{"id":1996866555,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/326-vaticano\/9947-francisco-escreve-sobre-a-europa-e-os-seus-sonhos-para-o-velho-continente"},"modified":"2025-11-07T16:34:38","modified_gmt":"2025-11-07T16:34:38","slug":"francisco-escreve-sobre-a-europa-e-os-seus-sonhos-para-o-velho-continente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/francisco-escreve-sobre-a-europa-e-os-seus-sonhos-para-o-velho-continente\/","title":{"rendered":"Francisco escreve sobre a Europa e os seus &#8220;sonhos&#8221; para o velho continente"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/papa_estrasburgo_141125035045.jpg\" \/><\/p>\n<p><p><em>Francisco escreveu hoje uma carta ao secret\u00e1rio de Estado, cardeal Parolin, por ocasi\u00e3o do 40\u00ba anivers\u00e1rio da Comiss\u00e3o dos Episcopados da Uni\u00e3o Europeia (COMECE), do 50\u00ba\u00a0 anivers\u00e1rio das rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas entre a Santa S\u00e9 e a Uni\u00e3o Europeia e do 50\u00ba anivers\u00e1rio da presen\u00e7a da Santa S\u00e9 como Observador Permanente no Conselho da Europa.<\/em><\/p>\n<p>Nela o papa lembra o &#8220;sonho&#8221; que esteve na base do projeto europeu&#8221; e apresenta os seus &#8220;sonhos para o continente&#8221; deixando o desafio: &#8220;Europa, volta a encontrar-te&#8221;.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><em>Ao Venerado Irm\u00e3o<br \/>Cardeal PIETRO PAROLIN<br \/>Secret\u00e1rio de Estado<\/em><\/p>\n<p>Neste ano, a Santa S\u00e9 e a Igreja na Europa celebram alguns anivers\u00e1rios significativos. De facto, h\u00e1 cinquenta anos, concretizou-se a colabora\u00e7\u00e3o entre a Santa S\u00e9 e as Institui\u00e7\u00f5es Europeias surgidas depois da II Guerra Mundial, atrav\u00e9s do estabelecimento das rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas com as Comunidades Europeias (ent\u00e3o assim designadas) e a presen\u00e7a da Santa S\u00e9 como Observador no Conselho da Europa. Depois, em 1980, nasceu a Comiss\u00e3o dos Episcopados das Comunidades Europeias (<em>COMECE<\/em>), na qual tomam parte atrav\u00e9s dos respetivos delegados todas as Confer\u00eancias Episcopais dos Estados membros da Uni\u00e3o Europeia, com o objetivo de favorecer \u00abuma colabora\u00e7\u00e3o mais estreita entre os referidos Episcopados, no que diz respeito \u00e0s quest\u00f5es pastorais relacionadas com o desenvolvimento das compet\u00eancias e atividades da Uni\u00e3o\u00bb.<a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/letters\/2020\/documents\/papa-francesco_20201022_lettera-parolin-europa.html#_ftn1\" name=\"_ftnref1\" title=\"\"><\/a>[1]\u00a0Este ano celebrou-se tamb\u00e9m o LXX anivers\u00e1rio da\u00a0<em>Declara\u00e7\u00e3o Schuman<\/em>, um facto de import\u00e2ncia capital que inspirou o longo caminho de integra\u00e7\u00e3o do Continente, permitindo ultrapassar as hostilidades geradas pelas duas guerras mundiais.<\/p>\n<p>Inspirado por estas ocorr\u00eancias, o Senhor Cardeal tem programado num futuro pr\u00f3ximo significativas visitas \u00e0s autoridades da Uni\u00e3o Europeia, \u00e0 assembleia plen\u00e1ria da COMECE\u00a0e \u00e0s autoridades do Conselho da Europa; tendo em vista tais visitas, julgo necess\u00e1rio partilhar consigo algumas reflex\u00f5es sobre o futuro deste Continente, que me \u00e9 particularmente querido n\u00e3o s\u00f3 pelas origens familiares, mas tamb\u00e9m pelo papel central que o mesmo teve e creio que dever\u00e1 continuar a ter, embora com modula\u00e7\u00f5es diversas, na hist\u00f3ria da humanidade.