{"id":2220683029,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/13934-domingo-iv-da-pascoa-inundacao-de-luz"},"modified":"2025-11-07T16:34:05","modified_gmt":"2025-11-07T16:34:05","slug":"domingo-iv-da-pascoa-inundacao-de-luz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/domingo-iv-da-pascoa-inundacao-de-luz\/","title":{"rendered":"Domingo IV da P\u00e1scoa: \u00abInunda\u00e7\u00e3o de Luz\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031_160503044443.jpg\" \/><\/p>\n<p><p data-adtags-visited=\"true\">At 13,14.43-52; Sl 100; Ap 7,9.14-17; Jo 10,27-30<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">1. No ano 167 a.C., o sel\u00eaucida Ant\u00edoco IV Epif\u00e2nio tinha profanado o Templo de Jerusal\u00e9m, introduzindo l\u00e1 cultos pag\u00e3os. Contra esta heleniza\u00e7\u00e3o e paganiza\u00e7\u00e3o do juda\u00edsmo lutaram os Macabeus, e, tr\u00eas anos volvidos, em 164 a.C., Judas Macabeu conquistou Jerusal\u00e9m e procedeu \u00e0 purifica\u00e7\u00e3o do Templo e \u00e0 sua Dedica\u00e7\u00e3o solene ao Deus Vivo no dia 25 do m\u00eas de Kisleu. Este acontecimento deve ser celebrado todos os anos, durante oito dias, com a Festa da Dedica\u00e7\u00e3o, a partir de 25 do m\u00eas de Kisleu que, no ano em curso de 2025, corresponde ao nosso dia 15 de dezembro, nas proximidades da nossa festa de Natal.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">2. \u00c9 no ambiente desta Festa anual da Dedica\u00e7\u00e3o do Templo, em pleno inverno (Jo\u00e3o 10,22), que se situa a per\u00edcope do Evangelho de Jo\u00e3o 10,27-30 (veja-se sempre 10,22), proclamada neste Domingo IV da P\u00e1scoa, tamb\u00e9m Domingo do Bom Pastor e Dia Mundial de Ora\u00e7\u00e3o pelas Voca\u00e7\u00f5es. Este Dia de Ora\u00e7\u00e3o remonta \u00e0 radiomensagem de Paulo VI, de 11 de abril de 1964, que deu in\u00edcio a este Dia Mundial de Ora\u00e7\u00e3o pelas Voca\u00e7\u00f5es, que s\u00e3o um indicador seguro da vitalidade da f\u00e9 e do amor de cada comunidade paroquial e diocesana, bem como o testemunho da sa\u00fade moral e espiritual das fam\u00edlias crist\u00e3s, num mundo carente de m\u00e3os e cora\u00e7\u00f5es sacerdotais, dedicados e consagrados.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">3. A Festa da Dedica\u00e7\u00e3o, em hebraico\u00a0<em>h<sup>a<\/sup>nukkah<\/em>, de\u00a0<em>hanak<\/em>\u00a0[= \u00abinaugurar\u00bb, \u00abdedicar\u00bb: cf. Nm 7,10; 2 Cr 7,9; Ne 12,27], celebra-se durante oito dias, e tem como s\u00edmbolo o candelabro de oito bra\u00e7os. Relata o Talmude que, quando os judeus fi\u00e9is entraram no Templo profanado pelos pag\u00e3os helenistas, encontraram uma \u00fanica \u00e2mbula de azeite puro (<em>kasher<\/em>) de oliveira para reacender o candelabro de sete bra\u00e7os, em hebraico\u00a0<em>m<sup>e<\/sup>n\u00f4rah<\/em>, que \u00e9 um dos s\u00edmbolos de Israel, e que deve arder permanentemente diante do Deus Vivo. Todavia, como se sabia, uma \u00e2mbula de azeite duraria apenas um dia, e eram precisos oito dias para preparar novo azeite puro. Pois bem, o azeite daquela \u00fanica \u00e2mbula durou milagrosamente oito dias! Da\u00ed que, na Festa da Dedica\u00e7\u00e3o, se acenda um candelabro de oito bra\u00e7os, chamado\u00a0<em>h<sup>a<\/sup>n\u00fbkkiah<\/em>. Mas acende-se apenas uma luz por dia, depois do p\u00f4r-do-sol, aumentando progressivamente uma por dia at\u00e9 estarem acesas as oito luzes. Al\u00e9m disso, e ao contr\u00e1rio das luzes da\u00a0<em>m<sup>e<\/sup>n\u00f4rah<\/em>\u00a0e do S\u00e1bado, que alumiam o interior do Santu\u00e1rio e da casa de fam\u00edlia respetivamente, as Luzes do candelabro da Dedica\u00e7\u00e3o, refere o ritual, devem ser vistas c\u00e1 fora: devem alumiar o ambiente social, pol\u00edtico, militar, comercial e cultural. E tamb\u00e9m ao contr\u00e1rio das luzes da\u00a0<em>m<sup>e<\/sup>n\u00f4rah<\/em>\u00a0e do S\u00e1bado, n\u00e3o se acendem todas de uma vez, mas progressivamente, uma por dia, porque, quando as condi\u00e7\u00f5es s\u00e3o adversas (paganismo helenista e escuro), n\u00e3o basta acender uma luz e mant\u00ea-la; \u00e9 preciso aumentar constantemente a luz\u2026 Mais luz! Mais luz! Mais luz!