{"id":1874289078,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/12054-domingo-iv-da-quaresma-so-um-cego-e-que-nao-ve"},"modified":"2025-11-07T16:33:54","modified_gmt":"2025-11-07T16:33:54","slug":"domingo-iv-da-quaresma-so-um-cego-e-que-nao-ve","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/domingo-iv-da-quaresma-so-um-cego-e-que-nao-ve\/","title":{"rendered":"Domingo IV da Quaresma: \u00abS\u00f3 um cego \u00e9 que (n\u00e3o) v\u00ea\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031.jpg\" \/><\/p>\n<p><p data-adtags-visited=\"true\">1 Sm 16,1b.6-7.10-13; Sl 23; Ef 5,8-14; Jo 9,1-41<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">1. Com o olhar cada vez mais fixo na Cruz Gloriosa, em que foi entronizada a Luz que d\u00e1 a Vida verdadeira, batizados e catec\u00famenos continuam a sua \u00abcaminhada\u00bb quaresmal:\u00a0<em>mem\u00f3ria<\/em>\u00a0do batismo [= execu\u00e7\u00e3o do programa filial batismal] para os batizados,\u00a0<em>prepara\u00e7\u00e3o<\/em>\u00a0para o batismo por parte dos catec\u00famenos (<em>Sacrosanctum Concilium<\/em>\u00a0109), que t\u00eam neste Domingo IV da Quaresma, Domingo da d\u00e1diva da Luz, os seus segundos \u00abescrut\u00ednios\u00bb: segunda \u00abchamada\u00bb para a Liberdade.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">2. O Evangelho, imenso e de extraordin\u00e1ria riqueza, narra a d\u00e1diva da Luz por Jesus \u00e0 nossa pobre e cega humanidade (Jo\u00e3o 9,1-41). Comp\u00f5em este Evangelho, imenso e rico, sete cenas ou cen\u00e1rios em que v\u00e3o entrando diferentes atores: a primeira cena (v. 1-7) traz-nos o encontro de Jesus e dos disc\u00edpulos com um cego de nascen\u00e7a, mostra as suas diferentes maneiras de ver, e deixa claro que \u00e9 a postura criadora e redentora de Jesus que cura o cego; a segunda cena (v. 8-12) mostra-nos a rea\u00e7\u00e3o e discuss\u00e3o est\u00e9ril que se gera entre os vizinhos e conhecidos, at\u00f3nitos e confusos, quando veem agora aquele que antes era cego e pedinte, e que agora v\u00ea; a terceira cena (v. 13-17) traz para a li\u00e7a os fariseus, que tamb\u00e9m discutem o assunto, tamb\u00e9m n\u00e3o o entendem nem se entendem, apenas se detendo de forma legalista sobre o facto de aquele homem ter sido curado em dia de s\u00e1bado; a quarta cena (v. 18-23) mostra-nos a rea\u00e7\u00e3o dos pais do cego que agora v\u00ea, e que n\u00e3o se querem comprometer, dando sobre o caso apenas respostas evasivas; a quinta cena (v. 24-34) d\u00e1 lugar a um interrogat\u00f3rio a que os fariseus submetem o cego curado, dando-nos acesso \u00e0s assertivas e interessant\u00edssimas respostas deste; a sexta cena (v. 35-38) mostra-nos de novo a presen\u00e7a de Jesus, que at\u00e9 aqui esteve ausente, e que tem um \u00faltimo encontro com o cego curado, abrindo-lhe agora os olhos para a f\u00e9, com o cego a responder prostrando-se diante de Jesus; a s\u00e9tima e \u00faltima cena (v. 39-41) p\u00f5e Jesus em confronto com os fariseus, com Jesus a apresentar, por assim dizer, a chave de leitura do inteiro epis\u00f3dio e da sua miss\u00e3o, afirmando: \u00abFoi para um julgamento que Eu vim a este mundo: para que aqueles que n\u00e3o veem, vejam, e aqueles que veem se tornem cegos\u00bb, deixando assim os fariseus cada vez mais \u00e0s escuras.