{"id":2217176852,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/8717-domingo-vi-da-pascoa-a-paz-que-s"},"modified":"2025-11-07T16:33:28","modified_gmt":"2025-11-07T16:33:28","slug":"domingo-vi-da-pascoa-a-paz-que-so-deus-da-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/domingo-vi-da-pascoa-a-paz-que-so-deus-da-3\/","title":{"rendered":"Domingo VI da P\u00e1scoa: \u00abA Paz que s\u00f3 Deus d\u00e1\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031.jpg\" \/><\/p>\n<p><p>1. O texto que o Evangelho deste Domingo VI da P\u00e1scoa (Jo\u00e3o 14,23-29) nos oferece enquadra-se naquele monumental Testamento que, no IV Evangelho, Jesus pronuncia, em ondas sucessivas, ap\u00f3s a Ceia com os seus Disc\u00edpulos (Jo\u00e3o 13,12-17,26). Neste imenso arco textual, cujas linhas tem\u00e1ticas ou de constru\u00e7\u00e3o v\u00eam e refluem e voltam a vir, \u00e0 maneira das ondas do mar que v\u00eam sobre a praia, refluem e voltam, assistimos hoje ao segundo dos cinco dizeres de Jesus relativos \u00e0 Vinda do Esp\u00edrito Santo, Par\u00e1clito (<em>par\u00e1kl\u00eatos<\/em>), isto \u00e9, Defensor [Advogado de defesa], Consolador e Int\u00e9rprete. Este \u00faltimo significado deriva do aramaico\u00a0<em>par\u00e1klita<\/em>, dos rabinos, que n\u00e3o tem o significado usual do grego (Defensor e Consolador), mas Int\u00e9rprete, aquele que traduz Deus para n\u00f3s e n\u00f3s para Deus, fonte e ponte permanente de comunica\u00e7\u00e3o, compreens\u00e3o e comunh\u00e3o. O Esp\u00edrito Par\u00e1clito \u00e9 assim o grande construtor de pontes entre n\u00f3s uns com os outros e com Deus. \u00c9, por isso, que Ele \u00e9 o Amor, que destr\u00f3i todos os muros, preconceitos, \u00f3dios, divis\u00f5es, incompreens\u00f5es. Eis os cinco mencionados dizeres de Jesus sobre a Vinda do Esp\u00edrito Santo, sempre dita no futuro: Jo\u00e3o 14,16; 14,26; 15,26; 16,7; 16,13-15.<\/p>\n<p>2. O primeiro enviado do Pai \u00e9 o Filho Jesus, que cumpre e revela o conte\u00fado da pr\u00f3pria miss\u00e3o. O segundo enviado \u00e9 o Par\u00e1clito. O Pai \u00e9, em rela\u00e7\u00e3o aos dois, o enviante; o Filho e o Esp\u00edrito s\u00e3o, em rela\u00e7\u00e3o ao Pai, ambos enviados, \u00abas duas m\u00e3os do Pai\u00bb, no belo dizer de Ireneu de Li\u00e3o. Confrontando os textos, vemos que h\u00e1 semelhan\u00e7a da rela\u00e7\u00e3o entre o Pai e o Par\u00e1clito com a rela\u00e7\u00e3o entre o Pai e o Filho: ambas s\u00e3o expressas pelo mesmo verbo \u00abenviar\u00bb (<em>p\u00e9mp\u00f4<\/em>). Mas, juntamente com a semelhan\u00e7a, deparamos tamb\u00e9m com diferen\u00e7as. A primeira diferen\u00e7a est\u00e1 no facto de que, em rela\u00e7\u00e3o ao Filho, o verbo enviar est\u00e1 no passado, encontrando-se no futuro em rela\u00e7\u00e3o ao Par\u00e1clito. O envio de Jesus pelo Pai j\u00e1 se realizou [\u00abo Pai que me enviou\u00bb: Jo\u00e3o 5,23.37; 6,44; 8,16.18; 12,49; 