<\/p>\n<p>Tal papel torna-se ainda mais relevante no contexto da pandemia que estamos a atravessar. De facto, o projeto europeu surge como vontade de p\u00f4r termo \u00e0s divis\u00f5es do passado; nasce da consci\u00eancia de que, juntos e unidos, somos mais fortes, que \u00aba unidade \u00e9 superior ao conflito\u00bb<a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/letters\/2020\/documents\/papa-francesco_20201022_lettera-parolin-europa.html#_ftn2\" name=\"_ftnref2\" title=\"\"><\/a>[2]\u00a0e que a solidariedade pode ser \u00abum estilo de constru\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria, um \u00e2mbito vital onde os conflitos, as tens\u00f5es e os opostos podem alcan\u00e7ar uma unidade multifacetada que gera nova vida\u00bb.<a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/letters\/2020\/documents\/papa-francesco_20201022_lettera-parolin-europa.html#_ftn3\" name=\"_ftnref3\" title=\"\"><\/a>[3]\u00a0Neste nosso tempo que \u00abd\u00e1 sinais de regress\u00e3o\u00bb,<a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/letters\/2020\/documents\/papa-francesco_20201022_lettera-parolin-europa.html#_ftn4\" name=\"_ftnref4\" title=\"\"><\/a>[4]\u00a0prevalecendo cada vez mais a ideia de proceder sozinhos, a pandemia \u00e9 como uma encruzilhada que obriga a tomar uma op\u00e7\u00e3o: ou prosseguimos pelo caminho embocado no \u00faltimo dec\u00e9nio que aparece animado pela tenta\u00e7\u00e3o da autonomia, esperando-nos mal-entendidos, contraposi\u00e7\u00f5es e conflitos cada vez maiores; ou redescobrimos o\u00a0<em>caminho da fraternidade<\/em>, que sem d\u00favida inspirou e animou os Pais fundadores da Europa moderna, a come\u00e7ar precisamente por Robert Schuman.<\/p>\n<p>Nas not\u00edcias europeias dos \u00faltimos meses, a pandemia fez sobressair tudo isto: n\u00e3o s\u00f3 a tenta\u00e7\u00e3o de proceder sozinhos, procurando solu\u00e7\u00f5es unilaterais para um problema que ultrapassa as fronteiras dos Estados, mas tamb\u00e9m, gra\u00e7as ao grande esp\u00edrito de media\u00e7\u00e3o que carateriza as Institui\u00e7\u00f5es Europeias, o desejo convicto de percorrer o caminho da fraternidade, que \u00e9 tamb\u00e9m\u00a0<em>caminho da solidariedade<\/em>, pondo em a\u00e7\u00e3o criatividade e novas iniciativas.<\/p>\n<p>Mas, os passos dados precisam de se consolidar, para evitar que os impulsos centr\u00edfugos retomem for\u00e7a. Por isso, hoje, ressoam mais atuais do que nunca as palavras que S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II pronunciou no\u00a0<a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/john-paul-ii\/pt\/speeches\/1982\/november\/documents\/hf_jp-ii_spe_19821109_atto-europeistico.html\">Ato Europe\u00edsta de Santiago de Compostela<\/a>: Europa \u00abvolta a encontrar-te. S\u00ea tu mesma\u00bb.<a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/letters\/2020\/documents\/papa-francesco_20201022_lettera-parolin-europa.html#_ftn5\" name=\"_ftnref5\" title=\"\"><\/a>[5]\u00a0Num tempo de mudan\u00e7as bruscas, corre-se o risco de perder a pr\u00f3pria identidade, especialmente quando faltam valores compartilhados sobre os quais fundar a sociedade.<\/p>\n<p>Assim, gostaria de dizer \u00e0 Europa: Tu, que foste uma forja de ideais ao longo dos s\u00e9culos e agora pareces perder o teu \u00edmpeto, n\u00e3o te detenhas a olhar o teu passado como um \u00e1lbum de recorda\u00e7\u00f5es. Com o tempo, at\u00e9 as mais belas recorda\u00e7\u00f5es se atenuam, e acabamos por deixar de as lembrar. Mais cedo ou mais tarde damo-nos conta de que se esfumam os pr\u00f3prios contornos do rosto, sentimo-nos cansados e amofinados na viv\u00eancia do presente e, com pouca esperan\u00e7a, ao olhar para o futuro. Depois, sem o \u00edmpeto do ideal, descobrimo-nos fr\u00e1geis e divididos, mais inclinados a dar voz \u00e0s lamenta\u00e7\u00f5es e a deixar-nos atrair por quem faz das lamenta\u00e7\u00f5es e da divis\u00e3o um estilo de vida pessoal, social e pol\u00edtico.