{"id":1968961872,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/14117-xvi-domingo-do-tempo-comum-a-senhora-dona-marta-e-a-discipula-maria"},"modified":"2025-11-07T16:34:06","modified_gmt":"2025-11-07T16:34:06","slug":"xvi-domingo-do-tempo-comum-a-senhora-dona-marta-e-a-discipula-maria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/xvi-domingo-do-tempo-comum-a-senhora-dona-marta-e-a-discipula-maria\/","title":{"rendered":"XVI Domingo do Tempo Comum: \u00abA senhora dona Marta e a disc\u00edpula Maria\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031_160503044443.jpg\" \/><\/p>\n<p><p>G\u00e9nesis 18,1-10; Salmo 15; Colossenses 1,24-28; Lucas 10,38-42<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">1. Imediatamente a seguir ao belo trabalho de amor do Bom Samaritano (Lucas 10,25-37), apresentado como figura do disc\u00edpulo de Jesus, que imita Jesus, m\u00e9dico divino, cheio de miseric\u00f3rdia e de gra\u00e7a, e que distribui miss\u00f5es pelos seus disc\u00edpulos: \u00abAgora faz tu\u00bb, que parte em viagem e que um dia voltar\u00e1 para fazer as contas (\u00abquando Eu voltar\u00bb), eis-nos a bra\u00e7os com outra cena de exce\u00e7\u00e3o do Evangelho de Lucas: Jesus, Marta e Maria (Lucas 10,38-42), que continua a expor diante de n\u00f3s, neste Domingo XVI do Tempo Comum, tra\u00e7os salientes para continuarmos a compor a figura do disc\u00edpulo de Jesus.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">2. A primeira anota\u00e7\u00e3o do narrador \u00e9 para nos comunicar que, estando Jesus em viagem, \u00abentrou numa certa povoa\u00e7\u00e3o\u00bb, e uma mulher, de nome Marta, recebeu em sua casa (Lucas 10,38). Pode parecer estranho que Lucas n\u00e3o refira o nome da povoa\u00e7\u00e3o. Estamos todos habituados a pensar que a povoa\u00e7\u00e3o se chamava Bet\u00e2nia, aldeia de Marta, Maria e L\u00e1zaro. Lucas, por\u00e9m, evita cuidadosamente referir os nomes das povoa\u00e7\u00f5es por onde passa Jesus. Para Lucas, desde 9,51, Jesus vai decididamente a caminho de Jerusal\u00e9m, e evita dizer os nomes de outras aldeias ou cidades, para que n\u00e3o se perca o \u00fanico nome que lhe interessa referir. Depois deste introito, acrescenta logo Lucas que Marta tinha uma irm\u00e3, chamada Maria (Lucas 10,39), e come\u00e7a de imediato a desenhar o retrato das duas irm\u00e3s.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">3. De Maria, al\u00e9m de a apresentar como a \u00abirm\u00e3\u00bb, diz-nos que estava SENTADA aos p\u00e9s de Jesus e que ESCUTAVA, num imperfeito de dura\u00e7\u00e3o, a sua Palavra (Lucas 10,39). O leitor apercebe-se de imediato que Maria assume a figura de disc\u00edpula atenta, dedicada e deliciada: SENTADA perto do Mestre, ESCUTAVA\u2026 Diga-se de passagem que, \u00e0 \u00e9poca de Jesus, nenhum mestre hebreu teria aceitado que uma mulher assumisse em rela\u00e7\u00e3o a si a postura de um disc\u00edpulo! Mas Jesus \u00e9 um Mestre novo e diferente, que salta n\u00e3o poucos muros tradicionais. Mas, de Maria, o narrador passa ao leitor, ainda outra nota carregada de subtileza e implica\u00e7\u00e3o. Sentada aos p\u00e9s de Jesus, Maria \u00e9 a figura do disc\u00edpulo de Jesus. Mas o narrador acrescenta que Maria \u00abescutava a sua Palavra\u00bb. O mais l\u00f3gico seria dizer que Maria \u00abO escutava\u00bb. Por que raz\u00e3o, ent\u00e3o, o narrador diz como diz, que Maria escutava a sua Palavra? Trata-se de uma bel\u00edssima e intensa provoca\u00e7\u00e3o para o disc\u00edpulo de Jesus de todos os tempos, tamb\u00e9m, portanto, para n\u00f3s, hoje. Sim, porque n\u00f3s n\u00e3o podemos mais escutar o Jesus da hist\u00f3ria. Mas podemos continuar a escutar a sua Palavra! Eis a maravilha escondida nas dobras do texto!