{"id":2544518888,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/7548-solenidade-de-santa-mariamaria-a-senhora-deste-dia"},"modified":"2025-11-07T16:33:10","modified_gmt":"2025-11-07T16:33:10","slug":"solenidade-de-santa-mariamaria-a-senhora-deste-dia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/solenidade-de-santa-mariamaria-a-senhora-deste-dia\/","title":{"rendered":"Solenidade de Santa Maria:\u00abMaria, a Senhora deste Dia\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031_160503044443.jpg\" \/><\/p>\n<p><p>1. Oito dias depois da Solenidade do Natal do Senhor, que a liturgia oriental designa significativamente por \u00aba P\u00e1scoa do Natal\u00bb, eis-nos no Primeiro Dia do Ano Civil de 2018, tradicionalmente designado como Dia de \u00abAno Bom\u00bb, a celebrar a Solenidade de Santa Maria, M\u00e3e de Deus.<\/p>\n<p>2. A figura que enche este Dia, e que motiva a nossa Alegria, \u00e9, portanto, a figura de Maria, na sua fisionomia mais alta, a de M\u00e3e de Deus, como foi solenemente proclamada no Conc\u00edlio de \u00c9feso, em 431, mas j\u00e1 assim luminosamente desenhada nas p\u00e1ginas do Novo Testamento.<\/p>\n<p>3. \u00c9 assim que a encontramos no Lecion\u00e1rio de hoje. Desde logo naquela men\u00e7\u00e3o s\u00f3bria, e ousamos mesmo dizer pobre, com que Paulo se refere \u00e0 M\u00e3e de Jesus, escrevendo aos G\u00e1latas: \u00abDeus mandou o seu Filho, nascido de mulher, nascido sujeito \u00e0 Lei\u00bb (G\u00e1latas 4,4). Nesta linha breve e densa aparece compendiado o mist\u00e9rio da Incarna\u00e7\u00e3o, ao mesmo tempo que se sente j\u00e1 pulsar o cora\u00e7\u00e3o da Mariologia: Maria n\u00e3o \u00e9 grande em si mesma; \u00e9, na verdade, uma \u00abmulher\u00bb, verdadeiramente nossa irm\u00e3 na sua condi\u00e7\u00e3o de humana criatura. N\u00e3o \u00e9 grande em si mesma, mas \u00e9 grande por ser a M\u00e3e do Filho de Deus, e \u00e9 aqui que ela nos ultrapassa, imaculada por gra\u00e7a, bem-aventurada, nossa m\u00e3e na f\u00e9 e na esperan\u00e7a. Maria n\u00e3o \u00e9 grande em si mesma; vem-lhe de Deus essa grandeza.<\/p>\n<p>4. O Evangelho deste Dia de Maria (Lucas 2,16-21) guarda tamb\u00e9m uma preciosidade, quando Lucas nos diz que \u00abtodos os que tinham escutado as coisas faladas pelos pastores ficaram maravilhados, mas Maria GUARDAVA (<em>synet\u00earei<\/em>) todas estas Palavras que aconteceram (<em>t\u00e0 rh\u00eamata<\/em>), COMPONDO-as (<em>symb\u00e1llousa<\/em>) no seu cora\u00e7\u00e3o\u00bb (Lucas 2,18-19). Em contraponto com o espanto de todos os que ouviram as palavras dos pastores, Lucas pinta um quadro mariano de extraordin\u00e1ria beleza: \u00abMaria, ao contr\u00e1rio, GUARDAVA todas estas Palavras que aconteceram, COMPONDO-as no seu cora\u00e7\u00e3o\u00bb. H\u00e1 o espanto e a maravilha que se exprimem no louvor e no canto, e h\u00e1 o espanto e a maravilha que se exprimem no sil\u00eancio e na escuta qualificada e comovida. Maria, a Senhora deste Dia, aparece a GUARDAR com enlevado carinho todas estas Palavras que acontecem, todos estes acontecimentos que falam e n\u00e3o esquecem. O verbo GUARDAR implica uma aten\u00e7\u00e3o extremada e carinhosa, como quem leva nas suas m\u00e3os uma coisa preciosa. Este GUARDAR atencioso e carinhoso n\u00e3o \u00e9, por\u00e9m, o ato de um momento, mas a atitude de uma vida, uma vez que o verbo grego est\u00e1 no imperfeito, que implica dura\u00e7\u00e3o. O outro verbo belo mostra-nos Maria como que a COMPOR, isto \u00e9, a \u00abp\u00f4r em conjunto\u00bb (<em>symb\u00e1ll\u00f4<\/em>), a simbolizar, a organizar, para melhor compreender e se fazer compreender. \u00c9 como quem, com aquelas Palavras, COMP\u00d5E um Poema, uma Sinfonia, e se entret\u00e9m a vida toda a trautear essa melodia e a conjugar novos acordes de alegria.