{"id":1676306586,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/8843-domingo-xxi-do-tempo-comum-e-nos-que-pensavamos"},"modified":"2025-11-07T16:33:31","modified_gmt":"2025-11-07T16:33:31","slug":"domingo-xxi-do-tempo-comum-e-nos-que-pensavamos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/domingo-xxi-do-tempo-comum-e-nos-que-pensavamos\/","title":{"rendered":"Domingo XXI do Tempo Comum: \u00abE n\u00f3s que pens\u00e1vamos&#8230;\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031.jpg\" \/><\/p>\n<p><p>1. A profecia de Isa\u00edas (66,18-21), hoje lida e escutada, rompe os nossos estreitos e falsos privil\u00e9gios e alarga em muito a estrada da salva\u00e7\u00e3o, pondo todos os povos, como nossos irm\u00e3os, festivamente a caminho de Jerusal\u00e9m, cidade da fraternidade e da paz! Enfim, a\u00ed est\u00e1 de novo a fechar o Livro de Isa\u00edas a ideia grande de miss\u00e3o: urge levar a gl\u00f3ria de Deus \u00e0s na\u00e7\u00f5es (verdadeira dimens\u00e3o mission\u00e1ria do Povo de Deus), em vez de nos deixarmos seduzir pela gl\u00f3ria das na\u00e7\u00f5es (Isa\u00edas 66,19)! E a ideia revolucion\u00e1ria de alargar o sacerd\u00f3cio, para al\u00e9m das cerrad\u00edssimas fronteiras sadoquitas e lev\u00edticas, para todas as na\u00e7\u00f5es (Isa\u00edas 66,21), refina, de certo modo, a comunidade do culto j\u00e1 entretanto aberta, para espanto nosso, a eunucos e estrangeiros (Isa\u00edas 56,3-7)! Sempre para espanto nosso, o grande Isa\u00edas tinha j\u00e1 posto Deus a pronunciar a seguinte b\u00ean\u00e7\u00e3o: \u00abBendito o meu povo, o Egipto, e a Ass\u00edria, obra das minhas m\u00e3os, e Israel, minha heran\u00e7a\u00bb (Isa\u00edas 19,25). E j\u00e1 antes, no c\u00e2ntico de Si\u00e3o do Cap\u00edtulo 2,2-3, Isa\u00edas p\u00f5e todas as na\u00e7\u00f5es a caminho de Jerusal\u00e9m, para a\u00ed experimentarem a alegria de saborear, como filhos e irm\u00e3os, o p\u00e3o da Palavra de Deus. E o profeta aproveita esta imensa prociss\u00e3o de esperan\u00e7a para gritar aos ouvidos dos seus concidad\u00e3os: \u00abVem, Casa de Jacob, vem, caminhar na luz do Senhor!\u00bb (Isa\u00edas 2,5).<\/p>\n<p>2. Tamb\u00e9m a palavra do Evangelho proclamado neste Domingo XXI (Lucas 13,22-30) se dirige fortemente a N\u00d3S, os que nos consideramos de dentro, e continua a desconcertar a nossa miopia no que \u00e0s coisas de Deus diz respeito. \u00abComemos e bebemos contigo\u00bb, \u00abouvimos os teus ensinamentos\u00bb (Lucas 13,26)! \u00c9 como quem diz: frequent\u00e1mos a Igreja e os sacramentos, comung\u00e1mos tantas vezes, ouvimos proclamar a tua Palavra, conhecemos-Te muito bem, somos praticantes de longa data e at\u00e9 talvez\u2026 beatos!<\/p>\n<p>3. Ficaremos espantados quando percebermos bem que os t\u00edtulos que orgulhosamente ostentamos s\u00e3o falsos, h\u00e1 muito caducados, e n\u00e3o garantem o acesso a lugar nenhum no banquete do Reino dos C\u00e9us, pois n\u00e3o basta dizer \u00abSenhor, Senhor!\u00bb. \u00c9 preciso \u00abfazer a vontade do meu Pai que est\u00e1 nos c\u00e9us!\u00bb, diz-nos Jesus (Mateus 7,21).