{"id":1795541834,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/326-vaticano\/11838-homilia-do-papa-francisco-na-santa-missa-na-solenidade-do-natal-do-senhor"},"modified":"2025-11-07T16:34:44","modified_gmt":"2025-11-07T16:34:44","slug":"homilia-do-papa-francisco-na-santa-missa-na-solenidade-do-natal-do-senhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/homilia-do-papa-francisco-na-santa-missa-na-solenidade-do-natal-do-senhor\/","title":{"rendered":"Homilia do Papa Francisco, na Santa Missa na Solenidade do Natal do Senhor"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/papa_cinzas_160210073943.jpg\" \/><\/p>\n<p><p><em>Na eucaristia da noite de Natal, o Papa Francisco questionou os crist\u00e3os acerca do verdadeiro significado desta festividade. Aos presentes o Papa desafiou a contemplar o pres\u00e9pio e a l\u00ea-lo a partir da &#8220;proximidade, pobreza e concretismo&#8221;<\/em><\/p>\n<p>Leia, na \u00edntegra, a homilia do Santo Padre<\/p>\n<p>Esta noite, que significado tem ainda para as nossas vidas? Transcorridos dois mil\u00e9nios desde o nascimento de Jesus, ap\u00f3s tantos Natais comemorados no meio de ornamenta\u00e7\u00f5es e prendas, depois de tanto consumismo que envolveu o mist\u00e9rio que celebramos, corremos um risco: o de sabermos muitas coisas sobre o Natal, mas esquecermos o seu significado. Como voltar a encontrar o significado do Natal? E sobretudo aonde ir procur\u00e1-lo? O Evangelho do nascimento de Jesus parece escrito precisamente para isto: tomar-nos pela m\u00e3o e levar-nos l\u00e1 onde Deus quer. Sigamos o Evangelho!<\/p>\n<p>De facto, come\u00e7a com uma situa\u00e7\u00e3o parecida com a nossa: todos estavam preocupados e atarefados com um evento importante em desenvolvimento \u2013 o grande recenseamento \u2013 que exigia muitos preparativos. Neste sentido, o clima de ent\u00e3o era semelhante ao que nos envolve, hoje, no Natal. Mas a narra\u00e7\u00e3o do Evangelho distancia-se daquele cen\u00e1rio mundano. Deixa de lado rapidamente aquela imagem para enquadrar e insistir noutra realidade; det\u00e9m-se num pequeno objeto, aparentemente insignificante, que menciona tr\u00eas vezes e para o qual convergem os protagonistas da narra\u00e7\u00e3o: primeiro Maria, que recostou Jesus \u00abnuma manjedoura\u00bb (<em>Lc<\/em>\u00a02, 7); depois os anjos, que anunciam aos pastores \u00abum menino envolto em panos e deitado numa manjedoura\u00bb (2, 12); em seguida os pastores, que encontram \u00abo menino deitado na manjedoura\u00bb (2, 16). A manjedoura! Para voltar a encontrar o sentido do Natal, \u00e9 preciso fixar nela o olhar. E por que \u00e9 t\u00e3o importante a manjedoura? Porque \u00e9 o sinal, n\u00e3o casual, com que Cristo entra em cena no mundo. \u00c9 o manifesto com que Se apresenta, o modo como Deus nasce na hist\u00f3ria para fazer renascer a hist\u00f3ria. Que nos quer dizer ent\u00e3o a manjedoura? Quer-nos dizer pelo menos tr\u00eas coisas:\u00a0<em>proximidade<\/em>,\u00a0<em>pobreza<\/em>\u00a0e\u00a0<em>concretismo<\/em>.<\/p>\n<p>1.