14,24; \u00abAquele que me enviou\u00bb: Jo\u00e3o 4,34; 5,24.30; 6,38.39.40; 7,16.28.33; 8,26.29; 9,4; 12,44-45; 13,20; 15,21; 16,5], enquanto que o envio do Par\u00e1clito \u00e9 anunciado, mas deve ainda realizar-se [\u00abo Pai envi\u00e1-lo-\u00e1 no meu nome\u00bb: Jo\u00e3o 14,26], do mesmo modo que a sua tarefa de ensinar e de recordar aparece igualmente enunciada no futuro. A segunda diferen\u00e7a reside no facto de o envio de Jesus ser feito diretamente pelo Pai, sem intermedi\u00e1rios, enquanto que o envio do Par\u00e1clito \u00e9 feito pelo Pai mediante a interven\u00e7\u00e3o de Jesus, traduzida pela express\u00e3o \u00abno meu nome\u00bb. O que se passa com o verbo \u00abenviar\u00bb em termos de semelhan\u00e7a e diferen\u00e7as, passa-se tamb\u00e9m com o verbo \u00abdar\u00bb (<em>d\u00edd\u00f4mi<\/em>): \u00abDeus (\u2026) deu o seu Filho unig\u00e9nito\u00bb (Jo\u00e3o 3,16), e \u00abdar\u00e1 a v\u00f3s outro Par\u00e1clito\u00bb a pedido de Jesus (Jo\u00e3o 14,16). Mas em rela\u00e7\u00e3o ao Par\u00e1clito, o pr\u00f3prio Jesus \u00e9 por duas vezes sujeito do verbo \u00abenviar\u00bb: \u00abEu envi\u00e1-lo-ei de junto do Pai\u00bb (Jo\u00e3o 15,26); \u00abQuando eu for, envi\u00e1-lo-ei para junto de v\u00f3s\u00bb (Jo\u00e3o 16,7).<\/p>\n<p>3. Mas o texto de hoje p\u00f5e Jesus a dizer que o Pai enviar\u00e1 o Par\u00e1clito, o Esp\u00edrito Santo, em seu nome (Jo\u00e3o 14,26), isto \u00e9, mediante a sua interven\u00e7\u00e3o. Jesus afirma tamb\u00e9m que n\u00e3o diz sen\u00e3o a Palavra do Pai (Jo\u00e3o 14,24), e que o Esp\u00edrito Santo tamb\u00e9m n\u00e3o falar\u00e1 de si mesmo, mas apenas o que tiver ouvido (Jo\u00e3o 16,13). Assim, o Esp\u00edrito Santo, que ser\u00e1 enviado, ensinar\u00e1 todas as coisas e recordar\u00e1 tudo o que disse Jesus (Jo\u00e3o 14,26). Por outras palavras: receber\u00e1 do que \u00e9 meu e vos anunciar\u00e1 (Jo\u00e3o 16,14).<\/p>\n<p>4. No Evangelho de hoje, Jesus fala ainda do amor, da escuta qualificada da sua Palavra, da habita\u00e7\u00e3o de Deus em n\u00f3s, no meio de n\u00f3s, da paz por Ele dada, que \u00e9 diferente da paz que o mundo d\u00e1 e como o mundo a d\u00e1.<\/p>\n<p>5. A li\u00e7\u00e3o do Livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos (15,1-2.22-29) leva-nos ao Conc\u00edlio de Jerusal\u00e9m, em que os Ap\u00f3stolos Pedro e Paulo e Tiago se deram as m\u00e3os, em sinal de comunh\u00e3o, para que o Evangelho fosse levado a todos os cora\u00e7\u00f5es. O que importa \u00e9 o Evangelho, e n\u00e3o as nossas maneiras diferentes de pensar.<\/p>\n<p>6. O Apocalipse (21,10-14.22-23) traz-nos outra vez a Igreja bela, vestida por Deus, alumiada por Deus, tu a tu com Deus, sem a media\u00e7\u00e3o de um templo material.