{"id":2018874776,"date":"2017-06-29T00:00:00","date_gmt":"2017-06-29T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/326-vaticano\/7093-vaticano-homilia-do-papa-francisco-na-solenidade-de-sao-pedro-e-sao-paulo"},"modified":"2017-06-29T00:00:00","modified_gmt":"2017-06-29T00:00:00","slug":"vaticano-homilia-do-papa-francisco-na-solenidade-de-sao-pedro-e-sao-paulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/vaticano-homilia-do-papa-francisco-na-solenidade-de-sao-pedro-e-sao-paulo\/","title":{"rendered":"Vaticano: Homilia do Papa Francisco na solenidade de S\u00e3o Pedro e S\u00e3o Paulo"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/palio-30_170701100213.jpg\"\/><\/p>\n<p><p>Leia, na \u00edntegra, a homilia do Papa Francisco na imposi\u00e7\u00e3o do P\u00e1lio para os arcebispos metropolitanos.<\/p>\n<p>A liturgia de hoje oferece-nos tr\u00eas palavras que s\u00e3o essenciais para a vida do ap\u00f3stolo:\u00a0<em>confiss\u00e3o<\/em>,\u00a0<em>persegui\u00e7\u00e3o<\/em>,\u00a0<em>ora\u00e7\u00e3o<\/em>.<\/p>\n<p>A\u00a0<em>confiss\u00e3o<\/em>\u00a0\u00e9 a que ouvimos dos l\u00e1bios de Pedro no Evangelho, quando a pergunta do Senhor, de geral, passa a particular. Com efeito Jesus, primeiro, pergunta: \u00abQuem dizem os homens que \u00e9 o Filho do Homem?\u00bb (<em>Mt<\/em>\u00a016, 13). Desta \u00absondagem\u00bb resulta, de v\u00e1rios lados, que o povo considera Jesus um profeta. E ent\u00e3o o Mestre coloca aos disc\u00edpulos a pergunta verdadeiramente decisiva: \u00abE\u00a0<em>v\u00f3s<\/em>, quem dizeis que Eu sou?\u00bb (16, 15). Agora responde apenas Pedro: \u00abTu \u00e9s o Messias, o Filho do Deus vivo\u00bb (16, 16). Esta \u00e9 a confiss\u00e3o: reconhecer em Jesus o Messias esperado, o Deus vivo, o Senhor da nossa pr\u00f3pria vida.<\/p>\n<p>Hoje, Jesus dirige esta pergunta vital a n\u00f3s, a todos n\u00f3s e, de modo particular, a n\u00f3s Pastores. \u00c9 a pergunta decisiva, face \u00e0 qual n\u00e3o valem respostas de circunst\u00e2ncia, porque est\u00e1 em jogo a vida: e a pergunta da vida pede uma resposta de vida. Pois, de pouco serve conhecer os artigos de f\u00e9, se n\u00e3o se confessa Jesus como Senhor da nossa pr\u00f3pria vida. Hoje Ele fixa-nos nos olhos e pergunta: \u00abQuem sou Eu\u00a0<em>para ti<\/em>?\u00bb Como se dissesse: \u00abSou ainda Eu o Senhor da tua vida, a dire\u00e7\u00e3o do teu cora\u00e7\u00e3o, a raz\u00e3o da tua esperan\u00e7a, a tua confian\u00e7a inabal\u00e1vel?\u00bb Com S\u00e3o Pedro, tamb\u00e9m n\u00f3s renovamos hoje a nossa\u00a0<em>op\u00e7\u00e3o de vida<\/em>\u00a0como disc\u00edpulos e ap\u00f3stolos; passamos novamente da primeira \u00e0 segunda pergunta de Jesus, para sermos \u00abseus\u00bb n\u00e3o s\u00f3 por palavras, mas com os factos e a vida.<\/p>\n<p>Perguntemo-nos se somos\u00a0<em>crist\u00e3os de parlat\u00f3rio<\/em>, que conversamos sobre como andam as coisas na Igreja e no mundo, ou\u00a0<em>ap\u00f3stolos em caminho<\/em>, que confessam Jesus com a vida, porque O t\u00eam no cora\u00e7\u00e3o. Quem confessa Jesus, sabe que est\u00e1 obrigado n\u00e3o apenas a dar conselhos, mas a dar a vida; sabe que n\u00e3o pode crer de maneira t\u00edbia, mas \u00e9 chamado a \u00ababrasar\u00bb por amor; sabe que, na vida, n\u00e3o pode \u00abflutuar\u00bb ou reclinar-se no bem-estar, mas deve arriscar fazendo-se ao largo, apostando dia-a-dia com o dom de si mesmo. Quem confessa Jesus, faz como Pedro e Paulo: segue-O at\u00e9 ao fim; n\u00e3o at\u00e9 um