{"id":1924422645,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/7679-domingo-v-do-tempo-comum-ainda-a-jornada-de-cafarnaum-e-job-o-homem-que-doi-"},"modified":"2025-11-07T16:33:11","modified_gmt":"2025-11-07T16:33:11","slug":"domingo-v-do-tempo-comum-ainda-a-jornada-de-cafarnaum-e-job-o-homem-que-doi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/domingo-v-do-tempo-comum-ainda-a-jornada-de-cafarnaum-e-job-o-homem-que-doi\/","title":{"rendered":"Domingo V do Tempo Comum: \u00abAinda a jornada de Cafarnaum, e Job, o Homem que doi\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031_160503044443.jpg\" \/><\/p>\n<p><p>1. A\u00ed est\u00e1 diante de n\u00f3s o Evangelho do Domingo V do Tempo Comum, Marcos 1,29-39, no seguimento imediato da proclama\u00e7\u00e3o feita no Domingo passado (Marcos 1,21-28). De madrugada a madrugada. Depois de entrarem [Jesus e os seus disc\u00edpulos; ningu\u00e9m como Marcos vincula Jesus aos seus disc\u00edpulos] em Cafarnaum, na manh\u00e3 de s\u00e1bado entra Jesus na sinagoga de Cafarnaum e ensinava (Marcos 1,21). Ei-los agora que saem [Jesus e os seus disc\u00edpulos: verbo no plural] da sinagoga, e entram na casa de Sim\u00e3o e de Andr\u00e9 (Marcos 1,29). Trata-se de um \u00abrelato de come\u00e7o\u00bb. Saindo da casa antiga, entram, uns 30 metros a sul, na casa nova, de Pedro. A sogra de Sim\u00e3o est\u00e1 deitada com febre. Jesus segura-lhe (<em>krat\u00e9\u00f4<\/em>) na m\u00e3o (Marcos 1,31), express\u00e3o lind\u00edssima que indica no Antigo Testamento o gesto protetor com que Deus protege o orante (Salmo 73,23), Israel (Isa\u00edas 41,13), o seu servo (Isa\u00edas 42,6). E a sogra de Sim\u00e3o \u00ablevantou-se\u00bb (<em>\u00eage\u00edr\u00f4<\/em>), verbo da ressurrei\u00e7\u00e3o, e p\u00f4s-se a servi-los (<em>di\u00eak\u00f3nei<\/em>: imperfeito de\u00a0<em>diakon\u00e9\u00f4<\/em>) de forma continuada, como indica o uso do verbo no imperfeito. A sogra de Sim\u00e3o \u00e9 uma das sete mulheres que, nos Evangelhos, \u00abservem\u00bb Jesus e os outros. Ela \u00e9 bem a figura da comunidade crist\u00e3 nascente, que passa da escravid\u00e3o \u00e0 liberdade, da morte \u00e0 vida, gerada, protegida, guardada e edificada por Jesus no lugar seguro da casa de Pedro.<\/p>\n<p>2. \u00c0 tardinha, j\u00e1 sol-posto, primeiro dia da semana [o dia muda com o p\u00f4r do sol], toda a cidade de Cafarnaum est\u00e1 reunida diante da porta daquela casa, para ouvir Jesus e ver curados por Ele os seus doentes. Note-se que os dem\u00f3nios continuam impedidos de falar, exatamente porque sabiam quem Ele era (Marcos 1,34). Pode parecer estranho este silenciamento de quem sabe! Mas \u00e9 exatamente para ficar claro que acreditar em Jesus n\u00e3o \u00e9 isolar uma defini\u00e7\u00e3o exata de Jesus, mas aderir a Ele e \u00e0 sua maneira de viver. E este afazer \u00e9 trabalho nosso, n\u00e3o dos dem\u00f3nios.<\/p>\n<p>3. Na madrugada do mesmo primeiro dia da semana, muito cedo, de madrugada a madrugada, tendo-se levantado (<em>an\u00edst\u00eami<\/em>), outra prolepse da madrugada da Ressurrei\u00e7\u00e3o que j\u00e1 se avista no horizonte, Jesus sai sozinho para rezar (Marcos 1,35), mas os disc\u00edpulos correm logo a procur\u00e1-lo para o trazer de volta a Cafarnaum, pois, dizem eles, todas as pessoas o querem ver e ter. Ningu\u00e9m o quer perder (Marcos 1,36-37).<\/p>\n<p>4. Mas Jesus desconcerta os seus disc\u00edpulos, e abre-lhes j\u00e1 os futuros caminhos da miss\u00e3o: \u00abVAMOS, diz Jesus, a outros lugares, \u00e0s aldeias vizinhas, para que TAMB\u00c9M (<em>ka\u00ed<\/em>\u00a0usado adverbialmente) ali ANUNCIE (<em>k\u00ear\u00fdss\u00f4<\/em>) o Evangelho\u00bb (Marcos 1,38). Importante e intenso dizer. ANUNCIAR, verbo grego\u00a0<em>k\u00ear\u00fdss\u00f4<\/em>, \u00e9 todo o afazer de Jesus, enche por completo o seu programa e o seu caminho. Ora, ANUNCIAR,\u00a0<em>k\u00ear\u00fdss\u00f4<\/em>, \u00e9 dizer em voz alta a MENSAGEM que outro nos encarregou de transmitir. Aqui, o outro \u00e9 Deus. Jesus \u00e9, ent\u00e3o, o MENSAGEIRO de Deus. O ANUNCIADOR, o MENSAGEIRO, n\u00e3o fala em seu pr\u00f3prio nome, n\u00e3o emite opini\u00f5es. Fala em nome de Deus.