{"id":2234503679,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/11224-domingo-viii-do-tempo-comum-presta-atencao-ao-coracao"},"modified":"2025-11-07T16:33:50","modified_gmt":"2025-11-07T16:33:50","slug":"domingo-viii-do-tempo-comum-presta-atencao-ao-coracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/domingo-viii-do-tempo-comum-presta-atencao-ao-coracao\/","title":{"rendered":"Domingo VIII do Tempo Comum: \u00abPresta aten\u00e7\u00e3o ao cora\u00e7\u00e3o\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031.jpg\" \/><\/p>\n<p><p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">1. Neste Domingo VIII do Tempo Comum continuamos a escutar e a digerir, no Evangelho, o \u00abDiscurso da plan\u00edcie\u00bb, hoje na sua terceira e \u00faltima parte (Lucas 6,39-45), toda dominada pelo amor e pela miseric\u00f3rdia. A arquitetura desta terceira parte do \u00abDiscurso da plan\u00edcie\u00bb assenta em tr\u00eas compara\u00e7\u00f5es, destinadas a afinar os crit\u00e9rios da nossa vida de disc\u00edpulos de Jesus. A primeira compara\u00e7\u00e3o surge em Lucas 6,39-40, e p\u00f5e em cena um cego a guiar outro cego. E a pergunta certeira de Jesus: \u00abN\u00e3o cair\u00e3o os dois nalgum abismo? (Lucas 6,39). Mateus canalizou a compara\u00e7\u00e3o de Jesus para os fariseus: \u00abAi de v\u00f3s, guias cegos\u2026\u00bb (Mateus 23,16-17). Lucas usou-a, antes, para advertir diretamente os disc\u00edpulos de Jesus de todos os tempos, fazendo ver que nenhum disc\u00edpulo \u00e9 mais do que o mestre, mas que todo o disc\u00edpulo deve ser como o mestre (Lucas 6,40). Outra vez, de forma clara e sem equ\u00edvocos: o disc\u00edpulo n\u00e3o tem sen\u00e3o que repetir o que Jesus disse, sendo que a verdade da palavra do disc\u00edpulo n\u00e3o est\u00e1, portanto, na sua habilidade pessoal, mas na sua fidelidade ao Mestre.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">2. A segunda compara\u00e7\u00e3o p\u00f5e em cena o argueiro e a trave (Lucas 6,41-42), e denuncia de imediato os nossos ju\u00edzos quotidianos, levianos e r\u00e1pidos acerca dos outros. Estamos sempre a ver o argueiro que est\u00e1 nos olhos do nosso irm\u00e3o, e n\u00e3o vemos a trave que se atravessa nos nossos olhos e nos impede de ver bem seja o que for. O fil\u00f3sofo romano S\u00e9neca (4 a.C.-65 d.C.), contempor\u00e2neo de Jesus, j\u00e1 se exprimia assim: \u00abTemos diante dos olhos os defeitos dos outros, enquanto os nossos ficam atr\u00e1s\u00bb. Estar sempre pronto a criticar os defeitos dos outros, sem sequer nos apercebermos dos nossos, porque j\u00e1 estamos habituados e acomodados, protegidos por uma crosta opaca, \u00e9 um tipo de comportamento denunciado por Jesus como \u00abhipocrisia\u00bb (v. 42). A \u00abhipocrisia\u00bb \u00e9 um termo de origem grega e designa aquele que, no teatro, representa um papel que n\u00e3o corresponde \u00e0 sua vida. Por exemplo, veste-se de santo\u2026, e \u00e9 um delinquente! A li\u00e7\u00e3o de Jesus \u00e9 pertinente: \u00abTira\u00a0<em>primeiro<\/em>\u00a0(<em>pr\u00f4ton<\/em>) a trave do teu olho, e depois ver\u00e1s bem\u2026\u00bb (v. 42). Portanto, fica claro para todos n\u00f3s o que h\u00e1 que fazer sempre em\u00a0<em>primeiro lugar<\/em>: proceder \u00e0 limpeza da nossa vida, adequando-a ao Evangelho. Ao comentar o Salmo 30, Santo Agostinho faz esta observa\u00e7\u00e3o aguda e penetrante: \u00abN\u00e3o penses mal do teu irm\u00e3o. S\u00ea tu com humildade o que queres que ele seja, e n\u00e3o pensar\u00e1s que ele \u00e9 o que tu n\u00e3o \u00e9s\u00bb (<em>Enarrationes in psalmos<\/em>, 30,2,7). E Lucas dir\u00e1 mais \u00e0 frente que \u00abA l\u00e2mpada do corpo \u00e9 o teu olho. Se o teu olho estiver s\u00e3o, todo o teu corpo ficar\u00e1 iluminado; mas se ele for mau, o teu corpo tamb\u00e9m ficar\u00e1 \u00e0s escuras. Portanto, v\u00ea bem se a luz que h\u00e1 em ti n\u00e3o s\u00e3o trevas\u00bb (Lucas 11,34-35).