<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">4. O narrador usa outras tintas para pintar o retrato de Marta. Come\u00e7a por nos dizer que andava OCUPADA (verbo grego\u00a0<em>perisp\u00e1\u00f4<\/em>, usado aqui no imperfeito de dura\u00e7\u00e3o) com muito servi\u00e7o (Lucas 10,40a). Na verdade, o verbo\u00a0<em>perisp\u00e1\u00f4<\/em>\u00a0usado no imperfeito, para indicar continua\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de OCUPADA tamb\u00e9m significa DISTRA\u00cdDA. Sabemos isso bem. Quantas vezes as muitas ocupa\u00e7\u00f5es significam tamb\u00e9m a queda no al\u00e7ap\u00e3o da DISTRA\u00c7\u00c3O! O narrador continua a pintar o retrato de Marta, e diz-nos: aproximando-se, por\u00e9m, disse a Jesus com um certo ar de reprova\u00e7\u00e3o: \u00abSenhor, a ti n\u00e3o te importa que a minha irm\u00e3 me deixe sozinha a servir?\u00bb (Lucas 10,40b). E, sem esperar pela resposta, como quem est\u00e1 cheia de raz\u00e3o, acrescenta logo, como quem tem autoridade para dar ordens at\u00e9 a Jesus: \u00abDiz-lhe, pois, que me venha ajudar!\u00bb (Lucas 10,40c). \u00c9 aqui que interv\u00e9m, n\u00e3o Jesus, mas o Senhor (<em>ho k\u00fdrios<\/em>), com a sua Palavra serena e soberana, para lhe dizer: \u00abMarta, Marta, andas PREOCUPADA (verbo grego\u00a0<em>merimn\u00e1\u00f4<\/em>) e \u00c0S VOLTAS (verbo grego\u00a0<em>thoryb\u00e1z\u00f4<\/em>) com MUITAS COISAS (<em>poll\u00e1<\/em>), quando UMA S\u00d3 (<em>hen\u00f3s<\/em>) \u00e9 necess\u00e1ria\u00bb (Lucas 10,41-42). E conclui Jesus em jeito de chamamento e de provoca\u00e7\u00e3o, para total espanto nosso e de Marta: \u00abMaria ESCOLHEU (<em>ekl\u00e9gomai<\/em>) a parte BOA (<em>t\u00ean agath\u00ean<\/em>), que n\u00e3o lhe ser\u00e1 tirada\u00bb (Lucas 10,42).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">5. Importa que compreendamos mais a fundo este importante dizer de Jesus, o Senhor. Em primeiro lugar, a repeti\u00e7\u00e3o do nome \u00abMarta, Marta\u00bb. No mundo do AT, s\u00f3 em quatro ocasi\u00f5es algu\u00e9m \u00e9 chamado duas vezes pelo nome: Abra\u00e3o (G\u00e9nesis 22,11), Jacob (G\u00e9nesis 46,2), Mois\u00e9s (\u00caxodo 3,4) e Samuel (1 Samuel 3,10). Mas pode ver-se ainda no andamento do Evangelho de Lucas: \u00abJerusal\u00e9m, Jerusal\u00e9m\u00bb (Lucas 13,34), e \u00abSim\u00e3o, Sim\u00e3o\u00bb (Lucas 22,31). Trata-se, em todos os casos, de um chamamento, de uma voca\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o de uma reprova\u00e7\u00e3o. O mesmo sucede aqui. Com a repeti\u00e7\u00e3o do nome \u00abMarta, Marta\u00bb, o Senhor quer levar Marta a assumir outra postura. Em segundo lugar, a \u00abpreocupa\u00e7\u00e3o\u00bb (<em>h\u00ea m\u00e9rimna<\/em>) de Marta. Note-se que, na par\u00e1bola da semente, esta linguagem traduz a postura daqueles que recebem a semente entre os espinhos, que s\u00e3o aqueles que andam sufocados pelas preocupa\u00e7\u00f5es e pela riqueza e pelos prazeres da vida, impedindo assim a Palavra de Deus de crescer (Lucas 8,14). Em terceiro lugar, e em contraponto com as preocupa\u00e7\u00f5es, que s\u00e3o os espinhos que sufocam a Palavra na par\u00e1bola da semente, o adjetivo \u00abboa\u00bb (<em>agath\u00ea<\/em>) reclama \u00aba terra