\u00a0<em>Proximidade<\/em>. A manjedoura serve para deixar o alimento mais pr\u00f3ximo da boca e assim consumi-lo mais depressa. Deste modo pode simbolizar um aspeto da humanidade: a voracidade em consumir. Pois, enquanto os animais no est\u00e1bulo consomem alimento, os homens no mundo, esfomeados de poder e dinheiro, consomem mesmo os seus vizinhos, os seus irm\u00e3os. Tantas guerras! Em tantos lugares, ainda hoje, s\u00e3o espezinhadas a dignidade e a liberdade! E as principais v\u00edtimas da voracidade humana s\u00e3o sempre os fr\u00e1geis, os vulner\u00e1veis. Tamb\u00e9m neste Natal, uma humanidade insaci\u00e1vel de dinheiro, insaci\u00e1vel de poder e insaci\u00e1vel de prazer n\u00e3o d\u00e1 lugar \u2013 como sucedeu com Jesus (cf. 2, 7) \u2013 aos mais pequenos, a tantos nascituros, pobres, abandonados. Penso sobretudo nas crian\u00e7as devoradas por guerras, pobreza e injusti\u00e7a. Mas \u00e9 precisamente l\u00e1 que vem Jesus, menino na manjedoura do descarte e da rejei\u00e7\u00e3o. N\u2019Ele, menino de Bel\u00e9m, est\u00e1 cada crian\u00e7a. E est\u00e1 o convite a olhar a vida, a pol\u00edtica e a hist\u00f3ria com os olhos das crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Na manjedoura inc\u00f3moda da rejei\u00e7\u00e3o, acomoda-Se Deus: vem para ali, porque nela est\u00e1 o problema da humanidade, a indiferen\u00e7a gerada pela pressa devoradora de possuir e consumir. Cristo nasce l\u00e1 e, naquela manjedoura, descobrimo-Lo pr\u00f3ximo. Vem aonde se devora o alimento para Se fazer nosso alimento. Deus n\u00e3o \u00e9 um pai que devora os seus filhos, mas o Pai que, em Jesus, nos faz seus filhos e nutre de ternura. Vem tocar-nos o cora\u00e7\u00e3o, dizendo que a \u00fanica for\u00e7a que muda o curso da hist\u00f3ria \u00e9 o amor. N\u00e3o permanece distante nem permanece poderoso, mas faz-Se pr\u00f3ximo e humilde; Ele, que estava sentado no C\u00e9u, deixa-Se recostar numa manjedoura.<\/p>\n<p>Irm\u00e3o, irm\u00e3, nesta noite Deus aproxima-Se de ti, porque Se importa contigo. Da manjedoura, como alimento para a tua vida, diz-te: \u00abSe te sentes consumido pelos acontecimentos, se o teu sentimento de culpa e a tua inadequa\u00e7\u00e3o te devoram, se tens fome de justi\u00e7a, Eu \u2013 o teu Deus \u2013 estou contigo. Sei aquilo que tu vives, experimentei-o naquela manjedoura. Conhe\u00e7o as tuas mis\u00e9rias e a tua hist\u00f3ria. Nasci para te dizer que estou, e sempre estarei, pr\u00f3ximo de ti\u00bb. A manjedoura do Natal, primeira mensagem dum Deus menino, diz-nos que Ele est\u00e1 connosco, ama-nos, procura-nos. Coragem! N\u00e3o te deixes vencer pelo medo, a resigna\u00e7\u00e3o, o des\u00e2nimo. Deus nasce numa manjedoura para te fazer renascer precisamente l\u00e1 onde pensavas ter tocado o fundo. N\u00e3o h\u00e1 mal, n\u00e3o h\u00e1 pecado de que Jesus n\u00e3o queira e n\u00e3o possa salvar-te. Natal significa dizer que Deus est\u00e1 pr\u00f3ximo: renas\u00e7a a confian\u00e7a!<\/p>\n<p>2. Al\u00e9m de proximidade, a manjedoura de Bel\u00e9m fala-nos tamb\u00e9m de\u00a0<em>pobreza<\/em>. Na realidade, \u00e0 volta duma manjedoura, n\u00e3o h\u00e1 grande coisa: tojo, qualquer animal e pouco mais. As pessoas hospedavam-se no quentinho dos albergues, n\u00e3o no est\u00e1bulo frio duma pens\u00e3o; mas aqui nasceu Jesus, e a manjedoura lembra-nos que nada mais havia em redor sen\u00e3o quem Lhe queria bem: Maria, Jos\u00e9 e alguns pastores\u2026 todos, pobres, irmanados pelo afeto e a maravilha, n\u00e3o por riquezas e grandes possibilidades. E assim a pobre manjedoura faz emergir as verdadeiras riquezas da vida: n\u00e3o o dinheiro nem o poder, mas as rela\u00e7\u00f5es e as pessoas.