{"id":2246604717,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/431-jmj2023\/10060-homilia-do-papa-na-missa-para-a-passagem-da-cruz-da-jmj-"},"modified":"2025-11-07T16:32:59","modified_gmt":"2025-11-07T16:32:59","slug":"homilia-do-papa-na-missa-para-a-passagem-da-cruz-da-jmj","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/homilia-do-papa-na-missa-para-a-passagem-da-cruz-da-jmj\/","title":{"rendered":"Homilia do Papa na Missa para a passagem da Cruz da JMJ"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/papa_jmj_passagem_201122124316.jpeg\" \/><\/p>\n<p><p><em>No \u00e1ltar da C\u00e1tedra da Bas\u00edlica de S\u00e3o Pedro, no Vaticano, o Papa Francisco celebrou esta manh\u00e3 a eucaristia com a qual se transferem os s\u00edmbolos da Jornada Mundial da Juventude do Panam\u00e1 para Lisboa. Na sua homilia o papa desafiou os jovens a n\u00e3o &#8220;renunciar aos grandes sonhos&#8221; e a encontrar a &#8220;alegria&#8221; que na &#8220;via do amor&#8221; permite &#8220;viver e n\u00e3o vegetar&#8221;<\/em><\/p>\n<p>Leia na \u00edntegra, a homilia do Papa Francisco<\/p>\n<p>A p\u00e1gina que acabamos de ouvir \u00e9 a \u00faltima do evangelho de Mateus antes da Paix\u00e3o: antes de nos dar o seu amor na cruz, Jesus transmite-nos as \u00faltimas vontades. Diz-nos que o bem que fizermos a um dos seus irm\u00e3os mais pequeninos \u2013 esfomeados, sedentos, forasteiros, necessitados, doentes, reclusos \u2013 ser\u00e1 feito a Ele (cf.\u00a0<em>Mt<\/em>\u00a025, 37-40). Deste modo o Senhor entrega-nos a lista das prendas que deseja para as n\u00fapcias eternas connosco no C\u00e9u. S\u00e3o as obras de miseric\u00f3rdia que tornam eterna a nossa vida. Cada um de n\u00f3s pode interrogar-se: Coloco-as em pr\u00e1tica? Fa\u00e7o alguma coisa por quem tem necessidade, ou pratico o bem somente para as pessoas queridas e os amigos? Ajudo algu\u00e9m que n\u00e3o me pode restituir? Sou amigo duma pessoa pobre? E pod\u00edamos continuar com tantas outras perguntas, postas a n\u00f3s mesmos. \u00abEu estou ali \u2013 diz-te Jesus \u2013 espero por ti ali, onde n\u00e3o imaginas e para onde talvez nem quererias olhar: ali\u2026 nos pobres\u00bb.\u00a0<em>Eu estou ali<\/em>, onde n\u00e3o v\u00ea qualquer interesse o pensamento dominante, segundo o qual a vida vai bem, se for bem para mim.\u00a0<em>Eu estou ali<\/em>: diz Jesus tamb\u00e9m a ti, jovem que procuras realizar os sonhos da vida.<\/p>\n<p><em>Eu estou ali<\/em>: disse Jesus, s\u00e9culos atr\u00e1s, a um jovem soldado. Era um jovem de dezoito anos, ainda n\u00e3o batizado. Um dia viu um pobre que pedia ajuda \u00e0s pessoas, sem a obter, porque \u00abtodos passavam adiante\u00bb. E aquele jovem, \u00abvendo que os outros n\u00e3o se sentiam movidos \u00e0 compaix\u00e3o, compreendeu que aquele pobre estava reservado para ele\u00bb. Mas n\u00e3o tinha nada consigo, apenas o seu uniforme de servi\u00e7o. Ent\u00e3o cortou o seu manto e deu metade ao pobre, suportando o riso escarninho de alguns ao redor. Na noite seguinte, teve um sonho: viu Jesus, vestido com a parte do manto com que envolvera o pobre. E ouviu-O dizer: \u00abMartinho cobriu-<em>me<\/em>\u00a0com este manto\u00bb (cf. Sulp\u00edcio Severo,\u00a0<em>Vita Martini<\/em>, III). S\u00e3o Martinho era um jovem que teve aquele sonho porque o vivera, embora sem o saber, como os justos do Evangelho de hoje.