certo ponto, mas at\u00e9 ao fim, e segue-O pelo seu caminho, n\u00e3o pelos nossos caminhos. O seu caminho \u00e9 o caminho da vida nova, da alegria e da ressurrei\u00e7\u00e3o, o caminho que passa tamb\u00e9m atrav\u00e9s da cruz e das persegui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>E aqui temos a segunda palavra:\u00a0<em>persegui\u00e7\u00f5es<\/em>. N\u00e3o foram s\u00f3 Pedro e Paulo que deram o sangue por Cristo, mas, nos primeiros tempos, toda a comunidade foi perseguida, como nos recordou o livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos (cf. 12, 1). Tamb\u00e9m hoje, em v\u00e1rias partes do mundo, por vezes num clima de sil\u00eancio \u2013 e, n\u00e3o raro, um sil\u00eancio c\u00famplice \u2013, muitos crist\u00e3os s\u00e3o marginalizados, caluniados, discriminados, v\u00edtimas de viol\u00eancias mesmo mortais, e n\u00e3o raro sem o devido empenho de quem poderia fazer respeitar os seus direitos sagrados.<\/p>\n<p>Entretanto queria salientar sobretudo aquilo que o ap\u00f3stolo Paulo afirma antes: \u00abestou pronto \u2013 escreve ele \u2013 para oferecer-me como sacrif\u00edcio\u00bb (<em>2 Tim<\/em>\u00a04, 6). Para ele, viver era Cristo (cf.\u00a0<em>Flp<\/em>\u00a01, 21), e Cristo crucificado (cf.\u00a0<em>1 Cor<\/em>\u00a02, 2), que deu a vida por ele (cf.\u00a0<em>Gal<\/em>\u00a02, 20). E assim Paulo, como disc\u00edpulo fiel, seguiu o Mestre, oferecendo tamb\u00e9m ele a vida. Sem a cruz, n\u00e3o h\u00e1 Cristo; mas, sem a cruz, n\u00e3o h\u00e1 sequer o crist\u00e3o. De facto, \u00ab\u00e9 pr\u00f3prio da virtude crist\u00e3 n\u00e3o s\u00f3 fazer o bem, mas tamb\u00e9m saber suportar os males\u00bb (Agostinho,\u00a0<em>Serm\u00e3o<\/em>\u00a046, 13), como Jesus. Suportar o mal n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 ter paci\u00eancia e prosseguir com resigna\u00e7\u00e3o; suportar \u00e9 imitar Jesus: \u00e9 carregar o peso, lev\u00e1-lo aos ombros por amor d\u2019Ele e dos outros. \u00c9 aceitar a cruz, prosseguindo confiadamente porque n\u00e3o estamos sozinhos: o Senhor crucificado e ressuscitado est\u00e1 connosco. Deste modo podemos dizer, com Paulo, que \u00abem tudo somos atribulados, mas n\u00e3o esmagados; confundidos, mas n\u00e3o desesperados; perseguidos, mas n\u00e3o abandonados\u00bb (<em>2 Cor<\/em>\u00a04, 8-9).<\/p>\n<p>Suportar \u00e9 saber vencer com Jesus e \u00e0 maneira de Jesus, n\u00e3o \u00e0 maneira do mundo. \u00c9 por isso que Paulo se considera \u2013 como ouvimos \u2013 um vencedor que est\u00e1 prestes a receber a coroa (cf.\u00a0<em>2 Tim<\/em>\u00a04, 8), escrevendo: \u00abCombati o bom combate, terminei a corrida, conservei a f\u00e9\u00bb (4, 7). A \u00fanica conduta do seu bom combate foi\u00a0<em>viver para<\/em>: n\u00e3o\u00a0<em>para si pr\u00f3prio<\/em>, mas\u00a0<em>para Jesus e para os outros<\/em>. Viveu \u00abcorrendo\u00bb, isto \u00e9, sem se poupar, antes pelo contr\u00e1rio consumando-se. H\u00e1 uma coisa que ele diz que conservou: n\u00e3o a sa\u00fade, mas a f\u00e9, isto \u00e9, a confiss\u00e3o de Cristo. Por amor d\u2019Ele viveu as prova\u00e7\u00f5es, as humilha\u00e7\u00f5es e os sofrimentos, que nunca se devem procurar, mas aceitar. E assim, no mist\u00e9rio do sofrimento oferecido por amor, neste mist\u00e9rio que muitos irm\u00e3os perseguidos, pobres e doentes encarnam tamb\u00e9m hoje, resplandece a for\u00e7a salv\u00edfica da cruz de Jesus.