{"id":1841776222,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/326-vaticano\/10329-papa-no-iraque-queremos-empenhar-nos-para-que-se-realize-o-sonho-de-deus"},"modified":"2025-11-07T16:34:39","modified_gmt":"2025-11-07T16:34:39","slug":"papa-no-iraque-queremos-empenhar-nos-para-que-se-realize-o-sonho-de-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/papa-no-iraque-queremos-empenhar-nos-para-que-se-realize-o-sonho-de-deus\/","title":{"rendered":"Papa no Iraque: \u00abQueremos empenhar-nos para que se realize o sonho de Deus\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/papa_ur_210306124451.jpeg\" \/><\/p>\n<p><p class=\"paragraph\"><strong><em>Na terra natal de Abra\u00e3o o Papa Francisco participou num encontro Inter-religioso onde afirmou que \u201cn\u00e3o podemos ficar calados quando o terrorismo abusa da religi\u00e3o\u201d. No seu discurso Francisco refor\u00e7ou a ideia de que para os crentes \u201cDeus \u00e9 misericordioso e que a ofensa mais blasfema \u00e9 profanar o seu nome odiando o irm\u00e3o\u201d.<\/em><\/strong><\/p>\n<p class=\"paragraph\">Leia, na \u00edntegra, o discurso do Santo Padre<\/p>\n<p><em>Queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s!<\/em><\/p>\n<p>Este lugar aben\u00e7oado faz-nos pensar nas origens, nos prim\u00f3rdios da obra de Deus, no nascimento das nossas religi\u00f5es. Aqui, onde viveu o nosso pai Abra\u00e3o, temos a impress\u00e3o de regressar a casa. Aqui ele ouviu a chamada de Deus, daqui partiu para uma viagem que mudaria a hist\u00f3ria. Somos o fruto daquela chamada e daquela viagem. Deus pediu a Abra\u00e3o que levantasse os olhos para o c\u00e9u e contasse as estrelas (cf.\u00a0<em>Gn<\/em>\u00a015, 5). Naquelas estrelas, viu a promessa da sua descend\u00eancia, viu-nos a n\u00f3s. E hoje n\u00f3s, judeus, crist\u00e3os e mu\u00e7ulmanos, juntamente com os irm\u00e3os e irm\u00e3s doutras religi\u00f5es, honramos o pai Abra\u00e3o fazendo como ele:\u00a0<em>olhamos para o c\u00e9u<\/em>\u00a0e\u00a0<em>caminhamos sobre a terra<\/em>.<\/p>\n<p>1.\u00a0<em>Olhamos para o c\u00e9u<\/em>. Ao contemplarmos o mesmo c\u00e9u alguns mil\u00e9nios depois, aparecem as mesmas estrelas. Iluminam as noites mais escuras, porque brilham\u00a0<em>juntas<\/em>. O c\u00e9u oferece-nos assim uma mensagem de unidade: sobre n\u00f3s, o Alt\u00edssimo convida a n\u00e3o nos separarmos jamais do irm\u00e3o que est\u00e1 ao nosso lado. O\u00a0<em>Al\u00e9m<\/em>\u00a0de Deus envia-nos mais al\u00e9m de n\u00f3s, ao\u00a0<em>outro<\/em>, ao irm\u00e3o. Mas, se quisermos salvaguardar a fraternidade, n\u00e3o podemos perder de vista o C\u00e9u. N\u00f3s, descend\u00eancia de Abra\u00e3o e representantes de v\u00e1rias religi\u00f5es, sentimos que a nossa fun\u00e7\u00e3o primeira \u00e9 esta: ajudar os nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s a elevarem o olhar e a ora\u00e7\u00e3o para o C\u00e9u. E disto todos precisamos, porque n\u00e3o nos bastamos a n\u00f3s pr\u00f3prios. O homem n\u00e3o \u00e9 omnipotente; sozinho, n\u00e3o \u00e9 capaz. E se escorra\u00e7a Deus, acaba por adorar as coisas terrenas. Mas os bens do mundo, que fazem muitos esquecer-se de Deus