{"id":2268406228,"date":"2019-11-17T00:00:00","date_gmt":"2019-11-17T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/326-vaticano\/8992-homilia-do-papa-francisco-no-dia-mundial-dos-pobres"},"modified":"2019-11-17T00:00:00","modified_gmt":"2019-11-17T00:00:00","slug":"homilia-do-papa-francisco-no-dia-mundial-dos-pobres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/homilia-do-papa-francisco-no-dia-mundial-dos-pobres\/","title":{"rendered":"Homilia do Papa Francisco no Dia Mundial dos Pobres"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/papa_pobres_191117064423.jpeg\"\/><\/p>\n<p><p><em><strong>Papa assinalou com a celebra\u00e7\u00e3o da eucaristia o III Dia Mundial dos Pobres. Na sua homilia Francisco voltou a abordar &#8220;as novas formas de pobreza&#8221; e a apelar ao compromisso dos crist\u00e3os perante aquilo que apelidou de cultura do &#8220;imediatamente&#8221; que considera &#8220;in\u00fateis os que ficam para traz&#8221; pois &#8220;os pobres facilitam-nos o acesso ao c\u00e9u&#8221;.<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Leia, na \u00edntegra, a homilia do Santo Padre<\/p>\n<p>Hoje, no Evangelho, Jesus deixa os seus contempor\u00e2neos, e n\u00f3s tamb\u00e9m, surpreendidos; precisamente no momento em que algu\u00e9m elogiava a magnific\u00eancia do templo de Jerusal\u00e9m, diz Ele que n\u00e3o ficar\u00e1 \u00abpedra sobre pedra\u00bb (<em>Lc<\/em>\u00a021, 6). Por que profere tais palavras sobre institui\u00e7\u00e3o t\u00e3o sagrada, que n\u00e3o era apenas um edif\u00edcio, mas um sinal religioso \u00fanico, uma casa para Deus e para o povo crente? Por que profetiza que este ponto firme, nas certezas do povo de Deus, cairia? Por que deixa o Senhor que, no fim, se desmoronem as certezas, enquanto o mundo est\u00e1 cada vez mais carecido delas?<\/p>\n<p>Procuremos respostas nas palavras de Jesus. Hoje diz-nos Ele que\u00a0<em>quase<\/em>\u00a0tudo passar\u00e1: quase tudo, mas n\u00e3o\u00a0<em>tudo<\/em>. Neste pen\u00faltimo domingo do Tempo Comum, explica que, a desmoronar-se, a passar s\u00e3o\u00a0<em>as coisas pen\u00faltimas<\/em>, n\u00e3o as \u00faltimas: o templo, n\u00e3o Deus; os reinos e as vicissitudes da humanidade, n\u00e3o o homem. Passam as coisas pen\u00faltimas, que muitas vezes parecem definitivas, mas n\u00e3o s\u00e3o. S\u00e3o realidades grandiosas, como os nossos templos, e pavorosas, como terremotos, sinais no c\u00e9u e guerras na terra (cf. 21, 10-11): a nossos olhos parecem acontecimentos de primeira p\u00e1gina, mas o Senhor coloca-os na segunda p\u00e1gina. Na primeira, resta o que n\u00e3o passar\u00e1 jamais: o Deus vivo, infinitamente maior do que qualquer templo que Lhe construamos, e o homem, o nosso pr\u00f3ximo, que vale mais do que dizem todas as cr\u00f3nicas do mundo. Ent\u00e3o, para nos ajudar a compreender aquilo que conta na vida, Jesus acautela-nos de duas tenta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A primeira \u00e9 a tenta\u00e7\u00e3o da pressa, do\u00a0<em>imediatamente<\/em>. Para