{"id":195634883,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/12870-domingo-iv-da-quaresma-a-luz-veio-ao-mundo"},"modified":"2025-11-07T16:33:59","modified_gmt":"2025-11-07T16:33:59","slug":"domingo-iv-da-quaresma-a-luz-veio-ao-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/domingo-iv-da-quaresma-a-luz-veio-ao-mundo\/","title":{"rendered":"Domingo IV da Quaresma: \u00abA Luz veio ao Mundo\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031_160503044443.jpg\" \/><\/p>\n<p><p data-adtags-visited=\"true\">2 Cr 36,14-16.19-23; Sl 137; Ef 2,4-10; Jo 3,14-21<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">1. Com o olhar cada vez mais fixo na Cruz Gloriosa, em que foi entronizada a Luz que d\u00e1 a Vida verdadeira, bati\u00adzados e catec\u00famenos continuam a sua \u00abcaminhada\u00bb quaresmal:\u00a0<em>mem\u00f3ria<\/em>\u00a0do batismo [= execu\u00e7\u00e3o do programa filial batis\u00admal] para os batizados,\u00a0<em>prepara\u00e7\u00e3o<\/em>\u00a0para o batismo por parte dos catec\u00famenos (<em>Sacrosanctum Concilium<\/em>, n.\u00ba 109), que t\u00eam neste IV Domingo da Quaresma os seus segundos \u00abescrut\u00ednios\u00bb: segunda \u00abcha\u00admada\u00bb para a Liberdade.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">2. O Evangelho deste Domingo IV da Quaresma (Jo\u00e3o 3,14-21) exp\u00f5e a toda a luz o \u00abFilho do Homem, que\u00a0<em>deve<\/em>\u00a0(<em>de\u00ee<\/em>)\u00a0<em>ser levantado<\/em>\u00a0(<em>hyps\u00f4th\u00eanai<\/em>: aor. inf. passivo de\u00a0<em>hyps\u00f3\u00f4<\/em>), para que todo o que\u00a0<em>acredita nele<\/em>\u00a0(<em>ho piste\u00fa\u00f4n en aut\u00f4<\/em>) tenha a\u00a0<em>vida eterna<\/em>\u00a0(<em>z\u00f4\u00ea ai\u00f4nios<\/em>)\u00bb (Jo\u00e3o 3,15). V\u00ea-se perfeitamente que Jesus est\u00e1 a expor diante dos olhos de Nicodemos e dos nossos, a Cruz Santa e Gloriosa em que Ele pr\u00f3prio, o Senhor da Vida, ser\u00e1\u00a0<em>crucificado<\/em>, que o mesmo \u00e9 dizer, na linguagem Joanina,\u00a0<em>exaltado<\/em>\u00a0e\u00a0<em>glorificado<\/em>. Note-se a presen\u00e7a da m\u00e3o de Deus, quer na necessidade teol\u00f3gica, expressa naquele\u00a0<em>de\u00ee<\/em>, que reclama o plano divino, quer na forma passiva utilizada na a\u00e7\u00e3o deste\u00a0<em>levantamento<\/em>. Tamb\u00e9m \u00e9 importante a compara\u00e7\u00e3o expl\u00edcita que o pr\u00f3prio Jesus faz do seu\u00a0<em>levantamento\u00a0<\/em>com a a\u00e7\u00e3o de Mois\u00e9s: \u00abAssim como Mois\u00e9s\u00a0<em>levantou<\/em>\u00a0(<em>h\u00fdps\u00f4sen<\/em>: aor. de\u00a0<em>hyps\u00f3\u00f4<\/em>) a cobra no deserto, assim\u00a0<em>deve<\/em>\u00a0(<em>de\u00ee<\/em>)\u00a0<em>ser levantado<\/em>\u00a0o Filho do Homem\u00bb (Jo\u00e3o 3,14). E n\u00e3o podemos tamb\u00e9m perder de vista que, com este dizer, Jesus se assume como o verda\u00addeiro Servo do Senhor, de Isa\u00edas, que \u00abser\u00e1 exaltado\u00bb (<em>hyps\u00f3\u00f4<\/em>) por Deus (Isa\u00edas 52,13), e se apresenta a si mesmo como transpar\u00eancia de Deus: \u00abQuando tiverdes\u00a0<em>levantado<\/em>\u00a0(<em>hyps\u00f3\u00f4<\/em>) o Filho do Homem, ent\u00e3o sabereis que \u201cEu Sou\u201d (<em>eg\u00f4 eimi<\/em>: t\u00edtulo divino), e que por mim mesmo nada fa\u00e7o, mas como me ensinou o Pai estas coisas falo (<em>lal\u00e9\u00f4<\/em>)\u00bb (Jo\u00e3o 8,28). Paulo tamb\u00e9m dir\u00e1, na Carta aos Filipenses, acerca deste Jesus, que Deus o \u00absobre exaltou\u00bb (<em>hyperhyps\u00f3\u00f4<\/em>) (Filipenses 2,9).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">3. Notemos, antes de mais, que o\u00a0<em>levantamento<\/em>\u00a0de Jesus, na Cruz, \u00e9 em ordem a dar a\u00a0<em>vida eterna<\/em>\u00a0(<em>z\u00f4\u00ea ai\u00f4nios<\/em>) a todos os que creem (Jo\u00e3o 3,15-16). \u00c9 por isso que Jesus diz: \u00abQuando eu for\u00a0<em>levantado<\/em>\u00a0(<em>hyps\u00f3\u00f4<\/em>) da terra,\u00a0<em>arrastarei<\/em>\u00a0(<em>h\u00e9lk\u00f4<\/em>) todos a mim\u00bb (Jo\u00e3o 12,32). E ainda: \u00abH\u00e3o de olhar para aquele que trespassaram\u00bb (Jo\u00e3o 19,37). Na verdade, para ter a Vida verdadeira, \u00e9 necess\u00e1rio\u00a0<em>ver<\/em>\u00a0[= acre\u00additar] o Filho (Jo\u00e3o 3,36; 6,40), Luz da Luz, que brilha sobre a Cruz, novo e \u00faltimo candelabro do amor de Deus (Atos 2,36).\u00a0<em>Ver<\/em>\u00a0o Filho \u00e9 obra do Esp\u00edrito Santo em n\u00f3s (1 Cor\u00edntios 12,3). Para O ver \u00e9 necess\u00e1rio ter nascido da \u00e1gua e do Esp\u00edrito (Jo\u00e3o 3,5), isto \u00e9, do alto e de outra maneira (<em>\u00e1n\u00f4then<\/em>) (Jo\u00e3o 3,3).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">4. Quanto \u00e0 for\u00e7a daquele\u00a0<em>arrasto<\/em>\u00a0operado por Jesus, continua Jesus a ensinar-nos, em outra li\u00e7\u00e3o, que tamb\u00e9m pode ser levado a cabo pelo Pai: \u00abNingu\u00e9m pode vir a Mim (<em>elthe\u00een pr\u00f3s me<\/em>), se o Pai, que me enviou, n\u00e3o o\u00a0<em>arrastar<\/em>\u00a0(<em>h\u00e9lk\u00f4<\/em>)\u00bb (Jo\u00e3o 6,44). V\u00ea-se bem, por debaixo do falar de Jesus, o teclado do Antigo Testamento, nomeadamente Jeremias 31,3 [38,3 LXX], que refere textualmente, pondo Deus a falar: \u00abCom um amor eterno Eu te amei; por isso te\u00a0<em>arrastei<\/em>\u00a0(<em>mashak<\/em>\u00a0TM;\u00a0<em>h\u00e9lk\u00f4<\/em>\u00a0LXX)\u00a0<em>com carinho<\/em>\u00a0(<em>hesed<\/em>\u00a0TM;\u00a0<em>oikt\u00edr\u00eam\u00f4n<\/em>\u00a0LXX)\u00bb. \u00c9 demasiado pobre n\u00e3o reparar nisto. \u00c9 demasiado belo reparar nisto. H\u00e1 neste amor de Deus por n\u00f3s uma paix\u00e3o declarada, for\u00e7a ou coa\u00e7\u00e3o que o verbo\u00a0<em>arrastar<\/em>\u00a0traduz bem. Mas a express\u00e3o completa \u00e9: \u00abarrastar com carinho\u00bb. Entendamos ent\u00e3o que, se Deus nos der a gra\u00e7a e o dom do entendimento \u2013 e d\u00e1 porque