{"id":228156455,"date":"2023-09-30T00:00:00","date_gmt":"2023-09-30T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/12480-domingo-xxvi-do-tempo-comum-fazer-hoje-a-vontade-do-pai"},"modified":"2023-09-30T00:00:00","modified_gmt":"2023-09-30T00:00:00","slug":"domingo-xxvi-do-tempo-comum-fazer-hoje-a-vontade-do-pai","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/domingo-xxvi-do-tempo-comum-fazer-hoje-a-vontade-do-pai\/","title":{"rendered":"Domingo XXVI do Tempo Comum: \u00abFazer hoje a vontade do Pai\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031.jpg\"\/><\/p>\n<p><p data-adtags-visited=\"true\">Ez 18,25-28; Sl 25; Fl 2,1-11; Mt 21,28-32<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">1. Quando, em Mateus 26, tiver lugar a pris\u00e3o e o julgamento de Jesus, os advers\u00e1rios vis\u00edveis de Jesus ser\u00e3o sobretudo os chefes dos sacerdotes e os anci\u00e3os do povo. Mas o processo hostil contra Jesus, que a\u00ed conhecer\u00e1 o seu desfecho, abre-se logo no come\u00e7o do Evangelho e continua p\u00e1gina ap\u00f3s p\u00e1gina, com uma base mais alargada de advers\u00e1rios, ganhando um not\u00f3rio relevo em Mateus 21,28-22,14, um bloco textual que se comp\u00f5e de tr\u00eas par\u00e1bolas seguidas, proferidas por Jesus em contexto de disputa com as autoridades judaicas: a \u00abpar\u00e1bola dos dois filhos\u00bb (Mateus 21,28-32), a \u00abpar\u00e1bola dos vinhateiros homicidas\u00bb (Mateus 21,33-46) e a \u00abpar\u00e1bola do banquete nupcial\u00bb (Mateus 22,1-14). As tr\u00eas par\u00e1bolas ser\u00e3o proclamadas e escutadas na liturgia eucar\u00edstica dos pr\u00f3ximos tr\u00eas Domingos. Assim, neste Domingo XXVI do Tempo Comum, escutaremos a \u00abpar\u00e1bola dos dois filhos\u00bb, e, nos dois Domingos seguintes (XXVII e XXVIII), escutaremos as outras duas. Acentuo que \u00e9, de qualquer modo, um privil\u00e9gio podermos escutar estas tr\u00eas par\u00e1bolas em tr\u00eas Domingos seguidos.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">2. Assim, o Evangelho deste Domingo XXVI p\u00f5e diante de n\u00f3s a \u00abpar\u00e1bola dois filhos\u00bb (Mateus 21,28-32), atirada por Jesus aos representantes das principais autoridades judaicas, os \u00abchefes dos sacerdotes\u00bb e os \u00abanci\u00e3os do povo\u00bb, em confronto direto com Jesus, no Templo, como se pode ver j\u00e1 desde Mateus 21,15 e 23. O confronto acontece naturalmente no vasto \u00c1trio dos Pag\u00e3os (cerca de 13,5 hectares), onde era usual aparecerem os pregadores e os mestres, onde se passavam informa\u00e7\u00f5es e se travavam discuss\u00f5es acad\u00e9micas, religiosas, pol\u00edticas e outras. O aparecimento dos \u00abchefes dos sacerdotes\u00bb e dos \u00abanci\u00e3os do povo\u00bb neste \u00c1trio do Templo em disputa com Jesus deve-se ao facto de terem visto Jesus expulsar do Templo vendedores, comerciantes e cambistas (Mateus 21,12), e depois de o terem visto tamb\u00e9m curar cegos e coxos na \u00e1rea do Templo (Mateus 21,14), e de terem visto e ouvido as crian\u00e7as a soltar no Templo a aclama\u00e7\u00e3o messi\u00e2nica: \u00abHossana ao Filho de David!\u00bb (Mateus 21,15). Perante o que tinham visto e ouvido, os referidos representantes das autoridades judaicas vieram perguntar a Jesus: \u00abCom que\u00a0<em>autoridade<\/em>\u00a0fazes estas coisas, e quem te deu essa\u00a0<em>autoridade<\/em>?