<\/p>\n<p>A terceira palavra \u00e9\u00a0<em>ora\u00e7\u00e3o<\/em>. A vida do ap\u00f3stolo, que brota da confiss\u00e3o e desagua na oferta, flui dia-a-dia na ora\u00e7\u00e3o. A ora\u00e7\u00e3o \u00e9 a \u00e1gua indispens\u00e1vel que alimenta a esperan\u00e7a e faz crescer a confian\u00e7a. A ora\u00e7\u00e3o faz-nos sentir amados, e permite-nos amar. Faz-nos avan\u00e7ar nos momentos escuros, porque acende a luz de Deus. Na Igreja, \u00e9 a ora\u00e7\u00e3o que nos sustenta a todos e nos faz superar as prova\u00e7\u00f5es. Vemo-lo na primeira Leitura: \u00abEnquanto Pedro estava encerrado na pris\u00e3o, a Igreja orava a Deus, instantemente, por ele\u00bb (<em>At<\/em>\u00a012, 5). Uma Igreja que ora, \u00e9 guardada pelo Senhor e caminha na companhia d\u2019Ele. Orar \u00e9 entregar-Lhe o caminho, para que o tome ao seu cuidado. A ora\u00e7\u00e3o \u00e9 a for\u00e7a que nos une e sustenta, o rem\u00e9dio contra o isolamento e a autossufici\u00eancia que levam \u00e0 morte espiritual. Com efeito, o Esp\u00edrito de vida n\u00e3o sopra, se n\u00e3o se reza; e, sem a ora\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se abrem as pris\u00f5es interiores que nos mant\u00eam prisioneiros.<\/p>\n<p>Que os Santos Ap\u00f3stolos nos obtenham um cora\u00e7\u00e3o como o deles, fatigado e pacificado pela ora\u00e7\u00e3o: fatigado, porque pede, bate \u00e0 porta e intercede, carregado com tantas pessoas e situa\u00e7\u00f5es que deve confiar a Deus; mas, ao mesmo tempo, pacificado, porque o Esp\u00edrito traz consola\u00e7\u00e3o e fortaleza quando se ora. Como \u00e9 urgente haver, na Igreja, mestres de ora\u00e7\u00e3o, mas antes de tudo homens e mulheres de ora\u00e7\u00e3o, que vivem a ora\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p>O Senhor interv\u00e9m quando oramos, Ele que \u00e9 fiel ao amor que Lhe confessamos e est\u00e1 perto de n\u00f3s nas prova\u00e7\u00f5es. Ele acompanhou o caminho dos Ap\u00f3stolos e acompanhar-vos-\u00e1 tamb\u00e9m a v\u00f3s, queridos Irm\u00e3os Cardeais, aqui reunidos na caridade dos Ap\u00f3stolos que confessaram a f\u00e9 com o sangue. Ele estar\u00e1 perto tamb\u00e9m de v\u00f3s, queridos Irm\u00e3os Arcebispos que, ao receberdes o p\u00e1lio, sereis confirmados na op\u00e7\u00e3o de viver para o rebanho imitando o Bom Pastor, que vos sustenta carregando-vos aos ombros. O pr\u00f3prio Senhor, que deseja ardentemente ver todo o seu rebanho reunido, aben\u00e7oe e guarde tamb\u00e9m a Delega\u00e7\u00e3o do Patriarcado Ecum\u00e9nico, e o querido Irm\u00e3o Bartolomeu que a enviou aqui em sinal de comunh\u00e3o apost\u00f3lica.<\/p>\n<p>Educris|29.06.2017<\/p>\n<p>\u00a0<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Leia, na \u00edntegra, a homilia do Papa Francisco na imposi\u00e7\u00e3o do P\u00e1lio para os arcebispos metropolitanos. A liturgia de hoje [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4294988015,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[64],"class_list":["post-2018874776","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-vaticano"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2018874776","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2018874776"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2018874776\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4294988015"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2018874776"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2018874776"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2018874776"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}