{"id":2293571617,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/8762-xii-domingo-do-tempo-comum-o-nosso-lugar-feliz-e-cristo"},"modified":"2025-11-07T16:33:30","modified_gmt":"2025-11-07T16:33:30","slug":"xii-domingo-do-tempo-comum-o-nosso-lugar-feliz-e-cristo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/xii-domingo-do-tempo-comum-o-nosso-lugar-feliz-e-cristo\/","title":{"rendered":"XII Domingo do Tempo Comum: \u00abO nosso lugar feliz \u00e9 Cristo\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031.jpg\" \/><\/p>\n<p><p>1. Este Domingo XII do Tempo Comum oferece-nos a imensa\u00a0<em>utopia<\/em>messi\u00e2nica que atravessa a profecia de Zacarias 9-14, um povo pobre, explorado, combatido e assassinado, mas que \u00e9 a \u00abpupila dos olhos do Senhor\u00bb (Zacarias 2,12), que tem nele colocados os seus olhos (Zacarias 9,1 e 8). Este povo pobre e m\u00e1rtir tem direito \u00e0 sua esperan\u00e7a e ao seu rei diferente, que se apresenta pobre e pac\u00edfico, montado num jumento, animal de paz e n\u00e3o de guerra, e que por\u00e1 fim aos instrumentos de guerra (Zacarias 9,9-10). Mundo novo. O texto deste Domingo (Zacarias 12,10-11; 13,1) faz-nos chorar este povo pobre e m\u00e1rtir personificado num filho \u00fanico, num filho primog\u00e9nito, martirizado, mas faz-nos ver tamb\u00e9m, e fixa o nosso olhar nesta figura desfigurada e transpassada, mas transfigurada, pois se tornar\u00e1 numa fonte de \u00e1gua pura, salvadora e salutar (Zacarias 13,1; 14,8). \u00c9, neste sentido, que \u00abh\u00e3o de olhar para aquele que transpassaram\u00bb (Zacarias 12,10). Cruzamento de olhares: olha Deus para ele, por ele; olhamos agora tamb\u00e9m n\u00f3s para ele, por ele! \u00c9 sabido que Jo\u00e3o, vendo Jesus e relendo este texto de Zacarias, fixa o nosso olhar em Jesus crucificado, transpassado, desfigurado, transfigurado (Jo\u00e3o 19,37). Ent\u00e3o o crucificado ressuscitado, que preside \u00e0 nossa assembleia dominical e \u00e0 nossa vida, deixa de ser uma\u00a0<em>u-topia<\/em>\u00a0[= \u00absem lugar\u00bb], para se transformar numa\u00a0<em>eu-topia<\/em>\u00a0[= \u00ablugar feliz\u00bb]. Olhar fixo n\u2019Ele! M\u00e3os abertas em concha para Ele, para as encher nessa fonte de gra\u00e7a e de sa\u00fade! Sim, somos chamados a transformar o \u00abdeslugar\u00bb deste mundo em \u00ablugar feliz\u00bb! M\u00e3os \u00e0 obra! Ou, melhor ainda, cora\u00e7\u00f5es \u00e0 obra!<\/p>\n<p>2. Faz equil\u00edbrio com este grande texto de Zacarias o Evangelho de Lucas 9,18-24. Come\u00e7a por nos apresentar Jesus a rezar sozinho, o que acontece imensas vezes no Evangelho de Lucas, que \u00e9, por isso, tamb\u00e9m chamado \u00abEvangelho da ora\u00e7\u00e3o\u00bb. E \u00aborar\u00bb \u00e9, em sentido genu\u00edno, etimol\u00f3gico, beijar, como lembrou o Papa Bento XVI aos jovens reunidos na XX Jornada Mundial da Juventude, realizada em Col\u00f3nia, em 2005, referindo que a palavra latina para ora\u00e7\u00e3o \u00e9\u00a0<em>oratio<\/em>\u00a0e