{"id":2106754918,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/7153-xvi-domingo-do-tempo-comum-guarda-no-ceu-o-teu-coracao"},"modified":"2025-11-07T16:33:04","modified_gmt":"2025-11-07T16:33:04","slug":"xvi-domingo-do-tempo-comum-guarda-no-ceu-o-teu-coracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/xvi-domingo-do-tempo-comum-guarda-no-ceu-o-teu-coracao\/","title":{"rendered":"XVI Domingo do Tempo Comum: \u00abGuarda no C\u00e9u o teu cora\u00e7\u00e3o\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031_160503044443.jpg\" \/><\/p>\n<p><p>1. O Cap\u00edtulo 13 do Evangelho de Mateus constitui o centro geogr\u00e1fico e teol\u00f3gico deste Evangelho, com as suas sete par\u00e1bolas do Reino de Deus, postas na boca de Jesus. \u00c9 o chamado \u00abDiscurso das Par\u00e1bolas do Reino\u00bb, o terceiro dos cinco grandes Discursos de Jesus neste Evangelho, depois do \u00abDiscurso da Montanha\u00bb e do \u00abDiscurso Mission\u00e1rio\u00bb. Neste Domingo XVI do Tempo Comum continuamos, pois, a ouvir o Discurso das Par\u00e1bolas do Reino iniciado por Jesus no Domingo passado, com a primeira par\u00e1bola, a par\u00e1bola da semente ou do semeador (Mateus 13,1-23). Hoje ouviremos as tr\u00eas par\u00e1bolas seguintes \u2013 do trigo e da ciz\u00e2nia (13,24-30), do gr\u00e3o de mostarda (13,31-32) e do fermento (13,33) \u2013, a que se segue, a pedido dos disc\u00edpulos, a explica\u00e7\u00e3o de Jesus acerca da par\u00e1bola do trigo e da ciz\u00e2nia (Mateus 13,36-43).<\/p>\n<p>2. Tal como a par\u00e1bola da semente, tamb\u00e9m a par\u00e1bola do trigo e da ciz\u00e2nia, que crescem juntos no campo, e que \u00e9 exclusiva de Mateus, \u00e9 grandemente ilustrativa e fortemente impressiva. O termo \u00abciz\u00e2nia\u00bb deriva do hebraico\u00a0<em>zun\u00eem<\/em>, que prov\u00e9m com certeza do verbo\u00a0<em>zanah<\/em>\u00a0[= prostituir-se]. A ciz\u00e2nia \u00e9, portanto, erva ruim e danosa no meio do trigo. A nossa impaci\u00eancia em esperar por mais tempo o Reino de Deus, que queremos que venha depressa e que tudo clarifique e resolva j\u00e1, leva-nos, na pessoa dos servos da par\u00e1bola, a propor ao propriet\u00e1rio do campo: \u00abQueres, ent\u00e3o, que vamos arranc\u00e1-la?\u00bb (Mateus 13,28b). E a resposta inesperada do propriet\u00e1rio: \u00abDeixai-os crescer ambos juntos at\u00e9 \u00e0 colheita\u00bb (Mateus 13,30a), deixa-nos desconcertados. E mais desconcertados ficamos, quando vimos a saber um pouco depois, na explica\u00e7\u00e3o da par\u00e1bola, que \u00aba colheita \u00e9 o fim do mundo\u00bb (Mateus 13,39b), e que s\u00f3 ent\u00e3o ser\u00e1 queimada a ciz\u00e2nia (Mateus 13,40) e os que praticam a iniquidade (Mateus 13,42).<\/p>\n<p>3. De notar que, tal como os servos da par\u00e1bola, e n\u00f3s com eles, tamb\u00e9m Jo\u00e3o Baptista era partid\u00e1rio de um julgamento j\u00e1 e em for\u00e7a, levado a efeito por um Messias justiceiro, sem d\u00f3 nem piedade. De facto, ele conta-se entre os servos que queriam queimar j\u00e1 a palha e a ciz\u00e2nia. Prestemos aten\u00e7\u00e3o aos termos e ao tom da sua prega\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>\u00abJ\u00e1 o machado est\u00e1 posto \u00e0 raiz das \u00e1rvores, e toda a \u00e1rvore que n\u00e3o produzir bom fruto ser\u00e1 cortada e lan\u00e7ada ao fogo\u00bb (Mateus 3,10).