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">3. A terceira compara\u00e7\u00e3o p\u00f5e lado a lado a \u00e1rvore boa e a \u00e1rvore m\u00e1 (Lucas 6,43-45). \u00c0 primeira vista, parece que Jesus coloca o acento nas obras, no que se faz, e n\u00e3o nas palavras, no que se diz. A pequena par\u00e1bola aponta, por\u00e9m, ainda outra dire\u00e7\u00e3o: \u00e9 de dentro, do interior, do cora\u00e7\u00e3o, que prov\u00eam as obras, boas ou m\u00e1s. Pelo que o verdadeiro problema consiste em mudar o interior, o cora\u00e7\u00e3o, a nascente. Na verdade, na cultura sem\u00edtica e b\u00edblica, o cora\u00e7\u00e3o \u00e9 comparado a um dep\u00f3sito, de onde se retiram os pensamentos, as palavras e as a\u00e7\u00f5es. Por isso, conclui Jesus no v. 45, o homem bom, do seu bom cora\u00e7\u00e3o tira coisas boas; o mau, do seu mau cora\u00e7\u00e3o tira coisas m\u00e1s; e a boca fala da abund\u00e2ncia do cora\u00e7\u00e3o. \u00c9, portanto, necess\u00e1rio manter o cora\u00e7\u00e3o puro e limpo de mato e de silvas, para o encher de bondade, pois s\u00f3 um cora\u00e7\u00e3o bom pode e sabe amar os inimigos, perdoar os irm\u00e3os, indicar aos errantes o caminho certo. O te\u00f3logo alem\u00e3o Dietrich Bonhoeffer (1906-1945), pastor luterano, morto nos campos de concentra\u00e7\u00e3o nazis, escrevia na sua\u00a0<em>\u00c9tica<\/em>\u00a0que \u00aba bondade n\u00e3o \u00e9 uma qualidade da vida, mas a pr\u00f3pria vida, e que ser bom significa viver\u00bb. N\u00e3o admira, pois, que Jesus tenha definido os hip\u00f3critas como \u00absepulcros caiados\u00bb, cad\u00e1veres ambulantes, que se iludem pensando que est\u00e3o vivos; na verdade, como t\u00eam o cora\u00e7\u00e3o impuro, est\u00e3o mortos e deambulam \u00e0s escuras. As pessoas como as \u00e1rvores: n\u00e3o se conhecem as pessoas pela sua folhagem, isto \u00e9, pelas apar\u00eancias; conhecem-se, antes, pelos seus frutos, isto \u00e9, pela sua generosidade e pelo seu amor. E ainda: uma pessoa ego\u00edsta, egoc\u00eantrica, egol\u00e1trica e autorreferencial apega-se ao tesouro ilus\u00f3rio e falso do seu orgulho, e mal abre o tesouro do seu cora\u00e7\u00e3o, vem logo fora a malvadez, os ju\u00edzos cru\u00e9is, o \u00f3dio.<\/p>\n<p class=\"inline-ad-slot\" data-adtags-visited=\"true\" data-adtags-width=\"450\" id=\"inline-ad-0\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">4. A li\u00e7\u00e3o do Livro de Ben-Sira 27,5-8 que hoje nos atinge \u00e9 bela, pedag\u00f3gica e incisiva, e procede por constata\u00e7\u00f5es paralelas. Assim, em cada vers\u00edculo, o s\u00e1bio coloca diante de n\u00f3s um dado retirado da experi\u00eancia quotidiana, assentando logo sobre ele uma luminosa aplica\u00e7\u00e3o ao homem. Aproximemos a objetiva: no v. 5, o dado da experi\u00eancia quotidiana \u00e9 a peneira, que ret\u00e9m o lixo, do mesmo modo que o homem, no ato de falar, exp\u00f5e os seus defeitos; no v. 6, o dado da experi\u00eancia \u00e9 o forno, que p\u00f5e \u00e0 prova a qualidade das vasilhas de barro nele introduzidas, do mesmo modo que, no ato de falar, tamb\u00e9m \u00e9 posta \u00e0 prova a qualidade do homem; no v. 7, o dado da experi\u00eancia \u00e9 o fruto, que mostra a qualidade da \u00e1rvore, do mesmo modo que as palavras proferidas pelo homem mostram o bom ou mau estado do seu cora\u00e7\u00e3o. O fecho destes paralelismos surge no v. 8, em que somos advertidos a n\u00e3o julgar ningu\u00e9m antes de ele falar. Convenhamos que se trata de uma instru\u00e7\u00e3o cheia de sabedoria, que ataca a permanente tenta\u00e7\u00e3o que nos sobrev\u00e9m de antecipar os ju\u00edzos, que n\u00e3o passam, portanto, de pr\u00e9-ju\u00edzos, tantas vezes errados, e, por isso, danosos para n\u00f3s e para os outros. Esta bela e incisiva instru\u00e7\u00e3o, direitinha ao cora\u00e7\u00e3o, deixa-nos, em termos de conte\u00fado e de linguagem, longe da folhagem, na estrada do Evangelho de hoje.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">5. \u00c9-nos dada a gra\u00e7a de escutar hoje o final do Cap\u00edtulo XV da Primeira Carta aos Cor\u00edntios (15,54-58), em que o Ap\u00f3stolo fala aos fi\u00e9is de Corinto de ent\u00e3o, mas tamb\u00e9m de todas as proveni\u00eancias e tempos, do \u00abmist\u00e9rio\u00bb da Ressurrei\u00e7\u00e3o da carne, que Paulo anuncia \u00abque \u00e9\u00bb, mas n\u00e3o \u00abcomo \u00e9\u00bb (v. 51), sendo sempre, por\u00e9m, consequ\u00eancia direta, e a mais alta, da Ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor. A discri\u00e7\u00e3o de Paulo faz o necess\u00e1rio contraponto com as infinitas fantasias e especula\u00e7\u00f5es que, acerca da ressurrei\u00e7\u00e3o da carne, circulavam no ambiente de ent\u00e3o. Basta dizer, na sua ess\u00eancia e sobriedade, que o nosso corpo ser\u00e1 transformado, transfigurado (<em>allag\u00eas\u00f3metha<\/em>), o que se deve, n\u00e3o \u00e0 nossa capacidade, mas unicamente \u00e0 a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo (v. 45 e 49), que vem para n\u00f3s unicamente atrav\u00e9s da Humanidade Glorificada de Jesus (Jo\u00e3o 7,39; 19,34; Atos 2,33). Por isso, recomenda o Ap\u00f3stolo: \u00abGra\u00e7as sejam dadas a Deus, que nos d\u00e1 a vit\u00f3ria por Nosso Senhor Jesus Cristo\u00bb (v. 57).