{"id":2540305189,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/326-vaticano\/14085-domingo-xiv-do-tempo-comum-missao-ou-demissao"},"modified":"2025-11-07T16:34:46","modified_gmt":"2025-11-07T16:34:46","slug":"domingo-xiv-do-tempo-comum-missao-ou-demissao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/domingo-xiv-do-tempo-comum-missao-ou-demissao\/","title":{"rendered":"Domingo XIV do Tempo Comum: \u00abMiss\u00e3o ou demiss\u00e3o\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031_160503044443-1.jpg\" \/><\/p>\n<p><p>Isa\u00edas 66,10-14; Salmo 66; G\u00e1latas 6,14-18; Lucas 10,1-12.17-20<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">1. Vamos ter o privil\u00e9gio de poder conviver neste Domingo (XIV) e nos dois Domingos seguintes (XV e XVI) com o texto sublime de Lucas 10, todo ele dedicado a afinar os tra\u00e7os do retrato do disc\u00edpulo de Jesus, o que Lucas faz em tr\u00eas quadros que formam um tr\u00edptico. Assim, vemos hoje (Domingo XIV do Tempo Comum) o primeiro quadro, o ENVIO dos setenta e dois disc\u00edpulos de Jesus para um trabalho de ALEGRIA (Lucas 10,1-20). Veremos no pr\u00f3ximo Domingo (XV do Tempo Comum) o segundo quadro, que exp\u00f5e uma figura bel\u00edssima que assume alguns tra\u00e7os fundamentais do disc\u00edpulo de Jesus: o Bom Samaritano (Lucas 10,25-37). E, no Domingo XVI, a fechar Lucas 10, veremos o terceiro quadro, que mostra as figuras de Marta e de Maria (Lucas 10,38-42), em que Maria, sentada como disc\u00edpula atenta aos p\u00e9s do Mestre, deixa ver mais alguns tra\u00e7os determinantes do disc\u00edpulo de Jesus.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">2. Mas hoje, Domingo XIV, a\u00ed est\u00e3o os setenta e dois disc\u00edpulos ENVIADOS por Jesus, portanto vinculados a Jesus. O n\u00famero 72 traduz a universalidade: somos todos enviados por Jesus! Na mentalidade hebraica, eram 72 as na\u00e7\u00f5es que povoavam a terra. E as 70 na\u00e7\u00f5es que, na t\u00e1bua dos povos, encontramos no texto hebraico de G\u00e9nesis 10, sobem significativamente para 72 na vers\u00e3o grega dos LXX, que \u00e9 a vers\u00e3o que Lucas tem sobre os joelhos. Assim, ao escolher um disc\u00edpulo por na\u00e7\u00e3o, Jesus possibilita que todas as na\u00e7\u00f5es possam escutar o Evangelho! Digamos, pois, que podemos ver aqui o in\u00edcio daquele caudal maravilhoso que um dia, na manh\u00e3 de Pentecostes, atingir\u00e1 a sua foz, quando todas as na\u00e7\u00f5es que h\u00e1 debaixo do c\u00e9u (Atos 2,5) ouvirem falar (<em>lal\u00e9\u00f4<\/em>), verbo caracter\u00edstico da revela\u00e7\u00e3o, nas suas l\u00ednguas maternas as maravilhas de Deus (Atos 2,11).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">3. Note-se que, j\u00e1 antes, em Lucas 9,1-6, Jesus enviou os Doze (Ap\u00f3stolos), que desempenham um papel importante no Livro dos Atos. S\u00e3o bem conhecidos os seus nomes. Todavia, o ENVIO dos setenta e dois disc\u00edpulos que hoje se apresenta diante de n\u00f3s, em Lucas 10,1-20, \u00e9 um exclusivo do Evangelho de Lucas, e constitui um verdadeiro \u00e1pice, vincando bem a qualidade mission\u00e1ria deste Evangelho, que faz mission\u00e1rios, n\u00e3o apenas os Doze bem identificados, mas tamb\u00e9m os setenta e dois disc\u00edpulos, de quem ignoramos a identidade, o momento da sua partida em miss\u00e3o e a dura\u00e7\u00e3o da mesma. Uma bela forma de dizer que nestes setenta e dois se contam todos os disc\u00edpulos de Jesus! Sem equ\u00edvocos: ser crist\u00e3o ou disc\u00edpulo de Jesus \u00e9 ser mission\u00e1rio. Ser mission\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 uma segunda voca\u00e7\u00e3o, facultativa, uma esp\u00e9cie de adorno ou adere\u00e7o que pode advir apenas a alguns crist\u00e3os (Francisco,\u00a0<em>Evangelii gaudium<\/em>, n.