{"id":2047160237,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/57-destaques\/3722-aveiro-educar-e-fazer-crescer"},"modified":"2025-11-11T12:09:51","modified_gmt":"2025-11-11T12:09:51","slug":"aveiro-educar-e-fazer-crescer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/aveiro-educar-e-fazer-crescer\/","title":{"rendered":"Aveiro: Educar \u00e9 fazer Crescer"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/d_antonio_marcelino_2_131010055302.jpg\"\/><\/p>\n<p><p>Disponibilizamos a interven\u00e7\u00e3o de J\u00falio Pedrosa de Jesus, antigo reitor da Universidade e Aveiro e ex-ministro da Educa\u00e7\u00e3o, durante a homenagem a\u00a0D. Ant\u00f3nio Marcelino, no passado dia 9 de novembro.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>1.\u00a0D. Ant\u00f3nio Marcelino est\u00e1 aqui, hoje<br \/>D. Ant\u00f3nio Marcelino \u00e9 um Bispo que admiro e manterei presente na mem\u00f3ria. A sua humanidade, cultura, aten\u00e7\u00e3o e interesse pela educa\u00e7\u00e3o, a rela\u00e7\u00e3o que cultivou com a Universidade e com os universit\u00e1rios, o empenho que p\u00f4s na cria\u00e7\u00e3o e desenvolvimento do CUFC s\u00e3o marcas que ficam e h\u00e3o-de perdurar\u2026<br \/>A frase que o programa de hoje nos recorda \u00e9 bem significativa: \u00abQuem quer o que Deus quer tem tudo quanto quer\u00bb, ANT\u00d3NIO MARCELINO.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>E o que quer Deus? Quer que o AMOR alimente as nossas vidas \u2026 A enc\u00edclica \u00abDEUS \u00c9 AMOR\u00bb assinala m\u00faltiplos significados para a palavra, mas \u201c uma promessa de felicidade que parece irresist\u00edvel, sobressai como arqu\u00e9tipo de amor por excel\u00eancia\u201d (Bento XVI, 2006, p. 9). E lembra-nos, mais adiante (p\u00e1gina 52), que \u201cO amor \u2013 caritas \u2013 ser\u00e1 sempre necess\u00e1rio, mesmo na sociedade mais justa\u201d. Amor \u00e9, pois, o que nos \u00e9 proposto por Bento XVI, como resposta \u00e0 interpela\u00e7\u00e3o de D. Ant\u00f3nio Marcelino. Amor entre as pessoas \u00e9 o que Deus quer!<br \/>Por isso, direi, que quem Amar a Deus sobre todas as coisas e ao pr\u00f3ximo como a si mesmo \u2026 segundo D. Ant\u00f3nio Marcelino, tem tudo o que quer.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A vida tamb\u00e9m se l\u00ea. Este \u00e9 o t\u00edtulo que deu ao livro em que publicou as suas cr\u00f3nicas no Correio do Vouga. D. Ant\u00f3nio Marcelino usa as p\u00e1ginas desta publica\u00e7\u00e3o para se referir a quest\u00f5es importantes da sua miss\u00e3o, a temas quentes e dif\u00edceis em debate, \u00e0s escolas cat\u00f3licas, analisando circunst\u00e2ncias, contextos e comportamentos que mereceriam profunda e actualizada reflex\u00e3o. Em toda esta escrita ressalta a sua preocupa\u00e7\u00e3o pelas pessoas mais fr\u00e1geis da nossa sociedade, uma aten\u00e7\u00e3o aguda, empenhada por ver que a democracia de que nos ufanamos e os direitos humanos que todos (?) defendemos, deixem de ser fic\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas e lingu\u00edsticas.<br \/>A educa\u00e7\u00e3o \u00e9, na minha opini\u00e3o, o instrumento mais s\u00f3lido, ao dispor das pessoas, para que sejam cidad\u00e3os. Cidad\u00e3os vivos, empenhados, bem-sucedidos no trabalho pelos direitos da pessoa humana e pela democracia. Com amor. Ser\u00e1 a educa\u00e7\u00e3o que teremos no centro desta apresenta\u00e7\u00e3o, a educa\u00e7\u00e3o como chave de desenvolvimento da pessoa humana, a educa\u00e7\u00e3o com o fim \u00faltimo de contribuir para o crescimento do ser, do saber viver juntos, do conhecimento e do saber fazer. A educa\u00e7\u00e3o pensada para habilitar as pessoas a viver dignamente, a poderem, com autonomia escolher o caminho que desejam percorrer na vida. Veremos que os tempos distintos de desenvolvimento do ser exigem especial aten\u00e7\u00e3o ao modo como organizamos a educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>2.