{"id":2073340487,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/10988-domingo-i-do-advento-para-vos-senhor-elevo-a-minha-alma"},"modified":"2025-11-07T16:33:49","modified_gmt":"2025-11-07T16:33:49","slug":"domingo-i-do-advento-para-vos-senhor-elevo-a-minha-alma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/domingo-i-do-advento-para-vos-senhor-elevo-a-minha-alma\/","title":{"rendered":"Domingo I do Advento: \u00abPara V\u00f3s, Senhor, elevo a minha alma!\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031.jpg\" \/><\/p>\n<p><p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">1. \u00abPara v\u00f3s, Senhor, elevo a minha alma\u00bb (Salmo 25,1). Ant\u00edfona do C\u00e2ntico de Entrada que inaugura a celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica do Advento, do Ano lit\u00fargico, do Ano inteiro. Aponta a atitude a assumir pela Assembleia fiel e orante: a obla\u00e7\u00e3o permanente, a ora\u00e7\u00e3o constante. Para que esta atitude n\u00e3o fique esquecida, mas tome verdadeiramente conta de n\u00f3s, as mesmas palavras s\u00e3o, em parte, repetidas no refr\u00e3o do Salmo responsorial, que reclama tamb\u00e9m a confian\u00e7a (<em>bathah<\/em>) em Deus. Extraordin\u00e1rio p\u00f3rtico de entrada no Advento e no novo Ano lit\u00fargico. Bel\u00edssima forma de viver, elevando para Deus a nossa vida: a ora\u00e7\u00e3o \u00e9 a nossa vida! A nossa vida em ascens\u00e3o e ora\u00e7\u00e3o permanente, sacrif\u00edcio de suave odor, incenso puro subindo para o nosso Deus. Sempre. O Evangelho dir\u00e1 com a mesma energia e alegria: \u00abErguei-vos e levantai a cabe\u00e7a\u00bb (Lucas 21,28). \u00c9 o gesto do justo justificado por Deus (Job 22,26). P\u00e1gina em branco, Primeira e \u00daltima, que podemos apresentar a Deus neste in\u00edcio de Advento e de Ano lit\u00fargico. De Deus \u00e9 a palavra e a escrita que n\u00e3o passa.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">2. \u00abOrando em todo o tempo\u00bb, diz, a terminar, a li\u00e7\u00e3o do Evangelho deste Primeiro Domingo do Advento (Lucas 21,25-28 e 34-36). \u00abOrar em todo o tempo\u00bb significa n\u00e3o se deixar enterrar na lama dos caminhos banais e f\u00fateis deste tempo, de qualquer tempo, e que o Evangelho mostra que a busca desenfreada do sucesso e das falsas solu\u00e7\u00f5es da devassid\u00e3o, da embriaguez e das preocupa\u00e7\u00f5es da vida (Lucas 21,34) \u00e9 uma teia que nos enreda e n\u00e3o nos deixa ver bem, belo e bom. Andamos sempre t\u00e3o atarefados com in\u00fameros afazeres, campos, bois, neg\u00f3cios, casamentos, que ficamos com o \u00abcora\u00e7\u00e3o pesado\u00bb e insens\u00edvel, incapaz de ver o Filho-do-Homem-que-vem (Lucas 21,27), a toda a hora, nos nossos irm\u00e3os mais pequeninos! Ora, o Advento \u00e9 o Filho-do-Homem-que-vem, para que n\u00f3s o acolhamos. Se o acolhermos, sa\u00edmos fora da teia dos nossos afazeres que nos sufoca, o pen\u00faltimo, e entramos no mundo maravilhoso do \u00daltimo, do Amor, da Liberdade, que rompe as nossas cadeias.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">3. Sinais no sol, na lua, nas estrelas, sobre a terra, convuls\u00f5es no mar, medos v\u00e1rios, s\u00e3o acontecimentos que o Antigo Testamento refere a prop\u00f3sito do \u00abDia do Senhor\u00bb, com a interven\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio Deus (Isa\u00edas 13,6-22; Joel 2,1-11). O facto de agora, no Evangelho que estamos a ler, tais acontecimentos aparecerem conjugados com a Vinda do Filho do Homem \u00e9 a indica\u00e7\u00e3o clara de que esta Vinda \u00e9 a manifesta\u00e7\u00e3o de Deus (1). Al\u00e9m disso, os acontecimentos assinalados mostram ainda que o mundo presente n\u00e3o \u00e9 definitivo, mas transit\u00f3rio, e abrem caminho para a nova cria\u00e7\u00e3o, o novo c\u00e9u e a nova terra (Apocalipse 21,1) (2). Mas \u00e9 ainda percet\u00edvel a nossa habitua\u00e7\u00e3o \u00e0 ordem fixa do mundo, em que nos habitu\u00e1mos a confiar, vindo ao de cima o desconforto sentido e o tom de ang\u00fastia e confus\u00e3o que as mudan\u00e7as assinaladas nos trazem (Lucas 21,26) (3). E fica tamb\u00e9m a descoberto que devemos aprender a confiar, n\u00e3o nestas velhas realidades passageiras, mas no Dia novo que a\u00ed vem (4).