{"id":2326867295,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/12140-domingo-iii-da-pascoa-fica-connosco-senhor"},"modified":"2025-11-07T16:33:54","modified_gmt":"2025-11-07T16:33:54","slug":"domingo-iii-da-pascoa-fica-connosco-senhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/domingo-iii-da-pascoa-fica-connosco-senhor\/","title":{"rendered":"Domingo III da P\u00e1scoa: \u00abFica connosco, Senhor!\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031.jpg\" \/><\/p>\n<p><p>At 2,14.22-33; Sl 16; 1 Pe 1,17-21; Lc 24,13-35<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">1. O Evangelho deste III Domingo da P\u00e1scoa convida-nos a fazer aquela que pode ser considerada a mais bela viagem de doze quil\u00f3metros de toda a Escritura. Doze quil\u00f3metros vezes dois, dado que ser\u00e1 uma viagem de ida e volta. A viagem que nos leva de Jerusal\u00e9m a Ema\u00fas, atual aldeia palestiniana de nome\u00a0<em>El-Kub\u00e8ibeh<\/em>, que guarda a mem\u00f3ria deste maravilhoso epis\u00f3dio de Lucas 24,13-35. Segue-se, todavia, a viagem de regresso a Jerusal\u00e9m.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">2. Aperceber-nos-emos, por\u00e9m, rapidamente que se trata menos de uma viagem transitiva sobre o mapa, e mais, muito mais, de uma viagem intransitiva nas estradas poeirentas do nosso embotado cora\u00e7\u00e3o. \u00c9 assim que \u00abdois deles\u00bb (<em>d\u00fdo ex aut\u00f4n<\/em>) \u2013 e est\u00e1 aqui assinalada uma ruptura destes dois com a comunidade reunida em Jerusal\u00e9m \u2013 saem da comunidade, passam a ser ex-membros da comunidade. O texto retrata-os bem: est\u00e3o em dissens\u00e3o com a comunidade, pelo caminho conversam familiarmente (<em>homil\u00e9\u00f4<\/em>) sobre as coisas acontecidas em Jerusal\u00e9m (Lucas 24,14 e 15), mas tamb\u00e9m debatem (<em>syz\u00eat\u00e9\u00f4<\/em>) (Lucas 24,15), e entram mesmo em dissens\u00e3o um com o outro, opondo argumentos (<em>antib\u00e1ll\u00f4<\/em>) (Lucas 24,17). Esperaram at\u00e9 ao limite da esperan\u00e7a (tr\u00eas dias), mas deixaram-se vencer pela desilus\u00e3o. Distanciam-se, pois, da esperan\u00e7a e de Jerusal\u00e9m, mas n\u00e3o se conseguem distanciar do passado vivido com Jesus, que os encheu de tanta esperan\u00e7a, at\u00e9 que tudo se derreteu naquela cruz.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">3. Desistiram ent\u00e3o da esperan\u00e7a, e v\u00e3o-se embora desiludidos, desencantados, desconcertados, dissentidos. Estando assim as coisas, narra o texto que um terceiro viandante, que \u00e9 Jesus \u2013 informa-nos o narrador \u2013, se aproximou deles e\u00a0<em>caminhava com eles<\/em>\u00a0(<em>synepore\u00faeto auto\u00ees<\/em>), mas os seus olhos\u00a0<em>estavam impedidos<\/em>\u00a0(<em>ekrato\u00fbnto<\/em>) de o reconhecer (Lucas 24,15-16). Neste ponto preciso, imp\u00f5em-se duas pequenas observa\u00e7\u00f5es. Primeira: Jesus \u00e9 sempre aquele que\u00a0<em>caminha com<\/em>, faz conjun\u00e7\u00e3o, onde n\u00f3s, e quando n\u00f3s, estamos em disjun\u00e7\u00e3o. E n\u00e3o\u00a0<em>caminha connosco<\/em>\u00a0apenas algum tempo.