<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">4. Como este simbolismo \u00e9 importante para os dias de hoje! Est\u00e1 escuro c\u00e1 dentro e l\u00e1 fora, o mundo parece desconstruir-se, as guerras assolam por toda a parte, o paganismo \u00e9 galopante! Mais do que nunca, \u00e9 preciso, portanto, n\u00e3o apenas manter a luz, mas aument\u00e1-la progressivamente. E esta tem\u00e1tica est\u00e1 em maravilhosa sintonia com o Dia Mundial de Ora\u00e7\u00e3o pelas Voca\u00e7\u00f5es, que salienta sempre a import\u00e2ncia da dedica\u00e7\u00e3o, da f\u00e9 e da esperan\u00e7a.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">5. O resto \u00e9 a for\u00e7a e a beleza da imagem do Bom e Belo Pastor, que d\u00e1 a Vida Eterna \u00e0s suas ovelhas, que as segura pela m\u00e3o, que as conhece, enquanto elas escutam a voz do Bom Pastor e o seguem (Jo\u00e3o 10,27-29). Maravilhosa Comunh\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">6. Maravilhosa Comunh\u00e3o tamb\u00e9m entre este Bom e Belo Pastor, que \u00e9 o Filho, e o Pai. Texto imenso e intenso, de grande alcance trinit\u00e1rio: \u00abEu e o Pai uma Realidade somos\u00bb (Jo\u00e3o 10,30). Deixem-me p\u00f4r aqui o texto grego:\u00a0<em>eg\u00f2 ka\u00ec ho pat\u00ear h\u00e9n esmen<\/em>. O verbo est\u00e1 no plural: somos. Junta \u00abEu\u00bb e \u00abo Pai\u00bb, duas Pessoas. O predicativo, por\u00e9m, n\u00e3o est\u00e1 na forma masculina, mas na forma neutra: uma Realidade (<em>h\u00e9n<\/em>). Donde: o Filho e o Pai n\u00e3o s\u00e3o uma s\u00f3 Pessoa (da ordem da\u00a0<em>hyp\u00f3stasis<\/em>), mas s\u00e3o uma \u00fanica Realidade (n\u00e3o coisa!, como se v\u00ea em algumas pobres tradu\u00e7\u00f5es), uma \u00fanica Subst\u00e2ncia (da ordem da\u00a0<em>ous\u00eda<\/em>), como diziam bem os Padres gregos. \u00d3 m\u00fasica insond\u00e1vel do Amor de Deus, \u00f3 admir\u00e1vel comunh\u00e3o de tr\u00eas Pessoas iguais, mas distintas, \u00f3 Vida Plena e Verdadeira, Vida Vivente, Divina, a n\u00f3s acess\u00edvel por gra\u00e7a! Basta, para tanto, conhecer, escutar e seguir o Bom e Belo Pastor.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">7. A li\u00e7\u00e3o de hoje do Livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos (13,14.43-52) mostra-nos Paulo e Barnab\u00e9 em Antioquia da Pis\u00eddia, antiga cidade situada no cora\u00e7\u00e3o da \u00c1sia Menor, atual Turquia, hoje reduzida a algumas ru\u00ednas junto da aldeia de Jalvaz. Entrando na sinagoga em dia de s\u00e1bado, Paulo e Barnab\u00e9 anunciaram a\u00ed, na longa per\u00edcope hoje n\u00e3o lida (vv. 16-41), o\u00a0<em>k\u00earigma<\/em>\u00a0tripartido da f\u00e9: a Promessa feita aos Pais, Cristo Ressuscitado, o Dom do Esp\u00edrito Santo. O an\u00fancio suscitou a f\u00e9 em numerosos hebreus que, no final, se unem aos dois ap\u00f3stolos (vv. 42-43). O c\u00edrculo de ouvintes e crentes aumentou no s\u00e1bado seguinte (v. 44), o que provocou a inveja dos judeus fi\u00e9is \u00e0 sinagoga (v. 45). Vendo ent\u00e3o que a Palavra de Deus era rejeitada pelos judeus da sinagoga, Paulo e Barnab\u00e9 voltaram-se para os pag\u00e3os, que muito se alegravam e glorificavam a Deus, e abra\u00e7aram a f\u00e9 (v. 48). Os dois ap\u00f3stolos leem esta recusa dos judeus e a consequente oferta da salva\u00e7\u00e3o aos pag\u00e3os como fazendo parte do Des\u00edgnio divino, e citam a prop\u00f3sito Isa\u00edas 49,6: \u00abEu te