{"id":188722245,"date":"2024-01-10T00:00:00","date_gmt":"2024-01-10T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/327-divulgacao\/12714-papa-alerta-para-a-gula-como-loucura-do-ventre-"},"modified":"2024-01-10T00:00:00","modified_gmt":"2024-01-10T00:00:00","slug":"papa-alerta-para-a-gula-como-loucura-do-ventre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/papa-alerta-para-a-gula-como-loucura-do-ventre\/","title":{"rendered":"Papa alerta para a gula como \u00abloucura do ventre\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/papa_audiencia_2021_210901113922.jpeg\"\/><\/p>\n<p><p><em>Francisco abordou hoje o tema da \u00abgula\u00bb e explicou a rela\u00e7\u00e3o de Jesus com os alimentos. Para al\u00e9m dos dist\u00farbios que gera o Papa aprofundou o tema lembrando que do \u201cponto de vista social, talvez a gula seja o v\u00edcio mais perigoso, que mata o planeta\u201d<\/em><\/p>\n<p>Leia, na \u00edntegra, a reflex\u00e3o do Santo Padre<\/p>\n<p><strong>Catequeses. Os v\u00edcios e as virtudes. 3.\u00a0<em>A gula<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Estimados irm\u00e3os e irm\u00e3s, bom dia!<\/p>\n<p>Neste nosso caminho de catequeses que percorremos sobre os v\u00edcios e as virtudes, hoje meditemos sobre o v\u00edcio da\u00a0<em>gula<\/em>.<\/p>\n<p>O que nos diz o Evangelho a tal respeito? Olhemos para Jesus. O seu primeiro milagre, nas bodas de Can\u00e1, revela a sua\u00a0<em>simpatia pelas alegrias humanas:<\/em>\u00a0preocupa-se por que a festa acabe bem, oferecendo aos noivos uma grande quantidade de vinho excelente. Ao longo do seu minist\u00e9rio, Jesus manifesta-se como um profeta muito diferente do Batista: se Jo\u00e3o \u00e9 recordado pela sua ascese &#8211; comia o que encontrava no deserto &#8211; Jesus \u00e9, ao contr\u00e1rio, o Messias que vemos muitas vezes \u00e0 mesa. O seu comportamento suscita o esc\u00e2ndalo de alguns, pois n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 benevolente para com os pecadores, comendo at\u00e9 com eles; e este gesto demonstrava a sua vontade de comunh\u00e3o e de proximidade em rela\u00e7\u00e3o a todos, \u00e0s pessoas que todos rejeitavam.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 algo mais. Se a atitude de Jesus em rela\u00e7\u00e3o aos preceitos judaicos nos revela a sua total submiss\u00e3o \u00e0 Lei, Ele mostra-se, no entanto, compreens\u00edvel com os seus disc\u00edpulos: quando estes s\u00e3o apanhados em flagrante, porque t\u00eam fome e colhem espigas de trigo em dia de s\u00e1bado, Ele justifica-os, lembrando-lhes que o rei David e os seus companheiros, quando estavam em necessidade, tamb\u00e9m transgrediram um preceito, comendo alguns p\u00e3es sagrados (cf.\u00a0<em>Mc<\/em>\u00a02, 23-26). E Jesus, com uma bonita par\u00e1bola, afirma um novo princ\u00edpio: os convidados para as bodas n\u00e3o podem jejuar quando o noivo est\u00e1 com eles; jejuar\u00e3o quando o noivo lhes for tirado. Agora tudo est\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o com Jesus. Quando Ele est\u00e1 no meio de n\u00f3s, n\u00e3o podemos estar em luto; mas na hora da sua paix\u00e3o, ent\u00e3o sim, jejuamos (cf.\u00a0<em>Mc<\/em>\u00a02, 18-20). Jesus quer que estejamos alegres em sua companhia &#8211; Ele \u00e9 o Esposo da Igreja &#8211; mas quer igualmente que compartilhemos os seus sofrimentos, que s\u00e3o tamb\u00e9m os padecimentos dos pequeninos e dos pobres.<\/p>\n<p>Outro aspeto importante. Jesus\u00a0<em>p\u00f5e fim \u00e0 distin\u00e7\u00e3o entre alimentos puros e impuros<\/em>, que era uma das pedras angulares de certas culturas do mundo antigo, uma distin\u00e7\u00e3o feita pela lei judaica. Na realidade &#8211; ensina Jesus &#8211; n\u00e3o \u00e9 o que entra no homem que o contamina, mas o que sai do seu cora\u00e7\u00e3o. E dizendo isto, \u00abtornava puros todos os alimentos\u00bb (<em>Mc<\/em>\u00a07, 19). Por isso, o cristianismo n\u00e3o contempla alimentos impuros. Mas a aten\u00e7\u00e3o que devemos ter \u00e9 interior: portanto, n\u00e3o sobre o alimento em si, mas\u00a0<em>sobre a nossa rela\u00e7\u00e3o com ele<\/em>. E sobre isto Jesus diz claramente que o que faz a bondade ou a maldade, digamos assim, de um alimento, n\u00e3o \u00e9 o alimento em si, mas a rela\u00e7\u00e3o que tivermos com ele. E vemos isto quando uma pessoa tem uma rela\u00e7\u00e3o desordenada com a comida, olhamos para a forma como ela come, come \u00e0 pressa, como se tivesse vontade de se saciar e nunca se sacia, n\u00e3o tem uma boa rela\u00e7\u00e3o com o alimento, \u00e9 escrava da comida.