{"id":2142689172,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/8897-domingo-xxvi-do-tempo-comum-lazaro-tem-de-sair-outra-vez-da-parabola"},"modified":"2025-11-07T16:33:33","modified_gmt":"2025-11-07T16:33:33","slug":"domingo-xxvi-do-tempo-comum-lazaro-tem-de-sair-outra-vez-da-parabola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/domingo-xxvi-do-tempo-comum-lazaro-tem-de-sair-outra-vez-da-parabola\/","title":{"rendered":"Domingo XXVI do Tempo Comum: \u00abL\u00e1zaro tem de sair outra vez da Par\u00e1bola\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031.jpg\" \/><\/p>\n<p><p>1. A par\u00e1bola que nos \u00e9 dado escutar neste Domingo XXVI do Tempo Comum, conhecida por \u00abO rico avarento e o pobre L\u00e1zaro\u00bb, narrada em Lucas 16,19-31, tem duas coisas \u00fanicas: a primeira reside no facto de ser a \u00fanica par\u00e1bola de Jesus em que uma personagem ostenta nome pr\u00f3prio, L\u00e1zaro, nome emblem\u00e1tico que significa \u00abDeus ajuda\u00bb; a segunda tem a ver com o facto de que Jesus n\u00e3o d\u00e1 qualquer explica\u00e7\u00e3o da par\u00e1bola, nenhuma chave de interpreta\u00e7\u00e3o nos \u00e9 dada por Ele.<\/p>\n<p>2. A par\u00e1bola mostra em clar\u00edssimo contraponto um RICO e um POBRE, de nome L\u00c1ZARO. Do RICO \u00e9 dito que se vestia luxuosamente de p\u00farpura e linho fino, em contraponto com o POBRE L\u00c1ZARO que se apresentava coberto ou vestido de chagas. Do RICO \u00e9 dito que se banqueteava sumptuosamente, em contraponto com o POBRE L\u00c1ZARO, esfomeado, que bem desejava comer os restos do miolo do p\u00e3o com que o RICO limpava a gordura das suas m\u00e3os, de que resultavam pequenas bolas, que atirava depois aos c\u00e3es!<\/p>\n<p>3. O RICO \u00e9 absolutamente insens\u00edvel, apresentado em contraponto at\u00e9 com os pr\u00f3prios c\u00e3es, que lambiam as chagas do POBRE L\u00c1ZARO! A quest\u00e3o de fundo nem est\u00e1 em que o RICO hostilize o POBRE. Est\u00e1 em que nem sequer o v\u00ea!<\/p>\n<p>4. Enfim, morre o POBRE L\u00c1ZARO e morre tamb\u00e9m o RICO, e o nevoeiro come\u00e7a a dissipar-se. L\u00c1ZARO \u00e9 acolhido no seio luminoso de Abra\u00e3o. O RICO cai nos bra\u00e7os de um lume inextingu\u00edvel que o aperta e atormenta.<\/p>\n<p>5. \u00c9 ent\u00e3o que o RICO levanta os olhos, e come\u00e7a a ver alguma coisa para al\u00e9m de si mesmo. Mas o que v\u00ea, ou quem v\u00ea, \u00e9 ainda para tentar p\u00f4r ao servi\u00e7o do seu \u00abeu\u00bb muito autorreferencial. \u00c9 assim que v\u00ea finalmente, s\u00f3 agora, o pai Abra\u00e3o e L\u00c1ZARO. A Abra\u00e3o v\u00ea-o como pai (Lucas 16,24). Mas ao POBRE L\u00c1ZARO ainda n\u00e3o o consegue ver como um irm\u00e3o, mas apenas como um servo que agora lhe pode ser \u00fatil. Primeiro, para refrescar a l\u00edngua do RICO (Lucas 16,24). Depois, para avisar os cinco irm\u00e3os do RICO, ricos, insens\u00edveis e insensatos como ele (Lucas 16,27-28). O RICO continua afinal a pensar nos RICOS, e ainda se quer servir, para esse efeito, dos pobres\u2026<\/p>\n<p>6. A resposta de Abra\u00e3o \u00e9 esclarecedora e decisiva. H\u00e1 um abismo entre n\u00f3s e v\u00f3s. Claro que o abismo que AGORA n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel transpor \u00e9 o abismo cavado em vida pelo RICO separando-se do POBRE. \u00c9, portanto, HOJE que o RICO deve ouvir a voz do POBRE. \u00c9, portanto, HOJE que o RICO deve escutar Mois\u00e9s e os Profetas.