estabeleci como luz das na\u00e7\u00f5es pag\u00e3s, para que leves a salva\u00e7\u00e3o at\u00e9 aos confins da terra\u00bb (v. 47). E Isa\u00edas outra vez a confirmar esta oferta da salva\u00e7\u00e3o a todos os povos, pondo-os todos sob a B\u00ean\u00e7\u00e3o de Deus, inclusive os inimigos de Israel: \u00abBendito o Egito, meu povo, a Ass\u00edria, obra das minhas m\u00e3os, e Israel, minha heran\u00e7a\u00bb (Isa\u00edas 19,25). \u00c9 o Evangelho sem peias nem fronteiras. Paulo e Barnab\u00e9 acabaram naturalmente expulsos da cidade devido \u00e0s persegui\u00e7\u00f5es dos judeus (v. 50). Mas o Esp\u00edrito Santo ia enchendo de alegria os novos disc\u00edpulos (v. 52).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">8. A mesma realidade pode ver-se na li\u00e7\u00e3o de hoje do Livro do Apocalipse 7,9.14-17, onde a Jerusal\u00e9m celeste congrega \u00abuma multid\u00e3o imensa de todas as na\u00e7\u00f5es, ra\u00e7as, povos e l\u00ednguas\u00bb (v. 9). A li\u00e7\u00e3o \u00e9 clara: os eleitos de Deus n\u00e3o pertencem a uma s\u00f3 ra\u00e7a ou cultura ou l\u00edngua ou nacionalidade. Mas, neste povo \u00abpentecostal\u00bb, podemos logo identificar outra carater\u00edstica, uma esp\u00e9cie de verso e reverso, viver em dois teclados, dois cen\u00e1rios sobrepostos: os fi\u00e9is experimentam a afli\u00e7\u00e3o, mas vivem na alegria, sofrem a persegui\u00e7\u00e3o, mas vivem na gl\u00f3ria, s\u00e3o atormentados, mas vivem na serenidade. Outra vez o epis\u00f3dio de hoje do Livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos como paradigma: em Antioquia da Pis\u00eddia levantou-se uma persegui\u00e7\u00e3o contra Paulo Barnab\u00e9 e os primeiros crentes, e, n\u00e3o obstante, \u00abos disc\u00edpulos estavam cheios de alegria\u00bb (Atos 13,52) e \u00abos pag\u00e3os alegravam-se e glorificavam a Deus\u00bb (Atos 13,48). Os eleitos do Apocalipse imitaram Cristo tamb\u00e9m no mart\u00edrio, \u00ablavando as suas vestes no sangue do Cordeiro\u00bb (Apocalipse 7,14). Experimentaram a fome e a sede, o sol e o calor ardente. Agora, por\u00e9m, seguindo o ritual da Festa das Tendas (cf. Lev\u00edtico 23,40), levam palmas (<em>pho\u00ednix<\/em>) na m\u00e3o (Apocalipse 7,9), s\u00edmbolo de vit\u00f3ria e de festa e de vida nova e eterna [<em>pho\u00ednix<\/em>\u00a0tem o duplo significado de palmeira e f\u00e9nix, a ave da imortalidade], e ser\u00e3o apascentados e conduzidos pelo Cordeiro \u00e0s fontes de \u00e1gua viva (Apocalipse 7,16), e o pr\u00f3prio Deus enxugar\u00e1 com carinho as l\u00e1grimas dos seus olhos (Apocalipse 7,17; cf. Isa\u00edas 25,8).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">9. Na tradi\u00e7\u00e3o judaica, o Salmo 100 constitui uma velha, pequena ora\u00e7\u00e3o que ressoa no nosso cora\u00e7\u00e3o como louvor ao Deus bom, cujo amor \u00e9 eterno. Intitula-se \u00abUm c\u00e2ntico para a\u00a0<em>t\u00f4dah<\/em>\u00bb (<em>mizm\u00f4r l<sup>e<\/sup>t\u00f4dah<\/em>), isto \u00e9, para a a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as ao Senhor. Este pequeno hino articula gritos de alegria, louvor, conhecimento, s\u00faplica, b\u00ean\u00e7\u00e3o. Santo Agostinho comenta assim: \u00abDeixa que a ora\u00e7\u00e3o se transforme no teu alimento. Rezando, adquires novas energias, e Aquele a quem rezas torna-se mais doce para contigo\u00bb. No centro do pequeno hino est\u00e1 uma profiss\u00e3o de f\u00e9 no Senhor: o Senhor \u00e9 Deus, nosso criador, que estabeleceu a alian\u00e7a com Israel (\u00abn\u00f3s somos o seu povo\u00bb), o amor do Senhor \u00e9 para sempre, a sua fidelidade para todas as gera\u00e7\u00f5es (vv. 3 e 5).<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>At 13,14.43-52; Sl 100; Ap 7,9.14-17; Jo 10,27-30 1. 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