{"id":1931422471,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/327-divulgacao\/10732-ecologiaigrejas-mensagem-conjunta-para-a-protecao-da-criacao"},"modified":"2025-11-07T16:34:21","modified_gmt":"2025-11-07T16:34:21","slug":"ecologia-igrejas-mensagem-conjunta-para-a-protecao-da-criacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/ecologia-igrejas-mensagem-conjunta-para-a-protecao-da-criacao\/","title":{"rendered":"Ecologia\/Igrejas: Mensagem conjunta para a prote\u00e7\u00e3o da Cria\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/natureza_2_201124083134.jpg\" \/><\/p>\n<p><p style=\"text-align: center\"><strong>Mensagem do Santo Padre Francisco, de sua Santidade Bartolomeu I, Patriarcado Ecum\u00e9nico e de sua gra\u00e7a Justin Welby, Arcebispo de Canterbury<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Durante mais de um ano, todos experiment\u00e1mos os efeitos devastadores de uma pandemia global &#8211; todos n\u00f3s, ricos ou pobres, fracos ou fortes. Alguns estavam mais protegidos ou estavam mais vulner\u00e1veis ??do que outros, mas a r\u00e1pida dissemina\u00e7\u00e3o da infe\u00e7\u00e3o fez com dependamos uns dos outros, nos nossos esfor\u00e7os para nos mantermos seguros. Percebemos que, perante esta calamidade global, ningu\u00e9m est\u00e1 seguro at\u00e9 que todos estejam seguros, que as nossas a\u00e7\u00f5es realmente afetam os outros e que o que fazemos hoje afeta o que acontece amanh\u00e3.<\/p>\n<p>Estas n\u00e3o s\u00e3o li\u00e7\u00f5es novas, mas tivemos que enfrent\u00e1-las novamente. Oxal\u00e1 n\u00e3o desperdicemos este momento. Devemos decidir que tipo de mundo queremos deixar para as gera\u00e7\u00f5es futuras. Deus ordena: &#8220;Escolhe a vida, para que tu e a tua descend\u00eancia vivam&#8221; (Dt 30,19). Devemos escolher viver de maneira diferente; devemos escolher a vida.<\/p>\n<p>Muitos crist\u00e3os celebram o m\u00eas setembro como a esta\u00e7\u00e3o da Cria\u00e7\u00e3o, uma oportunidade de rezar e cuidar da cria\u00e7\u00e3o de Deus. Enquanto os l\u00edderes mundiais se preparam para reunir em Glasgow, em novembro, para deliberar sobre o futuro do nosso planeta, rezamos por eles e consideramos as decis\u00f5es que todos devemos tomar. Consequentemente, como l\u00edderes das nossas Igrejas, apelamos a todos, seja qual for a sua cren\u00e7a ou vis\u00e3o de mundo, a se esforce para ouvir o clamor da terra e das pessoas que s\u00e3o pobres, examinando o seu comportamento e comprometendo-se a fazer sacrif\u00edcios significativos pelo bem da terra que Deus nos deu.<\/p>\n<p><strong>A import\u00e2ncia da sustentabilidade<\/strong><\/p>\n<p>Na nossa tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 comum, as Escrituras e os santos fornecem perspetivas iluminadoras para a compreens\u00e3o tanto das realidades do presente quanto da promessa de algo maior do que o que vemos agora. O conceito de administra\u00e7\u00e3o \u2013 a responsabilidade individual e coletiva pelo dom que Deus nos deu &#8211; representa um ponto de partida vital para a sustentabilidade social, econ\u00f3mica e ambiental. No Novo Testamento, lemos sobre o homem rico e insensato que armazena grandes riquezas de trigo enquanto se esquece da sua finitude (Lc 12: 13-21). Tamb\u00e9m conhecemos o filho pr\u00f3digo que parte com a sua heran\u00e7a antes de tempo, para logo a esbanjar e acabar com fome (Lc 15,11-32). Somos avisados ??de que n\u00e3o devemos adotar solu\u00e7\u00f5es de curto prazo e aparentemente baratas para construir na areia, em vez de construir na rocha para que nossa casa comum resista \u00e0s tempestades (Mt 7,24-27). Estas hist\u00f3rias convidam-nos a uma perspetiva mais ampla e a reconhecer o nosso lugar na hist\u00f3ria universal da humanidade.