<\/p>\n<p>7. A par\u00e1bola \u00e9 imensa. \u00c9 como uma faca apontada ao cora\u00e7\u00e3o dos RICOS de hoje, que continuar\u00e3o a fazer as suas reuni\u00f5es faustosas e vistosas, mas continuar\u00e3o a n\u00e3o cumprir sequer os \u00abObjetivos de Desenvolvimento do Mil\u00e9nio\u00bb, estabelecidos em 2000 para erradicar doen\u00e7as e reduzir para menos de metade a pobreza extrema. A pobreza afinal \u00e9 dos outros, que n\u00f3s n\u00e3o conhecemos de lado nenhum, ainda que estejam doentes e esfomeados ali mesmo \u00e0 nossa porta! Pensam como o RICO da par\u00e1bola.<\/p>\n<p>8. Lembremo-nos de que, no imagin\u00e1rio da Idade M\u00e9dia, o POBRE L\u00c1ZARO, que significa \u00abDeus ajuda\u00bb, saiu para fora da par\u00e1bola e se transformou numa personagem hist\u00f3rica, padroeiro dos leprosos e mendigos. \u00c9 assim que nascem os \u00abLazaretos\u00bb, edif\u00edcios destinados a albergar e tratar os deserdados e doentes. E, no s\u00e9culo XVII, S. VICENTE DE PAULO, cuja mem\u00f3ria a Igreja celebra em 27 de Setembro, que dedicou toda a sua vida aos pobres, fundou os Padres LAZARISTAS (sempre sobre a mem\u00f3ria do POBRE L\u00c1ZARO), para continuar essa bela miss\u00e3o de tratar os pobres com carinho. E, no s\u00e9culo XIX, o beato FR\u00c9D\u00c9RIC OZANAM fundou as CONFER\u00caNCIAS VICENTINAS, que alicer\u00e7ou sobre uma frase de S. VICENTE DE PAULO: \u00abA caridade \u00e9 inventiva at\u00e9 ao infinito\u00bb.<\/p>\n<p>9. Est\u00e1 \u00e0 vista, irm\u00e3os, que o POBRE L\u00c1ZARO tem de voltar a sair da par\u00e1bola para nos incomodar e nos colocar todos os dias no caminho da criatividade da Caridade!<\/p>\n<p>10. E a\u00ed temos outra vez Am\u00f3s (6,1-7) a bater \u00e0 nossa porta, a desassossegar o nosso sossego, a desmoronar os nossos belos pal\u00e1cios de marfim, a surpreender-nos enfartados e b\u00eabados, deitados por a\u00ed em qualquer div\u00e3. O retrato feito nos vv. 4-6 \u00e9 considerado como a melhor e mais ampla descri\u00e7\u00e3o da vida luxuosa dos ricos em todo o Antigo Testamento. Estendidos, isto \u00e9, reclinados (ver tamb\u00e9m Am\u00f3s 2,8), para comer e beber, n\u00e3o o p\u00e3o e o vinho da b\u00ean\u00e7\u00e3o de Deus e da partilha com os necessitados, mas o p\u00e3o do crime e o vinho da viol\u00eancia (Prov\u00e9rbios 4,17). Mas tamb\u00e9m semelhantes \u00e0 palha, deitada, e n\u00e3o de p\u00e9, como a \u00e1rvore plantada, de acordo com as imagens vegetais utilizadas no Salmo 1 para retratar o insensato em confronto com o justo. A \u00e1rvore plantada, portanto, de p\u00e9, est\u00e1 viva, respira o vento, d\u00e1 fruto. A palha, essa, est\u00e1 deitada, \u00e9 levada pelo vento, n\u00e3o d\u00e1 fruto, mas \u00e9 a casca do fruto. Ricos, orgulhosos, altivos, atulhados de excessos, de luxos e de lixos, mas completamente indiferentes aos pobres \u2013 \u00abn\u00e3o se afligem com a ru\u00edna de Jos\u00e9\u00bb (6,6) \u2013, o retrato tra\u00e7ado desta confraria dos \u00abestendidos\u00bb s\u00f3 \u00e9 compar\u00e1vel, porventura, com a par\u00e1bola lucana do rico e do pobre L\u00e1zaro, que hoje tamb\u00e9m tivemos a gra\u00e7a de ouvir nos nossos ouvidos. Mas a\u00ed est\u00e3o tamb\u00e9m j\u00e1 os Ass\u00edrios para p\u00f4r fim \u00e0quilo que tantas vezes julgamos segur\u00edssimo, sen\u00e3o eterno. Sim, os habitantes da Samaria ir\u00e3o nus e descal\u00e7os para o ex\u00edlio na Ass\u00edria. E um dia h\u00e3o de chegar os arque\u00f3logos, que descobrir\u00e3o debaixo das ru\u00ednas os restos deste mundo podre e dissoluto!<\/p>\n<p>11. E a solene exorta\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo a Tim\u00f3teo, seu disc\u00edpulo dileto, que hoje nos visita outra vez (1 Tim\u00f3teo 6,11-16). Come\u00e7a o v. 11a, com uma forte advert\u00eancia a Tim\u00f3teo a fugir destas coisas. Quais coisas? \u00c9 preciso visitar atr\u00e1s os vv. 4-6, onde se encontra um elenco de v\u00edcios, como o orgulho, controv\u00e9rsias, conflitos de palavras, inveja, contendas, blasf\u00e9mias, m\u00e1s suposi\u00e7\u00f5es, lutas infind\u00e1veis, a piedade como fonte de lucro. No v. 7, encontramos esta verdade: \u00abNada trouxemos para o mundo, nem dele coisa alguma podemos levar\u00bb. E ainda a grande sabedoria condensada no v. 10: \u00abA raiz de todos os males \u00e9 o dinheiro\u00bb. Ora bem, \u00e9 disto tudo que Tim\u00f3teo deve fugir, para perseguir um elenco de virtudes, como a justi\u00e7a, a piedade, a f\u00e9, o amor, a paci\u00eancia, a mansid\u00e3o (v. 11b). Paulo exorta depois Tim\u00f3teo a combater (<em>ag\u00f4n\u00edz\u00f4<\/em>) o bom e belo combate (<em>ag\u00f4n<\/em>) da f\u00e9, para conquistar a vida eterna (v. 12a), e a fazer uma boa e bela profiss\u00e3o de f\u00e9 (<em>homolog\u00eda<\/em>), como Jesus Cristo fez diante de Pilatos (vv. 12b-13).<\/p>\n<p>12. \u00c9 assim que o Salmo 146, que \u00e9 uma esp\u00e9cie de carrilh\u00e3o musical, nos convida a cantar os \u00abdoze bel\u00edssimos nomes\u00bb de Deus, decalcando aqui a express\u00e3o mu\u00e7ulmana que exalta os \u00ab99 bel\u00edssimos nomes\u00bb de Allah. \u00c9 claro que os doze nomes que passaremos em revista n\u00e3o celebram tanto a ess\u00eancia divina, mas a sua a\u00e7\u00e3o em favor das suas criaturas, sobretudo dos mais pobres e desfavorecidos. \u00c9 assim que o Salmo evoca o Deus que fez o c\u00e9u, a terra, o mar, o Deus Criador (1), o Deus da verdade (<em>?emet<\/em>) (2), o Deus que faz justi\u00e7a aos oprimidos, defensor dos \u00faltimos (3), que d\u00e1 p\u00e3o aos famintos (4), que liberta os prisioneiros (5), que abre os olhos aos cegos (6), que levanta os abatidos (7), que ama os justos (8), que protege os estrangeiros (9), que sustenta o \u00f3rf\u00e3o e a vi\u00fava (10), que entrava o caminho dos \u00edmpios (11), o Deus que reina eternamente (12). Este maravilhoso Salmo ajuda-nos a saborear musicalmente toda a liturgia de hoje.<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. 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