\u00a0Os fins da EDUCA\u00c7\u00c3O<br \/>Iniciei o conv\u00edvio com a educa\u00e7\u00e3o em casa \u2013 a minha m\u00e3e era regente escolar quando me deu ao mundo e n\u00e3o existiam licen\u00e7as de parto naquela altura. Para ir para a sua escola caminhava 5 quil\u00f3metros, com um desvio para me deixar em casa da minha av\u00f3 J\u00falia \u2026 Entrei na instru\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria na escola da minha aldeia, em Outubro de 1952, j\u00e1 l\u00e1 v\u00e3o 60 anos! Nessa altura falava-se em instru\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria e usava-se pouco a palavra educa\u00e7\u00e3o associando-a \u00e0 escola. Poucos colegas andavam cal\u00e7ados. Muitos passavam fome \u2026 Apenas dois de n\u00f3s continu\u00e1mos al\u00e9m da 4\u00aa classe e a esmagadora maioria ficou-se pela 3\u00aa. As escolas p\u00fablicas mais pr\u00f3ximas eram em Coimbra ou na Figueira da Foz, a cerca de 30 km, acess\u00edveis por comboio que n\u00e3o existe mais.<br \/>O Francisco (nome fict\u00edcio) \u00e9 um caso que espelha bem o que era a escola e o Portugal daquele tempo \u2026 Fam\u00edlia numerosa, gente muito pobre, fez a terceira classe e a certa altura emigrou \u2026 Hoje \u00e9 um oper\u00e1rio diligente e competente de empresa da regi\u00e3o. Quando me encontra convida-me sempre a visitar, com ele, aqueles tempos \u2026 continua a ser um amigo que nunca esqueceu como vivemos a escola e, sobretudo, a solidariedade, a partilha que em muitos momentos nos enla\u00e7ou. <br \/>Estas visitas servem para lhes dizer que acreditei sempre que Deus n\u00e3o quer seres humanos mal tratados, sem condi\u00e7\u00f5es para uma vida digna, exclu\u00eddos das comunidades em que gostariam de crescer e viver. E a educa\u00e7\u00e3o \u00e9, na minha capacidade de pensar a pessoa humana, a condi\u00e7\u00e3o essencial para se poder aceder a tais condi\u00e7\u00f5es de vida. Por isso, considerei ajustado ao momento falar da educa\u00e7\u00e3o como condi\u00e7\u00e3o de crescimento do ser humano hoje, nesta homenagem p\u00f3stuma a D. Ant\u00f3nio Marcelino.<br \/>Os pais tinham a responsabilidade de educar as crian\u00e7as e usava-se a express\u00e3o pessoa bem-educada para traduzir comportamentos, modos de falar, atitudes, maneiras de se relacionar com o outro. Hoje quase n\u00e3o usamos o termo instru\u00e7\u00e3o, mas temos a palavra educa\u00e7\u00e3o presente em variados contextos, com m\u00faltiplas conex\u00f5es.<br \/>Em 2002, ao finalizar um per\u00edodo em que assumira grandes responsabilidades no governo da Educa\u00e7\u00e3o, li um livro de Neil Postman, escrito e publicado em 1995, nos EUA, com o t\u00edtulo: The End of Education \u2013 Redefining the Value of School. A sua tradu\u00e7\u00e3o em portugu\u00eas chegou-nos em 2002 com o t\u00edtulo: O Fim da Educa\u00e7\u00e3o \u2013 Redefinindo o Valor da Escola. Retive dessa leitura uma frase que me pareceu oportuna e relevante para n\u00f3s, portugueses e interessados na Educa\u00e7\u00e3o. Dizia Postman:<br \/>Quando ou\u00e7o o que as pessoas t\u00eam a dizer sobre o ensino, reparo que a maior parte das discuss\u00f5es gira em torno dos meios \u2013 raramente se debru\u00e7a sobre os fins. Dever\u00edamos privatizar as nossas escolas? Haver\u00e1 necessidade de implementar par\u00e2metros de avalia\u00e7\u00e3o nacionais? De que modo dever\u00edamos utilizar os computadores? Como poderemos ensinar a leitura?