{"id":2195704267,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/13724-domingo-i-da-quaresma-ultrapassar-a-prova-professando-a-fe"},"modified":"2025-11-07T16:34:04","modified_gmt":"2025-11-07T16:34:04","slug":"domingo-i-da-quaresma-ultrapassar-a-prova-professando-a-fe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/domingo-i-da-quaresma-ultrapassar-a-prova-professando-a-fe\/","title":{"rendered":"Domingo I da Quaresma: \u00abUltrapassar a prova, professando a f\u00e9\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031_160503044443.jpg\" \/><\/p>\n<p><p data-adtags-visited=\"true\">Dt 26,4-10; Sl 91; Rm 10,8-13; Lc 4,1-13<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">1. S\u00f3 secundariamente a Quaresma \u00abprepara\u00bb para a Ressur\u00adrei\u00e7\u00e3o do Senhor. Na verdade, todos os \u00abTempos\u00bb e todos os Domingos do Ano Lit\u00fargico, portanto, tamb\u00e9m a Quaresma e os seus Domingos, est\u00e3o\u00a0<em>depois<\/em>\u00a0da Ressurrei\u00e7\u00e3o e\u00a0<em>por causa<\/em>\u00a0da Ressurrei\u00e7\u00e3o. E \u00e9 s\u00f3 sob a intensa luz do Senhor Ressusci\u00adtado com o Esp\u00edrito Santo (Batismo consumado: Lucas 12,49?50) que a Igreja, e cada um de n\u00f3s, pode celebrar autenti\u00adcamente a sua f\u00e9, proceder \u00e0 correta \u00ableitura\u00bb das Escri\u00adturas e encetar a \u00abcaminhada\u00bb quaresmal. Neste sentido, todos os batizados s\u00e3o chamados a refazer com Cristo bati\u00adzado o seu programa batismal, cujo conte\u00fado e itiner\u00e1rio conhecemos: desde o Batismo no Jord\u00e3o, passando pela Trans\u00adfigura\u00e7\u00e3o no Tabor, at\u00e9 \u00e0 Cruz e\u00e0 Gl\u00f3ria da Ressurrei\u00e7\u00e3o (Batismo consumado!), escutando e anunciando sempre e cada vez mais intensamente o Evangelho do Reino e fazendo sempre e cada vez mais intensamente as \u00abobras\u00bb do Reino (Atos dos Ap\u00f3stolos 10,37-43: texto emblem\u00e1tico). Por sua vez, os catec\u00famenos, acompanhados sempre pela Assembleia dos batizados, \u00abpre\u00adparam?se\u00bb intensamente para a Noite Pascal Batismal, in\u00edcio e meta da vida crist\u00e3. Assim, a Igreja Santa, toda Batizada e Crismada, sabe bem que \u00e9 dali, daquela Cruz Santa e Gloriosa, e da enxurrada de Vida Nova, Ressuscitada, e da d\u00e1diva do Esp\u00edrito que dela jorra, que nos \u00e9 oferecida a \u00abconsuma\u00e7\u00e3o\u00bb (<em>tele\u00ed\u00f4sis<\/em>) (cf. Jo\u00e3o 19,28-30), o cumprimento, a chegada \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o da nossa vida, deste segmento de tempo que, por gra\u00e7a, nos \u00e9 dado viver.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">2. Cumprido o ritual da \u00abApresenta\u00e7\u00e3o de Jesus ao Senhor, seu Deus\u00bb, no Templo de Jerusal\u00e9m, 40 dias ap\u00f3s o seu nascimento, tudo conforme a Lei de Mois\u00e9s e de Deus (Lucas 2,22-39a), Jesus \u00e9 levado para a Galileia, para a sua cidade de Nazar\u00e9 (Lucas 2,39b). De l\u00e1 regressa a Jerusal\u00e9m, juntamente com Jos\u00e9 e Maria, quando tinha completado 12 anos, para a festa de peregrina\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa (Lucas 2,41-50). Depois de algumas perip\u00e9cias e importantes