<\/p>\n<p>Queridos jovens, queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s, n\u00e3o renunciemos aos\u00a0<em>grandes sonhos<\/em>. N\u00e3o nos contentemos em fazer apenas o que \u00e9 devido. O Senhor n\u00e3o quer que restrinjamos os horizontes, n\u00e3o nos quer estacionados nas margens da vida, mas correndo para metas altas, com j\u00fabilo e ousadia. N\u00e3o fomos feitos para sonhar os feriados ou o fim de semana, mas para realizar os sonhos de Deus neste mundo. Ele tornou-nos capazes de sonhar, para abra\u00e7ar a beleza da vida. E as obras de miseric\u00f3rdia s\u00e3o as obras mais belas da vida. As obras de miseric\u00f3rdia centram-se diretamente nos nossos sonhos grandes. Se tens sonhos de verdadeira gl\u00f3ria \u2013 n\u00e3o da gl\u00f3ria passageira do mundo, mas da gl\u00f3ria de Deus \u2013, esta \u00e9 a estrada. L\u00ea a passagem do evangelho de hoje, reflete nela. Porque as obras de miseric\u00f3rdia d\u00e3o mais gl\u00f3ria a Deus do que qualquer outra coisa. Ouvi isto com aten\u00e7\u00e3o: as obras de miseric\u00f3rdia d\u00e3o mais gl\u00f3ria a Deus do que qualquer outra coisa. No fim, \u00e9 sobre as obras de miseric\u00f3rdia que seremos julgados.<\/p>\n<p>Mas, donde se come\u00e7a para realizar grandes sonhos? Das\u00a0<em>op\u00e7\u00f5es grandes<\/em>. Hoje, o Evangelho tamb\u00e9m nos fala disto. Com efeito, no momento do ju\u00edzo final, o Senhor baseia-Se nas nossas escolhas. Quase parece que n\u00e3o julga: separa as ovelhas dos cabritos, mas ser bom ou mau depende de n\u00f3s. Ele limita-Se a tirar as consequ\u00eancias das nossas escolhas, tr\u00e1-las \u00e0 luz e respeita-as. Assim a vida \u00e9 o tempo das escolhas vigorosas, decisivas e eternas. Escolhas banais levam a uma vida banal; escolhas grandes tornam grande a vida. De facto, tornamo-nos naquilo que escolhemos, tanto no bem como no mal. Se escolhemos roubar, tornamo-nos ladr\u00f5es; se escolhemos pensar em n\u00f3s mesmos, tornamo-nos ego\u00edstas; se escolhemos odiar, tornamo-nos rancorosos; se escolhemos passar horas no telem\u00f3vel, tornamo-nos dependentes. Mas, se escolhermos Deus, vamo-nos tornando dia a dia mais am\u00e1veis e, se optarmos por amar, tornamo-nos felizes. \u00c9 assim, porque a beleza das op\u00e7\u00f5es depende do amor: n\u00e3o o esque\u00e7ais! Jesus sabe que, se vivermos fechados e na indiferen\u00e7a, ficamos paralisados; mas, se nos gastarmos pelos outros, tornamo-nos livres. O Senhor da vida quer-nos cheios de vida e d\u00e1-nos o segredo da vida: s\u00f3 a possu\u00edmos, se a dermos. Esta \u00e9 uma regra de vida: a vida s\u00f3 a possu\u00edmos \u2013 agora e eternamente \u2013, se a dermos.<\/p>\n<p>\u00c9 verdade que existem obst\u00e1culos que tornam dif\u00edcil escolher: com frequ\u00eancia, s\u00e3o o medo, a inseguran\u00e7a, os porqu\u00eas sem resposta\u2026 tantos porqu\u00eas. Contudo o amor pede para os ultrapassar, n\u00e3o ficar agarrados aos\u00a0<em>porqu\u00eas<\/em>\u00a0da vida, esperando que chegue do C\u00e9u uma resposta. A resposta chegou: \u00e9 o olhar do Pai que nos ama e nos enviou o Filho. O amor impele a passar dos\u00a0<em>porqu\u00eas<\/em>\u00a0ao\u00a0<em>para quem<\/em>: do porque vivo, ao para quem vivo; do porqu\u00ea me acontece isto, ao para quem posso fazer bem. Para quem? N\u00e3o s\u00f3 para mim; a vida j\u00e1 est\u00e1 cheia de escolhas que fazemos para n\u00f3s mesmos: ter um diploma, amigos, uma casa; satisfazer os nossos pr\u00f3prios interesses, os nossos passatempos. De facto, corremos o risco de passar anos a pensar em n\u00f3s mesmos, sem come\u00e7ar a amar. Manzoni deu um bom conselho: \u00abDevia-se pensar mais em fazer bem do que em estar bem; e acabar\u00edamos assim por estar melhor\u00bb (<em>I Promessi Sposi<\/em>, cap. 38).