{"id":182962220,"date":"2023-10-04T00:00:00","date_gmt":"2023-10-04T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/326-vaticano\/12487-o-sinodo-nao-e-um-parlamento-o-protagonista-e-o-espirito-santo-afirma-o-papa"},"modified":"2023-10-04T00:00:00","modified_gmt":"2023-10-04T00:00:00","slug":"o-sinodo-nao-e-um-parlamento-o-protagonista-e-o-espirito-santo-afirma-o-papa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/o-sinodo-nao-e-um-parlamento-o-protagonista-e-o-espirito-santo-afirma-o-papa\/","title":{"rendered":"\u00abO S\u00ednodo n\u00e3o \u00e9 um parlamento. O protagonista \u00e9 o Esp\u00edrito Santo\u00bb, afirma o Papa"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/vaticano_4_231004104425.jpg\"\/><\/p>\n<p><p><em>Eucaristia marca a aberura da Assembleia Geral ordin\u00e1ria do Sinodo dos Bispos. Francisco evoca Conc\u00edlio Vaticano II e Bento XVI e pede uma Igreja de \u201cportas abertas a todos, a todos, a todos!&#8221;<\/em><\/p>\n<p>Leia na \u00edntegra, e em portugu\u00eas, a homilia do Santo Padre<\/p>\n<p>O Evangelho que acab\u00e1mos de escutar \u00a0\u00e9 precedido pela hist\u00f3ria de um momento dif\u00edcil da miss\u00e3o de Jesus, que poder\u00edamos definir como \u201cdesola\u00e7\u00e3o pastoral\u201d: Jo\u00e3o Batista duvida que ele seja realmente o Messias; muitas cidades por onde passou, apesar dos milagres realizados, n\u00e3o se converteram; as pessoas acusam-no de ser um glut\u00e3o e um b\u00eabado, quando ainda, pouco tempo antes, se queixavam do Batista porque era muito austero (cf. Mt 11, 2-24). Contudo, vemos que Jesus n\u00e3o se deixa levar pela tristeza, mas eleva os olhos ao c\u00e9u e aben\u00e7oa o Pai porque revelou aos simples os mist\u00e9rios do Reino de Deus: \u00abEu te louvo, Pai, Senhor de c\u00e9u e a terra, porque escondeste estas coisas aos s\u00e1bios e instru\u00eddos e as revelaste aos pequeninos\u00bb (Mt 11,25). No momento da desola\u00e7\u00e3o, portanto, Jesus tem um olhar capaz de ver al\u00e9m: louva a sabedoria do Pai e sabe ver o bem escondido que cresce, a semente da Palavra acolhida pelos simples, \u00e0 luz do Reino de Deus que caminha tamb\u00e9m durante a noite.<\/p>\n<p>Queridos irm\u00e3os Cardeais, irm\u00e3os Bispos, irm\u00e3s e irm\u00e3os, estamos na abertura da Assembleia Sinodal. E n\u00e3o precisamos de um olhar imanente, feito de estrat\u00e9gias humanas, de c\u00e1lculos pol\u00edticos ou de batalhas ideol\u00f3gicas \u2013 se o S\u00ednodo d\u00e1 esta permiss\u00e3o, aquela outra, abre esta porta, aquela outra \u2013 n\u00e3o serve para nada. N\u00e3o estamos aqui para realizar uma reuni\u00e3o parlamentar ou um plano de reforma. O S\u00ednodo, queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s, n\u00e3o \u00e9 um parlamento. O protagonista \u00e9 o Esp\u00edrito Santo. N\u00e3o. N\u00e3o estamos aqui para fazer parlamento, mas para caminhar juntos com o olhar de Jesus, que aben\u00e7oa o Pai e acolhe quem est\u00e1 cansado e oprimido. Partimos, portanto, do olhar de Jesus, que \u00e9 um olhar aben\u00e7oador e acolhedor.<\/p>\n<p>1. Vejamos o primeiro aspeto: um olhar de b\u00ean\u00e7\u00e3o. Apesar de ter experimentado a rejei\u00e7\u00e3o e de ter visto ao seu redor tanta dureza de cora\u00e7\u00e3o, Cristo n\u00e3o se deixa aprisionar pela desilus\u00e3o, n\u00e3o se torna amargo, n\u00e3o extingue o louvor; o seu cora\u00e7\u00e3o, fundado no primado do Pai, permanece calmo mesmo na tempestade.<\/p>\n<p>Este olhar de ben\u00e7\u00e3o do Senhor convida-nos tamb\u00e9m a ser uma Igreja que, com alma alegre, contempla a a\u00e7\u00e3o de Deus e discerne o presente. E que, no meio das ondas por vezes agitadas do nosso tempo, n\u00e3o desanima, n\u00e3o procura lacunas ideol\u00f3gicas, n\u00e3o se barrica atr\u00e1s de cren\u00e7as adquiridas, n\u00e3o cede a solu\u00e7\u00f5es convenientes, n\u00e3o deixa o mundo ditar a sua agenda. Esta \u00e9 a sabedoria espiritual da Igreja, resumida com serenidade por S\u00e3o Jo\u00e3o XXIII: \u00ab\u00c9 necess\u00e1rio antes de tudo que a Igreja nunca tire os olhos da heran\u00e7a sagrada da verdade recebida dos antigos; e ao mesmo tempo necessta de olhar tamb\u00e9m para o presente, que trouxe novas situa\u00e7\u00f5es e novos modos de vida, e abre novos caminhos para o apostolado\u00bb (Discurso de abertura solene do Conc\u00edlio Ecum\u00e9nico Vaticano II, 11 outubro de 1962).