sinais, regressa de novo a Nazar\u00e9 (Lucas 2,51). Salta entretanto para a cena Jo\u00e3o Batista, que vai para o deserto, do outro lado do Jord\u00e3o, e a\u00ed prega a Boa Nova e batiza as multid\u00f5es, alguns publicanos e os soldados, e anuncia a vinda iminente do Messias (Lucas 3,1-18). Foi entretanto preso por Herodes Antipas, filho de Herodes o Grande, que, no dizer de Fl\u00e1vio Josefo, o meteu na fortaleza de Maqueronte (Lucas 3,19-20). Diz-se logo de seguida (Lucas 3,21-22) que Jesus tamb\u00e9m foi batizado, assumindo o batismo de Jesus algumas particularidades: 1) n\u00e3o foi batizado por Jo\u00e3o Batista, que j\u00e1 tinha sido preso; 2) logo ap\u00f3s o batismo, Jesus encontrava-se em ora\u00e7\u00e3o, como ali\u00e1s sucede muitas vezes neste Evangelho (cf. 5,6; 6,12; 9,18.28-29; 11,1; 22,41.44.45; 23,34.46); 3) o c\u00e9u abre-se, pondo em comunica\u00e7\u00e3o o mundo divino e o humano; 4) o Esp\u00edrito Santo desceu sobre ele; 5) do c\u00e9u veio uma voz: \u00abTu \u00e9s o Filho meu, o Amado, em ti me comprazo\u00bb. Em Lucas (3,22), como em Marcos (1,11), a voz do c\u00e9u faz-se ouvir em 2.\u00aa pessoa: \u00ab<em>Tu \u00e9s<\/em>\u00a0(<em>s\u00f9 e\u00ee<\/em>) o Filho meu, o Amado, em ti me comprazo\u00bb. Importa, pois, salientar desde j\u00e1 esta vincula\u00e7\u00e3o do Pai e do Filho, bem como a sua proximidade e intimidade (s\u00f3 entre os dois; n\u00e3o se trata de uma declara\u00e7\u00e3o p\u00fablica). Do Pai, que fala diretamente para o seu Filho a quem declara o seu amor e comprazimento. Do Filho, que n\u00e3o age por conta pr\u00f3pria, mas faz a vontade do Pai. Em Mateus 3,17, de forma diferente, a voz do c\u00e9u faz-se ouvir em 3.\u00aa pessoa, constituindo, a\u00ed sim, uma declara\u00e7\u00e3o p\u00fablica (Deus d\u00e1 a conhecer o seu Filho): \u00ab<em>Este \u00e9<\/em>\u00a0(<em>hout\u00f3s estin<\/em>) o Filho meu, o Amado, em quem me comprazo\u00bb. \u00c9 importante apercebermo-nos ent\u00e3o de que, em Mateus, este dizer do Pai se dirige a n\u00f3s, revela\u00e7\u00e3o ou proclama\u00e7\u00e3o a n\u00f3s feita, pois a voz do C\u00e9u faz-se ouvir em 3.\u00aa pessoa: \u00ab<em>Este \u00e9<\/em>\u00a0o Filho meu, o Amado, em quem me comprazo\u00bb, ao contr\u00e1rio do que sucede em Marcos e Lucas, em que temos um Tu-a-Tu, e n\u00e3o uma declara\u00e7\u00e3o ou instru\u00e7\u00e3o para n\u00f3s.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">3. Os \u00faltimos vers\u00edculos de Lucas 3,23-38 narram a genealogia de Jesus, confirmando a voz celeste (Lucas 3,22) acerca da filia\u00e7\u00e3o divina de Jesus. N\u00e3o \u00e9 inten\u00e7\u00e3o da genealogia a exatid\u00e3o hist\u00f3rica, mas mostrar a perten\u00e7a de Jesus ao povo eleito. Todavia, a genealogia apresentada por Lucas mostra-se totalmente original. De facto, todas as genealogias (tamb\u00e9m a de Mateus 1,1-17) apresentam forma descendente, segundo o esquema X gerou Y. Lucas, ao contr\u00e1rio (e \u00e9 o \u00fanico em toda a B\u00edblia), segue um esquema ascendente, tipo Y filho de X. Por que \u00e9 que Lucas procede assim? Porque lhe interessa mais o estatuto do filho que o do pai, acentuando assim a dupla origem, humana e divina, de