{"id":258895942,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/9788-exaltacao-da-santa-cruz-para-que-o-nosso-coracao-nao-seja-um-ninho-de-viboras"},"modified":"2025-11-07T16:33:40","modified_gmt":"2025-11-07T16:33:40","slug":"exaltacao-da-santa-cruz-para-que-o-nosso-coracao-nao-seja-um-ninho-de-viboras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/exaltacao-da-santa-cruz-para-que-o-nosso-coracao-nao-seja-um-ninho-de-viboras\/","title":{"rendered":"Exalta\u00e7\u00e3o da Santa Cruz: \u00abPara que o nosso cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o seja um ninho de v\u00edboras\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031.jpg\" \/><\/p>\n<p><p data-adtags-visited=\"true\">1. A Igreja celebra no dia 14 de setembro a Festa da Exalta\u00e7\u00e3o da Santa Cruz. \u00c9 sabido que a Igreja M\u00e3e de Jerusal\u00e9m rapidamente fez do Santo Sepulcro o seu primeiro e mais venerado lugar de culto. Na sua luta implac\u00e1vel contra o culto crist\u00e3o, o Imperador Adriano (117-138), sobretudo nos \u00faltimos anos do seu reinado, transformou Jerusal\u00e9m, em termos de edif\u00edcios e de moral, numa cidade de estilo romano, a Aelia Capitolina. Para tanto, soterrou o Santo Sepulcro e paganizou-o, estabelecendo ali cultos pag\u00e3os com a clara inten\u00e7\u00e3o de dissuadir os crist\u00e3os de continuar a frequentar esses lugares pelo temor da\u00a0<em>communicatio in sacris<\/em>. Assim, no lugar do Santo Sepulcro, p\u00f4s a est\u00e1tua de J\u00fapiter, e, no Calv\u00e1rio, p\u00f4s uma est\u00e1tua de V\u00e9nus em m\u00e1rmore. O mesmo fez, de resto, em todos os lugares santos da Palestina. O projeto de Adriano n\u00e3o atingiu os seus fins, pois os judeo-crist\u00e3os continuaram a frequentar aqueles lugares, confundindo-se com os pag\u00e3os, que ali faziam ritos semelhantes, ainda que antit\u00e9ticos. Neste sentido, conclui S. Jer\u00f3nimo, que o imperador n\u00e3o conseguiu, como pretendia, apagar nas almas dos crist\u00e3os a f\u00e9 na Ressurrei\u00e7\u00e3o e na Cruz de Cristo. N\u00e3o \u00e9 de admirar, portanto, que, quando em 13 de Setembro de 326, por indica\u00e7\u00e3o de um habitante de Jerusal\u00e9m, Santa Helena, m\u00e3e do imperador Constantino, descobriu a Cruz do Senhor, tenham sido logo demolidas as constru\u00e7\u00f5es pag\u00e3s. Foi assim que vieram \u00e0 luz outra vez os primitivos e venerados lugares crist\u00e3os, que foram ent\u00e3o englobados num magn\u00edfico edif\u00edcio Constantiniano, consagrado no dia 13 de Setembro do ano 335, e que era formado pela bas\u00edlica da\u00a0<em>An\u00e1stasis<\/em>, que guardava no centro o Santo Sepulcro, o Triplo P\u00f3rtico, que abrigava o rochedo do G\u00f3lgota e o\u00a0<em>Martyrium<\/em>, que guardava o lugar da crucifix\u00e3o e morte do Senhor. No dia imediatamente a seguir \u00e0 dedica\u00e7\u00e3o da Bas\u00edlica, 14 de Setembro desse ano 335, teve lugar e origem a adora\u00e7\u00e3o da Cruz de Cristo, hoje, Festa da Exalta\u00e7\u00e3o da Santa Cruz. A peregrina Eg\u00e9ria, da Galiza, que em finais do s\u00e9culo IV, visitou demoradamente os Lugares Santos, diz-nos que a Santa Cruz era ent\u00e3o exposta \u00e0 adora\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is duas vezes no ano: em 14 de Setembro e em Sexta-Feira Santa. Eg\u00e9ria descreve assim a adora\u00e7\u00e3o de Sexta-Feira Santa: \u00abdesde as 08h00 da manh\u00e3 at\u00e9 ao meio-dia\u00bb, \u00abtodos passavam, um por um: inclinam-se, tocam a Cruz com a fronte, e depois com os olhos a Cruz e a inscri\u00e7\u00e3o, a seguir beijam a Cruz e saem, sem que ningu\u00e9m toque com a m\u00e3o na Cruz\u00bb (<em>Itinerarium<\/em>, 36,5; 37,3).