\u00a0<em>Caminha connosco<\/em>\u00a0de forma continuada, pois o verbo grego est\u00e1 no imperfeito de dura\u00e7\u00e3o (<em>synepore\u00faeto<\/em>):\u00a0<em>caminhava com<\/em>. Segunda: n\u00e3o \u00e9 a incapacidade deles ou a nossa que nos impede de reconhecer Jesus. Na verdade, o texto diz, na sua crueza gramatical, que os seus olhos\u00a0<em>estavam impedidos<\/em>\u00a0(<em>ekrato\u00fbnto<\/em>). A forma verbal grega est\u00e1 num imperfeito passivo. Entenda-se ent\u00e3o corretamente: \u00e9 Deus que impede os nossos olhos de o reconhecerem agora. \u00c9, portanto, Deus que conduz a a\u00e7\u00e3o. Esta preciosa indica\u00e7\u00e3o desperta a nossa aten\u00e7\u00e3o, e deixa-nos alerta para o momento em que Deus vai desimpedir os nossos olhos para o reconhecermos.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">4. Este terceiro viandante, que\u00a0<em>caminha sempre connosco<\/em>, e que faz conjun\u00e7\u00e3o sobre as nossas disjun\u00e7\u00f5es, \u00e9 tamb\u00e9m aquele que conduz o nosso caminho. Ele \u00e9 o Presidente. Preside sempre. Por isso, come\u00e7a a fazer perguntas estranhas, que habitualmente n\u00f3s n\u00e3o permitimos a um desconhecido que se intromete no meio de n\u00f3s: \u00abQue s\u00e3o estas palavras que opondes entre v\u00f3s enquanto caminhais?\u00bb (Lucas 24,17). Ele \u00e9 o Mestre que nos faz perguntas pedag\u00f3gicas, para n\u00f3s nos dizermos, e manifestarmos os nossos pontos de vista, e tamb\u00e9m o ponto de vida em que estamos. A primeira consequ\u00eancia em n\u00f3s desta pergunta certeira \u00e9 fazer com que digamos a nossa tristeza e desilus\u00e3o: \u00abE eles pararam com o rosto triste\u00bb (Lucas 24,17). E depois, at\u00f3nitos, perguntamos: \u00abTu \u00e9s o \u00fanico (<em>m\u00f3nos<\/em>) estrangeiro residente (<em>p\u00e1roikos<\/em>) em Jerusal\u00e9m que n\u00e3o conheces as coisas que nela aconteceram nestes dias?\u00bb (Lucas 24,18). E ele pergunta outra vez teimosa e pedagogicamente: \u00abO que foi?\u00bb (Lucas 24,19). Duas anota\u00e7\u00f5es. Primeira: sem o sabermos, fazemos uma afirma\u00e7\u00e3o correta: de facto,\u00a0<em>ele \u00e9 o \u00fanico<\/em>\u00a0que n\u00e3o conhece as coisas como n\u00f3s, mas as conhece de outra maneira. Segunda: quando ele pergunta: \u00abO que foi?\u00bb, os dois nada estranham porque n\u00e3o sabem quem \u00e9 aquele que os est\u00e1 a interrogar, mas o leitor, que j\u00e1 sabe, at\u00e9 se sente incomodado, porque bem sabe que se h\u00e1 algu\u00e9m que sabe o que l\u00e1 se passou, \u00e9 Jesus. Ent\u00e3o se sabe, por que \u00e9 que pergunta? Pergunta, n\u00e3o porque n\u00e3o saiba e queira saber, mas para nos levar a dizer a desilus\u00e3o e o sem-sentido que nos habita. Ele \u00e9 o Mestre que faz as perguntas, para depois poder corrigir as nossas respostas (Lucas 24,25-27). E n\u00f3s l\u00e1 dizemos que, pois, Jesus era com certeza um grande profeta, e que teve a sorte dos profetas: a morte (cf. Lucas 11,50-51). Mas quanto a ser o Messias que n\u00f3s esper\u00e1vamos, n\u00e3o, n\u00e3o pode ser, porque um homem que foi crucificado e