<br \/>Ser\u00e1 que este modo de ver o mundo da educa\u00e7\u00e3o \u00e9 apenas v\u00e1lido para os EUA? Creio bem que tal n\u00e3o \u00e9 o caso. Por isso, creio ser oportuno buscar respostas para a pergunta: o que \u00e9 educa\u00e7\u00e3o? Isto \u00e9, olhar com alguma aten\u00e7\u00e3o os fins da educa\u00e7\u00e3o.<br \/>Ao longo do tempo e em diferentes pa\u00edses, a palavra educa\u00e7\u00e3o tem tido distintas interpreta\u00e7\u00f5es. Curioso e relevante para n\u00f3s \u00e9 termos presente que o termo ingl\u00eas, education, significa a educa\u00e7\u00e3o escolar, o sistema de ensino, a educa\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria, secund\u00e1ria e superior.<br \/>\u00a0H\u00e1, ainda, quem leia a palavra como sin\u00f3nimo de criar, de ensinar e de formar. <br \/>Criar seria a educa\u00e7\u00e3o que se associa aos cuidados, ao amor da fam\u00edlia e de quem a substitui ou coadjuva. A palavra ensinar ligar-se-ia \u00e0 ac\u00e7\u00e3o intencional, com m\u00e9todos e contextos desenhados para realizar certos fins de desenvolvimento da pessoa. Requere o contributo de profissionais. Acontece nas escolas. Formar significa preparar para uma certa fun\u00e7\u00e3o social: ser professora, ser podador de \u00e1rvores, ser eletricista, ser m\u00e9dica, ser cozinheiro, ser guia tur\u00edstico, ser engenheiro civil. Aten\u00e7\u00e3o a que n\u00e3o estamos a falar de sin\u00f3nimos! Por\u00e9m, aqueles t\u00eam um cimento que os une: as palavras aprender e crescer.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Aprende-se em casa, desde bem cedo. Aprende-se nas escolas durante longo per\u00edodo das nossas vidas. Aprende-se no trabalho e no lazer. Mas, mesmo escolhendo o mesmo foco da aprendizagem, aprendemos de modo distinto na fam\u00edlia, na escola e na empresa. <br \/>O que \u00e9 essencial \u00e9 que, qualquer que seja o contexto e o modo de aprender, se cres\u00e7a sempre no ser, no conhecer, no saber fazer e no modo de viver com os outros.<br \/>R. S. Peters, fil\u00f3sofo e professor universit\u00e1rio ingl\u00eas na d\u00e9cada de 1960, faz notar que o conceito de educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o se refere a nenhum processo particular, mas a uma fam\u00edlia de processos que satisfazem crit\u00e9rios inscritos na palavra educa\u00e7\u00e3o. Estes processos podem ser vistos como tarefas e como realiza\u00e7\u00e3o da pessoa a que se associam certos ju\u00edzos de valor. Assim, n\u00e3o se pode dizer que uma pessoa seja educada s\u00f3 porque domina certas compet\u00eancias, porque sabe fazer alguma coisa. Tem que dominar um quadro de conceitos, de princ\u00edpios, de valores que lhe permita compreender o mundo em que vive, as habilidades que domina e aquilo que sabe fazer. No dizer de Peters, a pessoa transforma-se atrav\u00e9s daquilo que sabe, conhece e compreende. Para resumir o que \u00e9 educar, aquele autor organiza o processo educativo nos elementos seguintes: treino, instru\u00e7\u00e3o e aprendizagem pela experi\u00eancia, ensino e aprendizagem de princ\u00edpios ou teorias, transmiss\u00e3o de pensamento cr\u00edtico, convers\u00e3o do \u201chomem todo\u201d.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Estes seriam os processos que conduziriam ao desenvolvimento de uma pessoa bem-educada, uma pessoa cujo conhecimento e compreens\u00e3o n\u00e3o se resumem a uma s\u00f3 forma de pensamento e de saber.