{"id":2403443116,"date":"2022-10-12T00:00:00","date_gmt":"2022-10-12T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/326-vaticano\/11690-o-desejo-faz-a-diferenca-entre-o-sucesso-e-os-bons-propositos-afirma-o-papa"},"modified":"2022-10-12T00:00:00","modified_gmt":"2022-10-12T00:00:00","slug":"o-desejo-faz-a-diferenca-entre-o-sucesso-e-os-bons-propositos-afirma-o-papa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/o-desejo-faz-a-diferenca-entre-o-sucesso-e-os-bons-propositos-afirma-o-papa\/","title":{"rendered":"\u00abO desejo faz a diferen\u00e7a entre o sucesso e os bons prop\u00f3sitos\u00bb, afirma o Papa"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/papa_audiencia_160518012331.png\"\/><\/p>\n<p><p><em>Em nova catequese, acerca do discernimento, Francisco lembrou o \u2018desejo\u2019 como uma \u201cnostalgia da plenitude\u201d e desafiou os fi\u00e9is a analisarem em si \u201co desejo\u201d, que funciona como \u201ca b\u00fassola para compreender se estou parado ou a caminhar\u201d<\/em><\/p>\n<p>Leia, na \u00edntegra, a catequese do Santo Padre<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Catequeses sobre o discernimento 5.\u00a0Os elementos do discernimento. O desejo<\/strong><\/p>\n<p><em>Estimados irm\u00e3os e irm\u00e3s, bom dia!<\/em><\/p>\n<p>Nestas catequeses, revemos os elementos do discernimento. Depois da ora\u00e7\u00e3o e do conhecimento de si, isto \u00e9, rezar e conhecer-se a si mesmo, hoje gostaria de falar sobre outro \u201cingrediente\u201d, por assim dizer, indispens\u00e1vel: hoje gostaria de falar sobre o\u00a0<em>desejo<\/em>. Com efeito, o discernimento \u00e9 uma forma de busca, e a busca deriva sempre de algo que nos falta, mas que de certo modo, conhecemos, intu\u00edmos.<\/p>\n<p>De que tipo \u00e9 este conhecimento? Os mestres espirituais indicam-no com o termo \u201cdesejo\u201d que, na raiz, \u00e9 uma nostalgia de plenitude que nunca encontra realiza\u00e7\u00e3o total, e \u00e9 o sinal da presen\u00e7a de Deus em n\u00f3s. O desejo n\u00e3o \u00e9 a vontade do momento, n\u00e3o. A palavra italiana vem de um termo latino muito bonito, isto \u00e9 curioso:\u00a0<em>de-sidus<\/em>, literalmente \u201ca falta da estrela\u201d, desejo \u00e9 uma falta da estrela, falta do ponto de refer\u00eancia que orienta o caminho da vida; ela evoca um sofrimento, uma car\u00eancia e, ao mesmo tempo, uma tens\u00e3o para alcan\u00e7ar o bem que nos falta. Ent\u00e3o, o desejo \u00e9 a b\u00fassola para compreender onde estou e para onde vou, ali\u00e1s \u00e9 a b\u00fassola para compreender se estou parado ou a caminhar, uma pessoa que nunca deseja \u00e9 uma pessoa parada, talvez doente, quase morta. \u00c9 a b\u00fassola que indica se estou a caminhar ou parado. E como \u00e9 poss\u00edvel reconhec\u00ea-lo?<\/p>\n<p>Pensemos, um desejo sincero sabe tocar profundamente as cordas do nosso ser, e por isso n\u00e3o se extingue perante as dificuldades ou contratempos. \u00c9 como quando estamos com sede: se n\u00e3o encontramos algo para beber, n\u00e3o renunciamos; pelo contr\u00e1rio, a busca ocupa cada vez mais os nossos pensamentos e a\u00e7\u00f5es, at\u00e9 nos dispormos a fazer qualquer sacrif\u00edcio para a poder saciar, quase obcecados. Obst\u00e1culos e fracassos n\u00e3o sufocam o desejo, n\u00e3o; pelo contr\u00e1rio, tornam-no ainda mais vivo em n\u00f3s.