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">3. Voltemos ao princ\u00edpio. Logo a abrir a primeira cena, o texto mostra-nos Jesus\u00a0<em>passando<\/em>\u00a0sempre (<em>par\u00e1g\u00f4n<\/em>: partic\u00edpio presente durativo) (v. 1), e executando a \u00abobra\u00bb daquele que o enviou (v. 4). Nesta sua condi\u00e7\u00e3o de \u00abpassageiro\u00bb total, pascal, no sentido \u00abque de Deus veio e para Deus voltava\u00bb (Jo\u00e3o 13,3), Jesus viu um cego de nascen\u00e7a (v. 1), e os seus disc\u00edpulos tamb\u00e9m viram. Mas Jesus e os disc\u00edpulos n\u00e3o viram a mesma coisa. Os disc\u00edpulos viram um cego, e por detr\u00e1s do cego viram o encadeado \u00abpecado-doen\u00e7a\u00bb, e por detr\u00e1s do encadeado \u00abpecado-doen\u00e7a\u00bb viram a manifesta\u00e7\u00e3o do Deus-garante da \u00abordem da retribui\u00e7\u00e3o\u00bb, em que a doen\u00e7a \u00e9 fruto do pecado. A pergunta que fazem a Jesus \u00e9 elucidativa: \u00abMestre, quem pecou, ele ou os seus pais, para que tivesse nascido cego?\u00bb (v. 2). Jesus viu um cego, mas n\u00e3o viu naquela cegueira um castigo de Deus; viu, antes, que \u00abera preciso\u00bb (<em>de\u00ee<\/em>) (v. 4) aquele cego \u00abpara que se manifestassem nele\u00a0<em>as obras<\/em>\u00a0(<em>t\u00e0 erga<\/em>) de Deus\u00bb (v. 3). Digamos as coisas de outra maneira: Jesus viu um cego, e como que disse: preciso deste cego, para que Deus se manifeste nele e atrav\u00e9s dele! E como \u00e9 que Deus se podia manifestar naquele cego? Atrav\u00e9s das \u00abobras\u00bb (<em>t\u00e0 \u00e9rga<\/em>) daquele que Ele enviou (v. 4), fazendo passar aquele cego do dom\u00ednio da cegueira para a liberdade da gl\u00f3ria dos filhos de Deus, para usar a express\u00e3o feliz de Romanos 8,21. Sendo a Luz do mundo (Jo\u00e3o 8,12; 9,5), Jesus concede o dom da vista ao cego de nascen\u00e7a, que ser\u00e1 depois acompanhado do dom da Luz (Ilumina\u00e7\u00e3o) em ordem \u00e0 contempla\u00e7\u00e3o das coisas divinas (veja-se a prop\u00f3sito Hebreus 6,4-5: texto batismal espantoso, que aqui me permito recordar: \u00ab\u00c9, na verdade, imposs\u00edvel que \u00e0queles que foram\u00a0<em>iluminados<\/em>\u00a0uma vez, tendo saboreado o dom celeste e feitos participantes do Esp\u00edrito Santo, e tendo saboreado a Palavra de Deus e a for\u00e7a (<em>d\u00fdnamis<\/em>) do mundo futuro\u2026\u00bb). Atente-se bem que o cego de nascen\u00e7a recebeu de Jesus o dom da vista da luz do dia, e receber\u00e1 depois, na sexta cena, o dom batismal da \u00abdiviniza\u00e7\u00e3o\u00bb para ver e ouvir as coisas divinas (v. 35-38). Perante este segundo dom, tamb\u00e9m os fariseus eram cegos de nascen\u00e7a, e n\u00e3o o sabiam!<\/p>\n<div class=\"ata-slot-container-wrapper\">\n<div class=\"ata-slot-container\">\n<div class=\"ata-frame-wrapper\">4. Significativamente, o cego de nascen\u00e7a recupera a vista e recebe o dom da Luz, lavando-se na \u00abpiscina de Silo\u00e9\u00bb (v. 7). Fa\u00e7o notar que \u00abpiscina\u00bb se diz em grego\u00a0<em>kolymb\u00eathra<\/em>, nome que ainda hoje para a Igreja grega significa \u00abfonte batismal\u00bb. E Silo\u00e9 \u00e9 a greciza\u00e7\u00e3o do aramaico\u00a0<em>shl\u00eeha<\/em>, hebraico\u00a0<em>shal\u00eeah<\/em>, que quer dizer \u00abenviado\u00bb. Santo Agostinho comenta, sempre de forma acertada e penetrante: \u00abSabeis bem quem \u00e9 o\u00a0<em>enviado<\/em>; se Cristo n\u00e3o tivesse sido\u00a0<em>enviado<\/em>, nenhum de n\u00f3s teria sido\u00a0<em>desviado<\/em>\u00a0do pecado. O cego lavou os olhos naquela fonte que se traduz \u201cEnviado\u201d: foi batizado em Cristo\u00bb. A \u00abfonte