{"id":1775514425,"date":"2023-04-08T00:00:00","date_gmt":"2023-04-08T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/326-vaticano\/12100-homilia-do-papa-na-vigilia-pascal"},"modified":"2023-04-08T00:00:00","modified_gmt":"2023-04-08T00:00:00","slug":"homilia-do-papa-na-vigilia-pascal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/homilia-do-papa-na-vigilia-pascal\/","title":{"rendered":"Homilia do Papa na Vig\u00edlia Pascal"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/papa_vigilia_pascoa_190422085337.jpg\"\/><\/p>\n<p><p><em>Na &#8216;v\u00edgilia das v\u00edgilias&#8217;, a que presidiu na Bas\u00edlic<\/em>a de S\u00e3o Pedro, no Vaticano, o Santo Padre desafiou os crentes a&#8221;reavivar a f\u00e9&#8221; e a &#8220;experimentar a imensa surpresa e alegria das mulheres que foram as testemunhas do t\u00famulo vazio&#8221;<\/p>\n<p>Leia, na \u00edntegra, a homilia do Papa Francisco<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A noite est\u00e1 a chegar ao fim e come\u00e7am j\u00e1 a despontar os primeiros fulgores da aurora, quando as mulheres saem para o t\u00famulo de Jesus. Caminham com passo incerto, olhar perdido e o cora\u00e7\u00e3o dilacerado de dor por aquela morte que lhes arrebatou o Amado. Mas tendo chegado l\u00e1, ao ver o t\u00famulo vazio, invertem o rumo, mudam de estrada; abandonam o sepulcro e correm a anunciar aos disc\u00edpulos um percurso novo: Jesus ressuscitou e\u00a0<em>espera-os na Galileia<\/em>. Na vida destas mulheres, aconteceu a P\u00e1scoa, que significa\u00a0<em>passagem<\/em>: de facto, passam do caminho triste rumo ao sepulcro para uma corrida jubilosa at\u00e9 junto dos disc\u00edpulos, a fim de lhes dizer n\u00e3o s\u00f3 que o Senhor ressuscitou, mas que h\u00e1 uma meta a alcan\u00e7ar imediatamente, a Galileia. O encontro com o Ressuscitado \u00e9 l\u00e1. O renascimento dos disc\u00edpulos, a ressurrei\u00e7\u00e3o do seu cora\u00e7\u00e3o passa pela Galileia. Entremos tamb\u00e9m n\u00f3s neste caminho dos disc\u00edpulos, que vai do t\u00famulo \u00e0 Galileia.<\/p>\n<p>As mulheres \u2013 diz o Evangelho \u2013 \u00abforam visitar o sepulcro\u00bb (<em>Mt<\/em>\u00a028, 1). Pensam que Jesus Se encontre no lugar da morte, e que tudo tenha acabado para sempre. \u00c0s vezes acontece-nos, tamb\u00e9m a n\u00f3s, pensar que a alegria do encontro com Jesus perten\u00e7a ao passado, enquanto aquilo que o presente nos d\u00e1 a conhecer s\u00e3o sobretudo t\u00famulos selados: os t\u00famulos das nossas desilus\u00f5es, amarguras e difid\u00eancia, os t\u00famulos do \u00abn\u00e3o h\u00e1 mais nada a fazer\u00bb, \u00abas coisas n\u00e3o mudar\u00e3o jamais\u00bb, \u00abmelhor gozar o dia a dia\u00bb porque \u00abdo amanh\u00e3 n\u00e3o estamos seguros\u00bb. Tamb\u00e9m n\u00f3s, se fomos amofinados pela dor, oprimidos pela tristeza, humilhados pelo pecado, amargurados por algum fracasso ou pressionados por alguma preocupa\u00e7\u00e3o, experimentamos o gosto amargo do cansa\u00e7o e vimos a alegria apagar-se no cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c0s vezes notamos simplesmente o peso de levar por diante a vida quotidiana, cansados de arriscar pessoalmente contra uma esp\u00e9cie de muro de borracha dum mundo onde parecem prevalecer sempre as leis do mais astuto e do mais forte. Outras vezes sentimo-nos impotentes e desanimados perante o poder do mal, os conflitos que dilaceram as rela\u00e7\u00f5es, as l\u00f3gicas feitas de c\u00e1lculo e indiferen\u00e7a que parecem governar a sociedade, o c\u00e2ncer da corrup\u00e7\u00e3o \u2013 e h\u00e1 tanta \u2013, a propaga\u00e7\u00e3o da injusti\u00e7a, os ventos g\u00e9lidos da guerra. Mais ainda, talvez nos tenhamos defrontado com a morte, ao roubar-nos a doce presen\u00e7a dos nossos queridos ou ro\u00e7ar-nos por um triz na doen\u00e7a ou nas calamidades, e facilmente ca\u00edmos v\u00edtimas da desilus\u00e3o e secou a fonte da esperan\u00e7a. Assim, por estas ou outras situa\u00e7\u00f5es \u2013 cada um de n\u00f3s conhece as suas \u2013, os nossos caminhos det\u00eam-se perante t\u00famulos e n\u00f3s ficamos im\u00f3veis a chorar e lamentar-nos, repetindo, sozinhos e impotentes, os nossos \u00abporqu\u00eas\u00bb. Aquela cadeia de \u00abporqu\u00eas\u00bb&#8230;<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio, as mulheres na P\u00e1scoa n\u00e3o ficam paralisadas diante dum t\u00famulo, mas \u2013 diz o Evangelho \u2013 \u00abafastando-se rapidamente do sepulcro, cheias de temor e grande alegria, as mulheres correram a dar a not\u00edcia aos disc\u00edpulos\u00bb (28, 8). Levam a not\u00edcia que mudar\u00e1 para sempre a vida e a hist\u00f3ria: Cristo ressuscitou! (28, 6). E, ao mesmo tempo guardam e transmitem a recomenda\u00e7\u00e3o do Senhor, o seu convite aos disc\u00edpulos, ou seja, que\u00a0<em>partam para a Galileia<\/em>, porque l\u00e1 O ver\u00e3o (cf. 28, 7). Mas, irm\u00e3os e irm\u00e3s, perguntamo-nos hoje: que significa ir para a Galileia? Duas coisas: a primeira, sair da clausura do Cen\u00e1culo partindo para a regi\u00e3o habitada pelos gentios (cf.\u00a0<em>Mt<\/em>\u00a04, 15), sair do escondimento para se abrir \u00e0 miss\u00e3o, escapar do medo para\u00a0<em>caminhar rumo ao futuro<\/em>. A segunda \u2013 e isto \u00e9 maravilhoso \u2013,\u00a0<em>voltar \u00e0s origens<\/em>, porque precisamente na Galileia \u00e9 que\u00a0<em>tudo come\u00e7ara.<\/em>\u00a0L\u00e1 o Senhor encontrara e chamara pela primeira vez os disc\u00edpulos. Portanto, ir para a Galileia \u00e9 voltar \u00e0 gra\u00e7a primordial, \u00e9 readquirir a mem\u00f3ria que regenera a esperan\u00e7a, a \u00abmem\u00f3ria do futuro\u00bb com que fomos marcados pelo Ressuscitado.<\/p>\n<p>Vemos assim o que faz a P\u00e1scoa do Senhor: impele-nos a seguir em frente, sair da sensa\u00e7\u00e3o de derrota, rolar a pedra dos sepulcros onde muitas vezes encerramos a esperan\u00e7a, olhar o futuro com confian\u00e7a, porque Cristo ressuscitou e mudou a dire\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria; mas, para o conseguir, a P\u00e1scoa do Senhor leva-nos ao nosso passado de gra\u00e7a, faz-nos regressar \u00e0 Galileia, onde teve in\u00edcio a nossa hist\u00f3ria de amor com Jesus, onde ocorreu o primeiro chamamento. Por outras palavras, pede-nos para reviver o momento, a situa\u00e7\u00e3o, a experi\u00eancia em que encontramos o Senhor, experimentamos o seu amor e recebemos um olhar novo e luminoso sobre n\u00f3s mesmos, sobre a realidade, sobre o mist\u00e9rio da vida. Irm\u00e3os e irm\u00e3s, para ressuscitar, recome\u00e7ar, retomar o caminho, precisamos sempre de voltar \u00e0 Galileia, isto \u00e9, voltar, n\u00e3o a um Jesus abstrato, ideal, mas \u00e0 mem\u00f3ria viva, \u00e0 mem\u00f3ria concreta e palpitante do primeiro encontro com Ele. Sim, para caminhar devemos recordar; para ter esperan\u00e7a devemos nutrir a mem\u00f3ria. E este \u00e9 o convite:\u00a0<em>recorda e caminha!<\/em>\u00a0Se recuperares o primeiro amor, o deslumbramento e a alegria do encontro com Deus, seguir\u00e1s para a frente. Recorda e caminha.