<\/p>\n<p>O olhar dew ben\u00e7\u00e3o de Jesus convida-nos a ser uma Igreja que n\u00e3o enfrenta os desafios e os problemas de hoje com um esp\u00edrito divisivo e conflituoso, mas que, pelo contr\u00e1rio, dirige o olhar para Deus que \u00e9 comunh\u00e3o e, com espanto e humildade, o aben\u00e7oa e adora-o, reconhecendo-o como seu \u00fanico Senhor. Pertencemos a Ele e \u2013 lembremo-nos \u2013 existimos apenas para traz\u00ea-Lo ao mundo. Como nos disse o Ap\u00f3stolo Paulo, n\u00e3o temos outro \u00abgloriar-se sen\u00e3o na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo\u00bb (Gl 6,14). Isto \u00e9 suficiente, Ele \u00e9 suficiente para n\u00f3s. N\u00e3o queremos gl\u00f3rias terrenas, n\u00e3o queremos tornar-nos belos aos olhos do mundo, mas alcan\u00e7\u00e1-lo com a consola\u00e7\u00e3o do Evangelho, para melhor testemunhar, e a todos, o amor infinito de Deus. De facto, como afirmou Bento XVI ao discursar numa Assembleia sinodal, \u00aba quest\u00e3o para n\u00f3s \u00e9: Deus falou, quebrou verdadeiramente o grande sil\u00eancio, mostrou-se, mas como podemos fazer com que esta realidade chegue ao homem de hoje, para que se torne salva\u00e7\u00e3o?\u00bb (Medita\u00e7\u00e3o na I Congrega\u00e7\u00e3o Geral da XIII Assembleia Geral Ordin\u00e1ria do S\u00ednodo dos Bispos, 8 de outubro de 2012). Esta \u00e9 a quest\u00e3o fundamental. E esta \u00e9 a tarefa principal do S\u00ednodo: voltar a centrar o nosso olhar em Deus, ser uma Igreja que olha para a humanidade com miseric\u00f3rdia. Uma Igreja unida e fraterna \u2013 ou pelo menos que procura ser unida e fraterna \u2013, que escuta e dialoga; uma Igreja que aben\u00e7oa e encoraja, que ajuda quem busca o Senhor, eu dessasosega para o bem os indiferentes, que abre caminhos para iniciar as pessoas na beleza da f\u00e9. Uma Igreja que tem Deus no centro e que, portanto, n\u00e3o est\u00e1 dividida internamente e nunca \u00e9 \u00e1spera no exterior. Uma Igreja que corre riscos com Jesus: \u00e9 assim que Jesus quer a Igreja, \u00e9 assim que quer a sua Esposa.<\/p>\n<p>2. Depois deste olhar de ben\u00e7\u00e3o, contemplamos o olhar acolhedor de Cristo. Enquanto aqueles que se consideram s\u00e1bios n\u00e3o conseguem reconhecer a obra de Deus, Ele alegra-se no Pai porque este se revela aos pequenos, aos simples, aos pobres de esp\u00edrito. Uma vez havia uma dificuldade numa par\u00f3quia e as pessoas falaram dessa dificuldade, contaram-me coisas. E uma senhora idosa, muito idosa, uma senhora do povo, quase analfabeta, fez um discurso como uma te\u00f3loga, e com tanta mansid\u00e3o e sabedoria espiritual deu a sua contribui\u00e7\u00e3o. Lembro-me daquele momento como uma revela\u00e7\u00e3o do Senhor, at\u00e9 com alegria; e ocorreu -me perguntar-lhe: \u201cDiga-me, senhora, onde estudou, com Royo Mar\u00edn, esta teologia forte?\u201d. Os s\u00e1bios do povo t\u00eam esta f\u00e9. E por isso, ao longo da sua vida, assume este olhar hospitaleiro para com os mais fracos, os sofredores, os rejeitados. Ele dirigese a eles em particular, dizendo o que ouvimos:\u00ab\u201cVinde a mim, todos os que estais cansados ??e sobrecarregados, e eu vos aliviarei\u00bb (Mt 11,28).