<\/p>\n<p>Europa, volta a encontrar-te! Volta a encontrar os teus ideais, que t\u00eam ra\u00edzes profundas. S\u00ea tu mesma! N\u00e3o tenhas medo da tua hist\u00f3ria milen\u00e1ria, que \u00e9 uma janela para o futuro mais do que para o passado. N\u00e3o tenhas medo da tua necessidade de verdade que, desde a Gr\u00e9cia antiga, abra\u00e7ou a terra real\u00e7ando as interroga\u00e7\u00f5es mais profundas de todo o ser humano; da tua necessidade de justi\u00e7a que se desenvolveu a partir do direito romano e, com o tempo, se tornou respeito por todo o ser humano e pelos seus direitos; da tua necessidade de eternidade, enriquecida pelo encontro com a tradi\u00e7\u00e3o judaico-crist\u00e3, que se espelha no teu patrim\u00f3nio de f\u00e9, arte e cultura.<\/p>\n<p>Hoje, enquanto muitos se interrogam desalentados sobre o futuro da Europa, h\u00e1 tantos que a olham com esperan\u00e7a, convencidos de que ela ainda tem algo a oferecer ao mundo e \u00e0 humanidade. \u00c9 a mesma confian\u00e7a que inspirou Robert Schuman, ciente de que \u00abo contributo vital que uma Europa organizada pode dar \u00e0 civiliza\u00e7\u00e3o \u00e9 indispens\u00e1vel para se manter rela\u00e7\u00f5es pac\u00edficas\u00bb.<a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/letters\/2020\/documents\/papa-francesco_20201022_lettera-parolin-europa.html#_ftn6\" name=\"_ftnref6\" title=\"\"><\/a>[6]\u00a0\u00c9 a mesma confian\u00e7a que podemos ter tamb\u00e9m n\u00f3s, a partir de valores partilhados e radicados na hist\u00f3ria e cultura desta terra.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o que Europa sonhamos para o futuro? Em que consiste o seu contributo original? No mundo atual, n\u00e3o se trata de recuperar uma hegemonia pol\u00edtica ou uma centralidade geogr\u00e1fica, nem de elaborar solu\u00e7\u00f5es inovadoras para os problemas econ\u00f3micos e sociais. A originalidade europeia reside, antes de mais nada, na sua conce\u00e7\u00e3o do homem e da realidade, na sua capacidade de iniciativa e na sua solidariedade operosa.<\/p>\n<p>Assim, sonho uma Europa amiga da pessoa e das pessoas. Uma terra onde seja respeitada a dignidade de cada um, onde a pessoa seja um valor em si mesma e n\u00e3o o objeto dum c\u00e1lculo econ\u00f3mico nem uma mercadoria. Uma terra que defenda a vida em todos os seus momentos, desde o instante em que surge invis\u00edvel no ventre materno at\u00e9 ao seu fim natural, porque nenhum ser humano \u00e9 dono da sua pr\u00f3pria vida ou da dos outros. Uma terra que favore\u00e7a o trabalho como meio privilegiado para o crescimento pessoal e a edifica\u00e7\u00e3o do bem comum, criando oportunidades de emprego especialmente para os mais jovens. Ser uma Europa amiga da pessoa significa promover a sua instru\u00e7\u00e3o e desenvolvimento cultural; significa proteger os mais fr\u00e1geis e d\u00e9beis, especialmente os idosos, os doentes que carecem de tratamentos custosos e as pessoas com defici\u00eancia. Ser uma Europa amiga da pessoa significa defender os direitos, mas tamb\u00e9m lembrar os deveres; significa recordar que cada um \u00e9 chamado a prestar a sua pr\u00f3pria contribui\u00e7\u00e3o \u00e0 sociedade, pois ningu\u00e9m \u00e9 um universo \u00e0 parte e n\u00e3o se pode exigir respeito por si mesmo, sem respeito pelos outros; nem se pode receber, se ao mesmo tempo n\u00e3o se est\u00e1 disposto tamb\u00e9m a dar.