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio da vontade ou da emo\u00e7\u00e3o do momento, o desejo dura no tempo, at\u00e9 por muito tempo, e tende a concretizar-se. Se, por exemplo, um jovem desejar tornar-se m\u00e9dico, dever\u00e1 empreender um percurso de estudos e de trabalho que ocupar\u00e1 v\u00e1rios anos da sua vida e, consequentemente, dever\u00e1 estabelecer\u00a0<em>limites<\/em>, dizer \u201cn\u00e3o\u201d, em primeiro lugar a outros percursos de estudos, mas tamb\u00e9m a poss\u00edveis lazeres e distra\u00e7\u00f5es, especialmente nos momentos mais intensos de estudo. No entanto, o desejo de dar um rumo \u00e0 sua vida e de alcan\u00e7ar aquela meta \u2013 chegar a ser m\u00e9dico era o exemplo &#8211; permite-lhe superar tais dificuldades. O desejo torna-te forte, corajoso, faz com que v\u00e1s em frente sempre porque queres chegar \u00e0quilo: \u201cEu desejo aquilo\u201d.<\/p>\n<p>Com efeito, um valor torna-se belo e mais facilmente realiz\u00e1vel quando \u00e9\u00a0<em>atraente<\/em>. Como algu\u00e9m disse, \u00abmais do que ser bom \u00e9 importante ter o desejo de se tornar bom\u00bb. Ser bom \u00e9 atraente, todos queremos ser bons, mas temos a vontade de nos tornarmos bons?<\/p>\n<p>\u00c9 impressionante que Jesus, antes de realizar um milagre, frequentemente questione a pessoa sobre o seu desejo: \u201cQueres ser curado?\u201d. E \u00e0s vezes esta pergunta parece inoportuna, mas v\u00ea-se que est\u00e1 doente! Por exemplo, quando encontra o paral\u00edtico na piscina de Betesda, que j\u00e1 estava ali havia muitos anos e nunca conseguia encontrar o momento certo para entrar na \u00e1gua. Jesus pergunta-lhe: \u00abQueres ser curado?\u00bb (<em>Jo<\/em>\u00a05, 6). Porqu\u00ea? Na realidade, a resposta do paral\u00edtico revela uma s\u00e9rie de estranhas resist\u00eancias \u00e0 cura, que n\u00e3o dizem respeito somente a ele. A pergunta de Jesus era um convite a esclarecer o seu cora\u00e7\u00e3o, para acolher um poss\u00edvel salto de qualidade: deixar de pensar em si pr\u00f3prio e na sua vida \u201cde paral\u00edtico\u201d, transportado por outros. Mas o homem na maca n\u00e3o parece estar t\u00e3o convencido disto.\u00a0<em>Dialogando com o Senhor, aprendemos a compreender o que verdadeiramente queremos<\/em>\u00a0da nossa vida. Aquele paral\u00edtico \u00e9 o exemplo t\u00edpico das pessoas: \u201cSim, sim, quero, quero\u201d, mas n\u00e3o quero, n\u00e3o quero, n\u00e3o fa\u00e7o nada. O querer fazer torna-se como uma ilus\u00e3o e n\u00e3o se d\u00e1 o passo para o fazer. As pessoas que querem e n\u00e3o querem. Isto \u00e9 terr\u00edvel, e aquele doente de 38 anos, sempre com lamenta\u00e7\u00f5es: \u201cN\u00e3o, sabes Senhor, mas sabes que quando as \u00e1guas se movem \u2013 que \u00e9 o momento do milagre \u2013 tu sabes, vem algu\u00e9m mais forte do que eu, entra e eu chego atrasado\u201d, e lamenta-se e lamenta-se. Mas estai atentos que as lamenta\u00e7\u00f5es s\u00e3o um veneno, um veneno para a alma, um veneno para a vida pois n\u00e3o te fazem crescer o desejo de ir em frente. Estai atentos com as lamenta\u00e7\u00f5es. Quando se lamentam em fam\u00edlia, lamentam-se os c\u00f4njuges, lamentam-se uns dos outros, os filhos dos pais ou os sacerdotes do bispo ou os bispos de muitas outras coisas\u2026 N\u00e3o, se vos encontrardes no meio de lamenta\u00e7\u00f5es, estai atentos, \u00e9 quase pecado, pois n\u00e3o deixa crescer o desejo.