{"id":2309636220,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/12260-x-domingo-do-tempo-comum-da-banca-de-impostos-para-a-casa-e-para-a-mesa"},"modified":"2025-11-07T16:33:55","modified_gmt":"2025-11-07T16:33:55","slug":"x-domingo-do-tempo-comum-da-banca-de-impostos-para-a-casa-e-para-a-mesa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/x-domingo-do-tempo-comum-da-banca-de-impostos-para-a-casa-e-para-a-mesa\/","title":{"rendered":"X Domingo do Tempo Comum: \u00abDa banca de impostos para a casa e para a mesa\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031.jpg\" \/><\/p>\n<p><p data-adtags-visited=\"true\">Os 6,3-6; Sl 50; Rm 4,18-25; Mt 9,9-13<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">1. Atravessado em seis etapas (Domingos IV-IX) o Discurso program\u00e1tico da Montanha, eis-nos agora, neste X Domingo do Tempo Comum, a bra\u00e7os com a narrativa da voca\u00e7\u00e3o de Mateus, narrada pelo pr\u00f3prio Mateus (9,9-13). \u00c9 o \u00fanico cen\u00e1rio de voca\u00e7\u00e3o em que aparece o nome Mateus. Nos lugares paralelos de Marcos 2,14 e de Lucas 5,27 aparece o nome Levi. \u00c9 importante o nome Mateus (<em>Maththa\u00ed<\/em>, do hebraico\u00a0<em>Mattay<\/em>, nome abreviado do teof\u00f3rico\u00a0<em>Mattanyah<\/em>\u00a0[= \u00abdom de Deus\u00bb]), que traduz bem a planta\u00e7\u00e3o nova de Deus (Isa\u00edas 61,3; Mateus 15,13), que atravessa de l\u00e9s-a-l\u00e9s o texto deste Evangelho, gerando espantos sucessivos em todos aqueles que t\u00eam cora\u00e7\u00e3o para ver! Mateus, do com\u00e9rcio, da banca de impostos, para a CASA e a MESA. Espa\u00e7o relacional novo. Puro confronto com o com\u00e9rcio que se faz(ia) na MINHA CASA, que \u00e9 o Templo de Deus (Mateus 21,12-13).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">2. O quadro imediatamente anterior (Mateus 9,1-8) narra o epis\u00f3dio habitualmente intitulado \u00abcura de um paral\u00edtico\u00bb. Na verdade, este texto \u00e9 considerado um dos eixos do Evangelho de Mateus. Trata, sim, da cura radical do paral\u00edtico, pois Jesus concede-lhe o perd\u00e3o dos pecados (Mateus 9,2), e o povo fecha o cen\u00e1rio louvando a Deus por ter dado uma tal autoridade (<em>exous\u00eda<\/em>) aos homens (<em>to\u00ees anthr\u00f4pois<\/em>) (Mateus 9,8). Esta autoridade nova e maravilhosa dada, n\u00e3o apenas \u00e0quele homem, Jesus, mas aos homens (a conclus\u00e3o excede as premissas), \u00e9 o perd\u00e3o, que \u00e9 uma das chaves de leitura do Evangelho de Mateus. Digamos que \u00e9 o segredo da vida de Mateus, logo posto a descoberto no cen\u00e1rio da sua voca\u00e7\u00e3o, que hoje nos ocupa.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">3. Na verdade, o publicano Mateus [o termo\u00a0<em>publicano<\/em>\u00a0deriva do termo latino\u00a0<em>publicanus<\/em>, que designa coletor de dinheiro p\u00fablico, latim\u00a0<em>publicus<\/em>] foi atingido no cora\u00e7\u00e3o pelo PERD\u00c3O. Visto, amado e chamado por Jesus, nasce a\u00ed, nesse olhar novo de PERD\u00c3O radical, a nova identidade de Mateus e a sua particular sensibilidade pela pr\u00e1tica do PERD\u00c3O, como resposta ao PERD\u00c3O primeiro de Deus. Vejamos um bocadinho do texto: \u00abE andando dali, Jesus VIU um homem sentado na banca de impostos, chamado Mateus, e disse-lhe: \u201cSegue-me!\u201d E, tendo-se levantado, seguiu-o. E tendo-se reclinado \u00e0 MESA, em CASA, vieram muitos publicanos e pecadores, e reclinavam-se \u00e0 MESA juntamente com Jesus e os seus disc\u00edpulos\u00bb (Mateus 9,9-10).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">4. O posto de cobran\u00e7a de Mateus situava-se um pouco a norte de Cafarnaum, junto da estrada internacional que ali passava, e que ligava o Egito \u00e0 Mesopot\u00e2mia. Os publicanos estavam ao servi\u00e7o do poder ocupante, o imp\u00e9rio romano, e cabia-lhes a tarefa odiosa de cobrar impostos aos seus concidad\u00e3os judeus para os entregar \u00e0s autoridades romanas, e meter ainda alguma coisa ao bolso. Sendo considerados c\u00famplices de romanos e ladr\u00f5es, eram naturalmente mal vistos e odiados pelos judeus, que os insultavam e enchiam de nomes feios.