boa\u00bb (<em>he kal\u00ea g\u00ea<\/em>) que dava fruto, e que s\u00e3o aqueles que acolhem a Palavra no seu cora\u00e7\u00e3o bom (<em>he kard\u00eda kal\u00ea ka\u00ec agath\u00ea<\/em>) (Lucas 8,15). Maria \u00e9 mostrada como aquela que escolheu \u00aba parte boa\u00bb (<em>h\u00ea agath\u00ea m\u00e9ris<\/em>) \u2013 n\u00e3o se deve traduzir por \u00abmelhor\u00bb \u2013, reclamando \u00aba terra boa\u00bb da par\u00e1bola da semente, ficando Marta no meio das preocupa\u00e7\u00f5es ou dos espinhos, que sufocam a Palavra. \u00c9, assim, f\u00e1cil de ver que Marta \u00e9 retratada em contraponto com Maria.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">6. Importa tamb\u00e9m ver j\u00e1, com clareza, que Maria n\u00e3o diz uma palavra em todo o epis\u00f3dio. N\u00e3o se ouve a sua voz. Ela est\u00e1 tranquilamente SENTADA e totalmente concentrada na ESCUTA de outra VOZ, que n\u00e3o a sua. Maria \u00e9 a mulher de UMA COISA e de UMA PESSOA. Por isso, na base da sua vida, tem de haver uma ESCOLHA. Nas p\u00e1ginas da Escritura Santa, \u00e9 normalmente Deus o sujeito do verbo ESCOLHER. Quando tamb\u00e9m n\u00f3s ousamos ESCOLHER, ent\u00e3o j\u00e1 se percebe que deixamos muitos mundos para tr\u00e1s e que nasce em n\u00f3s um mundo novo, por acostagem ao mundo de Deus.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">7. Marta come\u00e7a por receber Jesus na casa dela. \u00c9 a senhora dona Marta. Olha de soslaio para a sua irm\u00e3 Maria que acusa de n\u00e3o fazer nada, e repreende Jesus por n\u00e3o se importar com isso, e acaba mesmo dando ordens a Jesus, para que, por sua vez, d\u00ea ordens a Maria para a ir ajudar. \u00c9 a senhora dona Marta. Manda, ou pensa que manda, em casa, na sua irm\u00e3 e em Jesus!<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">8. A sua vida \u00e9 uma az\u00e1fama, anda \u00e0s voltas, ocupada por preocupa\u00e7\u00f5es e preconceitos, descentrada e desconcentrada. O seu fazer \u00e9 tradicional e convencional. Nunca ESCOLHEU. Apenas CONTINUOU a fazer o habitual. O narrador diz-nos que anda OCUPAD\u00cdSSIMA e DISTRA\u00cdDA, e Jesus diz-lhe que anda PREOCUPADA (<em>merimn\u00e1\u00f4<\/em>) e \u00c0S VOLTAS (<em>thoryb\u00e1z\u00f4<\/em>)\u2026 Vocabul\u00e1rio importante. Um pouco adiante, Jesus adverte os seus disc\u00edpulos para n\u00e3o se PREOCUPAREM (<em>merimn\u00e1\u00f4<\/em>) com a vida, quanto ao que h\u00e3o de comer, nem com o corpo, quanto ao que h\u00e3o de vestir (Lucas 12,22), e acrescenta logo que isso \u2013 afadigar-se com o que comer, beber e andar freneticamente, de lado para lado, como meteoritos (<em>mete\u00f4r\u00edz\u00f4<\/em>) \u2013 s\u00e3o coisas dos pag\u00e3os! (Lucas 12,30). E p\u00f5e-nos diante dos olhos este tesouro evang\u00e9lico e po\u00e9tico: \u00abConsiderai os l\u00edrios do campo, que n\u00e3o fiam nem tecem!\u2026\u00bb (Lucas 12,27).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">9. Ressalta deste fin\u00edssimo quadro que tamb\u00e9m o agitar-se por Deus ou pelo pr\u00f3ximo pode ser coisa pag\u00e3. N\u00e3o necessariamente por ser pag\u00e3o o objeto da busca, mas por ser pag\u00e3o o modo de procurar: com af\u00e3, inquieta\u00e7\u00e3o, agita\u00e7\u00e3o! Na verdade, as \u00abmuitas coisas\u00bb podem viciar, n\u00e3o apenas a escuta, mas tamb\u00e9m o verdadeiro servi\u00e7o. Fazer muito pode ser sinal de amor, mas pode tamb\u00e9m fazer morrer o amor! Ao h\u00f3spede \u00e9 necess\u00e1rio oferecer companhia, n\u00e3o apenas coisas!