Jesus. Neste seu procedimento, Lucas enumera 77 gera\u00e7\u00f5es, e, outra vez ao contr\u00e1rio de Mateus, n\u00e3o nomeia nenhuma mulher. Vai diretamente a Ad\u00e3o, \u00abo pai do mundo\u00bb (Sabedoria 10,1), e depois, de forma surpreendente, a Deus. Com esta estrat\u00e9gia, Lucas consegue inserir a origem de Jesus dentro da cria\u00e7\u00e3o. Deus \u00e9 o criador de Ad\u00e3o e de cada ser humano (Atos dos Ap\u00f3stolos 17,29). Ent\u00e3o, Jesus \u00e9 \u00abverdadeiro homem\u00bb, est\u00e1 dentro da humanidade. Neste dom\u00ednio, em que a rela\u00e7\u00e3o entre Deus e Ad\u00e3o \u00e9 claramente evocada, compreende-se tamb\u00e9m a particular rela\u00e7\u00e3o da filia\u00e7\u00e3o divina de Jesus, de que j\u00e1 falaram Gabriel (cf. Lucas 1,35) e a voz vinda do c\u00e9u (cf. Lucas 3,22).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">4. Batizado com o Esp\u00edrito Santo que desce sobre Ele, restabelecida a comunh\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o entre o c\u00e9u e a terra, o divino e o humano, e recebendo diretamente do Pai os t\u00edtulos de \u00abo Filho meu\u00bb, \u00abo Amado\u00bb, \u00abo meu Enlevo\u00bb (Lucas 3,21-22), e vendo clarificada a sua inser\u00e7\u00e3o na teia humana do povo eleito e a sua filia\u00e7\u00e3o divina (Lucas 3,23-38), a\u00ed est\u00e1 Jesus, cheio de Esp\u00edrito Santo, afastando-se do Jord\u00e3o e sendo conduzido pelo Esp\u00edrito no deserto, onde \u00e9 posto \u00e0 prova (<em>peiraz\u00f3menos<\/em>) pelo diabo durante 40 dias (Lucas 4,1-2), e a\u00ed estamos n\u00f3s a entrar no Evangelho deste Domingo I da Quaresma (Lucas 4,1-13), conhecido por \u00abtenta\u00e7\u00f5es de Jesus\u00bb, mas \u00e9 melhor traduzir por \u00abprovas\u00bb (<em>peirasmo\u00ed<\/em>). Note-se, por\u00e9m, j\u00e1 \u00e0 entrada deste epis\u00f3dio das \u00abtenta\u00e7\u00f5es\u00bb ou \u00abprovas\u00bb a que \u00e9 sujeito Jesus, que toda a \u00abtenta\u00e7\u00e3o\u00bb ou \u00abprova\u00bb vai incidir sobre dois fios entrela\u00e7ados que v\u00eam de tr\u00e1s: \u00abTu \u00e9s o Filho meu\u00bb (Lucas 3,22), da cena do batismo, e o acento posto sobre o filho, que percorre toda a genealogia (Lucas 3,23-38). Se Jesus \u00e9 conduzido pelo Esp\u00edrito, ent\u00e3o \u00e9 sinal que a prova \u00e9 querida e apoiada por Deus. Enfrentar e ultrapassar uma grande prova antes de se entrar na vida p\u00fablica \u00e9 um tema recorrente na literatura antiga, tamb\u00e9m b\u00edblica: veja-se a clamorosa vit\u00f3ria de Saul sobre os amonitas (1 Samuel 11,1-11), antes de ser proclamado rei em Guilgal (1 Samuel 11,15). A prova tem lugar no deserto, onde Israel, \u00e0 sa\u00edda do Egito, tinha sido tamb\u00e9m posto \u00e0 prova. Jesus como Israel: confiar em Deus, que \u00e9 o \u00fanico que pode sustentar no deserto, dando p\u00e3o, carne e \u00e1gua (cf. \u00caxodo 15-17), ou voltar atr\u00e1s para as \u00abpanelas de carne\u00bb (cf. \u00caxodo 16,3) e as \u00abcebolas do Egito\u00bb (cf. N\u00fameros 11,5). 