morto n\u00e3o pode ser o Messias, pois este, estando em plena comunh\u00e3o com Deus e possuindo a vida em plenitude, n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o vinha para sofrer e morrer, como vinha mesmo para nos libertar do sofrimento e da morte (Lucas 24,22-23). Jesus ouve os nossos lamentos, e mostra a nossa insensatez por desconhecermos os caminhos da Escritura! Se os conhec\u00eassemos, diz Jesus, saber\u00edamos que era preciso o Messias passar por tudo isto para entrar na gl\u00f3ria de Deus. E a partir das Escrituras (Mois\u00e9s e todos os profetas) explicou-lhes ponto por ponto o que a Ele dizia respeito (cf. Lucas 24,25-27). O caminho de Ema\u00fas \u00e9, afinal, o caminho das Escrituras! Levar\u00e1 o seu tempo at\u00e9 compreenderem que Jesus \u00e9 o Messias exatamente enquanto Crucificado, que n\u00e3o \u00e9 a manifesta\u00e7\u00e3o do seu fracasso, mas da sua incondicional fidelidade \u00e0 vontade do Pai.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">5. Enquanto assim falavam entre a esperan\u00e7a e a desilus\u00e3o, estranhamente guiados por um terceiro desconhecido, parece que o caminho se encurtou. Ei-los que est\u00e3o em Ema\u00fas. E, chegados a\u00ed, Jesus fez como se (<em>prosepoi\u00easato<\/em>: aor. de\u00a0<em>prospoi\u00e9omai<\/em>) fosse caminhar para mais longe (Lucas 24,28). \u00abFez como se\u00bb \u00e9 uma finta pedag\u00f3gica. O texto n\u00e3o diz que ele ia caminhar para mais longe. Diz que Ele \u00abfez como se fosse\u2026\u00bb. Finta pedag\u00f3gica, que provoca logo ali a nossa ora\u00e7\u00e3o: \u00abFica connosco\u2026\u00bb (Lucas 24,29). Aten\u00e7\u00e3o, portanto: tamb\u00e9m a nossa ora\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 produ\u00e7\u00e3o nossa; \u00e9 provocada por Ele. Ele \u00e9 o Mestre, o Presidente.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">6. No seguimento do nosso pedido, ele entra para ficar connosco. N\u00e3o, por\u00e9m, apenas algum tempo, como fazemos n\u00f3s quando visitamos os amigos. Ele entra para ficar connosco sempre, para presidir \u00e0 nossa vida toda. H\u00e1 quem estranhe que, entrando em casa alheia, ele se ponha a presidir \u00e0 mesa, ato que competiria ao dono da casa. Quem assim pensa esquece-se de que, afinal, foi ele que presidiu ao caminho todo. Ele \u00e9, portanto, o Presidente, e \u00e9, nessa condi\u00e7\u00e3o que preside tamb\u00e9m \u00e0 nossa mesa: recebe o p\u00e3o, bendiz a Deus, parte o p\u00e3o e\u00a0<em>dava<\/em>\u00a0(<em>eped\u00eddou<\/em>: imperf. de\u00a0<em>epid\u00edd\u00f4mi<\/em>), imperfeito de dura\u00e7\u00e3o. Atitude que continua ainda hoje a verificar-se. \u00c9 aqui que s\u00e3o abertos (por Deus) os nossos olhos, antes impedidos por Deus de reconhecer Jesus. Decifra\u00e7\u00e3o da Cruz. Ele est\u00e1 vivo e presente. A sua vida \u00e9 uma vida a n\u00f3s dada. Sempre a ser a n\u00f3s dada. \u00c9 por isso que Ele desaparece da nossa vista (Lucas 24,31), mas n\u00e3o da nossa vida, em que fica mais presente do que nunca, presente para sempre, sem sombra de aus\u00eancia. Na verdade, se\u00a0<em>dar<\/em>\u00a0reclama