<\/p>\n<p>Sonho uma Europa que seja uma fam\u00edlia e uma comunidade. Um lugar que saiba valorizar as peculiaridades de cada pessoa e de cada povo, sem esquecer que est\u00e3o unidos por responsabilidades comuns. Ser fam\u00edlia significa viver em unidade, valorizando as diferen\u00e7as a come\u00e7ar pela diferen\u00e7a fundamental entre homem e mulher. Neste sentido, a Europa \u00e9 uma verdadeira fam\u00edlia de povos, diversos entre si, mas ligados por uma hist\u00f3ria e um destino comuns. Os \u00faltimos anos, e ainda mais a pandemia, t\u00eam demonstrado que ningu\u00e9m pode sobreviver sozinho e que uma certa forma individualista de conceber a vida e a sociedade gera apenas desconforto e solid\u00e3o. Todo o ser humano aspira a fazer parte duma comunidade, ou melhor, duma realidade maior que o transcenda e d\u00ea sentido \u00e0 sua individualidade. Uma Europa dividida, feita de realidades solit\u00e1rias e independentes, facilmente se achar\u00e1 incapaz de enfrentar os desafios do futuro. Pelo contr\u00e1rio uma\u00a0<em>Europa-comunidade<\/em>, solid\u00e1ria e fraterna, saber\u00e1 valorizar as diferen\u00e7as e o contributo de cada um para enfrentar, juntos, as quest\u00f5es que a aguardam, a come\u00e7ar pela pandemia, mas tamb\u00e9m o desafio ecol\u00f3gico, que n\u00e3o diz respeito apenas \u00e0 prote\u00e7\u00e3o dos recursos naturais e \u00e0 qualidade do ambiente onde habitamos; mas trata-se de escolher entre um modelo de vida que descarta homens e coisas e um modelo inclusivo que valoriza a cria\u00e7\u00e3o e as criaturas.<\/p>\n<p>Sonho uma Europa solid\u00e1ria e generosa. Um lugar acolhedor e hospitaleiro, onde a caridade \u2013 que \u00e9 a virtude crist\u00e3 suprema \u2013 ven\u00e7a toda a forma de indiferen\u00e7a e ego\u00edsmo. A solidariedade \u00e9 express\u00e3o fundamental de toda a comunidade e exige que cuidemos uns dos outros. Falamos sem d\u00favida duma \u00absolidariedade inteligente\u00bb, que n\u00e3o se limite apenas a atender \u00e0s car\u00eancias fundamentais quando necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>Ser solid\u00e1rios significa conduzir quem \u00e9 mais fr\u00e1gil por um caminho de crescimento pessoal e social, de modo que um dia possa por sua vez ajudar os outros. Como um bom m\u00e9dico, que n\u00e3o se limita a ministrar um medicamento, mas acompanha o paciente at\u00e9 \u00e0 sua recupera\u00e7\u00e3o total.<\/p>\n<p>Ser solid\u00e1rios implica fazer-se pr\u00f3ximo. Para a Europa, significa concretamente tornar-se dispon\u00edvel, vizinha e desejosa de apoiar os outros Continentes \u2013 penso especialmente na \u00c1frica \u2013, atrav\u00e9s da coopera\u00e7\u00e3o internacional, para se resolverem os conflitos em curso e iniciar um desenvolvimento humano sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>Entretanto a solidariedade alimenta-se de gratuidade e gera gratid\u00e3o. E a gratid\u00e3o leva-nos a olhar para o outro com amor; mas, quando nos esquecemos de agradecer pelos benef\u00edcios recebidos, estamos mais inclinados a fechar-nos em n\u00f3s pr\u00f3prios vivendo no medo de tudo o que nos rodeia e \u00e9 diverso de n\u00f3s.<\/p>\n<p>Vemos isto nos in\u00fameros medos que permeiam as nossas sociedades hoje em dia, entre os quais n\u00e3o posso silenciar a difid\u00eancia a respeito dos migrantes. S\u00f3 uma Europa que seja\u00a0<em>comunidade solid\u00e1ria<\/em>\u00a0pode enfrentar este desafio de forma prof\u00edcua, ao passo que as solu\u00e7\u00f5es de parte j\u00e1 se demonstraram inadequadas. Com efeito \u00e9 claro que o devido acolhimento dos migrantes n\u00e3o se pode limitar a meras opera\u00e7\u00f5es de assist\u00eancia a quem chega, frequentemente fugindo de conflitos, carestias ou desastres naturais, mas deve permitir a sua integra\u00e7\u00e3o de tal modo que possam \u00abconhecer, respeitar e at\u00e9 assimilar a cultura e as tradi\u00e7\u00f5es da na\u00e7\u00e3o que os recebe\u00bb.