{"id":202818897,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/326-vaticano\/9124-homilia-do-papa-francisco-na-festa-da-apresentacao-do-senhor"},"modified":"2025-11-07T16:34:36","modified_gmt":"2025-11-07T16:34:36","slug":"homilia-do-papa-francisco-na-festa-da-apresentacao-do-senhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/homilia-do-papa-francisco-na-festa-da-apresentacao-do-senhor\/","title":{"rendered":"Homilia do Papa Francisco na Festa da \u00abApresenta\u00e7\u00e3o do Senhor\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/cnsagrados_200201101015.jpeg\" \/><\/p>\n<p><p>Na festa da \u00abApresenta\u00e7\u00e3o do Senhor\u00bb, onde se celebra o \u00abDia do Consagrado\u00bb, o Papa Francisco celebrou a eucaristia no Vaticano. Na sua homilia o Papa pediu a &#8220;gra\u00e7a de ver&#8221; como Sime\u00e3o o &#8220;dom que \u00e9 a vida consagrada&#8221; para a Igreja e para o Mundo.<\/p>\n<p>Leia, na \u00edntegra, a homilia do Santo Padre.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00abMeus olhos viram a Salva\u00e7\u00e3o\u00bb (<em>Lc<\/em>\u00a02, 30): s\u00e3o as palavras de Sime\u00e3o, que o Evangelho apresenta como um homem simples, um homem \u00abjusto e piedoso\u00bb (2, 25). Mas, dentre todos os homens que estavam no templo naquele dia, s\u00f3 ele viu, em Jesus, o Salvador. Que viu ele? Um menino; um pequenino, fr\u00e1gil e simples menino. Mas n\u2019Ele viu a Salva\u00e7\u00e3o, porque o Esp\u00edrito Santo lhe fez reconhecer, naquele terno rec\u00e9m-nascido, \u00abo Messias do Senhor\u00bb (2, 26). Ao tom\u00e1-Lo nos bra\u00e7os, percebeu, pela f\u00e9, que n\u2019Ele Deus cumpria as suas promessas. E assim ele, Sime\u00e3o, j\u00e1 podia partir em paz: vira a gra\u00e7a que vale mais do que a vida (cf.\u00a0<em>Sal<\/em>\u00a063\/62, 4), e nada mais esperava.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m v\u00f3s, queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s consagrados, sois homens e mulheres simples que vistes o tesouro que vale mais do que todas as riquezas do mundo. Por ele, deixastes coisas preciosas, tais como bens, criar uma fam\u00edlia pr\u00f3pria. Por que o fizestes? Porque vos apaixonastes por Jesus, n\u2019Ele vistes tudo e, fascinados pelo seu olhar, deixastes o resto. A vida consagrada \u00e9 esta\u00a0<em>vis\u00e3o<\/em>. \u00c9 ver aquilo que conta na vida. \u00c9 acolher de bra\u00e7os abertos o dom do Senhor, como fez Sime\u00e3o. Isto \u00e9 o que veem os olhos dos consagrados: a gra\u00e7a de Deus derramada nas suas m\u00e3os. A pessoa consagrada \u00e9 algu\u00e9m que, ao olhar-se cada dia, diz: \u00abTudo \u00e9 dom, tudo \u00e9 gra\u00e7a\u00bb. Queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s, n\u00e3o \u00e9 m\u00e9rito nosso a vida religiosa, \u00e9 um dom de amor que recebemos.<\/p>\n<p><em>Meus olhos viram a Salva\u00e7\u00e3o<\/em>: s\u00e3o as palavras que repetimos cada noite na hora de Completas. Com elas, conclu\u00edmos a jornada, dizendo: \u00abSenhor, a minha salva\u00e7\u00e3o vem de\u00a0<em>V\u00f3s<\/em>; as minhas m\u00e3os n\u00e3o est\u00e3o vazias, mas cheias da vossa gra\u00e7a\u00bb.