batismal\u00bb do \u00abenviado\u00bb de Deus, daquele-que-vem-de-Deus, o Filho do Homem. Ningu\u00e9m pediu ou intercedeu para que este cego fosse curado. \u00c9 obra criadora de Jesus, das a\u00e7\u00f5es simb\u00f3licas operadas por Jesus (v. 6.11.14.15), mas tamb\u00e9m da a\u00e7\u00e3o do cego que vai lavar-se \u00e0 piscina de Silo\u00e9, no seguimento da Palavra poderosa de Jesus. O cego chega rapidamente \u00e0 luz do dia. A luz da f\u00e9, essa \u00e9 gradual e sup\u00f5e um percurso a fazer, marcado por diferentes etapas, verific\u00e1veis nos sucessivos dizeres do cego curado acerca de Jesus: \u00abn\u00e3o sei\u00bb (v. 12); \u00ab\u00e9 um profeta\u00bb (v. 17); \u00abvem de Deus\u00bb (v. 33); \u00abeu creio, Senhor\u00bb (v. 38).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">5. A segunda cena (v. 8-12) mostra-nos os vizinhos e conhecedores do cego agora curado numa discuss\u00e3o que ro\u00e7a o rid\u00edculo, pondo em causa a pr\u00f3pria identidade do cego curado, tanto que uns diziam: \u00ab\u00c9 ele!\u00bb; outros diziam: \u00abN\u00e3o \u00e9 ele, mas \u00e9 outro parecido com ele\u00bb; e o pr\u00f3prio cego afirmava: \u00abSou eu!\u00bb, todos estes dizeres amontoados no v. 9. Finalmente, resolvem dirigir-se ao cego e perguntam-lhe: \u00abComo \u00e9 que te foram abertos os olhos?\u00bb (v. 10), ao que o cego responde com not\u00e1vel clareza: \u00abO homem que se chama Jesus fez lodo, aplicou-mo nos olhos, e disse-me: \u201cVai a Silo\u00e9, e lava-te!\u201d. Eu fui, lavei-me e recobrei a vista\u00bb (v. 11). O cego curado sabe dizer tudo o que Jesus lhe fez e lhe ordenou, mas n\u00e3o sabe dizer quem \u00e9 Jesus, nem onde esteja (v. 12). N\u00e3o conseguindo compreender o incompreens\u00edvel, e, na tentativa de se fazer mais luz, levaram o cego aos fariseus, e a\u00ed est\u00e1 j\u00e1 a terceira cena (v. 13-17). Instado de novo a descrever como tinha sido curado, o cego repetiu o que j\u00e1 tinha dito antes. Entretanto, sabendo que Jesus tinha feito lodo em dia de s\u00e1bado, tamb\u00e9m os fariseus se dividiram entre si, dizendo uns que um homem que trabalha em dia de s\u00e1bado n\u00e3o pode estar em rela\u00e7\u00e3o com Deus, porque \u00e9 um pecador, enquanto outros se interrogavam, dizendo: \u00abMas como pode um pecador fazer coisas assim?\u00bb. Acabaram por perguntar ao cego o que pensava do homem que lhe abriu os olhos, e ele respondeu: \u00ab\u00c9 um profeta!\u00bb Os fariseus n\u00e3o podem acreditar que aquele homem fosse cego e que tenha recobrado a vista. \u00c9 por isso que chamam os seus pais, abrindo-se aqui a quarta cena (v. 18-23), e lhes perguntam se aquele era o seu filho, que se diz que ter\u00e1 nascido cego, e como \u00e9 que ele passou a ver? Os pais respondem que sim, que aquele \u00e9 seu filho, e que nasceu cego. Mas negam saber o modo como foi curado, e negam igualmente saber quem o curou. Estes pais n\u00e3o se querem comprometer, n\u00e3o querem problemas, pois sabem que, se dissessem a verdade, teriam de enfrentar a hostilidade das autoridades, e teriam de viver isolados social e religiosamente. \u00c9 mais f\u00e1cil fechar os olhos para n\u00e3o verem a luz.