{"id":1991785441,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/12564-domingo-xxxi-do-tempo-comum-nao-fazer-da-religiao-um-show"},"modified":"2025-11-07T16:33:57","modified_gmt":"2025-11-07T16:33:57","slug":"domingo-xxxi-do-tempo-comum-nao-fazer-da-religiao-um-show","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/domingo-xxxi-do-tempo-comum-nao-fazer-da-religiao-um-show\/","title":{"rendered":"Domingo XXXI do Tempo Comum: \u00abN\u00e3o fazer da Religi\u00e3o um Show\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031.jpg\" \/><\/p>\n<p><p data-adtags-visited=\"true\">Ml 1,14b-2,2b.8-10; Sl 131; 1 Ts 2,7b-9.13; Mt 23,1-12<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">1. O Cap\u00edtulo 23 do Evangelho de Mateus abre o Discurso final ou Escatol\u00f3gico deste Evangelho, como se pode ver em Mateus 23-25, ainda que uma parte do Cap\u00edtulo 23 seja de teor narrativo, e n\u00e3o discursivo. Este Discurso \u00e9 sensivelmente igual em tamanho ao primeiro Discurso ou Serm\u00e3o da Montanha (Mateus 5-7), e fecha com o mesmo refr\u00e3o que encerra os cinco Discursos deste Evangelho: \u00abE aconteceu, quando Jesus terminou estas palavras\u2026\u00bb (7,28; 11,1; 13,53; 19,1; 26,1). Comparando o primeiro com o \u00faltimo, o primeiro abre com\u00a0<em>b\u00ean\u00e7\u00e3os<\/em>\u00a0(<em>mak\u00e1rioi<\/em>), que caem sobre os pobres, os pac\u00edficos, os pequeninos (5,3-12), e o \u00faltimo abre com\u00a0<em>maldi\u00e7\u00f5es<\/em>\u00a0(<em>oua\u00ed<\/em>), que caem sobre os escribas e fariseus hip\u00f3critas (23,13-36). Os primeiros identificam-se com Jesus (25,40.45), e s\u00e3o os seus preferidos; os outros s\u00e3o os que fazem da religi\u00e3o um\u00a0<em>show<\/em>\u00a0em nome de Deus, mas sem Deus, marcado por meros eventos ou realiza\u00e7\u00f5es humanas, buscando aplausos f\u00e1ceis, e evitando comprometer-se com os desafios do quotidiano. Este \u00faltimo Discurso de Jesus no Evangelho de Mateus acompanhar-nos-\u00e1 at\u00e9 ao final do Ano Lit\u00fargico: neste Domingo XXXI lemos Mateus 23,1-12; nos tr\u00eas \u00faltimos Domingos do Ano Lit\u00fargico, leremos todo o Cap\u00edtulo 25, assim distribu\u00eddo: no Domingo XXXII, Mateus 25,1-13; no Domingo XXXIII, Mateus 25,14-30; no Domingo XXXIV, Mateus 25,31-46.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">2. Neste Domingo XXXI do Tempo Comum, continuamos a ouvir Jesus a ensinar no Templo, no \u00e1trio dos Gentios, seguindo o Evangelho de Mateus 23,1-12. O Cap\u00edtulo 23 do Evangelho de Mateus apresenta-se assim arrumado: 1) 23,1-12, em que Jesus dirige o seu ensinamento \u00e0s multid\u00f5es e aos seus disc\u00edpulos (Mateus 23,1), primeiro, a todos (Mateus 23,2-7), depois, particularmente aos seus disc\u00edpulos (Mateus 23,8-12), pondo diante de uns e de outros a figura oca dos escribas e fariseus, o\u00a0<em>show off<\/em>\u00a0da sua religiosidade, a sua busca de notoriedade e de aplauso, apresentando-os como uma esp\u00e9cie de caricatura do seu verdadeiro disc\u00edpulo, que deve ser humilde, servi\u00e7al, filho de Deus e irm\u00e3o numa fam\u00edlia de irm\u00e3os; 2) 23,13-36, em que Jesus