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">4. Mas que os acontecimentos assinalados abrem, n\u00e3o para vias negativas, mas para perspetivas de salva\u00e7\u00e3o, pode ver-se na atitude que Jesus indica aos seus disc\u00edpulos: \u00abQuando estas coisas come\u00e7arem a acontecer, erguei-vos e levantai a cabe\u00e7a, porque est\u00e1 pr\u00f3xima (<em>egg\u00edzei<\/em>) a vossa liberta\u00e7\u00e3o (<em>apol\u00fdtr\u00f4sis<\/em>)\u00bb (Lucas 21,28). A hora \u00e9, portanto, de liberta\u00e7\u00e3o. E note-se que Lucas usa o termo \u00abliberta\u00e7\u00e3o\u00bb sobretudo para retratar a nova situa\u00e7\u00e3o de um prisioneiro a quem foram retiradas as cadeias, e a quem \u00e9 concedida a liberdade. Quer isto dizer que os disc\u00edpulos de Jesus n\u00e3o devem estar mais presos, amarrados, \u00e0s situa\u00e7\u00f5es terrenas, sempre dif\u00edceis, inst\u00e1veis e transit\u00f3rias, mas podem entrar \u00abna liberdade da gl\u00f3ria dos filhos de Deus\u00bb (Romanos 8,21). A proximidade anotada \u00e9 a proximidade do Reino de Deus que, pondo em causa o nosso arco instintivo e desiderativo e as nossas amarras autorreferenciais, nos liberta, fazendo irromper em n\u00f3s a gratuidade e o amor assim\u00e9trico. Esta proximidade faz-se presente em cada gera\u00e7\u00e3o. E \u00e9 por isso que, neste tempo novo, tudo \u00e9 urgente e decisivo, n\u00e3o por ser breve, mas por estar gr\u00e1vido de oportunidades salv\u00edficas.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">5. O escritor argentino Jorge Luis Borges deixou-nos versos densos como estes, acentuando a import\u00e2ncia e a intensidade de cada momento da nossa vida a n\u00e3o desperdi\u00e7ar: \u00abN\u00e3o h\u00e1 um instante que n\u00e3o esteja carregado como uma arma\u00bb; \u00abEm cada instante o galo pode ter cantado tr\u00eas vezes\u00bb; \u00abEm cada instante a cl\u00e9psidra deixa cair a \u00faltima gota\u00bb. E o poeta brasileiro Vin\u00edcius de Moraes escreveu assim num bel\u00edssimo poema: \u00abA coisa mais divina\/ Que h\u00e1 no mundo\/ \u00c9 viver cada segundo\/ Como nunca mais\u00bb. \u00c9 assim, sempre vigilantes, amantes e esperantes, sempre \u00e0 escuta e \u00e0 espera de algu\u00e9m, com Amor imenso e intenso, que rasga o pr\u00f3prio tempo, que devemos encher todos os nossos instantes, como se fosse a primeira vez, como se fosse a \u00faltima vez. Tudo no Evangelho \u00e9 decisivo: cada passo conta, cada gesto conta, cada palavra conta, cada copo de \u00e1gua conta!<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">6. \u00c1trio de um tempo novo, habitado, \u00abcarregado\u00bb de justi\u00e7a e de bondade. Obra de Deus no nosso mundo. E s\u00f3 dele. Obra terna, tenra e nova, como um \u00abrebento\u00bb de um jovem casal ou de uma planta. Sinal de Primavera no meio da invernia e da lama em que nos vamos atolando, ensonados e enlatados, sem sequer darmos por isso. \u00c9, portanto, mesmo preciso que Ele venha e que nos acorde e nos levante da nossa letargia com novas pautas e novos acordes musicais! E que nos d\u00ea nomes novos a n\u00f3s, aos nossos cora\u00e7\u00f5es, \u00e0s nossas cidades e aldeias, \u00e0s nossas escolas, aos nossos hospitais, \u00e0s nossas ruas! Dar nome \u00e9 criar e recriar. Obra s\u00f3 de Deus. Extraordin\u00e1ria li\u00e7\u00e3o de Jeremias 33,14-16.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">7. Paulo passa por Tessal\u00f3nica (1 Tessalonicenses 3,12-4,2), ou pela nossa terra, e ensina-nos a levantar a nossa vida para Deus, para dele acolhermos o alento criador, e a rivalizarmos no pagamento das d\u00edvidas de amor que dia a dia vamos contraindo uns para com os outros. O paradigma, o modelo, o exemplo, \u00e9 sempre o amor que Deus nos tem, e de que Paulo \u00e9 testemunha qualificada. H\u00e1 quem estranhe e pense mesmo que se trata de um mist\u00e9rio o facto de Paulo, quando fala de amor (<em>ag\u00e1p\u00ea<\/em>), quase n\u00e3o mencionar o nosso amor a Deus [apenas mencionado de passagem em Romanos 8,28; 1 Cor\u00edntios 2,9; 8,3; 16,22 (<em>phil\u00e9\u00f4<\/em>); Ef\u00e9sios 6,24; 2 Tessalonicenses 3,5 e 2 Tim\u00f3teo 3,4 (<em>phil\u00e9\u00f4<\/em>)], para acentuar sobretudo o amor de Deus para connosco e o nosso amor para com o pr\u00f3ximo. Na verdade, n\u00e3o \u00e9 para estranhar, e muito menos se trata de um mist\u00e9rio. Na verdade, quer a B\u00edblia Hebraica quer o cora\u00e7\u00e3o dos Evangelhos falam menos do nosso amor para com