<br \/>Procurei, com estas observa\u00e7\u00f5es, ilustrar a ideia de que faz sentido dedicarmos algum tempo a formar uma opini\u00e3o sobre o que \u00e9 educar, isto \u00e9, sobre os fins da educa\u00e7\u00e3o e da escola, e a partilhar tal opini\u00e3o com os que mais diretamente contribuem para a educa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as, adolescentes e jovens. Uma tal caminhada servir\u00e1, tamb\u00e9m, estou certo, a an\u00e1lise e a reflex\u00e3o sobre o modo de organizar os tempos de educa\u00e7\u00e3o de uma crian\u00e7a.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>3.\u00a0A Educa\u00e7\u00e3o, base de desenvolvimento humano<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00c9 bem evidente que a generalidade das pessoas d\u00e1 valor \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, perceciona o seu impacto no desenvolvimento econ\u00f3mico e na sa\u00fade das empresas, v\u00ea como influencia as aptid\u00f5es para assumir responsabilidades e para exercer profiss\u00f5es. Mas espanto-me sempre que vejo pessoas altamente escolarizadas a procurar influenciar, desde bem cedo, as escolhas de um curso superior.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Os tempos que vivemos geram perplexidades. Busco an\u00e1lises s\u00e9rias, reflex\u00e3o informada, debate livre e sabedor, explica\u00e7\u00f5es fundamentadas para o desemprego jovem, a emigra\u00e7\u00e3o de gente altamente qualificada e n\u00e3o encontro grande coisa. <br \/>N\u00e3o \u00e9 este o foco desta interven\u00e7\u00e3o, mas gostaria que algumas pistas pudessem emergir para se pensar a educa\u00e7\u00e3o, os seus caminhos de futuro e as rela\u00e7\u00f5es com aqueles problemas e quest\u00f5es. De facto, gostaria que me acompanhassem na aten\u00e7\u00e3o a dar \u00e0 ideia de educa\u00e7\u00e3o como factor cr\u00edtico do desenvolvimento humano. <br \/>\u00a0Educa\u00e7\u00e3o \u00e9, em Portugal, uma quest\u00e3o tratada de muitos e bem diversos modos. Tem naturalmente a ver com o que queremos ser e com o tipo de sociedade em que desejamos viver. E desejamos todos, estou certo, ser felizes. <br \/>A Educa\u00e7\u00e3o \u00e9, na verdade, o principal meio ao dispor das pessoas para ampliarem as suas capacidades de ser pessoas em plenitude, buscarem e conseguirem viver uma vida digna. Estamos a falar da Educa\u00e7\u00e3o como condi\u00e7\u00e3o b\u00e1sica de desenvolvimento humano. E desenvolvimento \u00e9 liberdade, pois s\u00f3 a condi\u00e7\u00e3o de poder ser e crescer com autonomia garante a dignidade \u00e0s pessoas (Amartya Sen).\u00a0 <br \/>Uma pessoa bem-educada descobriu quem \u00e9, o que deseja ser e todos os dias est\u00e1 em condi\u00e7\u00f5es de buscar e encontrar caminhos para l\u00e1 chegar. <br \/>Ao ver tanta gente jovem instru\u00edda, com diplomas de licenciatura, a fazer coisas que nunca pensou fazer ou a n\u00e3o ter mesmo profiss\u00e3o nenhuma, temos todos a responsabilidade de procurar raz\u00f5es para se ter aqui chegado. <br \/>Pensemos que a boa educa\u00e7\u00e3o ser\u00e1 sempre uma base s\u00f3lida para percursos de desenvolvimento da pessoa, das comunidades em que se vive, usando autonomia. A autonomia que permite recusar escolhas que n\u00e3o respeitam a justi\u00e7a e a dignidade humana. A autonomia que d\u00e1 sentido a liberdade, ao amor, \u00e0 solidariedade, ao bem comum. A liberdade e o amor que permitem a cada um ser feliz, viver bem consigo e com os outros.