<\/p>\n<p>4. Salta \u00e0 vista que o texto de Lucas 13,22-30 se divide claramente em duas partes; Lucas 13,22-24 e Lucas 13,25-30. A primeira parte abre com o aceno ao caminho crucial de Jesus, que, desde Lucas 19,51, como j\u00e1 vimos, se dirige sem hesita\u00e7\u00e3o para Jerusal\u00e9m. Lucas 13,22 apresenta-nos a segunda men\u00e7\u00e3o deste caminho para Jerusal\u00e9m. \u00c9 neste contexto do caminho, que surge a nossa pergunta: \u00abSenhor, \u00e9 pequeno o n\u00famero dos que se salvam?\u00bb (Lucas 13,23). Como \u00e9 seu h\u00e1bito, Jesus n\u00e3o responde diretamente \u00absim\u00bb ou \u00abn\u00e3o\u00bb. Em vez disso, deixa uma forte interpela\u00e7\u00e3o (Lucas 13,24) e conta uma par\u00e1bola (Lucas 13,25-30).<\/p>\n<p>5. Eis a interpela\u00e7\u00e3o: \u00abLutai com todas as for\u00e7as (verbo\u00a0<em>agon\u00edz\u00f4<\/em>) por entrar pela porta estreita\u00bb (Lucas 13,24). O verbo empregado (<em>agon\u00edz\u00f4<\/em>) implica luta e empenho extremo, n\u00e3o assim-assim. A par\u00e1bola \u00e9 ainda mais desconcertante para n\u00f3s. \u00c9 mesmo t\u00e3o desconcertante, que corremos o risco de nem sequer levarmos a s\u00e9rio o que ouvimos. Da porta estreita, Jesus passa para a casa, e para o dono da casa que fecha a porta (Lucas 13,25). E, pelos vistos, n\u00f3s n\u00e3o estamos dentro da casa, estamos fora, a bater \u00e0 porta e a gritar: \u00abSenhor, abre-nos!\u00bb. E, de dentro, vem a resposta do dono da casa: \u00abN\u00e3o vos conhe\u00e7o!\u00bb (Lucas 13,25).<\/p>\n<p>6. Ao contr\u00e1rio, e para novo e ainda maior espanto nosso, N\u00d3S, de fora, veremos a casa cheia de gente que vem de longe, do norte, do sul, do nascente e do poente (Lucas 13,29). E perguntaremos atravessados por um \u00faltimo espanto: ent\u00e3o, N\u00d3S, que somos padres, sacrist\u00e3es, ministros da comunh\u00e3o, catequistas, ac\u00f3litos, leitores, membros do conselho econ\u00f3mico, do conselho pastoral, do grupo coral e n\u00e3o sei de quantas irmandades, N\u00d3S, que est\u00e1vamos sempre do lado de dentro, como \u00e9 que agora estamos do lado de fora?! Ent\u00e3o, e estes desconhecidos, pag\u00e3os, n\u00e3o praticantes, que antes tinham de nos pedir licen\u00e7a para entrar, como \u00e9 que agora est\u00e3o l\u00e1 dentro, e n\u00f3s c\u00e1 fora?!<\/p>\n<p>7. A raz\u00e3o \u00e9 clara: o dono da casa n\u00e3o nos conhece (Lucas 13,25). Reside, ent\u00e3o, aqui o problema. Estamos tantas vezes dentro das igrejas, tagarelamos uns com os outros, ocupamos ciosamente os nossos lugares, mas ser\u00e1 que prestamos alguma aten\u00e7\u00e3o ao dono da casa? Ser\u00e1 que chegamos a dar pela Presen\u00e7a que habita aquela Casa e que d\u00e1 sentido \u00e0 nossa vida? Falamos com Ele? Fazemos com Ele aquele caminho crucial?<\/p>\n<p>8. \u00c9 neste caminho que acontecem coisas importantes, e n\u00e3o podemos andar nele distra\u00eddos, inativos, de bra\u00e7os ca\u00eddos. A p\u00e1gina de Mateus 25 explicita bem o tom do Evangelho de hoje: \u00abAfastai-vos de MIM (\u2026), pois tive fome e\u00a0<em>n\u00e3o ME<\/em>\u00a0destes de comer, tive sede e\u00a0<em>n\u00e3o ME<\/em>\u00a0destes de beber, era estrangeiro e\u00a0<em>n\u00e3o ME<\/em>\u00a0acolhestes, nu e\u00a0<em>n\u00e3o ME<\/em>\u00a0vestistes, estive doente e na pris\u00e3o e\u00a0<em>n\u00e3o ME<\/em>\u00a0visitastes. (\u2026) Em verdade vos digo: cada vez que\u00a0<em>n\u00e3o o fizestes<\/em>\u00a0a UM (<em>hen\u00ed<\/em>) destes, os mais pequenos, tamb\u00e9m a MIM o\u00a0<em>n\u00e3o fizestes<\/em>\u201d\u00bb (Mateus 25,42-43.45).