e dos outros, n\u00e3o s\u00e3o o motivo da nossa viagem sobre a terra. Erguemos os olhos ao C\u00e9u para nos elevarmos das torpezas da vaidade; servimos a Deus, para sair da escravid\u00e3o do pr\u00f3prio eu, porque Deus nos impele a amar. Esta \u00e9 a verdadeira religiosidade: adorar a Deus e amar o pr\u00f3ximo. No mundo atual, que muitas vezes se esquece do Alt\u00edssimo ou oferece uma imagem distorcida d\u2019Ele, os crentes s\u00e3o chamados a testemunhar a sua bondade, mostrar a sua paternidade atrav\u00e9s da nossa fraternidade.<\/p>\n<p>A partir deste lugar fontal da f\u00e9, da terra do nosso pai Abra\u00e3o, afirmamos que\u00a0<em>Deus \u00e9 misericordioso<\/em>\u00a0e que a ofensa mais blasfema \u00e9 profanar o seu nome odiando o irm\u00e3o. Hostilidade, extremismo e viol\u00eancia n\u00e3o nascem dum \u00e2nimo religioso: s\u00e3o trai\u00e7\u00f5es da religi\u00e3o. E n\u00f3s, crentes, n\u00e3o podemos ficar calados, quando o terrorismo abusa da religi\u00e3o. Antes, cabe a n\u00f3s dissipar com clareza os mal-entendidos. N\u00e3o permitamos que a luz do C\u00e9u seja ocultada pelas nuvens do \u00f3dio! Sobre este pa\u00eds, acumularam-se as nuvens negras do terrorismo, da guerra e da viol\u00eancia. Com isso, sofreram todas as comunidades \u00e9tnicas e religiosas; de modo particular quero recordar a comunidade yazidi, que chorou a morte de muitos homens e viu milhares de mulheres, donzelas e crian\u00e7as raptadas, vendidas como escravas e sujeitas a viol\u00eancias f\u00edsicas e convers\u00f5es for\u00e7adas. Hoje rezamos por todas as v\u00edtimas de tais sofrimentos, por quantos ainda est\u00e3o dispersos e sequestrados para que regressem brevemente \u00e0s suas casas. E rezamos para que em toda a parte se respeitem e reconhe\u00e7am a liberdade de consci\u00eancia e a liberdade religiosa: s\u00e3o direitos fundamentais, porque tornam o homem livre para contemplar o C\u00e9u para o qual foi criado.<\/p>\n<p>O terrorismo, quando invadiu o norte deste amado pa\u00eds, destruiu barbaramente parte do seu maravilhoso patrim\u00f3nio religioso, incluindo igrejas, mosteiros e lugares de culto de v\u00e1rias comunidades. Mas, mesmo naquele momento escuro, brilharam estrelas. Penso nos jovens volunt\u00e1rios mu\u00e7ulmanos de Mossul, que ajudaram a refazer igrejas e mosteiros, construindo amizades fraternas sobre as ru\u00ednas do \u00f3dio, e penso nos crist\u00e3os e mu\u00e7ulmanos que hoje restauram conjuntamente mesquitas e igrejas. O professor Ali Thajeel referiu-nos tamb\u00e9m o regresso dos peregrinos a esta cidade. \u00c9 importante peregrinar rumo aos lugares sagrados: \u00e9 o sinal mais belo da saudade do C\u00e9u na terra. Por isso, amar e preservar os lugares sagrados \u00e9 uma necessidade existencial em mem\u00f3ria do nosso pai Abra\u00e3o, que em v\u00e1rios lugares ergueu para o c\u00e9u altares ao Senhor (cf.\u00a0<em>Gn<\/em>\u00a012, 7.8; 13, 18; 22, 9). Que o grande patriarca nos ajude a tornar o\u00e1sis de paz e de encontro para todos os lugares sagrados de cada um. Pela sua fidelidade a Deus, tornou-se uma b\u00ean\u00e7\u00e3o para todos os povos (cf.