partilha connosco a sua omnisci\u00eancia, criando-nos livres, inteligentes e respons\u00e1veis \u2013, entendamos ent\u00e3o que Deus\u00a0<em>luta<\/em>\u00a0por n\u00f3s,\u00a0<em>arrasta-nos<\/em>\u00a0tantas vezes, mas sempre\u00a0<em>com carinho<\/em>! Mas que tamb\u00e9m n\u00f3s, se fomos criados livres, inteligentes e respons\u00e1veis, n\u00e3o podemos simplesmente permanecer de bra\u00e7os ca\u00eddos\u2026 Sinal maior do que todos os sinais: \u00e9 tal o nosso valor aos olhos de Deus, que Ele entregou o seu Filho por amor de n\u00f3s! Tomar consci\u00eancia desta realidade, e viv\u00ea-la, constitui um estupendo programa quaresmal!<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">5.\u00a0<em>Ver<\/em>\u00a0o Filho do Homem\u00a0<em>levantado<\/em>\u00a0na Cruz \u00e9 ver passar dois filmes: 1) o da nossa viol\u00eancia e malvadez, postas a descoberto naquele rosto desfigurado, naquelas chagas abertas, naquele sangue a escorrer ou j\u00e1 coalhado: est\u00e1 ali, bem diante de n\u00f3s e \u00e0s claras, a imagem do pecado que est\u00e1 escondido em n\u00f3s; 2) passa ali tamb\u00e9m o filme do imenso amor de Deus, que n\u00e3o faz frente \u00e0 minha viol\u00eancia, mas a abra\u00e7a. Sendo Deus amor, ent\u00e3o a \u00fanica maneira que Ele tem de curar o meu pecado, n\u00e3o \u00e9 decretar, l\u00e1 do alto e de dentro das paredes douradas da sua eternidade, uma qualquer amnistia. A \u00fanica maneira que Deus tem de me curar \u00e9 descer ao meu mundo, viver no meu mundo, caminhar comigo, sujeitar-se \u00e0s minhas maldades e tropelias, sofr\u00ea-las e absorv\u00ea-las. \u00c9 s\u00f3 assim, desarmado e s\u00f3 amando, que Ele pode dissolver e absolver o pecado que h\u00e1 em mim. \u00abDeus amou tanto o mundo\u00bb (Jo\u00e3o 3,16). A cura n\u00e3o \u00e9 m\u00e1gica. Levantada e exibida bem diante dos nossos olhos, naquele rosto desfigurado e naquele sangue a escorrer, a imagem da viol\u00eancia, mentira, \u00f3dios, dentro de n\u00f3s escondida, mas agora declarada, conhecemos agora a doen\u00e7a de que padecemos. Podemos, portanto, come\u00e7ar a tratar-nos. E o rem\u00e9dio tamb\u00e9m est\u00e1 ali exposto bem diante dos nossos olhos: \u00e9 aquele amor e perd\u00e3o subversivos!<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">6. Toda a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria: a Cruz n\u00e3o \u00e9 o nosso pecado. \u00c9 a imagem do nosso pecado! O pecado, que est\u00e1 em n\u00f3s, produziu aquela imagem a sangrar. Sim, est\u00e1 ali a imagem da nossa viol\u00eancia e estupidez. Vendo a imagem, podemos ver o pecado, o mal que h\u00e1 em n\u00f3s, habitualmente escondido e dissimulado. A Cruz tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 o amor de Deus. \u00c9 a imagem do Amor de Deus! A Cruz revela o mundo e revela Deus!