<a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/letters\/2020\/documents\/papa-francesco_20201022_lettera-parolin-europa.html#_ftn7\" name=\"_ftnref7\" title=\"\"><\/a>[7]<\/p>\n<p>Sonho uma Europa saudavelmente laica, onde Deus e C\u00e9sar apare\u00e7am distintos, mas n\u00e3o contrapostos. Uma terra aberta \u00e0 transcend\u00eancia, onde a pessoa crente se sinta livre para professar publicamente a f\u00e9 e propor o seu ponto de vista \u00e0 sociedade. Acabaram-se os tempos do confessionalismo, mas tamb\u00e9m \u2013 assim o esperamos \u2013 dum certo laicismo que fecha as portas aos outros e sobretudo a Deus,<a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/letters\/2020\/documents\/papa-francesco_20201022_lettera-parolin-europa.html#_ftn8\" name=\"_ftnref8\" title=\"\"><\/a>[8]\u00a0pois \u00e9 evidente que uma cultura ou um sistema pol\u00edtico que n\u00e3o respeite a abertura \u00e0 transcend\u00eancia, n\u00e3o respeita adequadamente a pessoa humana.<\/p>\n<p>Os crist\u00e3os t\u00eam, atualmente, uma grande responsabilidade: como o fermento na massa, s\u00e3o chamados a despertar a consci\u00eancia da Europa para animar processos que gerem novos dinamismos na sociedade.<a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/letters\/2020\/documents\/papa-francesco_20201022_lettera-parolin-europa.html#_ftn9\" name=\"_ftnref9\" title=\"\"><\/a>[9]\u00a0Por isso, exorto-os a empenhar-se corajosa e decididamente, prestando a sua contribui\u00e7\u00e3o em todos os \u00e2mbitos onde vivem e trabalham.<\/p>\n<p>Senhor Cardeal!<\/p>\n<p>Estas breves palavras brotam da minha solicitude de Pastor e da certeza de que a Europa ainda tem muito para dar ao mundo. Por conseguinte, as mesmas pretendem unicamente ser uma contribui\u00e7\u00e3o pessoal para a reflex\u00e3o solicitada por muitos sobre o seu futuro. Muito grato lhe ficarei se quiser partilhar o seu conte\u00fado durante os encontros que vai ter, nos pr\u00f3ximos dias, com as autoridades europeias e com os membros da COMECE, que exorto a colaborar num esp\u00edrito de comunh\u00e3o fraterna com todos os bispos do Continente, reunidos no Conselho das Confer\u00eancias Episcopais de Europa (CCEE). Pe\u00e7o a cada um deles que leve a minha sauda\u00e7\u00e3o pessoal e o testemunho da minha solidariedade aos povos que representam. Os referidos encontros ser\u00e3o, certamente, uma ocasi\u00e3o prop\u00edcia para aprofundar as rela\u00e7\u00f5es da Santa S\u00e9 com a Uni\u00e3o Europeia e o Conselho da Europa, e para confirmar a Igreja na sua miss\u00e3o evangelizadora e servi\u00e7o ao bem comum.<\/p>\n<p>E n\u00e3o h\u00e1 de faltar \u00e0 nossa querida Europa tamb\u00e9m a prote\u00e7\u00e3o dos seus Santos Padroeiros: S\u00e3o Bento, os Santos Cirilo e Met\u00f3dio, Santa Br\u00edgida, Santa Catarina e Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein), homens e mulheres que, por amor do Senhor, se consagraram sem descanso ao servi\u00e7o dos mais pobres e a favor do desenvolvimento humano, social e cultural de todos os povos europeus.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo que me confio \u00e0s ora\u00e7\u00f5es do Senhor Cardeal e \u00e0s daqueles que tiver possibilidade de encontrar durante a sua viagem, queira levar a todos a minha B\u00ean\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><em>Vaticano, na mem\u00f3ria de S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, 22 de outubro de 2020.