40 dias: na B\u00edblia, este segmento de tempo traduz um per\u00edodo decisivo vivido com Deus: o dil\u00favio (cf. G\u00e9nesis 7,12); Mois\u00e9s no monte Sinai (cf. \u00caxodo 24,18; 34,28); Elias no deserto (1 Reis 19,8). O diabo: trata-se do advers\u00e1rio por excel\u00eancia, o Satan de Job 1,6-8.12; 2,1-7, o acusador, o caluniador, o m\u00e1ximo divisor ou separador comum, que tenta separar os homens uns dos outros e de Deus, como tenta separar Jesus do Pai.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">5. A tentativa de separar Jesus do Pai come\u00e7a com o diabo a dizer para Jesus: \u00abSe \u00e9s Filho de Deus, diz a esta pedra que se transforme em p\u00e3o\u00bb (Lucas 4,3). Com esta formula\u00e7\u00e3o, o diabo n\u00e3o pretende levantar qualquer d\u00favida acerca da identidade de Jesus. O que o diabo pretende fazer \u00e9 levar Jesus a interpretar a sua condi\u00e7\u00e3o filial como um poder aut\u00f3nomo, separando-se do Pai. Jesus n\u00e3o entra neste jogo respondendo ao diabo com palavras suas, mas destr\u00f3i logo \u00e0 raiz a proposta do diabo, citando e apoiando-se em uma palavra de Deus: \u00abNem s\u00f3 de p\u00e3o vive o homem\u2026\u00bb (Deuteron\u00f3mio 8,3). Na verdade, todas as respostas de Jesus ser\u00e3o sempre com palavras do Deuteron\u00f3mio. Ou seja: Jesus n\u00e3o responde ao diabo com palavras suas, rejeitando assim a autonomia proposta pelo diabo, mas responde com a vontade de Deus expressa na Escritura Santa. \u00c9 na sua\u00a0<em>condi\u00e7\u00e3o de batizado<\/em>, isto \u00e9, de Filho de Deus, que ele \u00e9 tentado ou posto \u00e0 prova pelo diabo, que pretende desvincular Jesus de Deus. Toda a tenta\u00e7\u00e3o, a de Jesus como a nossa, come\u00e7a sempre da mesma maneira: \u00abse \u00e9s Filho de Deus\u2026\u00bb, e incide sempre sobre a nossa condi\u00e7\u00e3o de batizados. Atente-se em como se repete nos mesmos termos sob a Cruz (Lucas 23,35-39). Portanto, sempre. Do Batismo at\u00e9 \u00e0 Morte, a tenta\u00e7\u00e3o ou a prova visa afastar e separar Jesus de Deus, como visa igualmente afastar-nos a n\u00f3s de Deus, e p\u00f4r-nos ao servi\u00e7o do \u00abdeus deste mundo\u00bb (2 Cor\u00edntios 4,4; cf. Jo\u00e3o 12,31).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">6. Portanto, a primeira tentativa do diabo de desvincular Jesus de Deus \u00e9 levar Jesus, no deserto, a fabricar o pr\u00f3prio p\u00e3o, a que podemos chamar por isso, com verdade, o p\u00e3o que o diabo amassou, em vez de receber o p\u00e3o da Palavra dado por Deus (Deuteron\u00f3mio 8,3) aos seus amigos at\u00e9 durante o sono (Salmo 127,2) (Lucas 4,3-4). Em segundo lugar, vem a oferta de todos os reinos deste mundo e da sua gl\u00f3ria em troca do afastamento de Deus (Lucas 4,5-7). E a resposta decidida de Jesus, remetendo outra vez para a Escritura Santa e para Deus: \u00abEst\u00e1 escrito: \u201cAdorar\u00e1s ao Senhor, teu Deus, e s\u00f3 a Ele prestar\u00e1s culto\u201d\u00bb (Lucas 4,8; cf. Deuteron\u00f3mio 6,13). Em terceiro lugar, a tenta\u00e7\u00e3o do sucesso religioso f\u00e1cil em Jerusal\u00e9m, acompanhada do sonho de escapar da morte, que o diabo apoia na cita\u00e7\u00e3o do Salmo 91,11-12, \u00e9 taxativamente recusada por Jesus, com a cita\u00e7\u00e3o: \u00abEst\u00e1 escrito: n\u00e3o por\u00e1s \u00e0 prova o Senhor teu Deus\u00bb (Lucas 4,9-13; cf. Deuteron\u00f3mio 6,16). Para quem tem diante