<\/p>\n<p>5. Prossigamos. Com aquele\u00a0<em>vamos<\/em>\u00a0[\u00ab<em>vamos<\/em>\u00a0a outros lugares\u00bb], Jesus desinstala e agrafa a si os seus disc\u00edpulos, apontando-lhes j\u00e1 o seu futuro trabalho de ANUNCIADORES do Evangelho pelo mundo inteiro. Mas \u00e9 igualmente importante aquele TAMB\u00c9M inclusivo [\u00abpara que\u00a0<em>tamb\u00e9m<\/em>\u00a0ali anuncie o Evangelho\u00bb]. \u00c9 como uma ponte que une duas margens. Se, por um lado, proleticamente, aponta o futuro, por outro lado, analepticamente, classifica como AN\u00daNCIO do Evangelho todos os afazeres da inteira \u00abjornada de Cafarnaum\u00bb, em que o verbo ANUNCIAR (<em>k\u00ear\u00fdss\u00f4<\/em>) nunca apareceu. Ficamos, portanto, a saber que a toada do AN\u00daNCO do Evangelho \u00e9 ensinar, libertar, acolher, curar, recriar.<\/p>\n<p>6. Jesus, o M\u00e9dico divino, curou a sogra de Pedro e muitos doentes. Eis o contraponto vindo hoje do Livro de Job (7,1-7), o homem que d\u00f3i e grita por socorro. Em nome do homem, Job procura um sentido para a vida humana breve, fr\u00e1gil e nem sempre feliz e gratificante. Pede a gra\u00e7a de uma m\u00e3o. Os amigos aparecem, mas, em vez de servirem de consolo, entret\u00eam-se \u00e0 procura de raz\u00f5es que expliquem a desgra\u00e7a ca\u00edda sobre Job. E assim, em vez de consolarem Job, atiram-no para a vala do lixo do pecado sem reden\u00e7\u00e3o e sem rem\u00e9dio. J\u00e1 se v\u00ea que tamb\u00e9m s\u00f3 Deus poder\u00e1 curar Job e todo o humano fr\u00e1gil e dorido que ele representa. \u00c9 para ele tamb\u00e9m o salutar EVANGELHO de hoje. Para ele, e para n\u00f3s. Bem vistas as coisas, todos somos eleitos de Deus. E o eleito \u00e9 sempre algu\u00e9m que abre livremente a m\u00e3o para receber um dom.<\/p>\n<p>7. Por causa de Jesus e \u00e0 maneira de Jesus, cai sobre Paulo tamb\u00e9m a gra\u00e7a e a miss\u00e3o de EVANGELIZAR (1 Cor\u00edntios 9,16-23). \u00c9 neste caminho belo de EVANGELIZADOR que Paulo anda, mas n\u00e3o \u00e9 por sua iniciativa ou gosto. \u00c9 \u00abuma necessidade (<em>anagk\u00ea<\/em>) que lhe \u00e9 imposta desde fora (<em>ep\u00edkeitai<\/em>)\u00bb (1 Cor\u00edntios 9,16). Desde fora, isto \u00e9, desde Deus, contra quem n\u00e3o vale a pena lutar (Actos 26,14). Sim, a vida nova de Paulo assenta nessa derrota sofrida (<em>katel\u00eamphthen<\/em>: aor. passivo de\u00a0<em>katalamb\u00e1n\u00f4<\/em>) no caminho de Damasco (Filipenses 3,12), que lhe \u00e9 imposta por Jesus, que desequilibra para a frente, e para sempre, a vida de Paulo (Filipenses 3,13-14). Sem esse desequil\u00edbrio para a frente, para o Evangelho, para Cristo, a vida de Paulo come\u00e7aria a arruinar-se, como indica a \u00abf\u00f3rmula de desgra\u00e7a\u00bb, introduzida por aquela interjei\u00e7\u00e3o \u00abAi\u00bb (<em>h\u00f4y<\/em>\u00a0hebraico;\u00a0<em>oua\u00ed<\/em>\u00a0grego), que fecha o v. 16. Esta inclina\u00e7\u00e3o para a frente traduz tamb\u00e9m a devota\u00e7\u00e3o de Paulo a todos (1 Cor\u00edntios 9,19-23), \u00abtudo para todos\u00bb (1 Cor\u00edntios 9,22), \u00abpor causa do Evangelho\u00bb (1 Cor\u00edntios 9,23).<\/p>\n<p>8. O Salmo 147 mant\u00e9m-nos atentos e fi\u00e9is cantores das obras boas de Deus, que opera sempre em nosso favor, debru\u00e7ando-se sobre n\u00f3s com amor providente, curando todas as nossas feridas, as do cora\u00e7\u00e3o e as do nosso corpo chagado. Mas sobretudo porque nos p\u00f5e a cantar, e cantar a Deus \u00e9 bom e faz bem!<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. 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