a locu\u00e7\u00e3o latina para adora\u00e7\u00e3o \u00e9\u00a0<em>ad oratio<\/em>, contacto boca a boca, beijo, abra\u00e7o, e portanto, no fundo, amor, ou seja, orientar a nossa vida toda para Deus, entregar a Deus a nossa vida toda, para que seja Ele a olhar para n\u00f3s, por n\u00f3s! \u00c9 importante sabermos, informa-nos o narrador, que os seus disc\u00edpulos estavam\u00a0<em>com Ele<\/em>. Estar\u00a0<em>com Ele<\/em>\u00a0\u00e9 o \u00ablugar feliz\u00bb do disc\u00edpulo de todos os tempos. Estar\u00a0<em>sem Ele<\/em>\u00a0\u00e9 sempre um \u00abdeslugar\u00bb. Se for este o caso, temos rapidamente de mudar de lugar!<\/p>\n<p>3. Tamb\u00e9m ficamos a saber, pela informa\u00e7\u00e3o dos disc\u00edpulos de ent\u00e3o, que as multid\u00f5es dizem Jesus com o passado, alinhando-o com as figuras do passado (Jo\u00e3o Batista, Elias, um antigo profeta redivivo) (Lucas 9,19), n\u00e3o contendo, portanto, nada de substancialmente novo. Em contraponto com as multid\u00f5es, Pedro avan\u00e7a um dizer novo, diz que Jesus \u00e9 o Cristo de Deus, sem, todavia, com este dizer, renovar a sua vida, sem fixar n\u2019Ele os olhos e o cora\u00e7\u00e3o, e sem encher as m\u00e3os em concha com a \u00e1gua viva que d\u2019Ele vem.<\/p>\n<p>4. \u00c9 Jesus, e s\u00f3 podia ser Jesus, que se autoapresenta aos seus disc\u00edpulos de ontem e de hoje, como tendo de sofrer, ser morto, e ressuscitar ao terceiro dia (Lucas 9,22). A\u00ed est\u00e1 o transpassado, desfigurado, transfigurado, fonte \u00fanica de \u00e1gua viva para n\u00f3s, fonte da nossa vida. Dizemos, na verdade, muitas coisas. Mas \u00e9 necess\u00e1rio ouvir Jesus dizer. Porque s\u00f3 Ele se diz e nos diz. Para o disc\u00edpulo, escutar \u00e9 deixar-se dizer! Para o disc\u00edpulo, dizer \u00e9 redizer o dito de Jesus. Eis o Mestre. Eis o disc\u00edpulo.<\/p>\n<p>5. Ainda duas coisas \u00fanicas deste Evangelho, duas p\u00e9rolas, portanto: \u00abDizia Ele a\u00a0<em>todos<\/em>: \u201cSe algu\u00e9m quer vir atr\u00e1s de mim, diga n\u00e3o a si mesmo, e tome a sua cruz\u00a0<em>todos os dias<\/em>, e siga-me\u201d\u00bb (Lucas 9,23). A primeira p\u00e9rola est\u00e1 em que Jesus diz para\u00a0<em>todos<\/em>. O dizer de Jesus, o seu ensinamento novo, n\u00e3o \u00e9 para elites, para alguns iluminados. \u00c9 para\u00a0<em>todos<\/em>. Entenda-se que a escola de Jesus est\u00e1 aberta a\u00a0<em>todos<\/em>, ricos e pobres, maus e bons, especialistas e ignorantes. J\u00e1 se sabe que o ignorante \u00e9 aquele que n\u00e3o sabe; de resto, tamb\u00e9m o dito especialista n\u00e3o sabe, mas n\u00e3o sabe, para usar o aforismo cortante do escritor italiano Leo Longanesi (1905-1957), com grande compet\u00eancia e autoridade! Ainda bem, portanto, que Jesus diz\u00a0<em>para todos<\/em>, e\u00a0<em>todos<\/em>devemos estar sentados e atentos na sua escola. A segunda p\u00e9rola \u00e9 que a vida crist\u00e3, que consiste em seguir Jesus, \u00e9 coisa\u00a0<em>quotidiana<\/em>, de\u00a0<em>todos os dias<\/em>. Lucas \u00e9 mesmo o \u00fanico Evangelista que regista a necessidade de tomar a cruz\u00a0<em>todos os dias<\/em>. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 para alguns dias de festa. N\u00e3o pode ter pausas.<\/p>\n<p>6. Dizer n\u00e3o a si mesmo \u00e9 pensar ao contr\u00e1rio do que estamos habituados a fazer. Pensamos sempre primeiro em n\u00f3s, em salvar-nos a n\u00f3s mesmos. E para nos salvarmos a n\u00f3s mesmos, pensamos n\u00f3s, temos de nos antecipar aos outros, ser mais espertos do que os outros, passar \u00e0 frente dos outros. Exatamente o contr\u00e1rio de Jesus, que n\u00e3o quis salvar-se a si mesmo. Quis salvar-nos a n\u00f3s, p\u00f4r-se ao nosso servi\u00e7o, fazer-se fonte de \u00e1gua viva para n\u00f3s. \u00abSalva-te a ti mesmo, e desce da Cruz!\u00bb (Lucas 23,35-39), eis a tenta\u00e7\u00e3o que cai sobre Jesus em tr\u00eas vagas sucessivas. Todavia, se se tivesse salvo a si mesmo, n\u00e3o nos salvava a n\u00f3s! Estamos, portanto, perante a l\u00f3gica nova do \u00abquem perde, ganha\u00bb, que \u00e9 o jogo novo do cristianismo.<\/p>\n<p>7. N\u00e3o se pode ser crist\u00e3o, disc\u00edpulo de Jesus, seguir Jesus, dizer Jesus, sem dar a vida. O disc\u00edpulo de Jesus, \u00e0 maneira de Jesus, tem de p\u00f4r em jogo a pr\u00f3pria vida, e n\u00e3o simplesmente os adere\u00e7os. Tudo, e n\u00e3o apenas o sup\u00e9rfluo. Dar o que sobra n\u00e3o tem a marca de Deus, n\u00e3o \u00e9 fazer a verdadeira mem\u00f3ria de Jesus, que se entregou a si mesmo por n\u00f3s (Ef\u00e9sios 5,2), por mim (G\u00e1latas 2,20). O sup\u00e9rfluo deixa a vida intacta. O dom de si mesmo transforma a vida para sempre.<\/p>\n<p>8. \u00c9 esta novidade que S\u00e3o Paulo afirma outra vez na Carta aos G\u00e1latas 3,26-29. Sim, Paulo j\u00e1 n\u00e3o se sabe dizer sem dizer Jesus Cristo. Por Ele foi alcan\u00e7ado, n\u2019Ele foi batizado, est\u00e1 revestido d\u2019Ele. Se vive, \u00e9 porque est\u00e1 enxertado em Cristo, o \u00ablugar feliz\u00bb da sua vida.<\/p>\n<p>9. O Salmo 63 \u00e9 conhecido como \u00abo c\u00e2ntico do amor m\u00edstico\u00bb, atravessado por uma apaixonada intensidade, bem expressa na primeira afirma\u00e7\u00e3o ou declara\u00e7\u00e3o de amor \u00e0 boca do Salmo, mas que enche, de resto, o Salmo inteiro: \u00abO meu Deus \u00e9s Tu\u00bb (<em>?el\u00ee ?attah<\/em>), a que responde e corresponde Deus em Isa\u00edas 43,1, declarando: \u00abPara mim tu \u00e9s\u00bb (<em>l\u00ee ?attah<\/em>). Tudo o resto no Salmo 63 assenta sobre esta certeza. A minha vida recebida (<em>naphsh\u00ee<\/em>), por quatro vezes referida (vv. 2.5.9.10) agarra-se amorosamente (<em>dabaq<\/em>) a Ti (v. 9), canta o teu amor, vive de Ti. A beleza, intensidade e espiritualidade que atravessam este Salmo ganham visibilidade na liturgia bizantina das manh\u00e3s de Domingo, e os vv. 3-6 entram no c\u00e2none eucar\u00edstico armeno.<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. 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