\u00bb (Mateus 21,23). Jesus respondeu, pondo tamb\u00e9m uma pergunta, e condicionando a sua resposta \u00e0 resposta dos seus interlocutores \u00e0 quest\u00e3o por Ele posta, m\u00e9todo muito em uso neste tipo de discuss\u00f5es e disputas. Eis as palavras de Jesus: \u00abTamb\u00e9m Eu vos farei uma pergunta; se me responderdes, tamb\u00e9m Eu vos direi com que\u00a0<em>autoridade<\/em>\u00a0fa\u00e7o estas coisas. E perguntou: o batismo de Jo\u00e3o de onde (<em>p\u00f3then<\/em>) era? Do c\u00e9u ou dos homens?\u00bb (Mateus 21,24-25). Os chefes dos judeus conversaram entre eles, e conclu\u00edram que a pergunta de Jesus era uma armadilha, pois fosse qual fosse a resposta que dessem, ficavam sempre entalados. Se dissessem que era do c\u00e9u, Jesus retorquir-lhes-ia: \u00abEnt\u00e3o por que n\u00e3o lhe destes ouvidos?\u00bb; se dissessem que era dos homens, seria o povo que lhes cairia em cima, pois todos consideravam Jo\u00e3o um profeta. Por isso, diplomaticamente responderam: \u00abN\u00e3o sabemos\u00bb, o que levou Jesus a responder \u00e0 quest\u00e3o que lhe tinham posto: \u00abTamb\u00e9m Eu n\u00e3o vos digo com que\u00a0<em>autoridade<\/em>\u00a0fa\u00e7o estas coisas\u00bb (Mateus 21,27).<\/p>\n<p class=\"inline-ad-slot\" data-adtags-visited=\"true\" data-adtags-width=\"450\" id=\"inline-ad-0\">3. Na verdade, este confronto entre Jesus e as autoridades judaicas j\u00e1 se arrasta desde Mateus 4,12, quando Jesus, que veio da Galileia \u00e0 Judeia para ser batizado por Jo\u00e3o (Mateus 3,13), pouco depois tomou conhecimento, com peso prol\u00e9ptico, da pris\u00e3o de Jo\u00e3o Batista, regressando por isso \u00e0 Galileia, onde come\u00e7ou a pregar usando as mesmas palavras que Jo\u00e3o Batista usava na Judeia: \u00abConvertei-vos, porque se fez pr\u00f3ximo o Reino dos C\u00e9us\u00bb (Mateus 4,17; cf. Mateus 3,2). \u00c9 significativo que, nestas disputas p\u00fablicas, Jesus fa\u00e7a quest\u00e3o de trazer para a cena Jo\u00e3o Batista, e de o mostrar associado a si, seu verdadeiro precursor, quer na prega\u00e7\u00e3o quer na rejei\u00e7\u00e3o! Veja-se ainda Mateus 9,14-15; 14,7-15.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">4. E tamb\u00e9m o vai buscar para a par\u00e1bola de hoje (Mateus 21,28-32), cujo aguilh\u00e3o continua a ser apontado aos representantes das autoridades judaicas, aos bem colocados na religi\u00e3o e na vida p\u00fablica. S\u00e3o esses que s\u00e3o interpelados por Jesus: \u00abQue vos parece?\u00bb (Mateus 21,28), e, depois, no final da par\u00e1bola: \u00abQual dos dois\u00a0<em>fez<\/em>\u00a0a vontade do Pai?\u00bb (Mateus 21,31). Entre estas duas perguntas, Jesus apresenta aos seus autorit\u00e1rios interlocutores, a chamada \u00abpar\u00e1bola dos dois filhos\u00bb (Mateus 21,28b-30). Tudo somado, trata-se de um pai que tem dois filhos. Dirige-se ao primeiro, e diz-lhe: \u00abFilho, vai HOJE (<em>s\u00eameron<\/em>) trabalhar na vinha\u00bb, ao que o filho respondeu: \u00abN\u00e3o quero\u00bb. Mas, entretanto, diz-nos o narrador, mudou de ideias (<em>metamel\u00eathe\u00eds<\/em>), e foi. Como a mudan\u00e7a de ideias do primeiro filho permanece desconhecida do seu pai, este dirigiu as mesmas palavras ao segundo, que disse logo muito respeitosamente: \u00abEu vou, senhor\u00bb. Mas, na verdade, n\u00e3o foi.