\u00a0<em>Saber ver a gra\u00e7a<\/em>\u00a0\u00e9 o ponto de partida. Olhar para tr\u00e1s, reler a pr\u00f3pria hist\u00f3ria e ver nela o dom fiel de Deus, n\u00e3o apenas nos grandes momentos da vida mas tamb\u00e9m nas fragilidades, fraquezas, mis\u00e9rias. O tentador, o diabo insiste precisamente nas nossas mis\u00e9rias, nas nossas m\u00e3os vazias: \u00abPassados tantos anos, n\u00e3o melhoraste, n\u00e3o realizaste aquilo que podias, n\u00e3o te deixaram fazer aquilo para que estavas talhado, n\u00e3o foste sempre fiel, n\u00e3o \u00e9s capaz\u00bb e assim por diante. Cada um de n\u00f3s conhece bem esta hist\u00f3ria, estas palavras. Vemos que, em parte, isto \u00e9 verdade e deixamo-nos levar por pensamentos e sentimentos que nos confundem. E corremos o risco de perder a b\u00fassola, que \u00e9 a gratuidade de Deus. Com efeito, Deus ama-nos e sempre Se oferece a n\u00f3s, mesmo nas nossas mis\u00e9rias. S\u00e3o Jer\u00f3nimo dera muitas coisas ao Senhor, mas o Senhor pedia-lhe mais&#8230; Ele retorquiu: \u00abSenhor, dei-Vos tudo, tudo. Que falta ainda?\u00bb\u00a0\u2013 \u00abOs teus pecados, as tuas mis\u00e9rias. D\u00e1-me as tuas mis\u00e9rias\u00bb. Quando mantemos o olhar fixo n\u2019Ele, abrimo-nos ao perd\u00e3o que nos renova e somos confirmados pela sua fidelidade. Hoje podemos interrogar-nos: \u00abPara quem volto o olhar, para o Senhor ou para mim?\u00bb Quem sabe ver, antes de tudo, a gra\u00e7a de Deus, descobre o ant\u00eddoto para o des\u00e2nimo e o olhar mundano.<\/p>\n<p>Com efeito, sobre a vida religiosa, paira esta tenta\u00e7\u00e3o: ter um olhar mundano. \u00c9 o olhar que j\u00e1 n\u00e3o v\u00ea a gra\u00e7a de Deus como protagonista da vida e vai \u00e0 procura de qualquer substituto: um pouco de sucesso, uma consola\u00e7\u00e3o afetiva, fazer finalmente aquilo que quero. A vida consagrada, quando deixa de girar em torno da gra\u00e7a de Deus, retrai-se no pr\u00f3prio eu: perde impulso, acomoda-se, paralisa. E sabemos o que acontece depois! Reivindicam-se os espa\u00e7os pr\u00f3prios e os direitos pr\u00f3prios, deixamo-nos cair em cr\u00edticas e murmura\u00e7\u00f5es, indignamo-nos pela mais pequena coisa que n\u00e3o funcione e entoamos a ladainha da lamenta\u00e7\u00e3o \u2013 as lam\u00farias; tornamo-nos o \u00abpadre lam\u00farias\u00bb, a \u00abirm\u00e3 lam\u00farias\u00bb \u2013 acerca dos irm\u00e3os, das irm\u00e3s, da comunidade, da Igreja, da sociedade. J\u00e1 n\u00e3o se v\u00ea o Senhor em tudo, mas s\u00f3 o mundo com as suas din\u00e2micas; e o cora\u00e7\u00e3o restringe-se. Assim, a pessoa torna-se rotineira e pragm\u00e1tica, enquanto no seu \u00edntimo aumentam a tristeza e o des\u00e2nimo, que degeneram em resigna\u00e7\u00e3o. A isto, conduz o olhar mundano. A grande Teresa dizia \u00e0s suas irm\u00e3s: \u00abAi da irm\u00e3 que vai repetindo \u201cfizeram-me uma injusti\u00e7a\u201d!\u00bb<\/p>\n<p>A fim de ter um olhar justo sobre a vida, pe\u00e7amos para saber ver, como Sime\u00e3o, a gra\u00e7a de Deus que veio para n\u00f3s. O Evangelho repete tr\u00eas vezes que Sime\u00e3o tinha familiaridade com o Esp\u00edrito Santo, que estava nele, o inspirava e impelia (cf. 2, 25-27). Tinha familiaridade com o Esp\u00edrito Santo, com o amor de Deus. A vida consagrada, se permanecer firme no amor do Senhor, v\u00ea a beleza. V\u00ea que a pobreza n\u00e3o \u00e9 um esfor\u00e7o tit\u00e2nico, mas uma liberdade superior, que nos presenteia como verdadeiras riquezas Deus e os outros. V\u00ea que a castidade n\u00e3o \u00e9 uma esterilidade austera, mas o caminho para amar sem se apoderar. V\u00ea que a obedi\u00eancia n\u00e3o \u00e9 disciplina, mas a vit\u00f3ria, no estilo de Jesus, sobre a nossa anarquia. A prop\u00f3sito de pobreza e vida comunit\u00e1ria, numa das terras atingidas pelo terremoto na It\u00e1lia, havia um mosteiro beneditino que foi destru\u00eddo e outro mosteiro convidou as irm\u00e3s a mudarem-se para l\u00e1. Mas ficaram l\u00e1 pouco tempo: n\u00e3o eram felizes, pensavam no lugar que deixaram, no povo da terra. E por fim decidiram voltar e fazer o mosteiro em duas rulotes. Em vez de estar num grande mosteiro, confort\u00e1veis, viviam ali como os pintainhos, todas juntas, mas felizes na pobreza. Isto aconteceu no ano passado. Uma coisa linda!