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">6. O belo Salmo 92 continua a fazer vibrar em n\u00f3s a m\u00fasica da semente, das \u00e1rvores, das aves e dos dias breves e belos, da eternidade. O orante real\u00e7a a imagem vegetal, fresca e verdejante, da palmeira e do cedro, verdadeiro bras\u00e3o do justo. Quer a palmeira quer o cedro evocam uma vitalidade contra a qual em v\u00e3o atenta o deserto. Al\u00e9m disso, o cedro, com a sua altura, simboliza a longevidade: pode durar um mil\u00e9nio. E a palmeira,\u00a0<em>pho\u00ednix<\/em>\u00a0no texto grego, com o seu duplo significado de palmeira e f\u00e9nix, a ave da imortalidade, servir\u00e1 \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 para celebrar a vit\u00f3ria da vida nova e eterna. No culto sinagogal, este Salmo \u00e9 cantado \u00e0 entrada do S\u00e1bado, ao p\u00f4r-do-sol de sexta-feira. L\u00ea-se na Mishna: \u00abAo s\u00e1bado canta-se o c\u00e2ntico do dia de s\u00e1bado (Salmo 92), c\u00e2ntico para o tempo que h\u00e1 de vir, para o dia que ser\u00e1 inteiramente s\u00e1bado e repouso para a vida eterna. Mas \u00e9 o Senhor que est\u00e1 por detr\u00e1s de tudo isto. \u00c9 por isso que \u00e9 bom e belo louv\u00e1-lo!<\/p>\n<p class=\"inline-ad-slot\" data-adtags-visited=\"true\" data-adtags-width=\"450\" id=\"inline-ad-1\">\u00a0<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u2026..<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">As coisas do mundo<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">N\u00e3o podem alimentar-te<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Nem encher de perfume a tua vida.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u2026..<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">A tua alegria n\u00e3o est\u00e1 entre as coisas passageiras.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Rel\u00e2mpagos, tempestades, terramotos,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Sons e vozes da terra s\u00e3o estrangeiros para ti.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u2026..<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Tu, meu irm\u00e3o a tempo inteiro,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">N\u00e3o deixes de sentir os p\u00e9s no ch\u00e3o do terreiro,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Mas mant\u00e9m tamb\u00e9m a cabe\u00e7a no c\u00e9u,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Ao l\u00e9u,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Para poderes ouvir sempre bem a voz de Deus,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">E ver bem, belo e bom,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Para tirar o argueiro<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Da vista do teu irm\u00e3o e companheiro.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u2026..<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Que o \u00f3dio e a viol\u00eancia nunca tomem conta do teu cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Que o teu cora\u00e7\u00e3o seja habita\u00e7\u00e3o de paz.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Que nunca te seduza o som das espingardas.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Debulha o teu gr\u00e3o,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Reparte o teu p\u00e3o,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Olha para Deus com gratid\u00e3o.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u2026..<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Tens um ano inteiro<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Para encher de amor o teu celeiro.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">N\u00e3o tenhas medo do nevoeiro.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Que todos os dias haja miseric\u00f3rdia<\/p>\n<p class=\"inline-ad-slot\" data-adtags-visited=\"true\" data-adtags-width=\"450\" id=\"inline-ad-2\">\u00a0<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">No teu cora\u00e7\u00e3o e nas tuas m\u00e3os.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Que o Senhor seja sempre a tua Luz,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Meu irm\u00e3o e irm\u00e3o de Jesus.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u2026..<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. 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