\u00a0<em>Gn<\/em>\u00a012, 3); a nossa estada hoje aqui, seguindo os seus passos, seja sinal de b\u00ean\u00e7\u00e3o e esperan\u00e7a para o Iraque, o M\u00e9dio Oriente e o mundo inteiro. O C\u00e9u n\u00e3o se cansou da terra: Deus ama cada povo, cada uma das suas filhas e cada um dos seus filhos! Nunca nos cansemos de\u00a0<em>olhar para o c\u00e9u<\/em>, de olhar para estas estrelas, as mesmas que outrora viu o nosso pai Abra\u00e3o.<\/p>\n<p>2.<em>\u00a0Caminhamos sobre a terra<\/em>. Os seus olhos erguidos para o c\u00e9u n\u00e3o desviaram, antes encorajaram Abra\u00e3o a caminhar sobre a terra, a empreender uma viagem que, atrav\u00e9s da sua descend\u00eancia, tocaria todos os s\u00e9culos e latitudes. Mas tudo come\u00e7ou a partir daqui, do Senhor que o \u00abmandou sair de Ur\u00bb (<em>Gn<\/em>\u00a015, 7). Por conseguinte, o seu foi\u00a0<em>um caminho em sa\u00edda<\/em>, que implicou sacrif\u00edcios: teve de deixar terra, casa e parentes. Mas, renunciando \u00e0 sua fam\u00edlia, tornou-se pai duma fam\u00edlia de povos. Algo de semelhante acontece tamb\u00e9m connosco: no caminho, somos chamados a deixar aqueles v\u00ednculos e apegos que, fechando-nos no nosso grupo, impedem-nos de acolher o amor ilimitado de Deus e ver os outros como irm\u00e3os. \u00c9 verdade! Precisamos de sair de n\u00f3s mesmos, porque\u00a0<em>temos necessidade uns dos outros<\/em>. A pandemia fez-nos compreender que \u00abningu\u00e9m se salva sozinho\u00bb (Francisco, Carta enc.\u00a0<em><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/encyclicals\/documents\/papa-francesco_20201003_enciclica-fratelli-tutti.html#54\">Fratelli tutti<\/a><\/em>, 54); mas volta sempre a tenta\u00e7\u00e3o de nos distanciarmos dos outros. Todavia \u00abo principio \u201csalve-se quem puder\u201d traduzir-se-\u00e1 rapidamente no lema \u201ctodos contra todos\u201d, e isso ser\u00e1 pior que uma pandemia\u00bb (<em>Ibid.<\/em>, 36). Nas tormentas que estamos a atravessar, n\u00e3o nos salvar\u00e1 o isolamento, n\u00e3o nos salvar\u00e3o a corrida armamentista e a constru\u00e7\u00e3o de muros, que ali\u00e1s nos tornar\u00e3o cada vez mais distantes e irados. N\u00e3o nos salvar\u00e1 a idolatria do dinheiro, que nos fecha em n\u00f3s mesmos e provoca abismos de desigualdade onde se afunda a humanidade. N\u00e3o nos salvar\u00e1 o consumismo, que anestesia a mente e paralisa o cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O caminho que o C\u00e9u aponta para o nosso percurso \u00e9 outro: \u00e9\u00a0<em>o caminho da paz<\/em>. E este requer, sobretudo na tormenta, que rememos juntos na mesma dire\u00e7\u00e3o. \u00c9 indigno que, enquanto todos somos provados pela crise pand\u00e9mica, e especialmente aqui onde os conflitos causaram tanta mis\u00e9ria, algu\u00e9m pense avidamente nos seus neg\u00f3cios. N\u00e3o haver\u00e1 paz sem partilha e acolhimento, sem uma justi\u00e7a que assegure equidade e promo\u00e7\u00e3o para todos, a come\u00e7ar pelos mais fr\u00e1geis. N\u00e3o haver\u00e1 paz sem povos que estendam a m\u00e3o a outros povos. N\u00e3o haver\u00e1 paz enquanto se olhar os outros como um \u00ab<em>eles<\/em>\u00bb, e n\u00e3o como um \u00ab<em>n\u00f3s<\/em>\u00bb. N\u00e3o haver\u00e1 paz enquanto as alian\u00e7as forem contra algu\u00e9m, porque as alian\u00e7as de uns contra os outros s\u00f3 aumentam as divis\u00f5es. A paz n\u00e3o exige vencedores nem vencidos, mas irm\u00e3os e irm\u00e3s que, n\u00e3o obstante as incompreens\u00f5es e as feridas do passado, passem do conflito \u00e0 unidade. Na ora\u00e7\u00e3o, pe\u00e7amos isto para todo o M\u00e9dio Oriente; penso em particular na vizinha e atormentada S\u00edria.