a presen\u00e7a do\u00a0<em>dom<\/em>\u00a0que o doador\u00a0<em>d\u00e1<\/em>\u00a0ao donat\u00e1rio,\u00a0<em>dar-se<\/em>\u00a0reclama a presen\u00e7a do doador no donat\u00e1rio. Novidade imensa. Dando-se a n\u00f3s, o Crucificado-Ressuscitado transparece em n\u00f3s, passa para n\u00f3s a suprema dignidade da sua manifesta\u00e7\u00e3o: passamos a ser n\u00f3s os mostradores da Vida Nova do Ressuscitado. Suprema dignidade. Alegria imensa. Responsabilidade imensa. \u00c9 agora, e daqui, e deste modo, que vemos a luzinha que Ele acendeu j\u00e1 no nosso cora\u00e7\u00e3o, no caminho\u2026 N\u00e3o \u00e9 o escuro da noite exterior que nos mete medo. O que nos mete medo \u00e9 o escuro interior. Ei-los que partem em plena noite, em plena luz, para Jerusal\u00e9m. Viagem da conjun\u00e7\u00e3o, fazendo o caminho inverso da primeira viagem da disjun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">7. Ainda hoje \u00e9 bom e salutar fazer esta viagem no mapa e no cora\u00e7\u00e3o a Ema\u00fas (<em>El-Kub\u00e8ibeh<\/em>). O peregrino encontra nesta aldeia palestiniana uma igreja \u00e0 guarda dos Padres Franciscanos da Cust\u00f3dia da Terra Santa, que recorda os acontecimentos narrados no sublime epis\u00f3dio de Lucas 24, que acab\u00e1mos de recordar. A atual igreja \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o de in\u00edcios do s\u00e9culo XX, estilo rom\u00e2nico-g\u00f3tico de transi\u00e7\u00e3o, que respeita as linhas e integra algumas pedras de uma igreja constru\u00edda pelos Cruzados no s\u00e9culo XII. Esta igreja encontrava-se ainda de p\u00e9 no s\u00e9culo XIV, mas estava j\u00e1 em ru\u00ednas no s\u00e9culo XV, de acordo com o testemunho de peregrinos qualificados. A constru\u00e7\u00e3o dos Cruzados enquadra aquilo que se pensa serem os fundamentos da casa de Cl\u00e9ofas, um dos dois que, naquele primeiro dia da semana (Lucas 24,1 e 13) se dirigiam para uma aldeia, chamada Ema\u00fas, que distava 60 est\u00e1dios (11-12 km) de Jerusal\u00e9m.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">8. Nas paredes da igreja que hoje pode ser visitada, que data de princ\u00edpios do s\u00e1culo XX, pode ler-se em v\u00e1rias l\u00ednguas um belo e significativo poema, que aqui passa tamb\u00e9m a conhecer a vers\u00e3o portuguesa: \u00abTodos os dias\/ Te encontramos\/ no caminho.\/ Mas muitos reconhecer-Te-\u00e3o\/ apenas\/ quando\/ repartires connosco\/ o Teu p\u00e3o.\/ Quem sabe?\/ Talvez\/ no \u00faltimo entardecer\u00bb.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">9. E o poeta ingl\u00eas Thomas S. Eliot (1888-1965) faz esta evoca\u00e7\u00e3o da cena de Ema\u00fas: \u00abQuem \u00e9 o terceiro, que vai sempre ao teu lado? Se me ponho a contar, juntos vamos apenas eu e tu. Por\u00e9m, se olho \u00e0 minha frente sobre a estrada branca, vejo sempre outro que caminha ao teu lado. Quem \u00e9 esse que vai sempre do outro lado?\u00bb.