{"id":1681181059,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/13563-solenidade-da-epifania-do-senhor-guiados-por-uma-estrela"},"modified":"2025-11-07T16:34:03","modified_gmt":"2025-11-07T16:34:03","slug":"solenidade-da-epifania-do-senhor-guiados-por-uma-estrela","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/solenidade-da-epifania-do-senhor-guiados-por-uma-estrela\/","title":{"rendered":"Solenidade da Epifania do Senhor: \u00abGuiados por uma Estrela\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031_160503044443.jpg\" \/><\/p>\n<p><p data-adtags-visited=\"true\">Is 60,1-6; Sl 72; Ef 3,2-3.5-6; Mt 2,1-12<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">1. \u00abEu o vejo, mas n\u00e3o agora, eu o contemplo, mas n\u00e3o de perto: uma estrela desponta (<em>anatele\u00ee<\/em>) de Jacob, um cetro se levanta de Israel\u00bb (N\u00fameros 24,17). Assim fala, com uns olhos muito claros postos no futuro, um profeta de nome Bala\u00e3o, que o Livro dos N\u00fameros diz ser oriundo das margens do rio Eufrates (N\u00fameros 22,5), uma vasta regi\u00e3o conhecida pelo nome de \u00abmontes do Oriente\u00bb (N\u00fameros 23,7).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">2. Do Oriente s\u00e3o tamb\u00e9m os Magos, que enchem o Evangelho deste Dia (Mateus 2,1-12), e que representam a humanidade de cora\u00e7\u00e3o puro e de olhar puro que, agora e de perto, sabe ler os sinais de Deus, sejam eles a estrela que desponta (<em>anatele\u00ee<\/em>) (2,2.9) ou o sonho (2,12), uma e outro indicadores de caminhos novos, insuspeitados. Surpresa das surpresas: at\u00e9 para casa precisamos de aprender o caminho, pois \u00e9, na verdade, um caminho novo! (2,12). Excelente, inteligente, o grande texto b\u00edblico: Bala\u00e3o vem do Oriente, e os Magos tamb\u00e9m. O texto grego diz bem, no plural, \u00abdos Orientes\u00bb (<em>ap\u2019anatol\u00f4n<\/em>). S\u00f3 a estrela que desponta (<em>anatol\u00ea<\/em>\u00a0\/\u00a0<em>anatole\u00ee<\/em>), no singular, pode orientar a nossa humanidade perdida no meio da confus\u00e3o do plural.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">3. De resto, j\u00e1 sabemos que, na Escritura Santa, a Luz nova que no c\u00e9u desponta (Lucas 1,78; 2,2.9; cf. N\u00fameros 24,17; Isa\u00edas 60,1-2; Malaquias 3,20) e o Rebento tenro que entre n\u00f3s germina (Jeremias 23,5; 33,15; Zacarias 3,8; 6,12) apontam e s\u00e3o figura do Messias, e dizem-se com o mesmo nome grego\u00a0<em>anatol\u00ea<\/em>\u00a0(<em>tsemah<\/em>\u00a0TM) ou forma verbal\u00a0<em>anat\u00e9ll\u00f4<\/em>. Esta estrela (<em>anatol\u00ea<\/em>) que arde nos olhos e no cora\u00e7\u00e3o dos Magos est\u00e1, portanto, longe de ser uma hist\u00f3ria infantil. Orienta os passos dos Magos e, neles, os de toda a humanidade para a verdadeira ESTRELA que desponta e para o REBENTO que germina, que \u00e9 o MENINO. E os Magos e, com eles, a inteira humanidade, orientam para aquele MENINO toda a sua vida, que \u00e9 o que significa o verbo \u00abADORAR\u00bb (<em>proskyn\u00e9\u00f4<\/em>). Esta \u00abadora\u00e7\u00e3o\u00bb pessoal \u00e9 o verdadeiro presente a oferecer ao MENINO.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">4. Note-se a express\u00e3o recorrente \u00abo Menino e sua M\u00e3e\u00bb (Mateus 2,11.13.14.20.21) e o contraponto bem vincado com \u00abo rei Herodes perturbado e toda a Jerusal\u00e9m com ele\u00bb (Mateus 2,3), que abre j\u00e1 para a rejei\u00e7\u00e3o final de Jesus. Veja-se tamb\u00e9m a alegria que invade os Magos \u00e0 vista da sua estrela, ainda antes de verem o Menino (Mateus 2,10), que evoca j\u00e1 a alegria das mulheres, ainda antes de verem o Senhor Ressuscitado (Mateus 28,8). Veja-se ainda o in\u00fatil controlo das Escrituras por parte de \u00abtodos os sacerdotes e escribas do povo\u00bb, que sabem a verdade acerca do Messias, mas n\u00e3o sabem reconhecer o Messias (Mateus 2,4-6).