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">5. \u00c9 aqui, depois de apresentada a par\u00e1bola, que Jesus formula a segunda pergunta com extrema precis\u00e3o, sem escapat\u00f3rias, como quem espeta um aguilh\u00e3o. A pergunta n\u00e3o \u00e9: \u00abQual dos dois\u00a0<em>respeitou<\/em>\u00a0o seu Pai?\u00bb. Se fosse este o sentido da pergunta, talvez a resposta pudesse recair sobre o segundo filho, que disse \u00absim\u00bb ao seu Pai. Na verdade, na cultura daquele tempo e lugar, era impens\u00e1vel e incompreens\u00edvel dizer \u00abn\u00e3o\u00bb ao pr\u00f3prio Pai. Mas a pergunta de Jesus \u00e9 sem equ\u00edvocos: \u00abQual dos dois\u00a0<em>fez<\/em>\u00a0a vontade do Pai?\u00bb. As autoridades de Jerusal\u00e9m n\u00e3o tinham escolha, e foram r\u00e1pidas a responder: \u00abO primeiro\u00bb (Mateus 21,31a). Note-se que o \u00abprimeiro\u00bb foi aquele que disse \u00abn\u00e3o\u00bb, faltando gravemente ao respeito ao seu Pai, mas depois,\u00a0<em>mudou o cora\u00e7\u00e3o<\/em>\u00a0(<em>metam\u00e9lomai<\/em>), e\u00a0<em>fez<\/em>\u00a0a vontade do Pai.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">6. Chega agora a altura das verdades mais inteiras, uma esp\u00e9cie de tiro ao alvo. Diz Jesus de forma solene: \u00abEm verdade vos digo que os publicanos e as prostitutas vos preceder\u00e3o no Reino dos C\u00e9us\u00bb (Mateus 21,31b). E continua, justificando a raz\u00e3o de ter trazido Jo\u00e3o Batista para o meio da cena para fazer par e paralelo consigo: \u00abVeio Jo\u00e3o no caminho da justi\u00e7a, e v\u00f3s\u00a0<em>n\u00e3o<\/em>\u00a0acreditastes nele, mas os publicanos e as prostitutas acreditaram nele. Mas v\u00f3s, tendo visto,\u00a0<em>nem sequer mudastes depois o cora\u00e7\u00e3o<\/em>\u00a0(<em>metam\u00e9lomai<\/em>) para acreditar nele\u00bb (Mateus 21,32). Por partes: 1) Jesus p\u00f5e diante das autoridades judaicas o par dos \u00abpublicanos e prostitutas\u00bb. \u00c9 f\u00e1cil de ver que os publicanos estavam ao servi\u00e7o do imp\u00e9rio romano, mas o mesmo acontecia com as prostitutas ao servi\u00e7o dos soldados romanos! Mas \u00e0 vista de Jo\u00e3o Batista,\u00a0<em>mudaram<\/em>\u00a0a vida. 2) Jo\u00e3o andava no \u00abcaminho da justi\u00e7a\u00bb. Em Mateus, o homem justo, que anda no caminho da justi\u00e7a, \u00e9 aquele que\u00a0<em>faz<\/em>\u00a0a vontade de Deus. Jesus associa-o a si. 3) O primeiro filho da par\u00e1bola de hoje tamb\u00e9m come\u00e7ou por longe, por dizer\u00a0<em>n\u00e3o<\/em>, mas acabou por\u00a0<em>mudar<\/em>\u00a0a vida e entrar no caminho da justi\u00e7a, tal como os publicanos e as prostitutas, e\u00a0<em>fez<\/em>\u00a0a vontade do Pai. 4) Fora da cena e do acesso ao Reino dos C\u00e9us continuam as autoridades judaicas, que bem viram e ouviram Jo\u00e3o Batista e Jesus, mas continuam sem mudar a vida, ao contr\u00e1rio do primeiro filho da par\u00e1bola e dos publicanos e prostitutas. 5) H\u00e1 que reparar ainda que a vontade daquele Pai \u00e9 para\u00a0<em>fazer HOJE<\/em>. N\u00e3o admite desvios nem demoras.\u00a0<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">7. Embora neste pequeno texto, Mateus restrinja as autoridades judaicas aos \u00abchefes dos sacerdotes\u00bb e \u00abanci\u00e3os do povo\u00bb, Mateus usa, nestes Cap\u00edtulos 21-23, muitos outros t\u00edtulos de autoridades judaicas em confronto aberto com Jesus. Lembramos os \u00abchefes dos sacerdotes e os escribas\u00bb (Mateus 21,15), os \u00abchefes dos sacerdotes e os fariseus\u00bb (Mateus 21,45), \u00abos fariseus\u2026 com os herodianos\u00bb (Mateus 