<\/p>\n<p>Mas tom\u00e1mos a dire\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria. Maximizamos o nosso interesse pr\u00f3prio \u00e0s custas das gera\u00e7\u00f5es futuras. Ao nos concentrarmos na nossa riqueza, descobrimos que os ativos de longo prazo, incluindo a riqueza da natureza, esgotam-se para obter benef\u00edcios de curto prazo. A tecnologia abriu novas possibilidades de progresso, mas tamb\u00e9m de acumula\u00e7\u00e3o desenfreada de riqueza, e muitos de n\u00f3s comportamo-nos de uma forma que mostra pouca preocupa\u00e7\u00e3o com as outras pessoas ou com os limites do planeta. A natureza \u00e9 dura, mas delicada. Estamos j\u00e1 a ver as consequ\u00eancias da nossa recusa em proteg\u00ea-la e preserv\u00e1-la (Gn 2,15). Agora, neste momento, temos a oportunidade de nos arrependermos, de dar a volta, de ir na dire\u00e7\u00e3o oposta. Devemos perseguir a generosidade e a justi\u00e7a na maneira como vivemos, trabalhamos e usamos o dinheiro, ao inv\u00e9s da gan\u00e2ncia ego\u00edsta.<\/p>\n<p><strong>O impacto nas pessoas que vivem na pobreza<\/strong><\/p>\n<p>A atual crise clim\u00e1tica diz muito sobre quem somos e como vemos e tratamos a cria\u00e7\u00e3o de Deus. Estamos diante de uma justi\u00e7a implac\u00e1vel: a perda da biodiversidade, a degrada\u00e7\u00e3o ambiental e as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas s\u00e3o as consequ\u00eancias inevit\u00e1veis ??das nossas a\u00e7\u00f5es, uma vez que consumismos com avidez mais recursos do que o planeta pode suportar. Mas tamb\u00e9m enfrentamos uma injusti\u00e7a profunda: as pessoas que suportam as consequ\u00eancias mais catastr\u00f3ficas desses abusos s\u00e3o as mais pobres do planeta e aquelas que tiveram a menor responsabilidade na sua assun\u00e7\u00e3o. Servimos a um Deus de justi\u00e7a, que se deleita na cria\u00e7\u00e3o e cria cada pessoa \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a de Deus, mas que tamb\u00e9m ouve o clamor dos pobres. Consequentemente, h\u00e1 um chamamento inato dentro de n\u00f3s para responder com ang\u00fastia quando vemos uma injusti\u00e7a t\u00e3o devastadora.<\/p>\n<p>Hoje estamos a pagar o pre\u00e7o. O clima extremo e os desastres naturais dos \u00faltimos meses revelam-nos, mais uma vez, com grande for\u00e7a e com grande custo humano que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas n\u00e3o s\u00e3o apenas um desafio futuro, mas uma quest\u00e3o imediata e urgente de sobreviv\u00eancia. Inunda\u00e7\u00f5es, inc\u00eandios e secas generalizadas amea\u00e7am continentes inteiros. O n\u00edvel do mar sobe, for\u00e7ando muitas comunidades a mudarem-se; ciclones devastam regi\u00f5es inteiras, arruinando vidas e meios de subsist\u00eancia. A \u00e1gua tornou-se escassa e o abastecimento de alimentos inseguro, causando conflitos e deslocamento de milh\u00f5es de pessoas. J\u00e1 vimos isto em lugares onde as pessoas dependem de pequenas explora\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas. Hoje vemos isto nos pa\u00edses mais industrializados, onde nem mesmo as infraestruturas sofisticadas podem impedir completamente uma destrui\u00e7\u00e3o extraordin\u00e1ria.<\/p>\n<p>Amanh\u00e3 pode ser pior. As crian\u00e7as e os adolescentes de hoje enfrentar\u00e3o consequ\u00eancias catastr\u00f3ficas se n\u00e3o assumirmos agora a responsabilidade, como &#8220;colaboradores de Deus&#8221; (Gn 2,4-7), de sustentar o nosso mundo. Frequentemente ouvimos os jovens que entendem que o seu futuro est\u00e1 amea\u00e7ado. Por isso, devemos escolher comer, viajar, gastar, investir e viver de maneira diferente, pensando n\u00e3o apenas nos juros e ganhos imediatos, mas tamb\u00e9m nos benef\u00edcios futuros. Arrependemo-nos dos pecados da nossa gera\u00e7\u00e3o. Estamos ao lado dos nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s mais novos ao redor do mundo em ora\u00e7\u00e3o comprometida e a\u00e7\u00e3o determinada por um futuro que cada vez mais corresponde \u00e0s promessas de Deus.<\/p>\n<p><strong>O imperativo da coopera\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Ao longo da pandemia, aprendemos o qu\u00e3o vulner\u00e1veis ??somos. Os nossos sistemas sociais est\u00e3o desgastados e descobrimos que n\u00e3o podemos controlar tudo. Devemos reconhecer que a maneira como usamos o dinheiro e organizamos as nossas sociedades n\u00e3o beneficiou a todos. Encontramo-nos fracos e ansiosos, imersos numa s\u00e9rie de crises: sanit\u00e1ria, ambiental, alimentar, econ\u00f3mica e social, todas profundamente interligadas.