{"id":210886032,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/9744-nossa-senhora-da-assuncao"},"modified":"2025-11-07T16:33:40","modified_gmt":"2025-11-07T16:33:40","slug":"nossa-senhora-da-assuncao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/nossa-senhora-da-assuncao\/","title":{"rendered":"Nossa Senhora da Assun\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031.jpg\" \/><\/p>\n<p><p data-adtags-visited=\"true\">1. Ainda que com t\u00edtulos diferentes, mas com temas e conte\u00fados id\u00eanticos, as Igrejas do Oriente e do Ocidente, portanto a Igreja inteira, a Una e Santa, celebra no dia 15 de Agosto a maior e mais antiga festa da M\u00e3e de Deus, a Virgem Santa Maria. No Oriente, \u00e9 a festa da \u00abDormi\u00e7\u00e3o\u00bb (<em>ko\u00edm\u00easis<\/em>), enquanto que, no Ocidente, prevalece a tonalidade da \u00abAssun\u00e7\u00e3o\u00bb (<em>an\u00e1l\u00eampsis<\/em>).<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">2. O Evangelho deste grande Dia relata o bel\u00edssimo epis\u00f3dio da \u00abVisita\u00e7\u00e3o\u00bb (Lucas 1,39-45) seguido do c\u00e2ntico da \u00abExulta\u00e7\u00e3o\u00bb ou \u00ab<em>Magnificat<\/em>\u00bb (Lucas 1,46-56). Note-se outra vez uma pequena diferen\u00e7a de tonalidade: o epis\u00f3dio evang\u00e9lico que o Ocidente conhece por \u00abVisita\u00e7\u00e3o\u00bb, recebe no Oriente o nome de \u00abSauda\u00e7\u00e3o\u00bb (<em>aspasm\u00f3s<\/em>). E o epis\u00f3dio que precede e motiva esta \u00abVisita\u00e7\u00e3o\u00bb ou \u00abSauda\u00e7\u00e3o\u00bb recebe no Ocidente o nome de \u00abAnuncia\u00e7\u00e3o\u00bb e no Oriente o nome de \u00abEvangeliza\u00e7\u00e3o\u00bb (<em>euangelism\u00f3s<\/em>) (Lucas 1,26-38). Verdadeiramente \u00e9 a Leveza e a Alegria em tr\u00e2nsito, a caminho, ao ritmo do vento do Esp\u00edrito, m\u00fasica nova, inef\u00e1vel e bendita. Vinda de Deus at\u00e9 Maria, at\u00e9 Isabel, at\u00e9 Jo\u00e3o Baptista, outra vez at\u00e9 Deus. Lembra uma pequena par\u00e1bola rab\u00ednica que, quando David andava fugido de Saul, buscando ref\u00fagio nas montanhas (1 Samuel 22 e seguintes), um dia dependurou a sua harpa numa \u00e1rvore, e adormeceu. Mas o vento, passando, fez as cordas da harpa exalar uma suave melodia. Verdadeira m\u00fasica do Esp\u00edrito.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">3. \u00c9 igualmente sugestiva a intui\u00e7\u00e3o dos Mestres judaicos, registrada por Martin Buber nos seus \u00abContos dos Justos\u00bb. Citando o Salmo 147,1, em que se l\u00ea: \u00ab\u00c9 bom cantar ao nosso Deus\u00bb, Buber apresenta logo a bela interpreta\u00e7\u00e3o que Rabb\u00ed Elimelek dava deste vers\u00edculo: \u00ab\u00c9 bom se o homem faz cantar Deus nele\u00bb. M\u00fasica divina. Assim Maria correndo sobre os montes e saudando Isabel, em casa de quem permanece cerca de tr\u00eas meses, e cantando as maravilhas de Deus no\u00a0<em>Magnificat<\/em>, assim Isabel bendizendo Maria e bendizendo Deus, assim Jo\u00e3o Batista, dan\u00e7ando ao som dessa nova m\u00fasica inef\u00e1vel, no ventre de Isabel.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">4. Maria correndo sobre os montes: feliz evoca\u00e7\u00e3o do mensageiro de boas not\u00edcias de Isa\u00edas 52,7: \u00abComo s\u00e3o belos sobre os montes os p\u00e9s do mensageiro que anuncia boas novas a Si\u00e3o\u2026\u00bb. Feliz evoca\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m do amado do C\u00e2ntico dos C\u00e2nticos 2,8, assim cantado pela amada: \u00abA voz do meu amado: ei-lo que vem correndo sobre os montes\u00bb. Assim, com este simples acorde montanhoso, o narrador e grande retratista do terceiro Evangelho tra\u00e7a o perfil de Maria movida, n\u00e3o por uma pressa qualquer, mas por uma grande not\u00edcia e pelo amor. A aclama\u00e7\u00e3o de Isabel: \u00abBendita tu entre as mulheres e bendito o fruto do teu ventre\u00bb [= \u00abBendita tu e bendito Deus\u00bb], lembra o duplo \u00abBendito\u00bb na aclama\u00e7\u00e3o de Judite (13,18). A locu\u00e7\u00e3o maravilhada de Isabel: \u00abE de onde me \u00e9 dado que venha ter comigo a M\u00e3e do meu Senhor?\u00bb (Lucas 1,43), remete para o at\u00f3nito dizer de David: \u00abE de onde me \u00e9 dado que venha ao meu encontro a Arca do Senhor?