<\/p>\n<p>\u00abA p\u00e1 de joeirar est\u00e1 na sua m\u00e3o: ele purificar\u00e1 completamente a sua eira e recolher\u00e1 o seu trigo no celeiro; a palha, por\u00e9m, queim\u00e1-la-\u00e1 com fogo inextingu\u00edvel\u00bb (Mateus 3,12).<\/p>\n<p>4. A mesma linguagem, mas n\u00e3o as mesmas ideias, mostram o contraponto claro e inequ\u00edvoco do propriet\u00e1rio do campo, e, claro, de Jesus:<\/p>\n<p>\u00abDeixai \u201ccrescer juntamente\u201d (<em>synaux\u00e1nomai<\/em>) ambos at\u00e9 \u00e0 colheita, e, no tempo da colheita, direi aos ceifeiros: \u201cArrancai primeiro a ciz\u00e2nia, e juntai-a em feixes, para ser queimada; quanto ao trigo, recolhei-o no meu celeiro\u201d\u00bb (Mateus 13,30).<\/p>\n<p>Como se v\u00ea, pr\u00f3prio de Jesus, n\u00e3o \u00e9 a intoler\u00e2ncia, o j\u00e1 e em for\u00e7a, mas a mansid\u00e3o, a compreens\u00e3o, a conviv\u00eancia, a toler\u00e2ncia e a distens\u00e3o.<\/p>\n<p>5. Espantoso \u00e9 ainda o milagre do gr\u00e3o de mostarda. Pequenino. Pequenino. T\u00e3o pequenino que propriamente nem gr\u00e3o chega a ser. \u00c9 semelhante, no corpo e na cor, a caf\u00e9 mo\u00eddo, uma esp\u00e9cie de p\u00f3 de cor acastanhada que podemos espalhar na palma da m\u00e3o. Por\u00e9m, deitado \u00e0 terra, d\u00e1 corpo a uma \u00e1rvore grande, carregada de passarinhos que dela fazem a sua casa, e a enchem de m\u00fasica e de alegria. Assim \u00e9, para espanto nosso, o Reino dos C\u00e9us! E o fermento, igualmente pequenino, mas que leveda tr\u00eas medidas de farinha, mais ou menos o equivalente a 60 quilos de farinha! Tanta farinha d\u00e1 para alimentar, n\u00e3o uma fam\u00edlia da Palestina, mas umas 150 pessoas! \u00c9 do banquete do Reino dos C\u00e9us que se trata! E aquele \u00ab<em>at\u00e9 que<\/em>\u00a0tudo fique levedado\u00bb (Mateus 13,33) traz a Eucaristia para o quotidiano da vida de uma mulher e m\u00e3e de fam\u00edlia da Palestina, pois lembra o \u00ab<em>at\u00e9 que<\/em>\u00a0Ele venha\u00bb da celebra\u00e7\u00e3o da Ceia do Senhor (1 Cor\u00edntios 11,26), tal como fazemos neste Domingo.<\/p>\n<p>6. Quando a nossa for\u00e7a \u00e9 a norma que nos rege e nos domina, como afirmam os \u00edmpios no Livro da Sabedoria (2,11), e a prepotente Ass\u00edria em Isa\u00edas (10,13), ent\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o somos livres, mas escravos da for\u00e7a, dominados pela for\u00e7a. Estamos, de resto, habituados a ver como \u00e9 dif\u00edcil dominar a for\u00e7a: basta ver as for\u00e7as militares que os imp\u00e9rios deste mundo p\u00f5em no terreno, e que depois, mesmo querendo, como \u00e9 dif\u00edcil voltar atr\u00e1s! Mas o nosso Deus \u00e9 apresentado, na li\u00e7\u00e3o de hoje do Livro da Sabedoria (12,13.16-19), como aquele que \u00abdomina a for\u00e7a\u00bb (Sabedoria 