<\/em><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p align=\"center\"><strong>Francisco<\/strong><\/p>\n<p><span>\u00a0<\/span><\/p>\n<hr align=\"left\" size=\"1\" width=\"33%\" \/>\n<p><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/letters\/2020\/documents\/papa-francesco_20201022_lettera-parolin-europa.html#_ftnref1\" name=\"_ftn1\" title=\"\"><\/a>[1]\u00a0<em>Estatuto<\/em>\u00a0da COMECE, art.\u00ba 1.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/letters\/2020\/documents\/papa-francesco_20201022_lettera-parolin-europa.html#_ftnref2\" name=\"_ftn2\" title=\"\"><\/a>[2]\u00a0Francisco, Exort. ap.\u00a0<em><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html\">Evangelii gaudium<\/a><\/em>\u00a0(24 de novembro\u00a0de 2013), 228.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/letters\/2020\/documents\/papa-francesco_20201022_lettera-parolin-europa.html#_ftnref3\" name=\"_ftn3\" title=\"\"><\/a>[3]\u00a0<em><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html\">Ibidem<\/a><\/em>.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/letters\/2020\/documents\/papa-francesco_20201022_lettera-parolin-europa.html#_ftnref4\" name=\"_ftn4\" title=\"\"><\/a>[4]\u00a0Francisco,\u00a0Carta enc.\u00a0<em><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/encyclicals\/documents\/papa-francesco_20201003_enciclica-fratelli-tutti.html\">Fratelli tutti<\/a><\/em>\u00a0(3 de outubro de 2020), 11.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/letters\/2020\/documents\/papa-francesco_20201022_lettera-parolin-europa.html#_ftnref5\" name=\"_ftn5\" title=\"\"><\/a>[5]\u00a0N.\u00ba 4. Este\u00a0<a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/john-paul-ii\/pt\/speeches\/1982\/november\/documents\/hf_jp-ii_spe_19821109_atto-europeistico.html\">Ato Europe\u00edsta teve lugar em 9 de novembro de 1982.<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/letters\/2020\/documents\/papa-francesco_20201022_lettera-parolin-europa.html#_ftnref6\" name=\"_ftn6\" title=\"\"><\/a>[6]\u00a0<em>Declara\u00e7\u00e3o Schuman<\/em>\u00a0(Paris, 9 de maio de 1950).<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/letters\/2020\/documents\/papa-francesco_20201022_lettera-parolin-europa.html#_ftnref7\" name=\"_ftn7\" title=\"\"><\/a>[7]\u00a0Francisco,<em>\u00a0<a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2017\/october\/documents\/papa-francesco_20171028_conferenza-comece.html\">Discurso aos participantes na Confer\u00eancia \u00ab<\/a><\/em><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2017\/october\/documents\/papa-francesco_20171028_conferenza-comece.html\">(Re)Thinking Europe\u00bb<\/a>\u00a0(28 de outubro de 2017).<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/letters\/2020\/documents\/papa-francesco_20201022_lettera-parolin-europa.html#_ftnref8\" name=\"_ftn8\" title=\"\"><\/a>[8]\u00a0Cf. Francisco,<em>\u00a0Entrevista ao seman\u00e1rio cat\u00f3lico belga \u00ab<\/em>Tertio<em>\u00bb<\/em>\u00a0(7 de dezembro de 2016).<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/letters\/2020\/documents\/papa-francesco_20201022_lettera-parolin-europa.html#_ftnref9\" name=\"_ftn9\" title=\"\"><\/a>[9]\u00a0Cf. Francisco,<em>\u00a0<a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2017\/october\/documents\/papa-francesco_20171028_conferenza-comece.html\">Discurso aos participantes na Confer\u00eancia \u00ab<\/a><\/em><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2017\/october\/documents\/papa-francesco_20171028_conferenza-comece.html\">(Re)Thinking Europe\u00bb<\/a>\u00a0(28 de outubro de 2017).<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Francisco escreveu hoje uma carta ao secret\u00e1rio de Estado, cardeal Parolin, por ocasi\u00e3o do 40\u00ba anivers\u00e1rio da Comiss\u00e3o dos Episcopados 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