\u00a0<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">5. O segredo est\u00e1 em que um dia passou pela banca de impostos de Mateus um homem chamado Jesus, que, em vez de insultar Mateus, o VIU com o olhar BOM do criador (Mateus 9,9), e o chamou. A resposta de Mateus foi imediata. Afinal, nunca ningu\u00e9m o tinha tratado como gente!<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">6. O passo seguinte tem de ser a Festa para celebrar t\u00e3o grande reviravolta. E assim se re\u00fanem, na mesma CASA e \u00e0 mesma MESA, Mateus e os seus amigos, publicanos e pecadores como ele, e Jesus e os seus disc\u00edpulos.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">7. Surgem ent\u00e3o ao fundo da cena os fariseus, que adoram escandalizar-se, isto \u00e9, s\u00f3 est\u00e3o bem a ver o mal que pensam que os outros fazem, e ficam perplexos quando veem Jesus em t\u00e3o m\u00e1s companhias e a n\u00e3o respeitar as tradi\u00e7\u00f5es e conven\u00e7\u00f5es que eles tinham por sagradas! Estas conven\u00e7\u00f5es atiravam com os publicanos para o caixote do lixo da sociedade civil e religiosa de ent\u00e3o, que punha os publicanos ao n\u00edvel dos pag\u00e3os e das prostitutas e de toda a esp\u00e9cie de pecadores e de pessoas desprez\u00edveis (cf. Mateus 18,17; 21,31-32), isto \u00e9, associava-os a gente que, segundo eles, vivia bem longe das pautas da vontade de Deus e devia ser votada ao desprezo. De gente assim, pensavam os fariseus, deviam as pessoas honestas e religiosas afastar-se, evitar a conviv\u00eancia com eles, e, sobretudo, nunca se reclinarem com eles \u00e0 mesma mesa. Da\u00ed, a raz\u00e3o de ser da pergunta que os fariseus fazem aos disc\u00edpulos de Jesus: \u00abPor que \u00e9 que o vosso mestre come com os publicanos e os pecadores?\u00bb (Mateus 9,11).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">8. Jesus, que ter\u00e1 ouvido tamb\u00e9m a pergunta, toma a seu cargo a resposta, que articula em tr\u00eas pontos: 1) uma imagem derivada do quotidiano e que todos compreendiam; 2) uma cita\u00e7\u00e3o da Palavra de Deus do Antigo Testamento, que todos aceitavam; 3) a afirma\u00e7\u00e3o e clarifica\u00e7\u00e3o da miss\u00e3o que lhe tinha sido confiada. Em primeiro lugar, Jesus compara a sua presen\u00e7a no meio dos pecadores com a presen\u00e7a do m\u00e9dico junto dos doentes, fazendo ver com esta imagem esclarecedora que assim como o m\u00e9dico tem de estar junto dos doentes, para os curar, assim Jesus tem de estar junto dos pecadores, para lhes levar a salva\u00e7\u00e3o de Deus. Sem o dizer, Jesus diz que n\u00e3o veio como um juiz que condena e castiga, ao gosto dos fariseus, mas como um m\u00e9dico que ausculta e cura. Recorrendo agora ao Antigo Testamento, que guardava a Palavra de Deus, que os fariseus tamb\u00e9m respeitavam, Jesus destaca o dizer de Deus: \u00abMiseric\u00f3rdia Eu quero, e n\u00e3o sacrif\u00edcios\u00bb, que se encontra em Oseias 6,6. Com esta cita\u00e7\u00e3o, que os fariseus n\u00e3o podem rebater, Jesus diz que Deus antep\u00f5e \u00e0s formalidades religiosas a aten\u00e7\u00e3o aos pobres e necessitados. E tamb\u00e9m aqui, sem o dizer, Jesus diz que tamb\u00e9m os fariseus n\u00e3o devem descurar esta aten\u00e7\u00e3o assente na Palavra de Deus, que eles tamb\u00e9m n\u00e3o podem rebater. Depois de ter recorrido \u00e0 imagem e miss\u00e3o do m\u00e9dico, e depois de ter colocado diante de todos a miseric\u00f3rdia de Deus, Jesus afirma e esclarece agora a sua pr\u00f3pria miss\u00e3o, dizendo: \u00abEu n\u00e3o vim chamar os justos, mas os pecadores\u00bb (Mateus 9,13), mostrando que leva a cumprimento, de forma exemplar, a miseric\u00f3rdia que Deus quer, e compara a sua miss\u00e3o \u00e0 do m\u00e9dico, declarando, todavia, que a sua miss\u00e3o n\u00e3o se destina tanto \u00e0s doen\u00e7as do corpo, mas \u00e0 salva\u00e7\u00e3o da alma. Em suma, Jesus faz ver aos fariseus que eles nada sabem nem querem saber da sa\u00fade, da salva\u00e7\u00e3o e do Perd\u00e3o trazidos pelo M\u00e9dico divino! Na verdade, o olhar de Jesus \u00e9 o olhar novo e bom do Criador, e traz consigo amor e miseric\u00f3rdia, e n\u00e3o velhos rituais, clich\u00e9s e maneiras distorcidas de ver e analisar a realidade.