<\/p>\n<p>Este olhar acolhedor de Jesus convida-nos tamb\u00e9m a ser uma Igreja hospitaleira, n\u00e3o de portas fechadas. Num tempo complexo como o nosso, surgem novos desafios culturais e pastorais, que exigem uma atitude interna cordial e am\u00e1vel, para podermos confrontar-nos sem medo. No di\u00e1logo sinodal, nesta bela \u201cmarcha no Esp\u00edrito Santo\u201d que empreendemos juntos como Povo de Deus, podemos crescer na unidade e na amizade com o Senhor para olhar com o seu olhar os desafios de hoje; tornar-se, segundo uma bela express\u00e3o de S\u00e3o Paulo VI, uma Igreja que \u00abconversa\u00bb (Carta Enc\u00edclica Ecclesiam suam, n. 67). Uma Igreja \u201ccom jugo suave\u201d (cf. Mt 11,30), que n\u00e3o imp\u00f5e fardos e que repete a todos: \u00abVinde, v\u00f3s que estais cansados ??e oprimidos, vinde, v\u00f3s que vos perdestes ou que vos sentis distantes, vinde, v\u00f3s que fechastes as portas \u00e0 esperan\u00e7a: a Igreja est\u00e1 aqui para v\u00f3s!\u201d. A Igreja das portas abertas a todos, a todos, a todos!<\/p>\n<p>3. Irm\u00e3os e irm\u00e3s, Povo Santo de Deus, diante das dificuldades e dos desafios que nos esperam, o olhar de ben\u00e7\u00e3o e acolhedor de Jesus impede-nos de cair em algumas tenta\u00e7\u00f5es perigosas: a de ser uma Igreja r\u00edgida &#8211; um costume -, que se arma contra o mundo e olha para tr\u00e1s; de ser uma Igreja morna, que se entrega \u00e0s modas do mundo; de ser uma Igreja cansada, fechada em si mesma. No livro do Apocalipse, o Senhor diz: \u00abEstou \u00e0 porta e bato para que se abra\u00bb; mas muitas vezes, irm\u00e3os e irm\u00e3s, Ele bate \u00e0 porta, mas de dentro da Igreja, para que deixemos o Senhor sair com a Igreja para anunciar o seu Evangelho.<\/p>\n<p>Caminhemos juntos: humildes, ardentes e alegres. Caminhamos nas pegadas de S\u00e3o Francisco de Assis, o Santo da pobreza e da paz, o \u201clouco de Deus\u201d que carregou no corpo os estigmas de Jesus e, para vestir-se Nele, se despojou de tudo. Qu\u00e3o dif\u00edcil \u00e9 este despojamento interno e tamb\u00e9m externo de todos n\u00f3s e tamb\u00e9m das institui\u00e7\u00f5es! Conta S\u00e3o Boaventura que, enquanto rezava, o Crucifixo lhe disse: \u00abVai e repara a minha igreja\u00ab (Legenda maior, II, 1). O S\u00ednodo serve para nos recordar isto: a nossa Igreja M\u00e3e precisa sempre de purifica\u00e7\u00e3o, de ser \u201creparada\u201d, por que todos somos um Povo de pecadores perdoados &#8211; ambas as coisas: pecadores perdoados -, sempre necessitados de regressar \u00e0 fonte que \u00e9 Jesus e retomar os caminhos do Esp\u00edrito para chegar a todos com o seu Evangelho. Francisco de Assis, num tempo de grandes lutas e divis\u00f5es entre o poder temporal e religioso, entre a Igreja institucional e as correntes her\u00e9ticas, entre crist\u00e3os e outros crentes, n\u00e3o criticou e n\u00e3o atacou ningu\u00e9m, apenas pegou nas armas do Evangelho , isto \u00e9, humildade e unidade, ora\u00e7\u00e3o e caridade. Fa\u00e7amos n\u00f3s tamb\u00e9m isto! Humildade e unidade, ora\u00e7\u00e3o e caridade.<\/p>\n<p>E se o povo santo de Deus com os seus pastores, de todas as partes do mundo, t\u00eam expectativas, esperan\u00e7as e at\u00e9 alguns receios em rela\u00e7\u00e3o ao S\u00ednodo que estamos a iniciar, recordemos novamente que n\u00e3o se trata de um encontro pol\u00edtico, mas de uma convoca\u00e7\u00e3o no Esp\u00edrito; n\u00e3o um parlamento polarizado, mas um lugar de gra\u00e7a e comunh\u00e3o. O Esp\u00edrito Santo, assim, quebra muitas vezes as nossas expectativas para criar algo novo, que supere as nossas previs\u00f5es e as nossas negatividades. Talvez possa dizer que os momentos mais fecundos do S\u00ednodo s\u00e3o os da ora\u00e7\u00e3o, mesmo o ambiente de ora\u00e7\u00e3o, com o qual o Senhor age em n\u00f3s. Abramo-nos a Ele e invoquemo-Lo: Ele \u00e9 o protagonista, o Esp\u00edrito Santo. Deixemo-lo ser o protagonista do S\u00ednodo! E com Ele caminhemos, com confian\u00e7a e alegria.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o Educris a partir do original em italiano<\/p>\n<p>Imagem: Vatican Media<\/p>\n<p>Educris|04.10.2023<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eucaristia marca a aberura da Assembleia Geral ordin\u00e1ria do Sinodo dos Bispos. 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