<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">10. Ao contr\u00e1rio da senhora dona Marta, que nunca abriu m\u00e3o da sua condi\u00e7\u00e3o de dona, Maria percebeu bem que n\u00e3o \u00e9 dona, mas simplesmente h\u00f3spede. N\u00e3o da sua irm\u00e3 Marta, mas de Jesus. Maria est\u00e1, na verdade, hospedada em casa de Jesus. Por isso, est\u00e1 assim serena e tranquila. Entregou-lhe tudo: o cora\u00e7\u00e3o, as m\u00e3os, os olhos, o cofre, a chave do cofre, a chave de casa. Marta n\u00e3o \u00e9 apresentada como sendo m\u00e1 pessoa, mas n\u00e3o compreendeu que, quando Jesus entra em nossa casa, \u00e9 dele a casa, e n\u00f3s simplesmente seus h\u00f3spedes, tranquilamente sentados junto dele! Ai esta nossa entranhada tenta\u00e7\u00e3o patronal!<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">11. Dizia um velho rabino acerca de um seu colega: \u00abanda de tal modo ocupado com as COISAS de Deus, que at\u00e9 se esquece de que ELE existe!\u00bb. Convenhamos que se trata de um esquecimento desastroso\u2026<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">12. Veja-se bem a simplicidade, a prontid\u00e3o e a candura desarmantes da li\u00e7\u00e3o do velho Abra\u00e3o do Antigo Testamento de hoje (G\u00e9nesis 18,1-10). Parece mesmo que Abra\u00e3o j\u00e1 estava ali, \u00e0 porta da tenda, \u00e0 espera de algu\u00e9m ou de Algu\u00e9m! Depois de entrever Algu\u00e9m ao longe, percorre aquela avenida num instante, e, como bom bedu\u00edno oriental, quase implora que n\u00e3o passem adiante sem descansar e retemperar as for\u00e7as na sua tenda. Os viandantes aceitam. Abra\u00e3o corre, apressa-se, e, no mesmo movimento de alegria, entram Sara, sua esposa, e o seu servo, escrupulosamente seguindo as diretrizes de Abra\u00e3o. Mesmo quando os seus h\u00f3spedes est\u00e3o recostados \u00e0 mesa, isto \u00e9, \u00e0 volta de uma pele de vaca sobre o ch\u00e3o \u00e0 entrada da tenda, debaixo da \u00e1rvore, estendida, Abra\u00e3o permanece de p\u00e9, em atitude de disponibilidade e servi\u00e7o. Abra\u00e3o apresenta-se loquaz e atarefado, enquanto os seus h\u00f3spedes est\u00e3o tranquilos e pronunciam frases curtas, antes da grande palavra de esperan\u00e7a, completamente inesperada, que abre novos horizontes para toda a humanidade! Abra\u00e3o pede a Sara que prepare p\u00e3es para os seus tr\u00eas convidados, e diz-lhe que v\u00e1 buscar tr\u00eas medidas de\u00a0<em>farinha<\/em>\u00a0(<em>qemah<\/em>). \u00c0 palavra \u00abfarinha\u00bb, um redator posterior juntou outra palavra mais precisa, \u00abflor de farinha\u00bb (<em>solet<\/em>). Trata-se de uma redund\u00e2ncia. Uma das duas palavras hebraicas est\u00e1 a mais. A segunda palavra,\u00a0<em>solet<\/em>, que aparece sobretudo nas leis cultuais (\u00caxodo 29,2.40), \u00e9 seguramente secund\u00e1ria, mas pretende dizer que a farinha utilizada devia ser a que se utilizava no culto, querendo com este\u00a0<em>detalhe<\/em>\u00a0dizer que Deus se encontrava entre os tr\u00eas convidados! Com o acrescento redacional referido, o relato apresenta Abra\u00e3o como um fiel cumpridor das leis cultuais p\u00f3s ex\u00edlicas, tornando-se assim, para os leitores dessa \u00e9poca, um modelo a imitar (cf. G\u00e9nesis 18,19; 22,18; 26,5).Note-se ainda que as tr\u00eas medidas de farinha, de flor de farinha (G\u00e9nesis 18,6) s\u00e3o, mais coisa menos coisa como 60 quilos de farinha, que Abra\u00e3o manda Sara amassar e meter ao forno, e apontam j\u00e1 para a par\u00e1bola do Evangelho (Mateus 13,33; Lucas 13,21), e, para al\u00e9m disso, dada a quantidade, para o banquete do Reino de Deus! Mas tamb\u00e9m aquele filho prometido (G\u00e9nesis 18,10) aponta para o Filho que encher\u00e1 as p\u00e1ginas do Novo Testamento e da nossa vida!