<\/p>\n<p>Esta rela\u00e7\u00e3o serena que Jesus estabeleceu com a alimenta\u00e7\u00e3o deveria ser redescoberta e valorizada, especialmente nas sociedades do chamado bem-estar, onde se manifestam muitos\u00a0<em>desequil\u00edbrios e patologias<\/em>. Come-se demais ou de demasiado pouco. Come-se muitas vezes em solid\u00e3o. Os dist\u00farbios alimentares alastram-se: anorexia, bulimia, obesidade&#8230; E a medicina e a psicologia procuram abordar a m\u00e1 rela\u00e7\u00e3o com a comida. Uma m\u00e1 rela\u00e7\u00e3o com a comida produz todas estas enfermidades.<\/p>\n<p>Trata-se de doen\u00e7as, frequentemente muito dolorosas, ligadas sobretudo aos tormentos da psique e da alma. Como Jesus ensinava, n\u00e3o \u00e9 a comida em si que est\u00e1 errada, mas a rela\u00e7\u00e3o que temos com ela. A alimenta\u00e7\u00e3o \u00e9 a manifesta\u00e7\u00e3o de algo interior: a predisposi\u00e7\u00e3o para o equil\u00edbrio, ou para o exagero; a capacidade de dar gra\u00e7as, ou a arrogante pretens\u00e3o de autonomia; a empatia de quem sabe partilhar a comida com os necessitados, ou o ego\u00edsmo de quem acumula tudo para si. Esta quest\u00e3o \u00e9 muito importante: diz-me como comes e dir-te-ei que alma tens. No modo de comer revela-se a nossa interioridade, os nossos h\u00e1bitos, as nossas atitudes ps\u00edquicas.<\/p>\n<p>Os antigos Padres designavam o v\u00edcio da gula com o nome de \u201cgastrimargia\u201d, termo que se pode traduzir por \u201cloucura do ventre\u201d. A gula \u00e9 uma \u201cloucura do ventre\u201d. E h\u00e1 tamb\u00e9m este prov\u00e9rbio: devemos comer para viver, n\u00e3o viver para comer. A gula \u00e9 um v\u00edcio que se insere precisamente numa das nossas necessidades vitais, como a alimenta\u00e7\u00e3o. Tomemos cuidado com isto!<\/p>\n<p>Se a virmos de um ponto de vista\u00a0<em>social<\/em>, talvez a gula seja o v\u00edcio mais perigoso, que\u00a0<em>mata o planeta<\/em>. Pois o pecado de quem cede diante de uma fatia de bolo, considerando bem, n\u00e3o causa grandes danos, mas a voracidade com que nos desencadeamos, desde h\u00e1 alguns s\u00e9culos, sobre os bens do planeta compromete o futuro de todos. Apoderamo-nos de tudo, para nos tornarmos donos de tudo, quando tudo estava entregue \u00e0 nossa preserva\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e0 nossa explora\u00e7\u00e3o! Eis, pois, o grande pecado, a f\u00faria do ventre: abjuramos o nome de homens, para assumir outro, \u201cconsumidores\u201d. E hoje diz-se assim na vida social: \u201cconsumidores\u201d. Nem sequer nos damos conta de que algu\u00e9m come\u00e7ou a chamar-nos assim. Fomos feitos para ser homens e mulheres \u201ceucar\u00edsticos\u201d, capazes de dar gra\u00e7as, discretos no uso da terra e, ao contr\u00e1rio, transformamo-nos, o perigo \u00e9 de nos transformarmos em predadores, e agora damo-nos conta de que esta forma de \u201cgula\u201d nos fez muito mal, a n\u00f3s e ao ambiente em que vivemos. Deixemos que o Evangelho nos cure da gula pessoal e da gula social no mundo. Pe\u00e7amos ao Senhor que nos ajude no caminho da sobriedade e que os v\u00e1rios tipos de gula n\u00e3o se apoderem da nossa vida.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o Educris a partir do original em<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/it\/audiences\/2024\/documents\/20240110-udienza-generale.html\" target=\"_blank\"> Italiano<\/a><\/p>\n<p>Imagem:\u00a0<span>\u00a9 Vatican Media<\/span><\/p>\n<p><span>Educris|10.01.2024<\/span><\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Francisco abordou hoje o tema da \u00abgula\u00bb e explicou a rela\u00e7\u00e3o de Jesus com os alimentos. 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