<\/p>\n<p>E a primeira pessoa, a primeira riqueza \u00e9 precisamente Jesus. Mas n\u00f3s\u2026 queremos mesmo estar ao seu lado? Aproximamo-nos d\u2019Ele, amamos a sua pobreza? Ou preferimos cingir-nos comodamente aos nossos interesses? Sobretudo visitamo-Lo onde Se encontra, isto \u00e9, nas pobres manjedouras do nosso mundo? \u00c9 l\u00e1 que Ele est\u00e1 presente. E n\u00f3s somos chamados a ser uma Igreja que adora Jesus pobre, e serve Jesus nos pobres. Como disse um santo bispo: \u00abA Igreja apoia e aben\u00e7oa os esfor\u00e7os tendentes a transformar as estruturas de injusti\u00e7a colocando apenas uma condi\u00e7\u00e3o: que as transforma\u00e7\u00f5es sociais, econ\u00f3micas e pol\u00edticas redundem em aut\u00eantico benef\u00edcio para os pobres\u00bb (O. A. Romero,\u00a0<em>Mensagem Pastoral para o Novo Ano<\/em>, 01\/I\/1980). Certamente n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil deixar o t\u00e9pido calor do mundanismo para abra\u00e7ar a nua beleza da gruta de Bel\u00e9m, mas lembremo-nos de que, sem os pobres, verdadeiramente n\u00e3o \u00e9 Natal. Sem eles, festeja-se o Natal, mas n\u00e3o o de Jesus&#8230; Irm\u00e3os, irm\u00e3s, no Natal Deus \u00e9 pobre: renas\u00e7a a caridade!<\/p>\n<p>3. Chegamos assim ao \u00faltimo ponto: a manjedoura fala-nos de\u00a0<em>concretismo<\/em>. De facto, um beb\u00e9 numa manjedoura constitui uma cena chocante, at\u00e9 mesmo uma cena dura. Lembra-nos que Deus Se fez verdadeiramente carne. Por isso, a seu respeito, j\u00e1 n\u00e3o bastam teorias, belos pensamentos e devotos sentimentos. Jesus, que nasce pobre, viver\u00e1 pobre e morrer\u00e1 pobre, n\u00e3o fez muitos discursos sobre a pobreza, mas viveu-a, em toda a sua profundidade, por n\u00f3s. Da manjedoura \u00e0 cruz, o seu amor por n\u00f3s foi palp\u00e1vel, concreto: do nascimento \u00e0 morte, o filho do carpinteiro abra\u00e7ou a aspereza da madeira, a aspereza da nossa exist\u00eancia. N\u00e3o nos amou com palavras, n\u00e3o nos amou por divertimento!<\/p>\n<p>Por conseguinte n\u00e3o Se contenta com apar\u00eancias. N\u00e3o quer apenas bons prop\u00f3sitos, Ele que Se fez carne. Ele que nasceu na manjedoura, procura uma f\u00e9 concreta, feita de adora\u00e7\u00e3o e caridade, n\u00e3o de palavreado e exterioridade. Ele, que Se deixa colocar na manjedoura nu e, nu, O colocar\u00e3o na cruz, pede-nos verdade, descendo \u00e0 realidade nua e crua das coisas, abandonando ao p\u00e9 da manjedoura desculpas, justifica\u00e7\u00f5es e hipocrisias. Ele, que foi ternamente envolvido em panos por Maria, quer que nos revistamos de amor. Deus n\u00e3o quer apar\u00eancia, mas concretismo. N\u00e3o deixemos passar este Natal, irm\u00e3os e irm\u00e3s, sem fazer algo de bom. Uma vez que \u00e9 a festa d\u2019Ele, o seu anivers\u00e1rio, ofere\u00e7amos-Lhe prendas de que Ele gosta! No Natal, Deus \u00e9 concreto: em seu nome, fa\u00e7amos renascer um pouco de esperan\u00e7a em quem a perdeu!<\/p>\n<p>Jesus, contemplamo-Vos recostado na manjedoura. Vemo-Vos t\u00e3o\u00a0<em>pr\u00f3ximo<\/em>, perto de n\u00f3s para sempre\u2026 Obrigado, Senhor! Vemo-Vos\u00a0<em>pobre<\/em>, ensinando-nos que a verdadeira riqueza n\u00e3o est\u00e1 nas coisas, mas nas pessoas, sobretudo nos pobres: desculpai, Senhor, se n\u00e3o Vos reconhecemos e servimos neles. Vemo-Vos\u00a0<em>concreto<\/em>, porque concreto \u00e9 o vosso amor por n\u00f3s: Jesus, ajudai-nos a dar carne e vida \u00e0 nossa f\u00e9. Amen.<\/p>\n<p>Imagem: Vatican MEDIA<\/p>\n<p>24.12.2022<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na eucaristia da noite de Natal, o Papa Francisco questionou os crist\u00e3os acerca do verdadeiro significado desta festividade. 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