<\/p>\n<p>O patriarca Abra\u00e3o, que hoje nos re\u00fane em unidade, foi profeta do Alt\u00edssimo. Uma antiga profecia diz que os povos \u00abtransformar\u00e3o as suas espadas em relhas de arados, e as suas lan\u00e7as, em foices\u00bb (<em>Is<\/em>\u00a02, 4). Esta profecia n\u00e3o se realizou; antes, espadas e lan\u00e7as tornaram-se m\u00edsseis e bombas. Ent\u00e3o donde pode come\u00e7ar o caminho da paz? Da ren\u00fancia a ter inimigos. Quem tem a coragem de olhar as estrelas, quem acredita em Deus, n\u00e3o tem inimigos para combater. Tem apenas um inimigo a enfrentar, que est\u00e1 \u00e0 porta do cora\u00e7\u00e3o e insiste para entrar: \u00e9\u00a0<em>a inimizade<\/em>. Enquanto alguns procuram mais ter inimigos do que ser amigos, enquanto muitos buscam o pr\u00f3prio benef\u00edcio \u00e0 custa de outros, quem olha as estrelas da promessa, quem segue os caminhos de Deus n\u00e3o pode ser\u00a0<em>contra<\/em>\u00a0ningu\u00e9m, mas\u00a0<em>por<\/em>\u00a0todos; n\u00e3o pode justificar qualquer forma de imposi\u00e7\u00e3o, opress\u00e3o e prevarica\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se pode comportar de modo agressivo.<\/p>\n<p>Queridos amigos, ser\u00e1 poss\u00edvel tudo isto? Encoraja-nos o pai Abra\u00e3o, que teve esperan\u00e7a para al\u00e9m do que se podia esperar (cf.\u00a0<em>Rm<\/em>\u00a04, 18). Na hist\u00f3ria, muitas vezes corremos atr\u00e1s de metas demasiado terrenas e caminhamos cada um por conta pr\u00f3pria, mas, com a ajuda de Deus, podemos mudar para melhor. Cabe a n\u00f3s, a humanidade de hoje e principalmente os crentes das diferentes religi\u00f5es, transformar os instrumentos do \u00f3dio em instrumentos de paz. Cabe a n\u00f3s instar fortemente os respons\u00e1veis das na\u00e7\u00f5es para que a prolifera\u00e7\u00e3o crescente de armas ceda o lugar \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o de alimentos para todos. Cabe a n\u00f3s fazer calar as m\u00fatuas acusa\u00e7\u00f5es para dar voz ao grito dos oprimidos e descartados no planeta: muitos est\u00e3o privados de p\u00e3o, rem\u00e9dios, instru\u00e7\u00e3o, direitos e dignidade. Cabe a n\u00f3s colocar \u00e0 luz do dia as foscas manobras que giram \u00e0 volta do dinheiro e pedir com veem\u00eancia que o dinheiro n\u00e3o acabe sempre e s\u00f3 por nutrir a desenfreada comodidade de poucos. Cabe a n\u00f3s salvaguardar a casa comum das nossas ambi\u00e7\u00f5es predat\u00f3rias. Cabe a n\u00f3s lembrar ao mundo que a vida humana vale pelo que \u00e9 e n\u00e3o pelo que tem, e que a vida de nascituros, idosos, migrantes, homens e mulheres de todas as cores e nacionalidades \u00e9 sempre sagrada e conta como a de todos os outros. Cabe a n\u00f3s ter a coragem de\u00a0<em>levantar os olhos e olhar as estrelas<\/em>, as estrelas que viu o nosso pai Abra\u00e3o, as estrelas da promessa.