se dirige diretamente aos escribas e fariseus com sete \u00abais\u00bb, sendo o \u00abai\u00bb (<em>oua\u00ed<\/em>) uma f\u00f3rmula de desgra\u00e7a com que os profetas anunciam a ru\u00edna que est\u00e1 j\u00e1 a\u00ed \u00e0 porta; 3) 23,37-39, em que Jesus se lamenta sobre Jerusal\u00e9m, com aquele c\u00e9lebre \u00abJerusal\u00e9m, Jerusal\u00e9m, quantas vezes eu quis reunir os teus filhos como a galinha re\u00fane os pintainhos\u2026, mas agora a\u00a0<em>vossa casa<\/em>\u00a0ficar\u00e1\u00a0<em>deserta<\/em>\u00bb, que constitui uma esp\u00e9cie de ponte para o Cap\u00edtulo 24, em que logo no vers\u00edculo primeiro, de modo significativo, Jesus sai do Templo, indicando dessa forma o abandono de Deus.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">3. At\u00e9 aqui o Discurso de Jesus processou-se no \u00e1trio do Templo. A sua audi\u00eancia eram as multid\u00f5es e os seus disc\u00edpulos, a quem Jesus falava dos escribas e fariseus, resumindo o comportamento destes com aquele clar\u00edssimo: \u00abEles dizem, e n\u00e3o fazem\u00bb (23,3). Quando se dirigir diretamente a eles, em 23,13-36, Jesus fulmin\u00e1-los-\u00e1 com aqueles sete \u00abAi de v\u00f3s\u00bb (<em>Ou<\/em><em>a\u00ec d\u00e8 hym\u00een<\/em>) (23,13.15.16.23.25.27.29), num discurso que aparece igualmente e sintomaticamente atravessado pela \u00abhipocrisia\u00bb, que se ouve por oito vezes: 23,13.14.15.23.25.27.28.29, sete vezes \u00abhip\u00f3critas\u00bb (<em>hypokrita\u00ed<\/em>), uma vez \u00abhipocrisia\u00bb (<em>hyp\u00f3kisis<\/em>) em 23,28. A hipocrisia \u00e9 a contrafa\u00e7\u00e3o do Evangelho e a gangrena da espiritualidade. Do \u00e1trio do Templo, Jesus sai pela \u00faltima vez, em 24,1, deixando literalmente a \u00abcasa deserta\u00bb! Jesus usa aqui uma express\u00e3o fort\u00edssima: \u00abser\u00e1 deixada para\u00a0<em>v\u00f3s<\/em>\u00a0a\u00a0<em>vossa casa<\/em>\u00a0deserta\u00bb (<em>aph\u00edetai hym\u00een ho o\u00edkos hym\u00f4n \u00e9r\u00eamos<\/em>) (23,38). Note-se o contraponto com \u00aba minha casa\u00bb (<em>ho oik\u00f3s mou<\/em>) (21,13) e com \u00aba casa do meu Pai\u00bb (<em>o\u00eekos to\u00fb patr\u00f3s mou<\/em>) (Jo\u00e3o 2,16). Casa vazia, casa sem Deus, casa sem Jesus, apenas pedras, as\u00a0<em>vossas<\/em>\u00a0pedras! Est\u00e1 aqui configurado um ponto de n\u00e3o retorno!<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">4. No Evangelho de Mateus, o mundo dos escribas e dos fariseus \u00e9 sempre pintado com cores demasiado escuras e sombrias. Este procedimento agressivo resultar\u00e1 provavelmente dos acontecimentos dos anos 70 d.C., com a destrui\u00e7\u00e3o pelos Romanos (Vespasiano e Tito) do Templo, da cidade de Jerusal\u00e9m e da na\u00e7\u00e3o judaica. Mas este clima hostil contra os fariseus deve-se sobretudo ao facto de a partir da destrui\u00e7\u00e3o de 70 terem ficado no solo da Palestina, al\u00e9m dos romanos, apenas os fariseus e os crist\u00e3os, uns e outros, pacifistas. Os crist\u00e3os por natureza. Os fariseus por fazerem da piedade a \u00fanica arma para apressar a vinda do Messias. Os saduceus eram pol\u00edticos sagazes, e