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>4.\u00a0Organizar e cuidar dos modos de educar<br \/>Comecei esta conversa recordando tempos em que a primeira fase da educa\u00e7\u00e3o escolar era referida como instru\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria. Hoje, chama-se-lhe primeiro ciclo de educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, mas observamos disputas sobre a miss\u00e3o da escola e sobre a necessidade de distinguir entre o ato de ensinar e a miss\u00e3o de educar. A minha cren\u00e7a profunda \u00e9 que n\u00e3o temos institui\u00e7\u00e3o educativa, escola, se n\u00e3o se ensinar educando. Se n\u00e3o se organizar a caminhada educativa a partir dos tempos e fases de crescimento das pessoas e das diferen\u00e7as entre elas.<br \/>Compreender\u00e3o, neste contexto, que fale frequentemente da import\u00e2ncia da fase de desenvolvimento da crian\u00e7a dos zero aos tr\u00eas anos, em que o cuidar das condi\u00e7\u00f5es de crescimento da crian\u00e7a \u00e9 um aspecto cr\u00edtico para fazer emergir as bases do desenvolvimento educativo associado \u00e0 educa\u00e7\u00e3o de inf\u00e2ncia. <br \/>Este processo continua com a educa\u00e7\u00e3o de inf\u00e2ncia, dos 3 aos 5 anos. S\u00e3o cinco anos em que o amor dos pais, a aten\u00e7\u00e3o e carinho dos cuidadores e das educadoras t\u00eam superior papel. \u00c9 tempo de estar atento a todos os sinais do ser e criar-lhe espa\u00e7o e oportunidades para se revelar e crescer. Para perguntar e ter respostas. Para olhar e querer saber. Para ouvir atentamente sem os adultos darem por isso. Para ser amado e feliz. N\u00e3o se pense tanto em escola, nestas idades. N\u00e3o \u00e9 tempo de p\u00f4r a \u00eanfase em ensinar e aprender saberes que s\u00e3o o cora\u00e7\u00e3o da miss\u00e3o de uma escola. Deixe-se de ter o foco no escolar do pr\u00e9-escolar e cuide-se mais do desenvolvimento da crian\u00e7a, do seu viver e crescer bem, com amor. Observe-se, acompanhe-se, cuide-se mais do ser humano em crescimento no seu corpo, na sua sensibilidade, na sua intui\u00e7\u00e3o, na sua intelig\u00eancia, na sua rela\u00e7\u00e3o com quem lhe \u00e9 mais pr\u00f3ximo. Reconhe\u00e7a-se que esse ser se alimenta de muitas fontes que a rodeiam e precisa de alimentos variados para que todas aquelas dimens\u00f5es do ser cres\u00e7am. <br \/>A educa\u00e7\u00e3o escolar come\u00e7a com a educa\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria, ou primeira, que entre n\u00f3s se tem estruturado em dois ciclos (4+2anos). J\u00e1 envolve institui\u00e7\u00f5es e pessoas especialmente preparadas para ensinar, para fazer aprender saberes essenciais, sem nunca esquecer o crescimento do ser que acompanhar\u00e1 toda a educa\u00e7\u00e3o da pessoa. N\u00e3o \u00e9 tempo, ainda, de inscrever destinos profissionais. Mas s\u00e3o idades em que deve investir no aprender a viver juntos (o dif\u00edcil \u00e9 sent\u00e1-los!). Evite-se desencorajar a crian\u00e7a de interrogar, de questionar, de querer descobrir sinais e caminhos m\u00faltiplos, para a realiza\u00e7\u00e3o e crescimento do seu ser.<br \/>Os seis anos que se seguem \u00c0QUELES DOIS PRIMEIROS CICLOS, significam hoje o tempo complementar da educa\u00e7\u00e3o escolar obrigat\u00f3ria (ser\u00e1 que no futuro ser\u00e3o o per\u00edodo dedicado \u00e0 educa\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria?).Deviam, por isso, ser pensados e estruturados como aquele per\u00edodo da educa\u00e7\u00e3o escolar que complementa a prepara\u00e7\u00e3o para aprender a conhecer, aprender a ser e aprender a viver com os outros. Isto exige que se aprofundem e consolidem conhecimentos fundamentais, os seus princ\u00edpios explicativos, as funda\u00e7\u00f5es dos saberes que estruturam a pessoa bem-educada. \u00c9 tempo, sem d\u00favida, tamb\u00e9m, para cuidar das bases do saber fazer e de aprender a fazer, mas tal s\u00f3 se entende num quadro de crescimento da pessoa que lhe n\u00e3o pode fechar caminhos. Fazer crescer, instruir educando, continua a ser o fim principal.