<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">7. Se olharmos agora para o texto do Livro dos N\u00fameros 21,4-9, tudo fica claro. O pecado camuflava-se nos interst\u00edcios do cora\u00e7\u00e3o do povo de Israel no deserto. O resultado era a murmura\u00e7\u00e3o contra Deus e contra Mois\u00e9s, o n\u00e3o reconhecimento da a\u00e7\u00e3o libertadora de Deus no \u00caxodo e o desprezo do alimento dado por Deus, o man\u00e1, causa de fastio, e n\u00e3o de maravilha (N\u00fameros 21,5). Como corrigir, com boa pedagogia, esta situa\u00e7\u00e3o? A\u00ed est\u00e3o as cobras (<em>n<sup>e<\/sup>hash\u00eem<\/em>) venenosas, que mordem e matam (N\u00fameros 21,6). A cobra \u00e9, por excel\u00eancia, imagem do pecado. Esconde-se e dissimula-se como o pecado. E o veneno que transporta, igualmente dissimulado, conduz \u00e0 morte, tal como o pecado. A cobra, como o pecado, anda dentro de n\u00f3s, dissimulada nas pregas do nosso esclerosado cora\u00e7\u00e3o. \u00c9 sintom\u00e1tico que o Livro do G\u00e9nesis 3,14 refira que a cobra se alimenta de p\u00f3 (<em>?aphar<\/em>). De p\u00f3 (<em>?aphar<\/em>), do \u00abp\u00f3 da terra\u00bb (<em>?aphar m\u00een-ha \u2019<sup>a<\/sup>damah<\/em>) foi modelado o homem (G\u00e9nesis 2,7). Os animais n\u00e3o foram modelados do p\u00f3 da terra, mas apenas \u00abda terra\u00bb (<em>m\u00een-ha \u2019<sup>a<\/sup>damah<\/em>) (G\u00e9nesis 2,19). Salta ent\u00e3o \u00e0 vista que a cobra se alimenta de n\u00f3s. \u00c9 um parasita perigoso. Como o pecado.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">8. Mois\u00e9s exp\u00f5e num poste uma cobra de bronze. Quem olhar para ela, fica curado (N\u00fameros 21,8-9). N\u00e3o, n\u00e3o se trata de nenhuma opera\u00e7\u00e3o de magia, mas, outra vez, do realismo b\u00edblico. Note-se tamb\u00e9m, antes de mais, que n\u00e3o era uma cobra que Mois\u00e9s fixava no poste, mas a imagem de uma cobra. Olhar bem para a imagem da cobra leva-nos a descobrir a cobra verdadeira que se dissimula dentro de n\u00f3s, o veneno que transportamos, que nos mata e mata os nossos irm\u00e3os. Feito o diagn\u00f3stico, reconhecido o mal de que padecemos, podemos ent\u00e3o iniciar o processo da cura. \u00c9 neste ponto preciso que a boa pedagogia de Jesus em Jo\u00e3o 3,14 nos leva a ver bem o Filho do Homem\u00a0<em>levantado<\/em>\u00a0como Mois\u00e9s\u00a0<em>levantou<\/em>\u00a0a cobra no deserto!<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">9. A grande \u00abteologia da hist\u00f3ria\u00bb expressa no 2 Livro das Cr\u00f3nicas 36,14-23 deixa bem claro que, abandonando a Palavra de Deus, que \u00e9 a nossa luz (Salmo 119,105) e a nossa vida (Deuteron\u00f3mio 32,47), ca\u00edmos inevitavelmente nas trevas e na morte de um \u00abex\u00edlio\u00bb qualquer. Por\u00e9m, o caminho \u00e9 revers\u00edvel: aproximando?nos de Deus e da sua Palavra, podemos recuperar de novo a luz e a vida. \u00c9, na verdade, \u00aba tua Palavra, Senhor, que tudo cura\u00bb (Sabedoria 16,12).