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">6. A quinta cena (v. 24-34) leva outra vez os judeus e fariseus ao encontro do cego curado. Tamb\u00e9m porque os pais, para evitar problemas, tinham sa\u00eddo da cena anterior, dizendo aos fariseus mais ou menos isto: \u00abOra essa, perguntai-lho a ele, que j\u00e1 tem idade para responder\u00bb. Os fariseus come\u00e7aram com uma afirma\u00e7\u00e3o: \u00abN\u00f3s sabemos que esse homem \u00e9 um pecador\u00bb. O cego curado atalhou de pronto: \u00abSe \u00e9 pecador, n\u00e3o sei. Mas uma coisa sei: eu era cego, e agora vejo\u00bb. Insistiram ent\u00e3o que lhes contasse o que fez e como fez o homem que o curou, ao que o cego respondeu: \u00abJ\u00e1 vo-lo disse, e n\u00e3o prestastes aten\u00e7\u00e3o; por que quereis ouvi-lo outra vez?\u00bb. E avan\u00e7ou uma forte insinua\u00e7\u00e3o: \u00abQuereis, porventura, tornar-vos tamb\u00e9m seus disc\u00edpulos?\u00bb. Ouvindo isto, insultaram-no, dizendo: \u00abDisc\u00edpulo dele \u00e9s tu! N\u00f3s somos disc\u00edpulos de Mois\u00e9s! E sabemos que Deus falou a Mois\u00e9s, mas esse n\u00e3o sabemos\u00a0<em>de onde<\/em>\u00a0(<em>p\u00f3then<\/em>) \u00e9\u00bb (v. 29), ao que o cego respondeu com penetrante clarivid\u00eancia e fina ironia, apontando a cegueira deles: \u00abIsso \u00e9 espantoso (<em>t\u00f2 thaumast\u00f3n<\/em>): v\u00f3s n\u00e3o sabeis\u00a0<em>de onde<\/em>\u00a0(<em>p\u00f3then<\/em>) Ele \u00e9; e, no entanto, Ele abriu-me os olhos!\u00bb (v. 30). Que \u00e9 como quem diz: s\u00f3 n\u00e3o v\u00ea quem n\u00e3o quer! Ou ent\u00e3o: s\u00f3 um cego \u00e9 que n\u00e3o v\u00ea! A sexta cena (v. 35-38) traz-nos de novo a presen\u00e7a e a iniciativa de Jesus, que esteve ausente desde a primeira cena, em que tamb\u00e9m tomou a iniciativa de abrir os olhos do cego \u00e0 luz do dia. Estando embora ausente nas cenas 2, 3, 4 e 5, foi sempre dele que se falou, e foi sempre face a Ele que os diferentes grupos foram tomando posi\u00e7\u00e3o. Aparece agora outra vez na sexta cena, iniciativa sua para um \u00faltimo encontro com o cego de nascen\u00e7a a quem tinha aberto os olhos para a luz do dia. Jesus aparece agora para lhe abrir os olhos para a luz da f\u00e9. E tamb\u00e9m o cego curado reage, prostrando-se em adora\u00e7\u00e3o diante de Jesus, \u00faltimo gesto seu, e que se faz unicamente a Deus. E deixa no s\u00e9timo e \u00faltimo cen\u00e1rio (v. 39-41) a chave de leitura do inteiro epis\u00f3dio e da sua miss\u00e3o, afirmando, de modo a que os fariseus possam ouvir: \u00abFoi para um julgamento que Eu vim a este mundo: para que aqueles que n\u00e3o veem, vejam, e aqueles que veem se tornem cegos\u00bb, deixando assim os fariseus cada vez mais \u00e0s escuras.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">7. Temos todos algo a ver com o cego de nascen\u00e7a: os\u00a0<em>batizados<\/em>\u00a0receberam como ele o dom batismal da Luz para ver e ouvir, viver e celebrar a vida divina; os\u00a0<em>catec\u00famenos<\/em>\u00a0receb\u00ea-lo-\u00e3o. Temos todos a ver com o\u00a0<em>Enviado<\/em>, Aquele-que-vem: Ele \u00e9 o \u00fanico\u00a0<em>enviado<\/em>\u00a0do Pai para fazer a sua \u00abobra\u00bb; n\u00f3s somos enviados por Ele (Jo\u00e3o 20,21) para continuar no mundo a sua \u00abobra\u00bb. Mas temos de reconhecer que muitas vezes ainda vemos as pessoas e as coisas de forma bem diferente de Jesus, como os disc\u00edpulos na primeira cena. Ou os vizinhos, os fariseus, os pais\u2026 Importa que a nossa conduta seja a do cego, que segue as indica\u00e7\u00f5es de Jesus e que, cena ap\u00f3s cena, vai dando testemunho de Jesus.