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">10. \u00c9 o Senhor, que v\u00f3s entregastes \u00e0 morte, mas que Deus ressuscitou, responde Pedro, falando ao povo no dia de Pentecostes (Atos 2,14.22-33). Reside aqui, n\u00e3o apenas o essencial do an\u00fancio, mas o an\u00fancio essencial, sem glosas e sem filtros, que somos chamados a fazer, com alegria e determina\u00e7\u00e3o (Atos 2,23-24). Este veio fundamental percorre, como verdadeira filigrana, o Livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos: 2,23-24.32.36; 3,15-16; 4,10; 5,30-31; 10,39-40; 13,28-30; 17,31; 25,19. Chamemos-lhe \u00abprimeiro an\u00fancio\u00bb, ou, como j\u00e1 se diz hoje, nesta sociedade que j\u00e1 recebeu o \u00abprimeiro an\u00fancio\u00bb, mas que vive distante da seiva do Evangelho, \u00absegundo (primeiro) an\u00fancio\u00bb. Sim, falamos desse Jesus, por v\u00f3s crucificado, por Deus ressuscitado, \u00e0 direita de Deus sentado na sua humanidade glorificada, de onde transborda o Esp\u00edrito sobre n\u00f3s derramado. \u00c9 o que vemos e ouvimos, e devemos fazer ver e ouvir.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">11. Pedro continua a ensinar-nos que vivemos aqui como \u00abestrangeiros e h\u00f3spedes\u00bb, isto \u00e9, como \u00abparoquianos\u00bb (<em>p\u00e1roikoi, paroik\u00eda<\/em>), mas que, como Jesus e \u00e0 sua maneira, somos tamb\u00e9m filhos e chamamos a Deus \u00abnosso Pai\u00bb. E \u00e9 neste Senhor Jesus que, conforme des\u00edgnio eterno do Pai, deu a sua vida terrena por n\u00f3s, mas deu-nos tamb\u00e9m a vida eterna, temos posta a nossa f\u00e9 e a nossa esperan\u00e7a, muito para al\u00e9m das coisas corrupt\u00edveis, como prata e oiro, e de tudo o que se avalia, mede ou pesa (1 Pedro 1,17-21). \u00c9-nos pedida, portanto, vida nova de acordo com o estatuto por gra\u00e7a concedido.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">12. Portanto, \u00abo Senhor sempre diante de mim\u00bb, cantamos hoje com o Salmo 16,8. S\u00f3 Ele nos pode guiar no caminho da vida. Na verdade, as pedras e as coisas, as casas e as terras, nunca devem ocupar, muito menos encher, o nosso cora\u00e7\u00e3o. Os sacerdotes, descendentes de Aar\u00e3o, n\u00e3o tinham terra distribu\u00edda em Israel. A sua heran\u00e7a era o Senhor (cf. N\u00fameros 18,20). E n\u00f3s tamb\u00e9m cantamos no nosso Salmo de hoje, o Salmo 16, \u00abSenhor, Tu \u00e9s a minha heran\u00e7a\u00bb (v. 5). No seu Serm\u00e3o 344, Santo Agostinho comenta assim: \u00abO salmista n\u00e3o diz: \u201c\u00d3 Deus, d\u00e1-me uma heran\u00e7a\u201d. Diz antes: \u201cTudo o que me podes dar fora de Ti, \u00e9 vil. S\u00ea Tu a minha heran\u00e7a. \u00c9 a Ti que eu amo\u2026 Esperar Deus de Deus, estar cheio de Deus. Basta-te Ele; fora dele, nada te pode bastar\u00bb. Esta melodia deve encher o nosso cora\u00e7\u00e3o e este Dia de Domingo, Dia do Senhor, de doa\u00e7\u00e3o radical, total, ao Senhor. Entenda-se: \u00e9 um caminho novo que se abre \u00e0 nossa frente. Sem retrocessos, sem desvios, sem distra\u00e7\u00f5es, sem nostalgias, sem sa\u00eddas de emerg\u00eancia ou de seguran\u00e7a!<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>At 2,14.22-33; Sl 16; 1 Pe 1,17-21; Lc 24,13-35 1. 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