22,15-16), os \u00absaduceus\u00bb (Mateus 22,23) e os \u00abfariseus\u00bb (Mateus 22,34.41). \u00c9 sabido que estes titulares, nomeadamente os fariseus, aparecem no Evangelho de Mateus como aqueles que \u00abdizem, mas\u00a0<em>n\u00e3o fazem<\/em>\u00bb (Mateus 23,3). E\u00a0<em>fazer<\/em>, em oposi\u00e7\u00e3o a\u00a0<em>dizer<\/em>, \u00e9 um tema fundamental neste Evangelho, assim expresso por Jesus no Discurso program\u00e1tico da Montanha: \u00ab<em>N\u00e3o<\/em>\u00a0todo aquele que me\u00a0<em>diz<\/em>: \u201cSenhor, Senhor\u201d entrar\u00e1 no Reino dos C\u00e9us, mas aquele que\u00a0<em>faz<\/em>\u00a0a vontade do meu Pai que est\u00e1 nos c\u00e9us\u00bb (Mateus 7,21). Note-se tamb\u00e9m que, neste Evangelho de Mateus, o verdadeiro\u00a0<em>fazer<\/em>\u00a0traduz-se em\u00a0<em>fazer fruto<\/em>, como consequ\u00eancia da convers\u00e3o ou mudan\u00e7a operada na nossa vida. Como \u00e9 importante, a ideia \u00e9 recorrente neste Evangelho: veja-se Mateus 3,8; 7,16-20; 12,33; 13,8; 21,41.43; 25,40.45. Mas tamb\u00e9m a\u00a0<em>justi\u00e7a<\/em>\u00a0\u00e9 um termo recorrente em Mateus. E\u00a0<em>justi\u00e7a<\/em>, no Evangelho de Mateus, indica o des\u00edgnio divino de salva\u00e7\u00e3o e a nossa obedi\u00eancia a esse des\u00edgnio. Dada a sua import\u00e2ncia, esta nota da\u00a0<em>justi\u00e7a<\/em>\u00a0faz-se ouvir por sete vezes neste Evangelho: veja-se Mateus 3,15; 5,6.10.20; 6,1.33; 21,32.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">8. Posto isto, \u00e9 agora mais f\u00e1cil deixar entrar em n\u00f3s a for\u00e7a da par\u00e1bola de Jesus, contada a gente habituada apenas a\u00a0<em>dizer<\/em>,\u00a0<em>dizer<\/em>,\u00a0<em>dizer<\/em>\u2026 O homem e pai, na par\u00e1bola, \u00e9 Deus. A vinha \u00e9 dele, mas \u00e9 tamb\u00e9m nossa. Nunca se fala, no corpo desta par\u00e1bola, da\u00a0<em>minha<\/em>\u00a0vinha. A vinha \u00e9, portanto, campo aberto de alegria e de liberdade, onde todos os filhos de Deus podem encontrar um novo espa\u00e7o relacional, porventura ainda in\u00e9dito, de filialidade, fraternidade e alegria.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">9. \u00c9 dito que este Pai tem dois filhos, que s\u00e3o todos os seus filhos, nas suas semelhan\u00e7as e diferen\u00e7as. Somos todos n\u00f3s, nas nossas semelhan\u00e7as e diferen\u00e7as. Ao primeiro, o Pai diz: \u00abFilho, vai HOJE trabalhar na vinha\u00bb (Mateus 21,28). Note-se o termo carinhoso \u00abfilho\u00bb, o imperativo da liberdade \u00abvai\u00bb, que nos coloca na estrada de Abra\u00e3o, o \u00abHOJE\u00bb, que requer resposta pronta e inadi\u00e1vel, e a \u00abvinha\u00bb, s\u00edmbolo da festa e da alegria. Note-se ainda a resposta tresloucada deste \u00abfilho\u00bb: \u00abN\u00e3o quero\u00bb (Mateus 21,29a), e a emenda: \u00abmas, depois, arrependeu-se e foi\u00bb (Mateus 21,29b). Note-se tamb\u00e9m a resposta respeitosa do segundo filho, depois de ter ouvido o mesmo convite do seu Pai: \u00abEu vou, senhor\u00bb (Mateus 21,30a), e a constata\u00e7\u00e3o do narrador de que, de facto,\u00a0<em>n\u00e3o<\/em>\u00a0foi (Mateus 21,30b). Como se v\u00ea, todos os filhos de Deus-Pai ouvem o mesmo convite e veem a mesma atitude de carinho. Respondem que n\u00e3o ou que sim, e ambos mudam! O que disse que n\u00e3o, de facto, vai HOJE\u00a0<em>fazer<\/em>\u00a0a vontade do PAI; o que disse que sim, ficou apenas em palavras, apenas mudando o sim