<\/p>\n<p>7. O Salmo 67 \u00e9 uma ora\u00e7\u00e3o de b\u00ean\u00e7\u00e3o em forma de peti\u00e7\u00e3o. Em termos t\u00e9cnicos, equivale a uma epiclese: n\u00e3o \u00abeu te bendigo\u00bb, mas \u00abDeus nos bendiga\u00bb. O nosso Salmo recolhe os temas da b\u00ean\u00e7\u00e3o sacerdotal de N\u00fameros 6,24-26, como a gra\u00e7a, a luz, a benevol\u00eancia, a paz, pondo o plural onde estava o singular, por assim dizer, \u00abdemocratizando\u00bb a b\u00ean\u00e7\u00e3o, agora dirigida a todos, onde, na b\u00ean\u00e7\u00e3o sacerdotal do Livro dos N\u00fameros, se dirigia apenas a Israel.<\/p>\n<p>8. Diz, de forma absolutamente maravilhosa, o velho coment\u00e1rio rab\u00ednico aos Salmos, dito\u00a0<em>Midrash T<sup>e<\/sup>hill\u00eem<\/em>, que, quando Israel estava no Sinai para fazer alian\u00e7a com Deus, \u00abo ventre das mulheres gr\u00e1vidas se tornou transparente como vidro, para que os embri\u00f5es pudessem ver Deus e conversar com Ele\u00bb. Oh admir\u00e1vel mundo novo!<\/p>\n<p>9. O Esp\u00edrito Santo faz nascer em n\u00f3s esta transpar\u00eancia luminosa e maravilhosa. Luz que alumia, e n\u00e3o engana, Amor, s\u00f3 Amor, nada mais que Amor. Vem, Esp\u00edrito de Luz, construtor e Senhor das mais belas transpar\u00eancias e viv\u00eancias. Precisamos tanto de Ti nesta cal\u00e7ada enlameada e escura e escorregadia em que andamos.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Levanto os meus olhos para os montes:<\/p>\n<p>De onde vir\u00e1 o meu aux\u00edlio?<\/p>\n<p>O meu aux\u00edlio vem do Senhor,<\/p>\n<p>Que fez o c\u00e9u e a terra.<\/p>\n<p>Tudo fala de Ti, Senhor!<\/p>\n<p>Tudo tem as marcas das tuas m\u00e3os carinhosas.<\/p>\n<p>O dia ao dia entrega o Teu amor.<\/p>\n<p>A noite \u00e0 noite entrega a tua luz.<\/p>\n<p>E at\u00e9 a minha vida, Senhor, fala de Ti.<\/p>\n<p>Sim, foste Tu que formaste as entranhas do meu corpo,<\/p>\n<p>E me criaste no seio da minha m\u00e3e.<\/p>\n<p>Eu Te dou gra\u00e7as, Senhor,<\/p>\n<p>Por me teres feito t\u00e3o maravilhosamente:<\/p>\n<p>Admir\u00e1veis s\u00e3o as Tuas obras!<\/p>\n<p>Quando contemplo os c\u00e9us,<\/p>\n<p>Obra das tuas m\u00e3os,<\/p>\n<p>A lua e as estrelas que l\u00e1 colocaste,<\/p>\n<p>Quando ponho as m\u00e3os em concha,<\/p>\n<p>Para colher a \u00e1gua pura das nascentes,<\/p>\n<p>Quando sigo com os olhos o voo dos p\u00e1ssaros<\/p>\n<p>E o veio das \u00e1guas de rios e torrentes,<\/p>\n<p>Eu Te louvo, Senhor,<\/p>\n<p>Por tanto amor derramado<\/p>\n<p>Em n\u00f3s e ao nosso lado,<\/p>\n<p>E antes de n\u00f3s tamb\u00e9m,<\/p>\n<p>Quando nos deitaste no ventre de uma m\u00e3e.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00c9 assim que aprendo a viver de m\u00e3os erguidas,<\/p>\n<p>E de cora\u00e7\u00e3o levantado e extasiado,<\/p>\n<p>Maravilhado.<\/p>\n<p>Obrigado, Senhor, pelas m\u00e3es que nos deste,<\/p>\n<p>E que fazem a nossa terra mais celeste!<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Couto<\/p>\n<p>\u00a0<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. 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