<br \/>A agenda educativa tem hoje desafios grandes, e a expans\u00e3o e diversifica\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria \u00e9, seguramente, um dos mais exigentes. Pensando nos jovens em idade de escolaridade obrigat\u00f3ria, naturalmente. Mas prestando s\u00e9ria aten\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e0 necessidade de responder \u00e0s necessidades de educa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o adulta. Continuamos esquecidos de que uma das mais s\u00e9rias fragilidades da sociedade portuguesa est\u00e1 no n\u00edvel educativo das gera\u00e7\u00f5es que abandonaram a escola cedo de mais e n\u00e3o tiveram ainda oportunidade de corrigir esse d\u00e9fice <br \/>Segue-se a educa\u00e7\u00e3o superior. Uso o termo educa\u00e7\u00e3o e n\u00e3o ensino, porque, tamb\u00e9m nesta fase, se trata de continuar a aprender a ser, aprender a viver juntos, aprender a conhecer e aprender a fazer. \u00c9 superior se escolhermos saberes a aprender, modos de ensinar e de aprender, que sejam caminhos superiores de crescimento da pessoa. Aqui, tamb\u00e9m se debatem maneiras de responder a quest\u00f5es novas, dif\u00edceis: <br \/>&#8211; Como reduzir a rede?<br \/>&#8211; Fechamos institui\u00e7\u00f5es e estimulamos cons\u00f3rcios?<br \/>&#8211; Extinguimos cursos?<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Por\u00e9m, inspirando-me nas interroga\u00e7\u00f5es de Postman, nos EUA, em 1995, preferia que pergunt\u00e1ssemos: <br \/>&#8211; Para que serve a educa\u00e7\u00e3o superior hoje?<br \/>&#8211; Quais t\u00eam sido as tend\u00eancias observadas em outros pa\u00edses e que contextos e est\u00edmulos existiram para as mudan\u00e7as acontecerem?<br \/>&#8211; Que outras quest\u00f5es se p\u00f5em \u00e0 sociedade portuguesa que devem ter respostas envolvendo institui\u00e7\u00f5es e actores da rede de educa\u00e7\u00e3o superior?<br \/>De facto, a miss\u00e3o fundamental da Educa\u00e7\u00e3o Superior \u00e9 proporcionar oportunidades diversificadas de crescimento educativo a jovens e adultos, \u00e9 ampliar o conhecimento e a capacidade de compreender as pessoas e o mundo natural, \u00e9 proporcionar acesso a respostas aos problemas com que nos confrontamos. Se ambicionarmos ter institui\u00e7\u00f5es e acad\u00e9micos associados ao desenvolvimento econ\u00f3mico, social e cultural; se quisermos preservar e entender o que somos e para onde vamos, estas interroga\u00e7\u00f5es n\u00e3o podem faltar na busca de caminhos para o desenvolvimento da Rede de Educa\u00e7\u00e3o Superior.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>5.\u00a0A Educa\u00e7\u00e3o Come\u00e7a ao Nascer<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Fal\u00e1mos de fases e modos de a pessoa humana crescer para atingir a plenitude do seu ser. Espero que, chegados aqui, possamos perceber o sentido e o alcance do que nos disse uma professora de educa\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria, numa sess\u00e3o do Debate Nacional sobre a Educa\u00e7\u00e3o, em 2007: a educa\u00e7\u00e3o come\u00e7a com a mama. Regressara a uma escola de primeiro ciclo na zona da Serra da Estrela, na regi\u00e3o onde come\u00e7ara a sua actividade como professora e onde nascera. Um melro pousara na rede da escola e, para surpresa sua, viu crian\u00e7as que n\u00e3o sabiam o nome da ave.