<\/p>\n<p>Muitas vezes, \u00e9 precisamente o desejo que faz a diferen\u00e7a entre um projeto de sucesso, coerente e duradouro, e os milhares de veleidades e tantos bons prop\u00f3sitos com que, como se diz, \u201c\u00e9 pavimentado o inferno\u201d: \u201cSim, eu queria, queria, queria\u2026\u201d mas nada faz. A \u00e9poca em que vivemos parece favorecer a m\u00e1xima liberdade de escolha, mas ao mesmo tempo\u00a0<em>atrofia o desejo \u2013\u00a0<\/em>queres satisfazer-te continuamente &#8211; reduzido principalmente \u00e0 vontade do momento. E devemos estar atentos a n\u00e3o atrofiar o desejo. Somos bombardeados por mil propostas, projetos e possibilidades, que correm o risco de nos distrair e de n\u00e3o nos permitir avaliar com calma o que realmente queremos. \u00a0Muitas vezes, encontramos pessoas \u2013 pensemos nos jovens por exemplo \u2013 com o telem\u00f3vel na m\u00e3o e procuram, olham\u2026 \u201cMas tu paras para pensar?\u201d \u2013 \u201cN\u00e3o\u201d. Sempre extroverso, para com o outro. Assim o desejo n\u00e3o pode crescer, tu vives o momento, saciado no momento e o desejo n\u00e3o cresce.<\/p>\n<p>Muitas pessoas sofrem porque n\u00e3o sabem o que querem da pr\u00f3pria vida; provavelmente nunca entraram em contacto com o seu desejo mais profundo, nunca souberam: \u201cO que queres da tua vida?\u201d \u2013 \u201cn\u00e3o sei\u201d. Daqui deriva o risco de passar a exist\u00eancia entre tentativas e expedientes de v\u00e1rios tipos, sem nunca chegar a lado algum, desperdi\u00e7ando oportunidades preciosas. E assim certas mudan\u00e7as, embora desejadas em teoria, quando se apresenta a ocasi\u00e3o, nunca s\u00e3o postas em pr\u00e1tica, falta o desejo forte de levar algo adiante.<\/p>\n<p>Se hoje, por exemplo, a qualquer um de n\u00f3s, o Senhor nos dirigisse a pergunta que fez ao cego de Jeric\u00f3: \u00abQue queres que te fa\u00e7a?\u00bb (<em>Mc<\/em>\u00a010, 51) \u2013 imaginemos que o Senhor pergunte hoje a cada um de n\u00f3s: \u201cque queres que eu fa\u00e7a por ti\u201d &#8211; como responder\u00edamos? Talvez finalmente pud\u00e9ssemos pedir-lhe que nos ajude a conhecer o profundo desejo d\u2019Ele que o pr\u00f3prio Deus colocou no nosso cora\u00e7\u00e3o: \u201cSenhor, que eu conhe\u00e7a os meus desejos, que eu seja uma mulher, um homem de grandes desejos\u201d talvez o Senhor nos conceda a for\u00e7a para o realizar. \u00c9 uma gra\u00e7a imensa, na base de todas as outras: permitir que o Senhor, como no Evangelho, fa\u00e7a milagres para n\u00f3s: \u201cConcedei-nos o desejo e fazei-o crescer, Senhor\u201d.<\/p>\n<p>Porque tamb\u00e9m Ele tem um grande desejo em rela\u00e7\u00e3o a n\u00f3s: tornar-nos part\u00edcipes da sua plenitude de vida. Obrigado.<\/p>\n<p>Educris|12.10.2022<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em nova catequese, acerca do discernimento, Francisco lembrou o \u2018desejo\u2019 como uma \u201cnostalgia da plenitude\u201d e desafiou os fi\u00e9is a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4294987792,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[64],"class_list":["post-2403443116","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-vaticano"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2403443116","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2403443116"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2403443116\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4294987792"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2403443116"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2403443116"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2403443116"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}