<\/p>\n<p class=\"inline-ad-slot\" data-adtags-visited=\"true\" data-adtags-width=\"450\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">9. Para nos p\u00f4r todos em sentido, porque \u00e9 da Palavra de Deus que se trata, cai hoje tamb\u00e9m nos nossos ouvidos a Palavra de Deus guardada no Livro do profeta Oseias 6,3-6, que p\u00f5e Deus a declarar que \u00e9 amor e conhecimento de Deus o que quer de n\u00f3s. O conhecimento b\u00edblico n\u00e3o \u00e9 te\u00f3rico e escolar. \u00c9 pessoal e experimental. Portanto, o nome do conhecimento \u00e9 o amor. N\u00e3o o amor da sabedoria, mas a sabedoria do amor. Este fil\u00e3o do amor e do verdadeiro conhecimento de Deus, que \u00e9 sempre seguir Deus, imitar Deus, como Mateus segue Jesus, exclui ritualismos, exterioridades, impostos, reten\u00e7\u00f5es na fonte, burocracias (cf. 1 Samuel 15,22; Oseias, 6,6; Am\u00f3s 5,22; Isa\u00edas 1,10-20). Na verdade, o amor de Deus trazido at\u00e9 n\u00f3s pelo m\u00e9dico divino obriga-nos a renovar toda a nossa vida, pondo em causa radicalmente a nossa v\u00e3 maneira de viver.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">10. No recorte da Carta aos Romanos hoje lido (4,18-25), Paulo p\u00f5e diante de n\u00f3s um bocadinho delicioso da hist\u00f3ria de Abra\u00e3o, tal como nos \u00e9 contada no Livro do G\u00e9nesis. Seguindo a Palavra de Deus (G\u00e9nesis 12,1-3), aos 75 anos (G\u00e9nesis 12,4), no\u00a0<em>annus mundi<\/em>\u00a02021, Abra\u00e3o imigra de Haran, na Alta Mesopot\u00e2mia, para a Palestina, estabelecendo-se no Hebron (G\u00e9nesis 13,8). \u00c9 aos 100 anos (<em>annus mundi<\/em>\u00a02046) que acolhe, por entre risos, a promessa do nascimento de um filho, de nome Isaac, que a sua esposa Sara, ent\u00e3o com 90 anos, daria \u00e0 luz (G\u00e9nesis 17,16-17). Dado o cen\u00e1rio exposto no G\u00e9nesis, \u00e9 de todo compreens\u00edvel que Paulo escreva acerca de Abra\u00e3o que, \u00abcontra a esperan\u00e7a (humana) (<em>par\u2019 elp\u00edda<\/em>), na esperan\u00e7a acreditou (<em>ep\u2019 elp\u00eddi ep\u00edsteusen<\/em>)\u00bb (Romanos 4,18). A gram\u00e1tica ensina-nos que, na locu\u00e7\u00e3o\u00a0<em>ep\u2019 elp\u00eddi<\/em>, a preposi\u00e7\u00e3o\u00a0<em>ep\u00ed<\/em>, seguida do dativo, indica o objeto e o fundamento da f\u00e9, que \u00e9 uma esperan\u00e7a nova e desmesurada, ainda n\u00e3o vista (Romanos 8,24) nem sabida, assim como a preposi\u00e7\u00e3o\u00a0<em>par\u00e1<\/em>\u00a0com acusativo pode significar \u00abpara al\u00e9m de\u00bb ou \u00abcontra\u00bb. S. Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo explica assim, e explica bem: \u00abera contra a esperan\u00e7a humana o modo da esperan\u00e7a que vinha de Deus\u00bb.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">11. O Salmo 50 inverte a estrutura habitual que vemos quando percorremos e rezamos os Salmos. Normalmente, no Salt\u00e9rio, somos n\u00f3s que falamos, que pedimos, que suplicamos, que louvamos. Neste Salmo 50, \u00e9 Deus que toma a palavra, bem \u00e0 maneira dos profetas, para nos dizer que basta de exterioridades, de sacrif\u00edcios de touros e carneiros com hipocrisia; o seu apre\u00e7o vai para o louvor puro, que brota de um cora\u00e7\u00e3o purificado, com consequ\u00eancias \u00f3bvias na nossa exist\u00eancia quotidiana. \u00c9 este que anda no caminho reto. E \u00e9 a este que Deus d\u00e1 a sua salva\u00e7\u00e3o, como se diz no \u00faltimo vers\u00edculo do Salmo (v. 23), que serve hoje de refr\u00e3o \u00e0 nossa m\u00fasica.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u00a0<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os 6,3-6; Sl 50; Rm 4,18-25; Mt 9,9-13 1. 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