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">5. Mas, para juntar aqui outra vez os fios de ouro da Escritura Santa, nomeadamente 1 Reis 10,1-10 (Rainha de Sab\u00e1), Isa\u00edas 60 e o Salmo 72, diz o belo texto de Mateus que os Magos ofereceram ao MENINO ouro, incenso e mirra. J\u00e1 sabemos que, desde Ireneu de Li\u00e3o (130-203), mas entenda-se bem que isto \u00e9 secund\u00e1rio, o ouro simboliza a realeza, o incenso a divindade, e a mirra a morte e o sepultamento. Em antigas representa\u00e7\u00f5es da adora\u00e7\u00e3o dos Magos, e tendo em conta os tr\u00eas dons, aparecem figurados tr\u00eas Magos: um jovem, um homem adulto e um velho: um asi\u00e1tico, um europeu e um africano. Estas figura\u00e7\u00f5es n\u00e3o condizem com a letra do texto, mas traduzem o esp\u00edrito do Evangelho, indicando que Jesus veio para todos os homens, jovens e velhos, s\u00e1bios e gente simples, de todas as cores e formas de vida, para a todos dar a conhecer Deus como Pai, e a todos trazer a luz da vida eterna.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">6. Pode acrescentar-se ainda, mas tamb\u00e9m isto \u00e9 claramente secund\u00e1rio, que muitos astr\u00f3nomos, historiadores e curiosos se t\u00eam esfor\u00e7ado por identificar aquela estrela que despontou e guiou os Magos, apresentando como hip\u00f3teses mais vi\u00e1veis: a) o cometa Halley, que se fez ver em 12-11 a.C.; b) a tr\u00edplice conjun\u00e7\u00e3o de J\u00fapiter e Saturno na constela\u00e7\u00e3o de Peixes, ocorrida em 7 a.C.; c) uma\u00a0<em>nova<\/em>\u00a0ou\u00a0<em>supernova<\/em>, vis\u00edvel em 5-4 a.C. Esta \u00faltima est\u00e1 registada nos observat\u00f3rios astron\u00f3micos chineses. A conjun\u00e7\u00e3o de J\u00fapiter e Saturno na constela\u00e7\u00e3o de Peixes est\u00e1 registada nos observat\u00f3rios da Babil\u00f3nia e do Egito. Johannes Kepler (1571-1630), que estudou este assunto em pormenor, dedica particular aten\u00e7\u00e3o aos fen\u00f3menos registados em b) e c). Note-se, por\u00e9m, que a estrela dos Magos \u00e9 s\u00f3 vista por eles, estrangeiros como Bala\u00e3o, que tamb\u00e9m v\u00ea de modo diferente dos outros. Rir-se-iam os Magos certamente, se soubessem que n\u00f3s indagamos os c\u00e9us com instrumentos cient\u00edficos \u00e0 procura da estrela que alumiava o seu cora\u00e7\u00e3o. \u00c9 assim que \u00abmuitos vir\u00e3o do Oriente e do Ocidente, isto \u00e9, de fora, e sentar-se-\u00e3o \u00e0 mesa no Reino dos C\u00e9us\u00bb (Mateus 8,11). E n\u00f3s, que tamb\u00e9m indagamos as Escrituras sem lhes descobrirmos o verdadeiro fio de ouro (cf. Mateus 2,4-6), poderemos ficar tragicamente fora da porta e fora do sentido (Mateus 8,12). Que os de fora passem \u00e0 frente dos de dentro \u00e9 a surpresa de Deus, e, portanto, uma constante no Evangelho (Mateus 21,33-43; 22,1-13; Lucas 13,22-29). Os de fora s\u00e3o os estrangeiros como Bala\u00e3o, como os Magos, que v\u00eam e veem de longe, com o olhar puro, sem esquadrias ou sistemas ou ideologias.