u00e3o (m\u00eas de jejum sagrado dos isl\u00e2micos), \u00e9 sempre noticiado com pompa e circunst\u00e2ncia? Haver\u00e1 jejuns de primeira e segunda categoria?<\/p>\n<p>Temos de deixar esta vis\u00e3o laica e jacobina da sociedade, em que a F\u00e9 crist\u00e3 \u00e9 um assunto do foro privado e remetido \u00e0s igrejas.<\/p>\n<p>Em grandes cidades europeias, veem-se ilumina\u00e7\u00f5es de \u00abFeliz Ramad\u00e3o\u00bb, mas n\u00e3o de \u00abSanta Quaresma e Feliz P\u00e1scoa\u00bb. Se os crist\u00e3os em geral, e os cat\u00f3licos em particular, trouxessem novamente as suas pr\u00e1ticas e tradi\u00e7\u00f5es para a vida p\u00fablica e social, sem revivalismos ou folclore, o ritmo do tempo, teria outro gosto e tudo teria mais sentido.<\/p>\n<p>Como sempre, o com\u00e9rcio brinca e ganha com a situa\u00e7\u00e3o. Basta acorrer aos supermercados e acabado o Carnaval, j\u00e1 est\u00e1 tudo cheio de coelhos de chocolate e am\u00eandoas de P\u00e1scoa. E o mais caricato \u00e9 ver as pessoas sem rea\u00e7\u00e3o. Bastava funcionar a lei econ\u00f3mica da oferta e procura, e tudo mudaria.<\/p>\n<p>S\u00e9rgio Carvalho<\/p>\n<p>\u00a0<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A maioria dos crist\u00e3os, a maior religi\u00e3o mundial, iniciou a sua prepara\u00e7\u00e3o para a P\u00e1scoa, com a celebra\u00e7\u00e3o de Quarta-feira [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":365086690,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[67],"class_list":["post-1644813285","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-divulgacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1644813285","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1644813285"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1644813285\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4294995437,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1644813285\/revisions\/4294995437"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media\/365086690"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1644813285"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1644813285"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1644813285"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}