<br \/>A minha experi\u00eancia com os netos, as diferen\u00e7as entre eles, , as rela\u00e7\u00f5es, as experi\u00eancias que geram perguntas, a\u00a0 constru\u00e7\u00e3o da linguagem \u2026 estou a berbequinzar \u2026 mostram bem que a linguagem se desenvolve bem cedo. De facto, se h\u00e1 factores cr\u00edticos no desenvolvimento educativo de uma crian\u00e7a, alguns deles est\u00e3o ligados ao contexto em que as crian\u00e7as nascem e crescem. A escola, qualquer institui\u00e7\u00e3o educativa digna desse nome, tem, pois, que ter bem presente e responder \u00e0s diferen\u00e7as associadas a estes ambientes.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria do Francisco, da Joana e da Manuela, alunos do segundo ciclo da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, frequentando curr\u00edculos alternativos \u2026 marcados para desistir da escola e da procura de um destino feliz \u2026 mas entusiastas parceiros de um projecto. Uma experi\u00eancia vivida, desenhada e realizada para os fazer descobrir caminhos para aprender e acreditar no valor da educa\u00e7\u00e3o e da escola. Confirmou-me esta tem capacidades escondidas para responder \u00e0s desigualdades que v\u00eam dos contextos de vida, refor\u00e7ando, ou recriando, a esperan\u00e7a e a capacidade da crian\u00e7a, de qualquer idade, acreditar em si e no seu crescimento. <br \/>A import\u00e2ncia fundamental dos contextos em que se nasce e se cresce no desenvolvimento educativo acentua o papel da creche e do jardim-de-inf\u00e2ncia. De facto, o modo como os profissionais de educa\u00e7\u00e3o se relacionam com as fam\u00edlias e com as crian\u00e7as, a sua intelig\u00eancia, dedica\u00e7\u00e3o e sensibilidade para responder \u00e0s diferen\u00e7as na sala de aula, ser\u00e3o, porventura, as chaves para se ser bem-sucedido em educa\u00e7\u00e3o.<br \/>A Igreja Cat\u00f3lica ter\u00e1 um amplo leque de oportunidades e meios de contribuir para que a educa\u00e7\u00e3o seja crescimento de todos. De todos mesmo, qualquer que seja a sua condi\u00e7\u00e3o e contexto de vida, do nascimento \u00e0 sepultura, dentro e fora de institui\u00e7\u00f5es escolares. D. Ant\u00f3nio Marcelino iluminar-nos-\u00e1 numa busca serena de caminhos.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Disponibilizamos a interven\u00e7\u00e3o de J\u00falio Pedrosa de Jesus, antigo reitor da Universidade e Aveiro e ex-ministro da Educa\u00e7\u00e3o, durante a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":51667081,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[71],"class_list":["post-2047160237","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-noticias-apec"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2047160237","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2047160237"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2047160237\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4294996684,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2047160237\/revisions\/4294996684"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media\/51667081"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2047160237"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2047160237"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2047160237"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}