os zelotes e os ess\u00e9nios eram extremistas armados que montavam emboscadas contra os Romanos. Por isso, perante a destrui\u00e7\u00e3o operada pelos Romanos na chamada guerra judaica (66-70), estes grupos extremistas ou fugiram ou foram mortos. Ficaram em solo palestinense apenas os fariseus e os crist\u00e3os, que n\u00e3o criavam problemas aos ocupantes Romanos. Neste contexto, era \u00f3bvio que os fariseus queriam afirmar, face aos crist\u00e3os, a sua identidade farisaica, do mesmo modo que os crist\u00e3os queriam afirmar, face aos fariseus, a sua identidade crist\u00e3. N\u00e3o admira, portanto, que crist\u00e3os e fariseus usem uns para com os outros um tratamento agressivo. O \u00fanico bom escriba que o Evangelho de Mateus conhece \u00e9 aquele que se tornou disc\u00edpulo: \u00abTodo o escriba que se tornou disc\u00edpulo do Reino dos C\u00e9us \u00e9 semelhante ao propriet\u00e1rio que do seu tesouro tira coisas novas e coisas velhas\u00bb (13,52).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">5. \u00c9 agora mais f\u00e1cil de entender que tamb\u00e9m Jesus apare\u00e7a a denunciar a hipocrisia e o fermento dos fariseus, as suas correrias em busca de sucesso e enganosas honrarias. E Jesus aproveita o cen\u00e1rio para prevenir os seus disc\u00edpulos de todos os tempos, de hoje tamb\u00e9m, que n\u00e3o devem preocupar-se com estatutos e import\u00e2ncia nem correr atr\u00e1s de honras, ambi\u00e7\u00e3o e carreirismo, da notoriedade tornada vis\u00edvel nas filact\u00e9rias (<em>t<sup>e<\/sup>phill\u00eem<\/em>), termo s\u00f3 aqui usado no NT, que eram pequenas caixas de couro que continham textos-chave da Escritura (Deuteron\u00f3mio 6,8 e 11,18), e que os homens atavam \u00e0 fronte e ao bra\u00e7o esquerdo, para ficar mais perto do cora\u00e7\u00e3o, ou as franjas de cor azul ou violeta (<em>ts\u00eets\u00eet<\/em>), que pendiam das vestes (N\u00fameros 15,38-39), mais tarde do\u00a0<em>tall\u00eet<\/em>\u00a0(manto que os judeus piedosos vestem para a ora\u00e7\u00e3o). Convenhamos em que \u00e9 bem-intencionada a prescri\u00e7\u00e3o, mas acaba por resultar em pura ostenta\u00e7\u00e3o e\u00a0<em>show<\/em>\u00a0religioso! Ao colocar as filact\u00e9rias todas as manh\u00e3s, para a ora\u00e7\u00e3o, o judeu piedoso, a partir dos treze anos, recitava a seguinte b\u00ean\u00e7\u00e3o: \u00abBendito sejas Tu, Senhor Deus, Rei do Universo, que nos santificaste com os teus mandamentos e nos ordenaste trazer as filact\u00e9rias\u00bb. O texto de hoje alude ao costume de os judeus intolerantes usarem as filact\u00e9rias durante todo o dia, exibindo-as no estudo da T\u00f4rah, e alargando-as para as tornar mais vis\u00edveis (23,5). Os primeiros lugares nas sinagogas, banquetes e lugares p\u00fablicos eram avidamente buscados (23,6), pois conferiam mais valias e visibilidade a quem os ocupava. As sauda\u00e7\u00f5es desempenhavam e desempenham ainda hoje um importante papel no M\u00e9dio Oriente. Era e \u00e9 uma das primeiras coisas que se ensina \u00e0s crian\u00e7as judias. A cada classe social corresponde a sua sauda\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria. Um rabino, por exemplo, era saudado desta maneira: \u00abPaz para ti, meu professor e meu mestre!