{"id":2361683314,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/8426-festa-da-apresentacao-do-senhor-com-jesus-no-coracao-ou-o-retrato-de-ana-e-simeao"},"modified":"2025-11-07T16:33:26","modified_gmt":"2025-11-07T16:33:26","slug":"festa-da-apresentacao-do-senhor-com-jesus-no-coracao-ou-o-retrato-de-ana-e-simeao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/festa-da-apresentacao-do-senhor-com-jesus-no-coracao-ou-o-retrato-de-ana-e-simeao\/","title":{"rendered":"Festa da Apresenta\u00e7\u00e3o do Senhor: \u00abCom Jesus no cora\u00e7\u00e3o ou o retrato de Ana e Sime\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031.jpg\" \/><\/p>\n<p><p>1. A Igreja Una e Santa celebra no dia 2 de Fevereiro, quarenta dias depois do Natal, a Festa da Apresenta\u00e7\u00e3o do Senhor, que as Igrejas do Oriente conhecem por Festa do Encontro (<em>Hypapant\u00ea<\/em>) e dos Encontros: Encontro de Deus com o seu Povo agradecido, mas tamb\u00e9m de Maria, de Jos\u00e9 e de Jesus com Sime\u00e3o e Ana. Tamb\u00e9m connosco.<\/p>\n<p>2. Quarenta dias depois do seu nascimento, sujeito \u00e0 Lei (G\u00e1latas 4,4), Jesus, como filho var\u00e3o primog\u00e9nito, \u00e9 apresentado a Deus, a quem, sempre segundo a Lei de Deus, pertence. De facto, o Livro do \u00caxodo prescreve que todo o filho primog\u00e9nito, macho, quer dos homens quer dos animais, \u00e9 perten\u00e7a de Deus (\u00caxodo 13,11-13), bem como os primeiros frutos dos campos (Deuteron\u00f3mio 26,1-10).<\/p>\n<p>3. \u00c9 assim que, para cumprir a Lei de Deus, quarenta dias depois do seu nascimento, Jesus \u00e9 levado pela primeira vez ao Templo, onde, tamb\u00e9m pela primeira vez, se deixa ver como a Luz do mundo e a nossa esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>4. O Evangelho a escutar, amar e admirar \u00e9 Lucas 2,22-40. Comp\u00f5e a cena um velhinho chamado Sime\u00e3o, nome que significa \u00abEscutador\u00bb, que vive atentamente \u00e0 escuta, em Hi-Fi, alta-fidelidade, alta frequ\u00eancia, alta defini\u00e7\u00e3o, amor novo, e que o Evangelho apresenta como um homem justo e piedoso, que esperava a consola\u00e7\u00e3o de Israel. Ora, esse velhinho que vivia \u00e0 espera e \u00e0 escuta, com extremosa aten\u00e7\u00e3o e cora\u00e7\u00e3o vigilante, veio ao Templo sob o impulso do Esp\u00edrito (<em>en t\u00f4 pne\u00famati<\/em>). Fica aqui declarada a qualidade da energia e da alegria que move o velho e querido Sime\u00e3o: n\u00e3o \u00e9 movido a carv\u00e3o, nem a \u00e1gua, nem a vento, nem a petr\u00f3leo e seus derivados, nem a eletricidade, nem sequer a energia nuclear. Sime\u00e3o \u00e9 movido pelo Esp\u00edrito Santo. Maneira nov\u00edssima de viver, pausa e bemol na nossa impetuosidade, na nossa vontade de aparecer e de fazer, pausa e bemol nos nossos protagonismos e vontade de poder. Falamos quase sempre antes do tempo, e n\u00e3o chegamos a dar lugar \u00e0 suave voz do Esp\u00edrito. Na verdade, adverte-nos Jesus: \u00abN\u00e3o sois v\u00f3s que falais, mas o Esp\u00edrito Santo\u00bb (Marcos 13,11; cf. Mateus 10,20; Lucas 12,12). Portanto, \u00e9 urgente esperar! Regressemos, pois, \u00e0 beleza de Sime\u00e3o. Ao ver aquele Menino, recebeu-o carinhosamente nos bra\u00e7os. Por isso, os Padres gregos d\u00e3o a Sime\u00e3o o t\u00edtulo belo de\u00a0<em>Theod\u00f3chos<\/em>\u00a0[= \u00abrecebedor de Deus\u00bb]. \u00c9 ent\u00e3o que Sime\u00e3o entoa o canto feliz do entardecer da sua vida, um dos mais belos cantos que a B\u00edblia registra: \u00abAgora, Senhor, podes deixar o teu servo partir em paz, porque os meus olhos viram a tua salva\u00e7\u00e3o, que preparaste diante de todos os povos, Luz que vem iluminar as na\u00e7\u00f5es e gl\u00f3ria do teu povo, Israel!\u00bb (Lucas 2,29-32).<\/p>\n<p>5. E, na circunst\u00e2ncia, tamb\u00e9m uma velhinha chegou carregada de Gra\u00e7a e de Esperan\u00e7a. Chamava-se Ana, que significa \u00abGra\u00e7a\u00bb. \u00c9 dita \u00abProfetisa\u00bb, isto \u00e9, que anda, tamb\u00e9m ela, sintonizada em Hi-Fi, alta-fidelidade, com a Palavra de Deus escutada, vivida e anunciada. Diz ainda o texto que era filha de Fanuel, nome que significa \u00abRosto de Deus\u00bb, e que era da tribo de Aser, que quer dizer \u00abFelicidade\u00bb. Tanta intimidade com Deus! Tamb\u00e9m esta velhinha, serena e feliz, com 84 anos, n\u00famero perfeito de n\u00fameros perfeitos (7 x 12), teve a Gra\u00e7a de ver aquele Menino. E diz bem o texto do Evangelho que Ana \u00abfalava daquele Menino a todos os que esperavam a liberta\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m\u00bb (Lucas 2,38). Outra vez a beleza inteira do d\u00edptico do Evangelho de Lucas: Sime\u00e3o e Ana. Sime\u00e3o esperava e Ana anunciava. Eis aqui presente, nestes dois maravilhosos velhinhos, a inteira Escritura dos dois Testamentos, e o retrato a corpo inteiro do Consagrado, que, na B\u00edblia hebraica, se diz\u00a0<em>Naz\u00eer<\/em>, um nome passivo e recetivo, totalmente dedicado a Deus, conduzido por Deus, \u00abcompondo\u00bb com emo\u00e7\u00e3o os acontecimentos de Deus.