\u00bb (2 Samuel 6,9). E a \u00abdan\u00e7a de Jo\u00e3o\u00bb reclama a dan\u00e7a de David na presen\u00e7a da Arca do Senhor (2 Samuel 6,5.14.16.21). E os \u00abcerca de tr\u00eas meses\u00bb de perman\u00eancia de Maria em casa de Isabel, regressando ent\u00e3o a sua casa (Lucas 1,56), n\u00e3o s\u00e3o, como vulgarmente se pensa, para indicar que Maria est\u00e1 presente no nascimento de Jo\u00e3o Baptista, pois este apenas \u00e9 narrado no vers\u00edculo seguinte (Lucas 1,57). \u00c9, antes, outra vez o acerto com a Arca do Senhor, que permanece cerca de tr\u00eas meses na casa de Obed-Edom (2 Samuel 6,11). Os acordes textuais evidentes mostram Maria como a Arca da Alian\u00e7a, como, de resto, \u00e9 aclamada pelo Povo de Deus, quando recita a ladainha de Nossa Senhora.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">5. O que verdadeiramente me extasia e inebria \u00e9 esta m\u00fasica outra, ventilando as cordas do nosso humano, e quase sempre orgulhoso, cora\u00e7\u00e3o. Vem outra vez a prop\u00f3sito a velha sabedoria judaica, que nos legou esta bela pequena hist\u00f3ria: \u00abConta-se que, quando David terminou o Livro dos Salmos, se sentiu muito orgulhoso. Ent\u00e3o disse para Deus: \u201cSenhor do mundo, quem de entre todos os seres que criaste, canta melhor do que eu a tua gl\u00f3ria?\u201d. Naquele momento, apareceu uma r\u00e3 que lhe disse: \u201cDavid, n\u00e3o te envaide\u00e7as. Eu canto melhor do que tu a gl\u00f3ria de Deus\u201d\u00bb (<em>Sefer ha-Haggadah<\/em>, 89b).<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">6. A\u00ed est\u00e1, a descoberto, na li\u00e7\u00e3o do Livro do Apocalipse (11,19; 12,1-6.10), a Arca da Alian\u00e7a, a Mulher messi\u00e2nica, a Igreja, Maria, gr\u00e1vida de um Filho que nasceu, \u00absinal\u00bb para sempre aceso e leg\u00edvel da presen\u00e7a viva e ativa de Deus no meio de n\u00f3s, como a luz de uma vela, para a celebra\u00e7\u00e3o festiva dos filhos de Deus reunidos. Avista-se, por\u00e9m, outro \u00absinal\u00bb de sinal contr\u00e1rio, que serve para nos manter unidos e atentos no meio das dificuldades e persegui\u00e7\u00f5es desta vida, que, todavia, n\u00e3o devem toldar-nos a vista da salva\u00e7\u00e3o e da vit\u00f3ria, claramente a descoberto no horizonte onde brilha a esperan\u00e7a: \u00abAgora cumpriu-se a salva\u00e7\u00e3o, a for\u00e7a e o reino do nosso Deus e a autoridade do seu Cristo\u00bb (Apocalipse 12,10).<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">7. O final da Primeira Carta aos Cor\u00edntios (15,20-27) p\u00f5e um imenso selo de luz e de esperan\u00e7a na celebra\u00e7\u00e3o luminosa deste Dia. Com a Ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo salta \u00e0 vista a poeira de toda a iniquidade e falsidade e morte, e j\u00e1 se v\u00ea a \u00abassun\u00e7\u00e3o\u00bb da nossa fr\u00e1gil humanidade em Cristo e por Cristo at\u00e9 Deus Pai. \u00abCristo foi ressuscitado (<em>eg\u00eagertai<\/em>: perf. pass. de\u00a0<em>ege\u00edr\u00f4<\/em>) dos mortos,\u00a0<em>prim\u00edcias<\/em>\u00a0(<em>aparch\u00ea<\/em>) dos que adormeceram\u00bb (1 Cor\u00edntios 15,20). Ele \u00e9, portanto, o\u00a0<em>primeiro<\/em>\u00a0Homem a ser ressuscitado. E se \u00e9 o primeiro e prim\u00edcias, ent\u00e3o representa-nos a todos e constitui promessa e certeza para todos. Nele a morte foi vencida para todos. A esperan\u00e7a fundamenta-se na certeza deste Acontecimento principal da Vida do Senhor, que d\u00e1 significado a todos os outros acontecimentos da sua Vida, ao inteiro Antigo Testamento, \u00e0 Igreja e \u00e0 vida de todos os homens.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">8. O bel\u00edssimo Canto de Amor, que \u00e9 o Salmo 45, serve hoje para celebrar a Igreja Esposa e M\u00e3e, e Maria Esposa e M\u00e3e. Este belo hino, como o C\u00e2ntico dos C\u00e2nticos, canta o Amor, que \u00e9 sempre divino e humano. Na verdade, no amor humano pode ler-se o amor revelado por Deus, pelo que, se existe o amor, existe Deus. N\u00e3o admira, por isso, que este Salmo tenha sido interpretado em clave messi\u00e2nica quer no juda\u00edsmo quer no cristianismo.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">9. Pela Constitui\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica\u00a0<em>Munificentissimus Deus<\/em>, de 1 de Novembro de 1950, o Papa Pio XII proclamava a Assun\u00e7\u00e3o da Virgem Maria como dogma de f\u00e9. Mas \u00e9 desde os primeiros s\u00e9culos do Cristianismo que o Povo de Deus aclama, proclama e vive com amor intenso esta realidade. Quantas igrejas, par\u00f3quias e dioceses a t\u00eam como Padroeira! E, neste particular, este recanto Peninsular, terra de Santa Maria, n\u00e3o podia ser exce\u00e7\u00e3o. O Povo de Deus desde muito cedo aclamou a Assun\u00e7\u00e3o de Maria, M\u00e3e de Deus e esperan\u00e7a da nossa fr\u00e1gil humanidade.