\u00bb.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">6. A partir de 23,8, muda o tom dos dizeres de Jesus, e ecoa neles um mundo novo em contraponto com o tom do discurso at\u00e9 ent\u00e3o proferido. Jesus fala agora diretamente para os seus disc\u00edpulos e para quem o quiser ouvir: \u00abMas v\u00f3s n\u00e3o vos fa\u00e7ais chamar por\u00a0<em>Rabb\u00ee<\/em>, literalmente \u00abmeu maior\u00bb, pois um s\u00f3 \u00e9 o vosso Mestre (<em>did\u00e1skalos<\/em>), e v\u00f3s sois todos irm\u00e3os\u00bb (23,8). A ningu\u00e9m chameis \u00abPai\u00bb, a ningu\u00e9m chameis \u00abGuia\u00bb (<em>kath\u00eag\u00eat\u00eas<\/em>), que \u00e9 aquele que indica o caminho, pois \u00abum s\u00f3\u00bb, \u00abum s\u00f3\u00bb, \u00abum s\u00f3\u00bb (tr\u00eas vezes surge esta express\u00e3o no texto de hoje) \u00e9 o vosso Mestre, o vosso Pai, o vosso Guia. Em conson\u00e2ncia, no Evangelho de Mateus, o t\u00edtulo de \u00abMestre\u00bb nunca \u00e9 dado a Jesus pelos seus disc\u00edpulos, mas apenas pelos de fora; e o t\u00edtulo de\u00a0<em>Rabb\u00ee<\/em>\u00a0s\u00f3 se ouve nos l\u00e1bios de Judas, depois da sua apostasia (26,25 e 49). Por sua vez, o termo \u00abGuia\u00bb s\u00f3 aparece aqui em todo o Novo Testamento, e \u00e9 desconhecido no texto grego dos LXX.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">7. Salta \u00e0 vista que devemos proceder sempre com simplicidade e verdade, sem protagonismos, ostenta\u00e7\u00e3o ou ambi\u00e7\u00e3o, sem hipocrisias, e que, por detr\u00e1s de n\u00f3s, de tudo o que fazemos ou dizemos, deve ver-se sempre o Senhor Jesus, de quem devemos ser pura transpar\u00eancia. Se assim fosse, e assim deve ser, como seria belo e bem diferente este nosso mundo! Mas tamb\u00e9m: se assim n\u00e3o for, devemos tomar consci\u00eancia de que andamos perdidos!<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">8. Sempre em linha com o Evangelho e com a realidade, o profeta Malaquias n\u00e3o verbera os escribas e os fariseus, mas adverte os sacerdotes que, em vez de no seu dia-a-dia darem gl\u00f3ria a Deus, dele se desviaram e enganaram o povo, ver\u00e3o a b\u00ean\u00e7\u00e3o transformar-se em maldi\u00e7\u00e3o. E deixa para todos uma pergunta direta e sem disfarce: \u00abN\u00e3o temos todos um \u00fanico Pai? Por que agimos ent\u00e3o com maldade uns para com os outros?\u00bb (2,10). Pergunta certeira, que nos obriga a depor as armas da viol\u00eancia e da mentira e nos obriga a investir mais, muito mais, na luta (<em>ag\u00f4n<\/em>) do amor (<em>ag\u00e1p\u00eas<\/em>).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">9. Enfim, a\u00ed est\u00e1 hoje S. Paulo (1 Tessalonicenses 2,7-13) a recordar diante de n\u00f3s, para que nunca mais esque\u00e7amos e a implementemos, a sua metodologia de anunciador do Evangelho. Fala de Deus com particular afeto e proximidade, sobrepondo as met\u00e1foras da crian\u00e7a e da m\u00e3e, da depend\u00eancia e pequenez e da dedica\u00e7\u00e3o condescendente (1 Tessalonicenses 2,7). Ap\u00f3stolos como crian\u00e7as (<em>n\u00e9pios<\/em>), sem preconceitos ou prest\u00edgio a defender, que tudo recebem com simplicidade e alegria, e ap\u00f3stolos como m\u00e3es cheias de ternura, que se d\u00e3o completamente aos seus filhos.