em n\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">10. Os interpelados por Jesus (chefes dos sacerdotes e anci\u00e3os), os que s\u00f3\u00a0<em>dizem<\/em>,\u00a0<em>dizem<\/em>,\u00a0<em>dizem<\/em>, t\u00eam de reconhecer que n\u00e3o \u00e9 o que se DIZ, mas o que se FAZ, o que verdadeiramente conta. E ainda t\u00eam de reconhecer que Jo\u00e3o Batista bem que os tinha chamado \u00e0 convers\u00e3o (mudan\u00e7a de vida e atitude) para fazerem frutos de justi\u00e7a (Mateus 3,8; 21,32) e obedecerem ao des\u00edgnio de Deus, mas nem por isso lhe deram qualquer aten\u00e7\u00e3o (Mateus 21,32). Entenda-se: o que fez Jo\u00e3o Batista \u00e9 o que Jesus faz agora, e t\u00e3o-pouco lhe prestam aten\u00e7\u00e3o, convertendo-se ou mudando de vida e de atitudes. \u00c9 aqui que s\u00e3o chamados a fazer contraponto os publicanos e as prostitutas. Estes ouviram Jo\u00e3o e ouvem agora Jesus, e est\u00e3o a mudar a sua vida (Mateus 21,31-32)! Note-se sempre que nem isto podemos desmentir, pois o Autor destas p\u00e1ginas deslumbrantes que estamos a folhear, Mateus, era publicano. E mudou tanto, que agora \u00e9 um Ap\u00f3stolo e Evangelista! E n\u00f3s?<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">11. Ezequiel levanta a sua voz para nos dizer que o pecador salvar\u00e1 a sua vida se abrir os olhos do cora\u00e7\u00e3o e se afastar do mal, e come\u00e7ar a trilhar os caminhos do direito e da justi\u00e7a (Ezequiel 18,25-28). Portanto, est\u00e1 sempre aberta a porta que conduz \u00e0 vida. N\u00e3o, por\u00e9m, \u00e0 custa de Deus, querendo fazer vingar os nossos direitos sobre Ele, para que Ele d\u00ea raz\u00e3o aos nossos caprichos, mas dando-lhe o lugar que sempre lhe compete, o primeiro, e convertendo-nos n\u00f3s aos seus des\u00edgnios, isto \u00e9, respondendo-lhe nos passos concretos e quotidianos da nossa vida, dele por gra\u00e7a recebida.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">12. S. Paulo coloca diante de n\u00f3s, para imitar, o exemplo de Jesus Cristo, que desceu ao nosso n\u00edvel, para nos servir com do\u00e7ura e humildade (Filipenses 2,1-11). \u00c9 nele e dele, desde a fundura das entranhas das miseric\u00f3rdias e a transbordar de amor, que devemos viver, unidos e n\u00e3o desavindos, na comunh\u00e3o do Esp\u00edrito que opera uni\u00e3o e n\u00e3o divis\u00e3o. V\u00ea-se nascer assim, n\u00e3o obstante os problemas, uma comunidade n\u00e3o autorreferencial em que cada um estar\u00e1 mais atento aos outros do que a si pr\u00f3prio.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">13. Os acordes do Salmo 25, que hoje cantamos, trazem \u00e0 tona os rumos e os caminhos de Deus, que s\u00e3o sempre bondade, verdade, ternura e miseric\u00f3rdia \u2013 caminhos intransitivos, entenda-se \u2013, que se v\u00e3o insinuando mansamente dentro de n\u00f3s, mais ou menos como deixou escrito, no seu Di\u00e1rio, com data de 23 de janeiro de 1948, o grande escritor franc\u00eas George Bernanos: \u00abQue do\u00e7ura pensar que, embora ofendendo-o, n\u00e3o deixamos de desejar, desde o mais profundo santu\u00e1rio da alma, aquilo que Ele deseja\u00bb.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Ant\u00f3nio Couto<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Educris|30.09.2023<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ez 18,25-28; Sl 25; Fl 2,1-11; Mt 21,28-32 1. 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