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">10. O extrato da Carta de S. Paulo aos Ef\u00e9sios (2,4-10) acentua hoje o nosso movimento da morte para a vida\u00a0<em>em Cristo Je\u00adsus<\/em>: movimento batismal (da morte para a vida) e f\u00f3rmula batismal (\u00abem Cristo Jesus\u00bb). Nisto se manifestou \u00abo gran\u00adde amor com que Deus nos\u00a0<em>amou<\/em>\u00bb (<em>\u00eag\u00e1p\u00easen<\/em>: de novo o inaudi\u00adto aoristo hist\u00f3rico!) (Ef\u00e9sios 2,4). Mas h\u00e1 muito mais \u00abcoisas\u00bb inauditas de que Paulo tem de se socorrer, inovando at\u00e9 o vocabul\u00e1rio grego (!), num esfor\u00e7o supremo para tentar tra\u00adduzir este indiz\u00edvel \u00abgrande amor\u00bb de Deus por n\u00f3s: com Cristo nos\u00a0<em>con-vivificou<\/em>\u00a0(Ef\u00e9sios 2,5), nos\u00a0<em>con?ressuscitou<\/em>\u00a0e nos\u00a0<em>con\u00ad?sentou<\/em>\u00a0nos C\u00e9us (Ef\u00e9sios 2,6). Tudo aoristos hist\u00f3ricos!!! Com\u00adpreenda?se, portanto, o incompreens\u00edvel: tudo isto\u00a0<em>j\u00e1<\/em>\u00a0nos aconteceu! Somos, de facto, obra de Deus! (Ef\u00e9sios 2,10). Demos Gra\u00e7as a Deus!<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">11. A grande e sentida s\u00faplica que atravessa o Salmo 137 atravessa tamb\u00e9m as nossas m\u00e3os, l\u00edngua, c\u00e9u da boca, voz, mente, alegria, l\u00e1grimas. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel cantar na Babil\u00f3nia. Os C\u00e2nticos de Si\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o folclore, mas ora\u00e7\u00e3o a ferver sa\u00edda das entranhas! N\u00e3o se d\u00e3o naquele \u00abl\u00e1\u00bb (<em>sham<\/em>) estrangeiro e in\u00f3spito da Babil\u00f3nia. A p\u00e1tria da m\u00fasica e da alegria \u00e9 o \u00abl\u00e1\u00bb (<em>sham<\/em>) de Jerusal\u00e9m, cidade-m\u00e3e, que faz de Deus-Pai, Casa materna e paterna, onde reina a liberdade e a fraternidade, e n\u00e3o a escravid\u00e3o e a tirania. No decurso da segunda guerra mundial, o poeta italiano Salvatore Quasimodo (1901-1968) glosou assim este imenso Salmo, e a glosa ent\u00e3o feita pode infelizmente ouvir-se tamb\u00e9m hoje: \u00abE como pod\u00edamos n\u00f3s cantar\/ com o p\u00e9 estrangeiro sobre o cora\u00e7\u00e3o,\/ entre os mortos abandonados nas pra\u00e7as,\/ sobre a erva dura do gelo,\/ com o lamento de cordeiro das crian\u00e7as,\/ com o urlo negro da m\u00e3e\/ que ia ao encontro do filho\/ crucificado sobre o poste do tel\u00e9grafo?\/ Nos ramos dos salgueiros, por voto,\/ tamb\u00e9m as nossa harpas estavam dependuradas:\/ oscilavam leves sob o vento triste\u00bb.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">12. Mas n\u00f3s, que atravessamos a Quaresma, sabemos bem que todo o gelo glaciar \u00e9 derretido pelo sopro do amor que at\u00e9 n\u00f3s vem daquele que est\u00e1 naquela Cruz erguido!<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>2 Cr 36,14-16.19-23; Sl 137; Ef 2,4-10; Jo 3,14-21 1. 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