\u00a0<em>N\u00e9pios<\/em>\u00a0significa, \u00e0 letra, \u00abcrian\u00e7a de peito\u00bb, e, em sentido translato, \u00abimaturo\u00bb, \u00abinocente\u00bb, \u00abdependente\u00bb que, de per si, n\u00e3o tem nenhum valor. E\u00a0<em>troph\u00f3s<\/em>\u00a0n\u00e3o significa exatamente \u00abm\u00e3e\u00bb, mas \u00abama-de-leite\u00bb. Mas como \u00e9 dito logo a seguir que acalenta os pr\u00f3prios filhos, ent\u00e3o \u00e9 uma \u00abama\u00bb que \u00e9 m\u00e3e, uma m\u00e3e que amamenta, que se d\u00e1 totalmente aos seus filhos. Evangelho total: o dom da salva\u00e7\u00e3o (<em>euagg\u00e9lion<\/em>) e o dom da pr\u00f3pria vida (<em>psych\u00ea<\/em>) (1 Tessalonicenses 2,8). N\u00e3o se pode dar o Evangelho sem dar a vida. O dom da vida n\u00e3o significa, neste contexto, disposi\u00e7\u00e3o para o mart\u00edrio estrito, mas partilhar (<em>metado\u00fbnai<\/em>) diariamente aquilo que constitui a vida: o tempo, as energias, a sa\u00fade. O tempo significa amor. \u00c0queles ou \u00e0quilo a que concedo tempo, concedo amor. \u00c9, portanto, f\u00e1cil sabermos quem amamos ou o que amamos. Foi assim, de forma intensa, afetuosa, maternal, personificada, um-a-um, a tempo inteiro e de corpo inteiro, que Paulo transmitiu o Evangelho aos Tessalonicenses e em toda a parte.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">10. O Salmo 131, em que o orante se diz assim: \u00abEstou tranquilo e sereno\/, como crian\u00e7a desmamada (<em>gam\u00fbl<\/em>),\/ no colo da sua m\u00e3e;\/ como crian\u00e7a desmamada,\/ est\u00e1 em mim a minha alma\u00bb, serve de fundamento maravilhoso a um dos mais belos fios de ouro da espiritualidade crist\u00e3, habitualmente denominado por \u00abinf\u00e2ncia espiritual\u00bb, o \u00abpequeno caminho\u00bb, \u00abo permanecer pequeno\u00bb, \u00abo estar nos bra\u00e7os de Jesus\u00bb, que Santa Teresinha do Menino Jesus exalta na sua \u00abHist\u00f3ria de uma alma\u00bb. N\u00e3o se trata de uma quietude irracional e cega, semelhante \u00e0 do rec\u00e9m-nascido, depois de ter mamado no seio da sua m\u00e3e. O texto fala de uma crian\u00e7a desmamada (<em>gam\u00fbl<\/em>). E \u00e9 sabido que, no Oriente, o desmame oficial acontecia tarde, pelos tr\u00eas anos, e dava origem a uma grande festa familiar (cf. G\u00e9nesis 21,8; 1 Samuel 1,22-24). Tamb\u00e9m o famoso Padre Jesu\u00edta franc\u00eas, L\u00e9once de Grandmaison (1868-1927), se segurava neste fio de ouro, e rezava assim: \u00abSanta Maria, M\u00e3e de Deus, conserva em mim um cora\u00e7\u00e3o de crian\u00e7a, puro e transparente, como uma nascente\u00bb.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">11. Que anda por aqui um mundo novo, l\u00e1 isso anda. Que entre ele em n\u00f3s, e que entremos n\u00f3s nele tamb\u00e9m.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ml 1,14b-2,2b.8-10; Sl 131; 1 Ts 2,7b-9.13; Mt 23,1-12 1. 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