<\/p>\n<p>O caminho de Abra\u00e3o foi uma b\u00ean\u00e7\u00e3o de paz. Mas n\u00e3o foi f\u00e1cil! Teve que enfrentar lutas e imprevistos. Tamb\u00e9m n\u00f3s temos pela frente um caminho acidentado, mas precisamos, como o grande patriarca, de dar\u00a0<em>passos concretos<\/em>, peregrinar para descobrir o rosto do outro, partilhar mem\u00f3rias, olhares e sil\u00eancios, hist\u00f3rias e experi\u00eancias. Impressionou-me o testemunho de Dawood e Hasan, um crist\u00e3o e outro mu\u00e7ulmano, que, sem se deixar abater pelas diferen\u00e7as, estudaram e trabalharam juntos. Juntos, constru\u00edram o futuro e descobriram-se irm\u00e3os. Tamb\u00e9m n\u00f3s, para prosseguir, precisamos de fazer, juntos, algo de bom e concreto. Este \u00e9 o caminho, sobretudo para os jovens, que n\u00e3o podem ver os seus sonhos truncados pelos conflitos do passado. Urge educ\u00e1-los para a fraternidade, educ\u00e1-los para olharem as estrelas. Trata-se duma verdadeira e pr\u00f3pria emerg\u00eancia; ser\u00e1 a vacina mais eficaz para um amanh\u00e3 pac\u00edfico. Porque sois v\u00f3s, queridos jovens, o nosso presente e o nosso futuro!<\/p>\n<p>Somente com os outros \u00e9 que se podem curar as feridas do passado. A senhora Rafah contou-nos o exemplo heroico de Najy, da comunidade sabeia mandeia, que perdeu a vida na tentativa de salvar a fam\u00edlia do seu vizinho mu\u00e7ulmano. Quantas pessoas aqui, no sil\u00eancio e ignorados pelo mundo, iniciaram caminhos de fraternidade! Rafah contou ainda as tribula\u00e7\u00f5es indescrit\u00edveis da guerra, que for\u00e7ou muitos a abandonarem casa e p\u00e1tria \u00e0 procura dum futuro para os seus filhos. Obrigado, Rafah, por partilhares connosco a firme vontade de permanecer aqui, na terra dos teus pais! Oxal\u00e1 todos aqueles que n\u00e3o o conseguiram fazer e tiveram de fugir encontrem um acolhimento ben\u00e9volo, digno de pessoas vulner\u00e1veis e feridas.<\/p>\n<p>Foi precisamente atrav\u00e9s da hospitalidade, tra\u00e7o carater\u00edstico destas terras, que Abra\u00e3o recebeu a visita de Deus e o dom, j\u00e1 n\u00e3o esperado, dum filho (cf.\u00a0<em>Gn<\/em>\u00a018, 1-10). N\u00f3s, irm\u00e3os e irm\u00e3s de diversas religi\u00f5es, encontramo-nos aqui, em casa, e a partir daqui, juntos, queremos empenhar-nos para que se realize o sonho de Deus: que a fam\u00edlia humana se torne hospitaleira e acolhedora para com todos os seus filhos; que, olhando o mesmo c\u00e9u, caminhe em paz sobre a mesma terra.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o Educris a partir do <a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/it\/speeches\/2021\/march\/documents\/papa-francesco_20210306_iraq-incontro-interreligioso.html\" target=\"_blank\">original <\/a>em italiano<\/p>\n<p>Imagem: Vatican.va<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na terra natal de Abra\u00e3o o Papa Francisco participou num encontro Inter-religioso onde afirmou que \u201cn\u00e3o podemos ficar calados quando 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