Jesus, n\u00e3o \u00e9 preciso ir atr\u00e1s daqueles que dizem que o fim chega imediatamente, que \u00abo tempo est\u00e1 pr\u00f3ximo\u00bb (21, 8). Por outras palavras, n\u00e3o se devem seguir aqueles que difundem alarmismos e alimentam o medo do outro e do futuro, porque o medo paralisa o cora\u00e7\u00e3o e a mente. E, no entanto, quantas vezes nos deixamos seduzir pela pressa de querer saber\u00a0<em>tudo e imediatamente<\/em>, pelo prurido da curiosidade, pela \u00faltima not\u00edcia clamorosa ou escandalosa, pelas cr\u00f3nicas morbosas, pela gritaria daqueles que berram mais alto e mais enraivecidos, por quem diz \u00abagora ou nunca mais\u00bb. Mas esta pressa, este\u00a0<em>tudo e imediatamente<\/em>\u00a0n\u00e3o vem de Deus. Se nos afadigarmos pelo\u00a0<em>imediatamente<\/em>, esqueceremos o que permanece para\u00a0<em>sempre<\/em>: seguimos as nuvens que passam, e perdemos de vista o c\u00e9u. Atra\u00eddos pelo \u00faltimo alarido, deixamos de encontrar tempo para Deus e para o irm\u00e3o que vive ao nosso lado. Como tudo isto \u00e9 verdade hoje! Com a mania de correr, de dominar tudo e imediatamente, incomoda-nos quem fica para tr\u00e1s; e consideramo-lo descart\u00e1vel. Quantos idosos, nascituros, pessoas com defici\u00eancia, pobres\u2026 considerados in\u00fateis! Vamos com pressa, sem nos preocuparmos que aumentem os desn\u00edveis, que a gan\u00e2ncia de poucos aumente a pobreza de muitos.<\/p>\n<p>Como ant\u00eddoto \u00e0 pressa, Jesus prop\u00f5e-nos hoje a cada um a\u00a0<em>perseveran\u00e7a<\/em>: \u00abpela vossa const\u00e2ncia \u00e9 que sereis salvos\u00bb (21, 19). A perseveran\u00e7a \u00e9 avan\u00e7ar dia a dia com os olhos fixos naquilo que n\u00e3o passa: o Senhor e o pr\u00f3ximo. Por isso mesmo, a perseveran\u00e7a \u00e9 o dom de Deus com que se conservam todos os outros dons d\u2019Ele (cf. Santo Agostinho,\u00a0<em>De dono perseverantiae<\/em>, 2, 4). Para cada um de n\u00f3s e para n\u00f3s como Igreja, pe\u00e7amos a gra\u00e7a de perseverar no bem, de n\u00e3o perder de vista aquilo que conta.<\/p>\n<p>H\u00e1 um segundo engano de que nos quer desviar Jesus, quando afirma: \u00abMuitos vir\u00e3o em meu nome, dizendo \u201csou\u00a0<em>eu<\/em>\u201d. (\u2026) N\u00e3o os sigais\u00bb (21, 8). \u00c9\u00a0<em>a tenta\u00e7\u00e3o do eu<\/em>. Ora o crist\u00e3o, dado que n\u00e3o procura o\u00a0<em>imediatamente<\/em>\u00a0mas o\u00a0<em>sempre<\/em>, n\u00e3o \u00e9 um disc\u00edpulo do\u00a0<em>eu<\/em>, mas do\u00a0<em>tu<\/em>. Isto \u00e9, n\u00e3o segue as sereias dos seus caprichos, mas a solicita\u00e7\u00e3o do amor, a voz de Jesus. E como se distingue a voz de Jesus? \u00abMuitos vir\u00e3o\u00a0<em>em meu nome<\/em>\u00bb: diz o Senhor. Mas n\u00e3o devemos segui-los. N\u00e3o \u00e9 suficiente ter o r\u00f3tulo de \u00abcrist\u00e3o\u00bb ou de \u00abcat\u00f3lico\u00bb para ser de Jesus. \u00c9 preciso falar a mesma linguagem de Jesus: a linguagem do amor,\u00a0<em>a linguagem do tu<\/em>. N\u00e3o fala a linguagem de Jesus quem diz\u00a0<em>eu<\/em>, mas quem sai do pr\u00f3prio eu. Todavia quantas vezes, mesmo ao fazer o bem, reina a\u00a0<em>hipocrisia do eu<\/em>: fa\u00e7o o bem, mas para ser considerado virtuoso; dou, mas para receber em troca; ajudo, mas para ganhar a amizade daquela pessoa importante. Isto \u00e9 falar\u00a0<em>a linguagem do eu<\/em>. Ao contr\u00e1rio, a Palavra de Deus incita-nos a um amor n\u00e3o hip\u00f3crita (cf.