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">7. Est\u00e1 tamb\u00e9m a transbordar de sentido aquela \u00faltima anota\u00e7\u00e3o: \u00abPor outra estrada regressaram \u00e0 sua terra\u00bb (Mateus 2,12). Sim, quem viu o que os Magos viram, quem encontrou o que eles encontraram, quem experimentou o que eles experimentaram, n\u00e3o pode mais limitar-se a continuar seja o que for, a andar pelos mesmos caminhos. Tudo tem mesmo de ser novo. A estrada tem de ser outra.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">8. Ilustra bem o grandioso texto do Evangelho de Mateus o soberbo texto de Isa\u00edas 60,1-6, que canta Jerusal\u00e9m personificada como m\u00e3e extremosa que v\u00ea chegar dos quatro pontos cardeais os seus filhos e filhas perdidos nos ex\u00edlios de todos os tempos e lugares. Tamb\u00e9m n\u00e3o falta a luz que desponta (<em>anatele\u00ee<\/em>) (Isa\u00edas 60,1) e os muitos presentes, os tais fios que se v\u00e3o juntar no Evangelho de hoje, de Mateus.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">9. Tamb\u00e9m os versos sublimes do Salmo Real 72 cantam a mesma melodia de alegria que se insinua nas pregas do cora\u00e7\u00e3o da inteira humanidade maravilhada com a presen\u00e7a de Rei t\u00e3o carinhoso. Tamb\u00e9m aqui encontramos a hiperb\u00f3lica \u00abidade do ouro\u00bb, o gr\u00e3o que cresce mesmo no cimo das colinas, e a felicidade dos pobres, que ser\u00e3o sempre os melhores \u00abclientes\u00bb de Deus. Extraordin\u00e1ria condensa\u00e7\u00e3o da esperan\u00e7a da nossa humanidade \u00e0 deriva.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">10. E o Ap\u00f3stolo Paulo (Ef\u00e9sios 3,2-3 e 5-6) faz saber, para espanto, maravilha e alegria nossa, que os pag\u00e3os s\u00e3o co-herdeiros e comparticipantes da Promessa de Deus em Jesus Cristo, por meio do Evangelho.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">11. Sim. Falta dizer que, no meio de tanta Luz, Presentes e Alegria para todos, vindos da Epifania, que significa manifesta\u00e7\u00e3o de Deus entre n\u00f3s e para n\u00f3s, n\u00e3o podemos hoje esquecer as crian\u00e7as e a miss\u00e3o. Hoje celebra-se o dia da \u00abInf\u00e2ncia Mission\u00e1ria\u00bb, que gosto de ver sempre envolta no belo lema: \u00abO Evangelho viaja sem passaporte\u00bb. Para significar que o Evangelho nos faz verdadeiramente filhos e irm\u00e3os. E entre filhos e irm\u00e3os n\u00e3o h\u00e1 fronteiras nem barreiras nem muros ou qualquer separa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">12. Sonho um mundo assim. E parece-me que s\u00f3 as crian\u00e7as nos podem ensinar esta li\u00e7\u00e3o maravilhosa.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u00a0<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Is 60,1-6; Sl 72; Ef 3,2-3.5-6; Mt 2,1-12 1. \u00abEu o vejo, mas n\u00e3o agora, eu o contemplo, mas n\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2378586270,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[70],"class_list":["post-1681181059","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-liturgia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1681181059","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1681181059"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1681181059\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4294994992,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1681181059\/revisions\/4294994992"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2378586270"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1681181059"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1681181059"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1681181059"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}