\u00ba 273). Sempre sem equ\u00edvocos: SER CRIST\u00c3O \u00c9 SER MISSION\u00c1RIO! \u00c9 viver intensamente de Jesus e com Jesus, e partir, sair de si, para levar Jesus ao cora\u00e7\u00e3o dos nossos irm\u00e3os. A grande Ap\u00f3stola das ruas de Ivry, Madeleine Delbr\u00eal (1904-1964), dizia as coisas assim, de maneira contundente, como evang\u00e9licas facas de dois gumes: \u00abA miss\u00e3o n\u00e3o \u00e9 facultativa. Os meios ateus [e indiferentes] em que vivemos imp\u00f5em-nos uma escolha em termos mission\u00e1rios: MISS\u00c3O OU DEMISS\u00c3O\u00bb (mas ver tamb\u00e9m, no mesmo sentido, a Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica\u00a0<em>Evangelii nuntiandi<\/em>, n.\u00ba 5, de 1975, de Paulo VI, a\u00a0<em>Mensagem para o Dia Mission\u00e1rio Mundial<\/em>, de 2012, de Bento XVI, e a Carta Pastoral\u00a0<em>Misi\u00f3n Continental<\/em>, n.\u00ba 4, de 2009, da Confer\u00eancia Episcopal da Argentina).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">4. O trabalho da Evangeliza\u00e7\u00e3o a que somos CHAMADOS e ENVIADOS por Jesus \u00e9 um trabalho de ALEGRIA. N\u00e3o de sementeira, mas de CEIFA (<em>th\u00earism\u00f3s<\/em>). De acordo com o Salmo 126, a sementeira \u00e9 um tempo de l\u00e1grimas, ma a CEIFA \u00e9 um tempo de ALEGRIA e M\u00daSICA: \u00abV\u00e3o andando e chorando, levando as sementes; ao voltar, v\u00eam cantando, trazendo bra\u00e7ados de espigas\u00bb (Salmo 126,6).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">5. O ENVIADO de Jesus deve partir belo, leve e livre, com causas, e sem coisas: \u00abIde! (\u2026) N\u00e3o leveis bolsa, nem alforge, nem sand\u00e1lias\u00bb (Lucas 10,4), despojamento impens\u00e1vel para um viajante daquele tempo, mas com mansid\u00e3o, alegria e paz, como cordeiros (Lucas 10,3). O cordeiro \u00e9 um animal pac\u00edfico: n\u00e3o mata, mas \u00e9 morto! Como Jesus, o cordeiro de Deus! Veja-se, de resto, a riqueza sem\u00e2ntica do aramaico\u00a0<em>talya?<\/em>, que significa \u00abcordeiro, servo, p\u00e3o e filho\u00bb, perfeita tradu\u00e7\u00e3o da identidade de Jesus. E com car\u00e1cter de urg\u00eancia: \u00abN\u00e3o vos demoreis pelo caminho\u00bb (Lucas 10,4). \u00abN\u00e3o saudar ningu\u00e9m pelo caminho\u00bb \u00e9 uma proibi\u00e7\u00e3o impratic\u00e1vel no meio social do M\u00e9dio Oriente! Mas semelhante interdi\u00e7\u00e3o faz vir ao de cima a extrema urg\u00eancia e a prioridade absoluta que a miss\u00e3o requer. Vem ao de cima que a urg\u00eancia do an\u00fancio do Reino \u00e9 mais forte do que os usos e costumes e metodologias! O objetivo \u00e9 chegar quanto antes ao cora\u00e7\u00e3o das pessoas, a quem se deve entregar a PAZ, entenda-se, a FELICIDADE, que \u00e9 o significado pleno do termo hebraico SHAL\u00d4M. Tamb\u00e9m salta \u00e0 vista que a miss\u00e3o n\u00e3o se pode reduzir a uma simples sauda\u00e7\u00e3o na estrada, que \u00e9 manifestamente insuficiente, mas requer um contacto demorado com as pessoas (vv. 7-9). N\u00e3o apenas nas casas (vv. 7-9), mas tamb\u00e9m nas cidades (vv. 10-15).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">6. Note-se sempre bem que os disc\u00edpulos de Jesus s\u00e3o ENVIADOS ao encontro das pessoas. Portanto, n\u00e3o s\u00e3o as pessoas que s\u00e3o chamadas a vir ao encontro dos disc\u00edpulos de Jesus. Sim, o disc\u00edpulo de Jesus n\u00e3o pode limitar-se a falar do Reino de Deus \u00e0queles que veem ter com ele e o solicitam. Ao disc\u00edpulo de Jesus \u00e9 requerido que que tome a iniciativa e fale e fa\u00e7a em primeiro lugar. Deve assumir uma postura pr\u00f3-ativa, n\u00e3o se contentando simplesmente com esperar e reagir.