<\/p>\n<p>Estas crises apresentam-nos uma escolha. Estamos numa posi\u00e7\u00e3o \u00fanica para enfrent\u00e1-las com miopia e especula\u00e7\u00e3o ou para aproveit\u00e1-las como uma oportunidade de convers\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o. Se pensarmos na humanidade como uma fam\u00edlia e trabalharmos juntos por um futuro baseado no bem comum, podemo-nos encontrar a viver num mundo muito diferente. Juntos, podemos compartilhar uma vis\u00e3o de vida na qual todos prosperam. Juntos, podemos escolher agir com amor, justi\u00e7a e miseric\u00f3rdia. Juntos, podemos caminhar em dire\u00e7\u00e3o a uma sociedade mais justa e plena, com os mais vulner\u00e1veis ??no centro.<\/p>\n<p>Mas isto envolve fazer mudan\u00e7as. Cada um de n\u00f3s, individualmente, deve assumir a responsabilidade pela maneira como usamos os nossos recursos. Este caminho requer uma colabora\u00e7\u00e3o cada vez mais estreita entre todas as igrejas no seu compromisso com o cuidado da cria\u00e7\u00e3o. Juntos, como comunidades, igrejas, cidades e na\u00e7\u00f5es, devemos mudar a rota e descobrir novas formas de trabalharmos juntos de modo a quebrar as tradicionais barreiras entre os povos, para deixar de competir por recursos e come\u00e7ar a colaborar.<\/p>\n<p>\u00c0queles que tem maiores responsabilidades \u2013 que dirigem administra\u00e7\u00f5es, administram empresas, empregando pessoas ou investindo em fundos &#8211; dizemos: elegei os benef\u00edcios centrados nas pessoas; fazei sacrif\u00edcios de curto prazo para salvaguardar todos os nossos futuros; convertei-vos em l\u00edderes na transi\u00e7\u00e3o para economias justas e sustent\u00e1veis. \u201cA quem muito foi dado, muito ser\u00e1 exigido\u201d (Lc 12,48).<\/p>\n<p>Esta \u00e9 a primeira vez que n\u00f3s os tr\u00eas nos sentimos compelidos a abordar juntos a urg\u00eancia da sustentabilidade ambiental, o seu impacto na pobreza persistente e a import\u00e2ncia da coopera\u00e7\u00e3o global. Juntos, em nome das nossas comunidades, apelamos ao cora\u00e7\u00e3o e \u00e0 mente de cada crist\u00e3o, cada crente e cada pessoa de boa vontade. Oramos pelos nossos l\u00edderes que se encontrar\u00e3o em Glasgow para decidir o futuro do nosso planeta e das suas gentes. Mais uma vez, recordamos a Escritura: &#8220;Escolhe a vida, para que tu e a tua descend\u00eancia vivam&#8221; (Dt 30,19). Escolher a vida significa fazer sacrif\u00edcios e exercer a modera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Todos n\u00f3s, quem quer que sejamos e onde quer que estejamos, podemos desempenhar um papel na mudan\u00e7a da nossa resposta coletiva \u00e0 amea\u00e7a sem precedentes da mudan\u00e7a clim\u00e1tica e da degrada\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p>\n<p>Cuidar da cria\u00e7\u00e3o de Deus \u00e9 um mandato espiritual que requer uma resposta comprometida. Este \u00e9 um momento cr\u00edtico. O futuro dos nossos filhos e da nossa casa comum depende disso.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\">1 de setembro de 2021<\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><em>Bartolomeu, Patriarca Ecum\u00e9nico<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><em>Francisco, Papa<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><em>Justin, Arcebispo de Canterbury<\/em><\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o Educris a partir do<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/en\/messages\/pont-messages\/2021\/documents\/20210901-messaggio-protezionedelcreato.html\" target=\"_blank\"> original <\/a>em Ingl\u00eas<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mensagem do Santo Padre Francisco, de sua Santidade Bartolomeu I, Patriarcado Ecum\u00e9nico e de sua gra\u00e7a Justin Welby, Arcebispo de 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