<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">13. Na li\u00e7\u00e3o de hoje da Carta aos Colossenses 1,24-28, Paulo apresenta-se como \u00abservidor\u00bb (<em>di\u00e1konos<\/em>) do Evangelho a toda a criatura (v. 23) e como \u00abservidor\u00bb (<em>di\u00e1konos<\/em>) do corpo de Cristo, que \u00e9 a Igreja (<em>ekkl\u00eas\u00eda<\/em>) (v. 24). Tudo isto, n\u00e3o por vontade do Ap\u00f3stolo, mas segundo a \u00abeconomia\u00bb (<em>oikonom\u00eda<\/em>) de Deus, dada a ele por Deus para proveito nosso para levar a cumprimento a Palavra de Deus (v. 25). A Deus aprouve dar-nos a conhecer (<em>gn\u00f4r\u00edz\u00f4<\/em>) o seu mist\u00e9rio (<em>myst\u00earion<\/em>). Portanto, o mist\u00e9rio b\u00edblico n\u00e3o \u00e9 o que n\u00e3o se sabe nem se pode saber; \u00e9, antes, aquilo ou Aquele que Deus nos d\u00e1 a conhecer (v. 26-28). Mist\u00e9rio, portanto, prometido, anunciado, ensinado e conhecido! Para gl\u00f3ria de Deus e nossa! Mas Paulo, o Ap\u00f3stolo, ainda quer deixar diante de n\u00f3s uma leitura nova do sofrimento, de que tanto fugimos e que a tanto custo suportamos. Diz o Ap\u00f3stolo: \u00abAlegro-me (<em>cha\u00edr\u00f4<\/em>) nos sofrimentos em vosso favor e completo o que falta nas tribula\u00e7\u00f5es de Cristo na minha carne em favor do seu corpo, que \u00e9 a Igreja\u00bb (v. 24). S\u00f3 o amor d\u00e1 sentido \u00e0 dor.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">14. O Salmo 15 \u00e9 uma \u00abLiturgia de ingresso\u00bb no santu\u00e1rio, ou uma \u00abLiturgia das portas\u00bb. Constitu\u00eda, na pr\u00e1tica, uma esp\u00e9cie de liturgia penitencial ou exame de consci\u00eancia feito \u00e0 porta do Templo, para se aquilatar se a pessoa re\u00fane condi\u00e7\u00f5es para poder entrar no Templo. Quer isto dizer que, para algu\u00e9m poder transpor o limiar do Templo, para poder ir \u00e0 presen\u00e7a de Deus, tem de preencher uma s\u00e9rie de requisitos morais e existenciais, e n\u00e3o apenas de pureza ritual, que nem sequer \u00e9 falada no Salmo. Nas fachadas dos santu\u00e1rios do Egito e da Mesopot\u00e2mia estavam inscritas as condi\u00e7\u00f5es requeridas para se aceder ao culto. Tratava-se, em quase todos os casos, de preceitos de natureza ritual ou exterior. Tamb\u00e9m o Talmude lembrava que \u00abo homem n\u00e3o deve subir ao monte do Templo com sapatos ou bolsa ou com os p\u00e9s cheios de p\u00f3; n\u00e3o deve reduzir os \u00e1trios do templo a entradas apressadas, e muito menos cuspir neles\u00bb. Como se v\u00ea, o nosso Salmo n\u00e3o se entret\u00e9m com ritualismos exteriores, mas requer comportamentos como o cumprimento de atos \u00e9ticos e existenciais, que envolvam a justi\u00e7a e a verdade, que evitem a cal\u00fania e o insulto e a usura. Tenha-se presente que, no mundo oriental, o empr\u00e9stimo interesseiro atingia, por vezes, n\u00edveis alt\u00edssimos. Por exemplo, na Mesopot\u00e2mia, as taxas de empr\u00e9stimo chegaram a variar entre 17\/% e 50%. O nosso Salmo apela \u00e0 verdade e \u00e0 generosidade.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>G\u00e9nesis 18,1-10; Salmo 15; Colossenses 1,24-28; Lucas 10,38-42 1. 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