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">7. Somos informados, no final deste imenso texto, que os setenta e dois voltaram cheios de ALEGRIA! Partiram enviados por Jesus, e voltaram a Jesus. Ningu\u00e9m \u00e9 mission\u00e1rio por conta pr\u00f3pria. Se isto acontecer, vale o desabafo do Papa Bento XVI, em 2010, na Homilia da Eucaristia celebrada na Avenida dos Aliados, no Porto: \u00abQuanto tempo perdido! Quanto trabalho adiado!\u00bb.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">8. O contraponto bel\u00edssimo vem hoje do \u00faltimo Cap\u00edtulo de Isa\u00edas, que vale a pena transcrever, tal \u00e9 a sua beleza e exalta\u00e7\u00e3o: \u00abAlegrai-vos com Jerusal\u00e9m,\/ rejubilai com ela todos v\u00f3s que a amais;\/ regozijai-vos com ela, sim, regozijai-vos,\/ todos v\u00f3s que fizestes luto sobre ela,\/ pois mamareis e saciar-vos-eis do peito da sua consola\u00e7\u00e3o,\/ pois sugareis e vos deleitareis da sua mama gloriosa.\/ pois assim diz o Senhor:\/ \u201cEis-me a estender para ela a paz como um rio,\/ e como uma torrente a transbordar a gl\u00f3ria das na\u00e7\u00f5es.\/ Sereis amamentados,\/ levados sobre os flancos,\/ e sobre os joelhos acariciados.\/ Como um filho (<em>\u2019\u00eesh<\/em>) que a sua m\u00e3e consola,\/ assim Eu vos consolarei;\/ sim, em Jerusal\u00e9m sereis consolados\u201d\u00bb (Isa\u00edas 66,10-13).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">9. \u00c9 f\u00e1cil verificar que Jerusal\u00e9m \u00e9 apresentada como uma m\u00e3e que amamenta e acalenta os seus filhos. Mas tereis reparado ainda que tamb\u00e9m Deus aparece dito com tra\u00e7os paternais e maternais, mais maternais que paternais, pois assume sobre si o papel de uma M\u00e3e, daquela M\u00e3e, que consola o seu filho, os seus filhos. E o bel\u00edssimo texto diz ainda que este filho, ou estes filhos que Deus, como uma M\u00e3e, consola, j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o propriamente beb\u00e9s, mas gente crescida (<em>\u2019\u00eesh<\/em>, e n\u00e3o\u00a0<em>y\u00f4neq<\/em>). Sim, salta \u00e0 vista que Deus cuida de n\u00f3s \u00e0 maneira maternal.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">10. Total dedica\u00e7\u00e3o e transpar\u00eancia, assemelha\u00e7\u00e3o com Jesus, de quem carrega os estigmas (<em>st\u00edgmata<\/em>) e entrega casa a casa, porta a porta, m\u00e3o na m\u00e3o, cora\u00e7\u00e3o a cora\u00e7\u00e3o, a gra\u00e7a do Senhor Nosso, Jesus Cristo. Eis o retrato do Ap\u00f3stolo no final da Carta aos G\u00e1latas (6,14-18), que hoje tivemos tamb\u00e9m a gra\u00e7a de ouvir.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">11. Verifica\u00e7\u00e3o: como este mundo anda triste e distra\u00eddo, anestesiado e dormente! E como n\u00f3s, disc\u00edpulos de Jesus, ENVIADOS a este mundo por Jesus, temos de sentir a urg\u00eancia de levar este rio de ALEGRIA aos nossos irm\u00e3os. A n\u00e3o esquecer: ser crist\u00e3o \u00e9 ser mission\u00e1rio! Olhando com amor para este mundo, imp\u00f5e-se-nos uma escolha em termos crist\u00e3os e mission\u00e1rios: MISS\u00c3O ou DEMISS\u00c3O!<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">12. Miss\u00e3o nossa ser\u00e1 sempre cantar a gl\u00f3ria de Deus e convocar a terra inteira para verificar as maravilhas operadas por Deus. Todos e cada um. A comunidade e eu de m\u00e3os dadas e levantadas para Deus, como acontece muitas vezes nos Salmos. Temos muito a relatar e a agradecer, repassando diante de n\u00f3s, n\u00e3o apenas a paisagem b\u00edblica, mas tamb\u00e9m a nossa paisagem humana. Tamb\u00e9m o Salmo de hoje come\u00e7a em tom comunit\u00e1rio (Salmo 66,1-12) para nos mostrar depois tamb\u00e9m o papel do solista (v. 13-20).<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Isa\u00edas 66,10-14; Salmo 66; G\u00e1latas 6,14-18; Lucas 10,1-12.17-20 1. 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