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">8. O Primeiro Livro de Samuel 16,1-13 serve-nos hoje um texto delicioso em clara sintonia com o Evangelho. Trata-se da un\u00e7\u00e3o real do menor dos filhos de Jess\u00e9, David, um garoto que andava nos montes a guardar o rebanho. Nem entrava nas contas do seu pai. Teve de ser o profeta Samuel a avivar-lhe a mem\u00f3ria, perguntando a Jess\u00e9, depois de este lhe ter apresentado sete filhos e n\u00e3o ter dado sequer a entender que ainda tinha mais um: \u00abAcabaram os teus filhos?\u00bb (1 Samuel 16,11). S\u00f3 aqui \u00e9 que Jess\u00e9 se apercebeu que, afinal, ainda tinha mais um. Mas, como David era ainda um garoto, estava Jess\u00e9 longe de pensar que passasse por ele a escolha de Deus! A sua presen\u00e7a \u00e9, portanto, t\u00e3o paradoxal como a do cego de nascen\u00e7a! Mas Deus n\u00e3o v\u00ea como n\u00f3s. Deus v\u00ea o cora\u00e7\u00e3o, e nele deposita o seu Esp\u00edrito (1 Samuel 16,13; Romanos 5,5). Levamos este tesouro em vasos de barro\u2026 (2 Cor\u00edntios 4,7). Para que brilhe mesmo a Luz de Deus, e n\u00e3o a nossa (2 Cor\u00edntios 4,6).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">9. Cumpre-nos ler tamb\u00e9m hoje o grande texto da Carta aos Ef\u00e9sios 5,8-14.\u00a0<em>Iluminados<\/em>\u00a0pela Luz da Luz, que \u00e9 tamb\u00e9m a Luz do mundo, somos a Luz do mundo: constata\u00e7\u00e3o, mas sobretudo desafio e programa! Somos, por isso, \u00abfilhos da Luz\u00bb (Ef\u00e9sios 5,8; 1 Tessalonicenses 5,5), que \u00e9 um dos termos t\u00e9cnicos de \u00abdiviniza\u00e7\u00e3o\u00bb, e \u00abfilhos do dia\u00bb (1 Tessalonicenses 5,5). Chamados das trevas para a luz maravilhosa de Deus (1 Pedro 2,9), devemos tornar-nos operadores das \u00abobras da Luz\u00bb, que n\u00e3o t\u00eam parte com as \u00abobras das trevas\u00bb. O Ap\u00f3stolo [= Enviado] d\u00e1 testemunho do Evangelho e continua no mundo o Evangelho. Passando como Jesus. Vendo como Jesus. A\u00ed est\u00e1 a nossa miss\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">10. Tempo para nos deixarmos conduzir pela m\u00e3o carinhosa e pela voz maternal e melodiosa do Bom Pastor, cantando o Salmo 23. Sim, Ele recebe bem os seus h\u00f3spedes: faz-nos uma visita guiada pelos seus prados muito verdes, cheios de \u00e1guas muito azuis, unge com \u00f3leo perfumado a nossa cabe\u00e7a, estende no ch\u00e3o do seu c\u00e9u a \u00abpele de vaca\u00bb (<em>shulhan<\/em>), que \u00e9 a sua mesa, serve-nos apetitosos manjares e vinhos generosos\u2026<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u00a0<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1 Sm 16,1b.6-7.10-13; Sl 23; Ef 5,8-14; Jo 9,1-41 1. Com o olhar cada vez mais fixo na Cruz Gloriosa, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":920925217,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[70],"class_list":["post-1874289078","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-liturgia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1874289078","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1874289078"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1874289078\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4294994892,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1874289078\/revisions\/4294994892"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media\/920925217"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1874289078"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1874289078"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1874289078"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}