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">10. Um lugar guarda esta mem\u00f3ria em Jerusal\u00e9m. \u00c9 preciso descer ao vale que corre a Oriente da cidade, o famoso vale do C\u00e9dron. Deixando \u00e0 direita o Gets\u00e9mani com as suas oliveiras seculares e a Bas\u00edlica da Agonia de Jesus, muito pr\u00f3ximo da Gruta dos Ap\u00f3stolos ou da Pris\u00e3o de Jesus, chega-se a um p\u00e1tio pavimentado que d\u00e1 para uma monumental fachada, que \u00e9 o que resta de uma grande Igreja a\u00ed constru\u00edda pelos Cruzados. Por detr\u00e1s dessa fachada, estende-se uma escadaria que nos leva a uma cripta situada nas entranhas do vale do C\u00e9dron. \u00c9 esta cripta que guarda um t\u00famulo do s\u00e9culo I, que a tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 identifica com o t\u00famulo de Maria, em forma de banco escavado na rocha, e que se apresenta bastante degradado devido \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o dos peregrinos que, ao longo dos tempos, n\u00e3o resistiram a levar consigo um pedacinho da rocha que esteve em contacto com o corpo da \u00abBendita\u00bb.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">11. No dia da Solenidade da Assun\u00e7\u00e3o, \u00e9 comovente ver aquela escadaria escura iluminada como um tapete de luz, devido \u00e0s velas que os fi\u00e9is colocam em cada degrau. Conduzindo embora para um t\u00famulo, a sensa\u00e7\u00e3o que se cria \u00e9 que aquela escadaria descendente, feita tapete de luz, abre para uma\u00a0<em>ianua coeli<\/em>, \u00abporta do c\u00e9u\u00bb, como tamb\u00e9m cantamos na litania de Maria.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">12. No seguimento l\u00f3gico da Assun\u00e7\u00e3o de Maria, a Igreja celebra oito dias depois, em 22 de Agosto, a Mem\u00f3ria da Virgem Santa Maria, Rainha, proclama\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m devida a Pio XII, atrav\u00e9s da Carta Enc\u00edclica\u00a0<em>Ad Coeli Reginam<\/em>, de 11 de Outubro de 1954. M\u00e3e Elevada aos C\u00e9us, mas M\u00e3e que vela carinhosamente pelos seus filhos. O Rei e a Rainha n\u00e3o s\u00e3o, na B\u00edblia, t\u00edtulos de nobreza, mas traduzem a dupla fun\u00e7\u00e3o de quem deve estar particularmente pr\u00f3ximo de Deus e particularmente pr\u00f3ximo dos homens. Para acolher de perto toda a Palavra que vem do cora\u00e7\u00e3o de Deus, e para trazer \u00e0 humanidade a prosperidade, o bem-estar e a felicidade. Tal \u00e9 a fun\u00e7\u00e3o do Rei e da Rainha.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u00a0<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Nossa Senhora da Assun\u00e7\u00e3o,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Santa Maria do ver\u00e3o,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Ao c\u00e9u elevada,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u00c0 minha beira sentada,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Com sua roca de linho,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">E um novelo inteiro de carinho.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u00a0<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Olha por n\u00f3s,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Senhora da Assun\u00e7\u00e3o,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">N\u00e3o nos deixes s\u00f3s,\u00a0<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">D\u00e1-nos sempre a m\u00e3o,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Vela pelos velhinhos,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Nesta hora de pandemia,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">N\u00e3o nos deixes morrer<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Por m\u00edngua de ora\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Ou de alegria.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u00a0<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Envolve-nos, Senhora,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">No teu manto,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">No teu manto de luz,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Que nos alumia,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">E mostra-nos Jesus,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Que alivia<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">As nossas dores<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">E os nossos temores<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">No meio desta pandemia.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Ave-Maria!<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u00a0<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. 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