<\/p>\n<p>6. Esta \u00e9 a Festa da Alegria e da Esperan\u00e7a acumulada e realizada. \u00c9 a Festa da Luz. Sime\u00e3o e Ana viram a Luz e exultaram de Alegria. Hoje somos n\u00f3s que nos chamamos Sime\u00e3o e Ana. Somos n\u00f3s que recebemos esta Luz nos bra\u00e7os, e que ficamos a fazer parte da fam\u00edlia da Felicidade e a viver pertinho de Deus, Rosto a Rosto com Deus, Escutadores atentos do bater do cora\u00e7\u00e3o de Deus, movidos pelo Esp\u00edrito de Deus, Recebedores de Deus, Anunciadores de Deus. Rezamos hoje para que, nesta sociedade de coisas e de n\u00fameros (cf. Isa\u00edas 5,8), os Consagrados vivam cada vez mais Rosto a Rosto com Deus, e deem testemunho no mundo deste Dom maravilhoso.<\/p>\n<p>7. Por isso e para isso \u00e9 que Ele vem, conforme a li\u00e7\u00e3o de Malaquias 3,1-4 e Hebreus 2,14-18. Vem de Deus, mas senta-se connosco. Em tudo semelhante aos seus irm\u00e3os. Lava-nos os p\u00e9s e a alma. Apaga os nossos pecados. P\u00f5e-nos em comunh\u00e3o com Deus. Tanta proximidade faz deste Dia a Festa do Encontro.<\/p>\n<p>8. N\u00e3o nos conformemos, pois, com as pedras e as pautas deste mundo (Romanos 12,2). Experimentemos viver em Hi-Fi, alta frequ\u00eancia, alta-fidelidade, alta dedica\u00e7\u00e3o, amor novo. Anda por a\u00ed uma m\u00fasica nova \u00e0 nossa espera. \u00c9 como um som que nunca se ouviu, como um sil\u00eancio que nunca se calou! Que Maria, a M\u00e3e da Alegria, nos leve pela m\u00e3o e nos ensine a subir e a descer a escadaria do cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>9. Por isso, cantemos e aclamemos, com o Salmo 24, o Senhor do Universo e Rei da Gl\u00f3ria, que vem e entra no seu Templo e na nossa fr\u00e1gil humanidade, que Ele glorifica. No \u00faltimo andamento deste Salmo (vv. 7-10), justamente a parte Hoje cantada, as portas do Templo e as da nossa vida, personificadas, s\u00e3o convidadas a abrir-se e a levantar-se, para que possa entrar em nossa Casa o Rei, Senhor dos Ex\u00e9rcitos, um t\u00edtulo que a B\u00edblia registra por 279 vezes. Gerhard Ebeling (1912-2001) comenta assim este Salmo arcaico: \u00abS\u00e3o tr\u00eas os pressupostos fundamentais do texto. O primeiro \u00e9 que Deus criou o mundo, e \u00e9 o seu Senhor. O segundo \u00e9 que devemos comparecer junto de Deus e ser interrogados sobre o que fizemos. O terceiro \u00e9 que Deus vem para o que \u00e9 seu, e deseja ter livre acesso. Estas s\u00e3o tr\u00eas formas elementares da experi\u00eancia de Deus e da rela\u00e7\u00e3o com Deus: n\u00f3s vivemos por obra de Deus, diante de Deus, e podemos viver com Deus\u00bb. E o poeta franc\u00eas Paul Claudel (1868-1955), recolhendo o \u00faltimo tema, o da vida com Deus, exclamava: \u00abAqui, Deus! Aqui, o nosso Deus, o Senhor dos Ex\u00e9rcitos, que est\u00e1 empenhado, atrav\u00e9s dos s\u00e9culos, em transferir-nos para a sua eternidade\u00bb.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Toda a vida consagrada<\/p>\n<p>\u00c9 uma vida com dedicat\u00f3ria<\/p>\n<p>Obrigat\u00f3ria<\/p>\n<p>Ao autor de cada madrugada<\/p>\n<p>Perfumada,<\/p>\n<p>Senhor de mim<\/p>\n<p>E do meu sim.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Desde sempre pensado e amado,<\/p>\n<p>\u00c9-me dado um segmento de tempo<\/p>\n<p>Para responder ao Amor,<\/p>\n<p>E a eternidade inteira<\/p>\n<p>Para viver \u00e0 tua beira,<\/p>\n<p>\u00c0 tua maneira.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00d3 mar imenso do Amor,<\/p>\n<p>A que eu chamo Senhor,<\/p>\n<p>Obrigado por olhares por mim e para mim,<\/p>\n<p>T\u00e3o humano e pequenino,<\/p>\n<p>E por me dares por destino<\/p>\n<p>O teu cora\u00e7\u00e3o divino.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Que eu seja, ent\u00e3o, sempre Amor em cada dia,<\/p>\n<p>Ao teu dispor,<\/p>\n<p>Senhor da minha alegria.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. 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