12,18), que cuida de todos com carinho, a todos perdoa, e nos chama a ser amigos. Assim tamb\u00e9m o Esp\u00edrito, diz-nos hoje S. Paulo numa \u00abmigalhinha\u00bb da Carta aos Romanos (8,26-27), n\u00e3o grita, mas reza em n\u00f3s e por n\u00f3s, suavemente, com \u00abgemidos sem palavras\u00bb (<em>stenagmo\u00ees alal\u00eatois<\/em>) (Romanos 8,26). Trata-se, portanto, de uma lala\u00e7\u00e3o filial, em que conta e canta a ternura mais do que as palavras. \u00c9 assim que a \u00abmigalhinha\u00bb da Carta aos Romanos acomoda \u00e0 mesma mesa paterna os meninos e os passarinhos que descem dos ramos da \u00e1rvore da mostarda para habitar na tua casa (Salmo 84,4).<\/p>\n<p>7. Enfim, um grande Salmo (86) toma hoje conta de n\u00f3s, deixando a ressoar em n\u00f3s as notas da inteira liturgia, desde logo os atributos do nosso Deus, como um Deus de \u00abmiseric\u00f3rdia e de gra\u00e7a\u00bb (<em>rah\u00fbm w<sup>e<\/sup>han\u00fbn<\/em>) (Salmo 86,15), como repetidamente cantaremos no refr\u00e3o. Deixo aqui um pedacinho do coment\u00e1rio apaixonado de Santo Agostinho: \u00abSobre a terra, o cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o se corrompe, se o elevarmos para Deus. Se tens gr\u00e3o, vais guard\u00e1-lo no celeiro, para que n\u00e3o se estrague. E como poder\u00e1s, ent\u00e3o, deixar apodrecer o teu cora\u00e7\u00e3o, deixando-o na terra? Leva o teu gr\u00e3o para um plano superior, e eleva o teu cora\u00e7\u00e3o para o c\u00e9u!\u00bb.<\/p>\n<p>8. Talvez venham abrigar-se nele os p\u00e1ssaros do c\u00e9u! Talvez haja festa em tua casa!<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>No dia em que os passarinhos,<\/p>\n<p>Que n\u00e3o semeiam nem ceifam,<\/p>\n<p>Vieram cantar \u00e0 Catedral,<\/p>\n<p>Rodopiando,<\/p>\n<p>Felizes e contentes,<\/p>\n<p>L\u00e1 bem no alto,<\/p>\n<p>Junto aos coloridos tectos de Nasoni,<\/p>\n<p>Indiferentes ao outro canto do coral,<\/p>\n<p>Ou talvez com ele condizentes,<\/p>\n<p>Vi bem que era Deus que os recebia em sua casa,<\/p>\n<p>Coisa que, pelo que vi,<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m eles bem sabiam.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Era por isso que expressavam a sua alegria.<\/p>\n<p>Na verdade, reza o Salmo:<\/p>\n<p>\u00abNa Tua casa,<\/p>\n<p>\u00d3 Deus,<\/p>\n<p>At\u00e9 o passarinho encontrou abrigo,<\/p>\n<p>E a andorinha um ninho para os seus filhos\u00bb.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Felizes ent\u00e3o, Senhor,<\/p>\n<p>Os que moram na Tua casa,<\/p>\n<p>E se sentam \u00e0 Tua mesa,<\/p>\n<p>E se deliciam com a Tua Palavra,<\/p>\n<p>Saborosa e mansa,<\/p>\n<p>Como a chuva mansa,<\/p>\n<p>Que rega o ch\u00e3o e faz germinar o p\u00e3o,<\/p>\n<p>Que rega o cora\u00e7\u00e3o e faz germinar a convers\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Como no dia<\/p>\n<p>Em que os passarinhos vieram cantar \u00e0 Catedral,<\/p>\n<p>E receber da Tua m\u00e3o<\/p>\n<p>Uma migalhinha de p\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. 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