Deus, e muito mais do nosso amor para com o pr\u00f3ximo e para com o estrangeiro e o inimigo! E n\u00e3o se trata de um amor que satisfaz o nosso desejo, mas da imita\u00e7\u00e3o do amor de Deus e de obedecer a um mandamento. Ora, Deus ama o desvalor e manda-nos amar como Ele ama. Ent\u00e3o, a nossa resposta ao amor de Deus n\u00e3o consiste na\u00a0<em>redamatio<\/em>\u00a0ou retribui\u00e7\u00e3o a Deus do amor com que Ele nos ama, mas volta-se para a frente e traduz-se no amor ao outro, pr\u00f3ximo, estrangeiro ou inimigo. Quer na Revela\u00e7\u00e3o patente no AT quer em Jesus, o amor ao pr\u00f3ximo aparece como o lugar, o \u00fanico lugar da epifania do nosso amor a Deus.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">8. Os acordes do Salmo 25, que hoje cantamos, trazem \u00e0 tona os rumos e os caminhos de Deus, que s\u00e3o sempre bondade, verdade, ternura e miseric\u00f3rdia \u2013 caminhos intransitivos, entenda-se \u2013, que se v\u00e3o insinuando mansamente dentro de n\u00f3s, mais ou menos como deixou escrito, no seu Di\u00e1rio, com data de 23 de janeiro de 1948, o grande escritor franc\u00eas George Bernanos: \u00abQue do\u00e7ura pensar que, embora ofendendo-o, n\u00e3o deixamos de desejar, desde o mais profundo santu\u00e1rio da alma, aquilo que Ele deseja\u00bb.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">9. Vem, Senhor Jesus! Vem, vem, que Te esperamos!<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u00a0<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Como \u00e9 f\u00e1cil, Senhor Jesus,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Daqui, de ao p\u00e9 da tua Cruz,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Avistar a paisagem do Advento,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Compreender-lhe a mensagem,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Respirar-lhe o alento.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u00a0<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Daqui, de ao p\u00e9 da tua Cruz de Luz,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Sem d\u00favida o lugar mais alto do mundo,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Mais alto e mais profundo,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">V\u00ea-se bem, com toda a claridade,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Que a lonjura do Advento n\u00e3o \u00e9 horizontal.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Eleva-se em altura.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Como a tua t\u00fanica tecida de Alto-a-baixo,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Vertical,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">E sem costura.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u00a0<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Tu vens do Alto, Senhor.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Tu vens de Deus.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Tu \u00e9s Deus.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Tu \u00e9s o Justo<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Que chove das alturas<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Sobre a nossa humanidade sedenta e \u00e0s escuras.<\/p>\n<p class=\"inline-ad-slot\" data-adtags-visited=\"true\" data-adtags-width=\"450\" id=\"inline-ad-2\">\u00a0<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u00a0<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Vem, Senhor Jesus,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Alumia e rega a nossa terra dura,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Acaricia o nosso humilde ch\u00e3o<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">E modela com as tuas m\u00e3os de amor<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Em cada um de n\u00f3s<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Um novo cora\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Capaz de ver.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Capaz de Te ver<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Nascer<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Em cada irm\u00e3o.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u00a0<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. \u00abPara v\u00f3s, Senhor, elevo a minha alma\u00bb (Salmo 25,1). 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