dos olhos o texto de Mateus 4,1-11, aperceber-se-\u00e1 de imediato da troca de lugar da segunda e da terceira tenta\u00e7\u00e3o ou prova. F\u00e1cil de compreender: em Lucas, Jerusal\u00e9m \u00e9 o centro do mundo, \u00e9 l\u00e1 que Jesus aparece logo aos 40 dias (Lucas 2,22), aos 12 anos (Lucas 2,41), \u00e9 para l\u00e1 que Jesus caminha na sec\u00e7\u00e3o central deste Evangelho (Lucas 9,51-19,28), \u00e9 l\u00e1 que se sucedem os \u00faltimos epis\u00f3dios da sua vida, \u00e9 l\u00e1 que os disc\u00edpulos s\u00e3o mandados esperar (Lucas 24,49-53), em vez de se dirigirem para a Galileia. Conv\u00e9m, portanto, que a terceira tenta\u00e7\u00e3o decorra em Jerusal\u00e9m. De resto, neste Evangelho, para real\u00e7ar Jerusal\u00e9m, quase todos os outros lugares s\u00e3o nivelados pelo dizer comum: \u00abestando Ele em uma cidade\u2026\u00bb (Lucas 5,12), \u00abnum certo lugar\u2026\u00bb (Lucas 11,1; 17,12).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">7. Extraordin\u00e1ria a li\u00e7\u00e3o do Livro do Deuteron\u00f3mio 26,4-10: aqui estou, meu Deus, orientando a minha vida toda para Ti, oferecendo-Te os primeiros frutos desta Terra boa e bela que nos destes, depois de nos teres chamado do meio da confus\u00e3o e dado a liberdade! Eu canto para Ti, meu Deus, pois \u00e9 a Ti que devo a minha liberdade e a bondade e beleza da minha vida! Este belo texto \u00e9 uma miniatura, um colar (<em>h<sup>a<\/sup>rizah<\/em>) de p\u00e9rolas do Teu amor por n\u00f3s, que devemos levar sempre connosco, como se fosse uma fotografia Tua! O chamamento dos pais, a liberta\u00e7\u00e3o do Egito, a d\u00e1diva da Terra Prometida.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">8. E a li\u00e7\u00e3o da Carta aos Romanos 10,8-13: na minha vida toda, no meu cora\u00e7\u00e3o e na minha boca, no cora\u00e7\u00e3o a f\u00e9, na boca o testemunho, escorre o sabor da Tua Palavra, doce como o puro mel dos favos!<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">9. O Salmo 91 \u00e9 um poderoso grito de confian\u00e7a em Deus, que vela por n\u00f3s em todos os momentos da nossa vida, sobretudo nos mais dif\u00edceis. A piedade popular tem este Salmo em muito apre\u00e7o. Basta ver, no Doutor Jivago, de Boris Pasternak, o soldado encontrado morto numa batalha, que levava ao pesco\u00e7o, cozidos num velho peda\u00e7o de pano, alguns vers\u00edculos deste Salmo. Os vv. 11-12: \u00abEle mandou aos seus anjos que te guardem em todos os teus caminhos;\/ eles sustentar-te-\u00e3o em suas m\u00e3os para que os teus p\u00e9s n\u00e3o tropecem em alguma pedra\u00bb, s\u00e3o citados pelo diabo no Evangelho de hoje (Lucas 4,10-11), com colorido m\u00e1gico. O Salmo e Jesus prop\u00f5em, claro, uma atitude de confian\u00e7a, n\u00e3o m\u00e1gica, mas verdadeira, em Deus. E n\u00f3s cantamo-los hoje, com o cora\u00e7\u00e3o dorido, por todos os nossos irm\u00e3os ca\u00eddos sob as bombas na Ucr\u00e2nia e por esse mundo fora.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dt 26,4-10; Sl 91; Rm 10,8-13; Lc 4,1-13 1. S\u00f3 secundariamente a Quaresma \u00abprepara\u00bb para a Ressur\u00adrei\u00e7\u00e3o do Senhor. 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