<\/p>\n<p>5. Esta solicitude maternal de Maria, habitada por esta imensa melodia que nos vem de Deus e nos reconcilia, levou o Papa Paulo VI, a associar, desde 1968, \u00e0 Solenidade de Santa Maria, M\u00e3e de Deus, a celebra\u00e7\u00e3o do Dia Mundial da Paz. Basta fazer bem as contas para nos apercebermos que celebramos Hoje o 51.\u00ba Dia Mundial da Paz. O Papa Francisco deu \u00e0 sua mensagem para este dia de Maria o t\u00edtulo oportuno e significativo de \u00abMigrantes e refugiados: homens e mulheres em busca da paz\u00bb. Com este dizer, o Papa desenha uma vez mais diante de todos os homens e mulheres de boa vontade o cen\u00e1rio do mundo de que somos n\u00f3s hoje os habitantes, e de que devemos ser tamb\u00e9m os cuidadores. Os muitos e diversificados grupos de homens e mulheres, nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s, que hoje se movimentam no mundo, fazem-no fugindo de situa\u00e7\u00f5es de guerra, de fome e de mis\u00e9ria, e v\u00e3o em busca da paz e de dignidade. N\u00f3s sabemos que a justi\u00e7a \u00e9 o sabor que vem de Deus, e que a paz n\u00e3o \u00e9 a paz romana, assente no poder das armas, nem a paz do juda\u00edsmo palestinense, assente nos acordos entre as partes. Na verdade, nem reparamos que \u00e9 um contrassenso combater pela Paz, e quando nos sentamos a fazer acordos de Paz, \u00e9 porque j\u00e1 antes perdemos a raz\u00e3o. A paz \u00e9 primeira. \u00c9 um Dom de Deus para todo o ser humano que vem a este mundo. Portanto, num mundo tantas vezes \u00e0s avessas, o Papa exorta-nos a aprender outra vez a acolher, proteger, promover e integrar.<\/p>\n<p>6. De Deus vem sempre um mundo novo, belo, maravilhoso. T\u00e3o novo, belo e maravilhoso, que nos cega, a n\u00f3s que vamos arrastando os olhos cansados pela lama. Que o nosso Deus fa\u00e7a chegar at\u00e9 n\u00f3s tempo e modo para ouvir outra vez a extraordin\u00e1ria b\u00ean\u00e7\u00e3o sacerdotal, que o Livro dos N\u00fameros guarda na sua forma tripartida: \u00abO Senhor te aben\u00e7oe e te guarde.\/ O Senhor fa\u00e7a brilhar sobre ti a sua face e te seja favor\u00e1vel.\/ O Senhor dirija para ti o seu olhar e te conceda a paz\u00bb (N\u00fameros 6,24-26).<\/p>\n<p>7. Por isso, bem podemos hoje, com o Salmo 67, juntar as nossas vozes \u00e0s vozes dos povos de toda a terra no mesmo louvor ao Deus que a todos faz gra\u00e7a e miseric\u00f3rdia. O Salmo 67 \u00e9 uma ora\u00e7\u00e3o de b\u00ean\u00e7\u00e3o em forma de peti\u00e7\u00e3o. Em termos t\u00e9cnicos, equivale a uma epiclese: n\u00e3o \u00abeu Te bendigo\u00bb, mas \u00abDeus nos bendiga\u00bb. O nosso Salmo 67 recolhe os temas da b\u00ean\u00e7\u00e3o sacerdotal de N\u00fameros 6,24-26, como a gra\u00e7a, a luz, a benevol\u00eancia, a paz, pondo o plural onde estava o singular, por assim dizer, \u00abdemocratizando\u00bb a b\u00ean\u00e7\u00e3o, agora dirigida a todos, onde, na b\u00ean\u00e7\u00e3o sacerdotal do Livro dos N\u00fameros, se dirigia apenas a Israel.<\/p>\n<p>8. Olhada por Deus com singular olhar de Gra\u00e7a foi Maria, tamb\u00e9m Pobre, tamb\u00e9m Feliz, Bem-aventurada, Santa Maria, M\u00e3e de Deus, que hoje celebramos em un\u00edssono com a Igreja inteira. Para ela elevamos hoje os nossos olhos de filhos enlevados.