<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o temos apenas as d\u00favidas e os porqu\u00eas a insidiar as escolhas grandes, generosas; existem muitos outros obst\u00e1culos, todos os dias. H\u00e1 a febre de consumir, que narcotiza o cora\u00e7\u00e3o com coisas sup\u00e9rfluas. H\u00e1 a obsess\u00e3o pelo divertimento, que parece a \u00fanica via para escapar dos problemas, quando, ao inv\u00e9s, \u00e9 apenas um adiamento do problema. H\u00e1 a fixa\u00e7\u00e3o nos pr\u00f3prios direitos a reivindicar, esquecendo o dever de ajudar. E, depois, h\u00e1 a grande ilus\u00e3o do amor, que parece algo a ser vivido ao som de emo\u00e7\u00f5es, quando amar \u00e9 principalmente dom, escolha e sacrif\u00edcio. Sobretudo hoje, escolher \u00e9 n\u00e3o se fazer domesticar pela homogeneiza\u00e7\u00e3o, \u00e9 n\u00e3o se deixar anestesiar pelos mecanismos do consumo, que desativam a originalidade, \u00e9 saber renunciar \u00e0s apar\u00eancias e \u00e0 exibi\u00e7\u00e3o. Escolher a vida \u00e9 lutar contra a mentalidade do\u00a0<em>usa-e-bota-fora<\/em>\u00a0e do\u00a0<em>tudo-e-imediatamente<\/em>, para orientar a exist\u00eancia rumo \u00e0 meta do C\u00e9u, rumo aos sonhos de Deus. Escolher a vida \u00e9 viver, e n\u00f3s nascemos para viver, n\u00e3o para vegetar. Disse-o um jovem como v\u00f3s [o Beato Pier Giorgio Frassati]: \u00abEu quero viver, n\u00e3o vegetar\u00bb.<\/p>\n<p>Todos os dias se apresentam muitas op\u00e7\u00f5es no cora\u00e7\u00e3o. Gostaria de vos dar um \u00faltimo conselho para vos treinardes a escolher bem. Se olharmos dentro de n\u00f3s, veremos que muitas vezes surgem a\u00ed duas perguntas diferentes. A primeira:\u00a0<em>o que me apetece fazer?<\/em>\u00a0\u00c9 uma pergunta que engana frequentemente, porque insinua que o importante \u00e9 pensar em si mesmo e satisfazer todos os desejos e impulsos que me v\u00eam. Mas a pergunta que o Esp\u00edrito Santo sugere ao cora\u00e7\u00e3o \u00e9 outra: n\u00e3o\u00a0<em>aquilo que te apetece,<\/em>\u00a0mas\u00a0<em>aquilo que te faz bem<\/em>. A op\u00e7\u00e3o di\u00e1ria situa-se aqui: escolher entre o que me apetece fazer e o que me faz bem. Desta busca interior, podem nascer escolhas banais ou escolhas vitais. Depende de n\u00f3s. Olhemos para Jesus, pe\u00e7amos-Lhe a coragem de escolher o que nos faz bem, de caminhar atr\u00e1s d\u2019Ele pela via do amor. E encontrar a alegria. Para viver, e n\u00e3o para vegetar.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o Educris a partir do <a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/it\/homilies\/2020\/documents\/papa-francesco_20201122_omelia-passaggiocroce-gmg.html\" target=\"_blank\">original em italiano<\/a><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Imagem: Vatican.va<\/p>\n<p>22.11.2020<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No \u00e1ltar da C\u00e1tedra da Bas\u00edlica de S\u00e3o Pedro, no Vaticano, o Papa Francisco celebrou esta manh\u00e3 a eucaristia com [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":850484998,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[69],"class_list":["post-2246604717","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-jmj-lisboa-2023"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2246604717","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2246604717"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2246604717\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4294994275,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2246604717\/revisions\/4294994275"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2246604717"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2246604717"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2246604717"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}