<\/p>\n<p><em>Meus olhos viram a Salva\u00e7\u00e3o<\/em>. Ao ver Jesus pequenino, humilde, que veio para servir e n\u00e3o para ser servido, Sime\u00e3o define-se a si pr\u00f3prio\u00a0<em>servo<\/em>. Na realidade afirma: \u00abAgora, Senhor, segundo a tua palavras, deixar\u00e1s ir em paz o teu\u00a0<em>servo<\/em>\u00bb (2, 29). Quem mant\u00e9m o olhar fixo em Jesus, aprende a viver para servir. N\u00e3o espera que os outros comecem, mas vai \u00e0 procura do pr\u00f3ximo, como Sime\u00e3o que procurava Jesus no templo. E onde se encontra o pr\u00f3ximo, na vida consagrada? Esta \u00e9 a quest\u00e3o: Onde se encontra o pr\u00f3ximo? Antes de mais nada, na pr\u00f3pria comunidade. Devemos pedir a gra\u00e7a de\u00a0<em>saber procurar Jesus nos irm\u00e3os e irm\u00e3s<\/em>\u00a0que recebemos. \u00c9 aqui que se come\u00e7a a praticar a caridade: no lugar onde vives, acolhendo os irm\u00e3os e irm\u00e3s com as suas pobrezas, como Sime\u00e3o acolheu Jesus simples e pobre. H\u00e1 muitos, hoje, que s\u00f3 veem nos outros obst\u00e1culos e complica\u00e7\u00f5es. H\u00e1 necessidade de olhares que procurem o pr\u00f3ximo, que aproximem quem est\u00e1 distante. Como homens e mulheres que vivem para imitar Jesus, os religiosos e as religiosas s\u00e3o chamados a tornar presente no mundo o olhar d\u2019Ele, o olhar da compaix\u00e3o, o olhar que vai \u00e0 procura dos distantes, que n\u00e3o condena, mas encoraja, liberta, consola. O\u00a0olhar de compaix\u00e3o: aquele refr\u00e3o do Evangelho que muitas vezes, referindo-se a Jesus, diz \u201cteve compaix\u00e3o\u201d. \u00c9 o abaixar-Se de Jesus para cada um de n\u00f3s.<\/p>\n<p><em>Meus olhos viram a Salva\u00e7\u00e3o<\/em>. Os olhos de Sime\u00e3o viram a Salva\u00e7\u00e3o, porque A esperavam (cf. 2, 25). Eram olhos que aguardavam, que esperavam. Procuravam a luz, e viram a luz das na\u00e7\u00f5es (cf. 2, 32). Eram olhos idosos, mas brilhantes de esperan\u00e7a. O olhar dos consagrados s\u00f3 pode ser um olhar de esperan\u00e7a.\u00a0<em>Saber esperar<\/em>. Olhando em redor, \u00e9 f\u00e1cil perder a esperan\u00e7a: as coisas que est\u00e3o mal, a diminui\u00e7\u00e3o das voca\u00e7\u00f5es, etc. Paira ainda a tenta\u00e7\u00e3o do olhar mundano, que aniquila a esperan\u00e7a. Mas olhemos o Evangelho e vejamos Sime\u00e3o e Ana: eram idosos, viviam sozinhos e contudo n\u00e3o tinham perdido a esperan\u00e7a, porque estavam em contacto com o Senhor. Ana \u00abn\u00e3o se afastava do templo, participando no culto noite e dia, com jejuns e ora\u00e7\u00f5es\u00bb (2, 37). Aqui est\u00e1 o segredo: n\u00e3o se afastar do Senhor, fonte da esperan\u00e7a. Tornamo-nos cegos, se n\u00e3o fixarmos o olhar no Senhor todos os dias, se n\u00e3o O adorarmos. Adorar o Senhor!<\/p>\n<p>Amados irm\u00e3os e irm\u00e3s, agrade\u00e7amos a Deus pelo dom da vida consagrada e pe\u00e7amos um olhar novo, que saiba\u00a0<em>ver a gra\u00e7a<\/em>, que saiba\u00a0<em>procurar o pr\u00f3ximo<\/em>, que saiba\u00a0<em>esperar<\/em>. Ent\u00e3o os nossos olhos tamb\u00e9m ver\u00e3o a Salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o Educris a partir do <a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/it\/homilies\/2020\/documents\/papa-francesco_20200201_omelia-vitaconsacrata.html\" target=\"_blank\">original em italiano<\/a><\/p>\n<p>Imagem: Vatican.va<\/p>\n<p>01.02.2020<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na festa da \u00abApresenta\u00e7\u00e3o do Senhor\u00bb, onde se celebra o \u00abDia do Consagrado\u00bb, o Papa Francisco celebrou a eucaristia no 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