\u00a0<em>Rm<\/em>\u00a012, 9), a dar \u00e0queles que n\u00e3o t\u00eam nada para restituir (cf.\u00a0<em>Lc<\/em>\u00a014, 14), a servir sem procurar recompensas nem retribui\u00e7\u00f5es (cf.\u00a0<em>Lc<\/em>\u00a06, 35). Ent\u00e3o ponhamo-nos a quest\u00e3o: Eu ajudo algu\u00e9m, de quem nada poderei receber? Eu, crist\u00e3o, tenho ao menos um pobre por amigo?<\/p>\n<p>Os pobres s\u00e3o preciosos aos olhos de Deus, porque n\u00e3o falam a linguagem do eu: n\u00e3o se aguentam sozinhos, com as pr\u00f3prias for\u00e7as, precisam de quem os tome pela m\u00e3o. Lembram-nos que o Evangelho se vive assim, como mendigos voltados para Deus. A presen\u00e7a dos pobres leva-nos de volta \u00e0 aragem do Evangelho, onde s\u00e3o bem-aventurados os pobres em esp\u00edrito (cf.\u00a0<em>Mt<\/em>\u00a05, 3). Ent\u00e3o, em vez de sentir aborrecimento, quando os ouvimos bater \u00e0 nossa portas, podemos receber o seu grito de ajuda como uma chamada para sair do nosso eu, aceit\u00e1-los com o mesmo olhar de amor que Deus tem por eles. Como seria bom se os pobres ocupassem no nosso cora\u00e7\u00e3o o lugar que t\u00eam no cora\u00e7\u00e3o de Deus! Quando estamos com os pobres, quando servimos os pobres, aprendemos os gostos de Jesus, compreendemos o que permanece e o que passa.<\/p>\n<p>E assim voltamos \u00e0s perguntas iniciais. No meio de tantas coisas pen\u00faltimas, que passam, o Senhor quer lembrar-nos hoje a coisa \u00faltima, que permanecer\u00e1 para sempre: o amor, porque \u00abDeus \u00e9 amor\u00bb (<em>1 Jo<\/em>\u00a04, 8), e o pobre que pede o meu amor leva-me diretamente a Ele. Os pobres facilitam-nos o acesso ao C\u00e9u: \u00e9 por isso que o sentido da f\u00e9 do povo de Deus os viu como\u00a0<em>os porteiros do C\u00e9u<\/em>. J\u00e1 desde agora, s\u00e3o o nosso tesouro, o tesouro da Igreja. Com efeito, desvendam-nos a riqueza que jamais envelhece, a riqueza que une terra e C\u00e9u e para a qual verdadeiramente vale a pena viver: o amor.<\/p>\n<p>\u00a0Tradu\u00e7\u00e3o Educris a partir do<a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/it\/homilies\/2019\/documents\/papa-francesco_20191117_omelia-giornatamondiale-poveri.html\"> original em italiano<\/a><\/p>\n<p>Educris|17.11.2019<\/p>\n<\/p>\n<p><iframe allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen=\"\" frameborder=\"0\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/VNtXBT2S36U\" width=\"560\"><\/iframe> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Papa assinalou com a celebra\u00e7\u00e3o da eucaristia o III Dia Mundial dos Pobres. 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