<\/p>\n<p>9. Salta \u00e0 vista que \u00e9 urgente come\u00e7ar AGORA a compreender que \u00e9 preciso validar, com a vida, o bilhete que d\u00e1 acesso \u00e0 mesa do Reino dos C\u00e9us. A compreender e a fazer. \u00c9 a ina\u00e7\u00e3o que nos desclassifica. Jesus manda-nos lutar: \u00abLutai com todas as for\u00e7as, at\u00e9 agonizar (verbo\u00a0<em>agon\u00edz\u00f4<\/em>), por entrar pela porta estreita\u00bb (Lucas 13,24). Podemos ouvi-lo, de outra maneira, da boca de Pedro em Cesareia Mar\u00edtima: \u00abNa verdade, Deus n\u00e3o faz ace\u00e7\u00e3o de pessoas, mas em qualquer na\u00e7\u00e3o, quem o teme e pratica a justi\u00e7a \u00e9 bem aceite por Ele\u00bb (Atos dos Ap\u00f3stolos 10,34-35).<\/p>\n<p>10. Hoje, como sempre, \u00e9 de santos e de justos que o nosso mundo precisa. Deles \u00e9 o Reino dos C\u00e9us. E N\u00d3S? Eles n\u00e3o perdem tempo em acudir \u00e0s necessidades dos seus irm\u00e3os, sejam eles quem forem. E N\u00d3S? Algu\u00e9m dizia, n\u00e3o h\u00e1 muito tempo, que \u00abos crist\u00e3os meramente praticantes est\u00e3o em fim de linha. Hoje, precisamos de crist\u00e3os enamorados!\u00bb. O crist\u00e3o meramente praticante \u00e9 aquele que est\u00e1 sempre a dizer: \u00abPosso estar descansado: hoje cumpri todos os meus deveres\u00bb. O crist\u00e3o enamorado \u00e9 aquele que n\u00e3o para de dizer: \u00abSim, fiz alguma coisa; mas ainda tenho tanta coisa para fazer!\u00bb.<\/p>\n<p>11. Lutai com todas as vossas for\u00e7as em todos os momentos. A porta \u00e9 estreita e est\u00e1 aberta pouco tempo. \u00c9 o espa\u00e7o e o tempo da nossa vida. Sede crist\u00e3os enamorados! E n\u00e3o vos esque\u00e7ais que o amor verdadeiro (<em>ag\u00e1p\u00ea<\/em>) \u00e9 uma luta (<em>ag\u00f4n<\/em>), sendo que\u00a0<em>ag\u00e1p\u00ea<\/em>\u00a0e\u00a0<em>ag\u00f4n<\/em>\u00a0t\u00eam a mesma etimologia.<\/p>\n<p>12. A li\u00e7\u00e3o de hoje do serm\u00e3o da Carta aos Hebreus (12,5-7.11-13) \u00e9 mesmo uma li\u00e7\u00e3o, uma instru\u00e7\u00e3o ao jeito do Livro dos Prov\u00e9rbios 3,11-12, que cita, para nos dizer e ensinar que Deus nos trata como filhos, e \u00e9 por isso que nos ama e pedagogicamente nos corrige. \u00c9 nesta \u00f3tica que devem ser lidas todas as situa\u00e7\u00f5es da vida, sobretudo as mais dif\u00edceis.<\/p>\n<p>13. O Salmo 117, o mais pequeno do Salt\u00e9rio, apenas 17 palavras hebraicas, \u00e9 semelhante a um \u00abponto\u00bb, sendo, por isso, chamado o\u00a0<em>punctum Psalterii<\/em>. Por ser t\u00e3o pequeno, j\u00e1 houve quem o quisesse juntar ao anterior (116) ou ao seguinte (118). Mas este \u00e9 o caso em que o pequeno \u00e9 belo e ao mesmo tempo imenso, porque reclama para o louvor de Deus todas as na\u00e7\u00f5es e todos os povos! E p\u00f5e em realce dois dos mais belos atributos de Deus: o amor fiel (<em>hesed<\/em>) e a fidelidade (<em>?emet<\/em>). Soa, no Salt\u00e9rio, como o nosso \u00abGl\u00f3ria ao Pai\u2026\u00bb. \u00c9 citado na Carta aos Romanos 15,11, pelo seu elevado e concentrado teor universalista e mission\u00e1rio. \u00c9 por isso tamb\u00e9m que a sua tonalidade se ajusta bem \u00e0 liturgia ecum\u00e9nica deste Domingo.<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. 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