<\/p>\n<p>9. M\u00e3e de Deus, Senhora da Alegria, M\u00e3e igual ao Dia, Maria. A primeira p\u00e1gina do ano \u00e9 toda tua, Mulher do sol, das estrelas e da lua, Rainha da Paz, Aurora de Luz, Estrela matutina, M\u00e3e de Jesus e tamb\u00e9m minha, Senhora de Janeiro, do Dia primeiro e do Ano inteiro.<\/p>\n<p>10. Aben\u00e7oa, M\u00e3e, os nossos dias breves. Ensina-nos a viv\u00ea-los todos como tu viveste os teus, sempre sob o olhar de Deus, sempre a olhar por Deus. \u00c9 verdade. A grande verdade da tua vida, o teu segredo de ouro. Tu soubeste sempre que Deus velava por ti, enchendo-te de gra\u00e7a. Mas tu soubeste sempre olhar por Deus, porque tu soubeste bem que Deus tamb\u00e9m \u00e9 pequenino. Acariciada por Deus, viveste acariciando Deus. Por isso, todas as gera\u00e7\u00f5es te proclamam \u00abBem-aventurada\u00bb! Por isso, n\u00f3s te proclamamos \u00abBem-aventurada\u00bb!<\/p>\n<p>11. Senhora e M\u00e3e de Janeiro, do Dia Primeiro e do Ano inteiro. Acaricia-nos. Senta-nos em casa ao redor do amor, do cora\u00e7\u00e3o. Somos t\u00e3o modernos e t\u00e3o cheios de coisas estes teus filhos de hoje! T\u00e3o cheios de coisas e t\u00e3o vazios de n\u00f3s mesmos e de humanidade e divindade! Temos tudo. Mas falta-nos, se calhar, o essencial: a tua simplicidade e alegria. Faz-nos sentir, M\u00e3e, o calor da tua m\u00e3o no nosso rosto frio, insens\u00edvel, enrugado, e faz-nos correr, com alegria, ao encontro dos pobres e necessitados, dos migrantes e refugiados.<\/p>\n<p>12. Que seja, e pode ser, Deus o quer, e n\u00f3s tamb\u00e9m podemos querer, um Ano Bom, cheio de Paz, P\u00e3o e Amor, para todos os irm\u00e3os que Deus nos deu! E que Santa Maria, M\u00e3e de Deus e nossa M\u00e3e nos aben\u00e7oe tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Que Deus nos aben\u00e7oe e nos guarde,<\/p>\n<p>Que nos acompanhe, nos acorde e nos incomode,<\/p>\n<p>Que os nossos p\u00e9s calcorreiem as montanhas,<\/p>\n<p>Cheios de amor, de paz e de alegria,<\/p>\n<p>Que a tua Palavra nos arda nas entranhas,<\/p>\n<p>E nos ponha no caminho de Maria.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>O amor verdadeiro est\u00e1 l\u00e1 sempre primeiro.<\/p>\n<p>O\u00a0<em>fiat<\/em>\u00a0que disseste, Maria, \u00e9 de quem se fia<\/p>\n<p>Num amor maior do que um letreiro.<\/p>\n<p>Vela por n\u00f3s, Maria, em cada dia<\/p>\n<p>Deste ano inteiro,<\/p>\n<p>Para que levemos a cada enfermaria,<\/p>\n<p>A cada periferia,<\/p>\n<p>Um amor como o teu, primeiro e verdadeiro.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. Oito dias depois da Solenidade do Natal do Senhor, que a liturgia oriental designa significativamente por \u00aba P\u00e1scoa do [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2378586270,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[70],"class_list":["post-2544518888","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-liturgia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2544518888","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2544518888"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2544518888\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4294994393,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2544518888\/revisions\/4294994393"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2378586270"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2544518888"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2544518888"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2544518888"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}