<\/p>\n<p>Recorda a tua Galileia, e caminha para a tua Galileia. \u00c9 o \u00ablugar\u00bb onde conheceste pessoalmente Jesus, onde Ele deixou de ser, para ti, uma personagem hist\u00f3rica como outras, tornando-Se\u00a0<em>a pessoa da tua vida<\/em>: n\u00e3o um Deus distante, mas o Deus pr\u00f3ximo, que te conhece melhor do que ningu\u00e9m e te ama mais do que qualquer outra pessoa. Irm\u00e3o, irm\u00e3, traz \u00e0 mem\u00f3ria a Galileia, a tua Galileia: a Galileia da tua chamada, daquela Palavra de Deus que, num momento concreto, foi dirigida precisamente a ti; daquela forte experi\u00eancia no Esp\u00edrito, da maior alegria do perd\u00e3o sentida depois daquela Confiss\u00e3o, daquele momento intenso e inesquec\u00edvel de ora\u00e7\u00e3o, daquela luz que se acendeu no teu \u00edntimo e transformou a tua vida, daquele encontro, daquela peregrina\u00e7\u00e3o, etc. Cada um de n\u00f3s sabe onde se encontra a sua Galileia, cada um de n\u00f3s conhece o pr\u00f3prio lugar da ressurrei\u00e7\u00e3o interior, lugar inicial, fundante, que mudou as coisas. N\u00e3o podemos deix\u00e1-lo no passado, o Ressuscitado convida-nos a ir at\u00e9 l\u00e1, para celebrar a P\u00e1scoa. Recorda a tua Galileia, tr\u00e1-la \u00e0 mem\u00f3ria, reaviva-a hoje mesmo. Volta \u00e0quele primeiro encontro. Interroga-te como e quando foi, reconstr\u00f3i o seu contexto, tempo e lugar, repassa a emo\u00e7\u00e3o e as sensa\u00e7\u00f5es, revive as suas cores e sabores. Com efeito, tu sabes, foi quando esqueceste aquele primeiro amor, quando olvidaste aquele primeiro encontro que come\u00e7ou a depositar-se o p\u00f3 no teu cora\u00e7\u00e3o. E experimentaste a tristeza e, como para os disc\u00edpulos, tudo parecia carecido de perspetiva, com um rochedo selando a esperan\u00e7a. Mas hoje, irm\u00e3o, irm\u00e3, a for\u00e7a da P\u00e1scoa convida a rolar para fora as pedras da desilus\u00e3o e da desconfian\u00e7a; o Senhor, perito em derrubar as pedras tumulares do pecado e do medo, quer iluminar a tua mem\u00f3ria santa, a tua recorda\u00e7\u00e3o mais bela, tornar atual aquele primeiro encontro com Ele. Recorda e caminha: volta para Ele, redescobre a gra\u00e7a da ressurrei\u00e7\u00e3o de Deus em ti! Volta \u00e0 Galileia, volta \u00e0\u00a0<em>tua<\/em>\u00a0Galileia.<\/p>\n<p>Irm\u00e3os, irm\u00e3s, sigamos Jesus at\u00e9 \u00e0 Galileia, encontremo-Lo e adoremo-Lo l\u00e1 onde Ele espera cada um de n\u00f3s. Revivamos a beleza daquele momento em que, depois de O ter descoberto vivo, O proclamamos Senhor da nossa vida. Voltemos \u00e0 Galileia, \u00e0 Galileia do primeiro amor, cada um volte \u00e0 sua pr\u00f3pria Galileia, a do primeiro encontro, e ressurjamos para uma vida nova!<\/p>\n<p>Imagem: Vatican Media<\/p>\n<p>Educris|08.04.2023<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na &#8216;v\u00edgilia das v\u00edgilias&#8217;, a que presidiu na Bas\u00edlica de S\u00e3o Pedro, no Vaticano, o Santo Padre desafiou os crentes [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4227830725,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[64],"class_list":["post-1775514425","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-vaticano"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1775514425","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1775514425"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1775514425\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4227830725"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1775514425"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1775514425"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1775514425"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}