<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">2. E as coisas assim continuaram at\u00e9 ao ano 614, quando o rei persa Cosro\u00e9 II conquistou Jerusal\u00e9m e levou consigo a Santa Cruz. Neste dia, rezam as diferentes cr\u00f3nicas que documentam o sucedido no dia 20 de maio de 614, que \u00aba Jerusal\u00e9m do Alto chorava sobre a Jerusal\u00e9m de baixo\u00bb, tal era o grau de destrui\u00e7\u00e3o, f\u00faria, \u00f3dio, viol\u00eancia, sangue. Mas, em 630, a Santa Cruz regressa a Jerusal\u00e9m por obra do imperador bizantino Er\u00e1clio que, em 628, tinha derrotado o louco Cosro\u00e9 II.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">3. S\u00e3o estes dois epis\u00f3dios hist\u00f3ricos, dos s\u00e9culos IV e VII, que fornecem o ch\u00e3o hist\u00f3rico para a Festa da Exalta\u00e7\u00e3o da Santa Cruz, que hoje celebramos. Anotamos, por\u00e9m, que, mesmo sem estes epis\u00f3dios, e antes deles, a Cruz do \u00fanico Senhor da nossa vida, Jesus Cristo, foi, segundo o Evangelho, exaltada para sempre diante dos nossos olhos.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">4. \u00c9, nesse sentido luminoso, que temos hoje a gra\u00e7a de ouvir o Evangelho de Jo\u00e3o 3,13-17, que exp\u00f5e a toda a luz o \u00abFilho do Homem, que\u00a0<em>deve<\/em>\u00a0(<em>de\u00ee<\/em>)\u00a0<em>ser levantado<\/em>\u00a0(<em>hyps\u00f4th\u00eanai<\/em>: aor. inf. passivo de\u00a0<em>hyps\u00f3\u00f4<\/em>), para que todo o que acredita nele tenha a vida eterna\u00bb (Jo\u00e3o 3,14b). V\u00ea-se perfeitamente que Jesus est\u00e1 a expor diante dos olhos de Nicodemos e dos nossos, a Cruz Santa e Gloriosa em que Ele pr\u00f3prio, o Senhor da Vida, ser\u00e1 crucificado, que o mesmo \u00e9 dizer, na linguagem Joanina, exaltado e glorificado. Note-se a presen\u00e7a da m\u00e3o de Deus, quer na necessidade teol\u00f3gica, expressa naquele\u00a0<em>de\u00ee<\/em>, que reclama o plano divino, quer na forma passiva utilizada na ac\u00e7\u00e3o deste\u00a0<em>levantamento<\/em>. Tamb\u00e9m \u00e9 importante a compara\u00e7\u00e3o expl\u00edcita que o pr\u00f3prio Jesus faz do seu\u00a0<em>levantamento\u00a0<\/em>com a ac\u00e7\u00e3o de Mois\u00e9s: \u00abAssim como Mois\u00e9s\u00a0<em>levantou<\/em>\u00a0(<em>h\u00fdps\u00f4sen<\/em>: aor. de\u00a0<em>hyps\u00f3\u00f4<\/em>) a cobra no deserto\u00bb (Jo\u00e3o 3,14a). E n\u00e3o podemos tamb\u00e9m perder de vista que, com este dizer, Jesus se assume como o verda\u00addeiro Servo de YHWH, que \u00abser\u00e1 exaltado\u00bb (<em>hyps\u00f3\u00f4<\/em>) por Deus (Isa\u00edas 52,13), e se apresenta a si mesmo como transpar\u00eancia de Deus: \u00abQuando tiverdes\u00a0<em>levantado<\/em>\u00a0(<em>hyps\u00f3\u00f4<\/em>) o Filho do Homem, ent\u00e3o sabereis que \u201cEu Sou\u201d (<em>eg\u00f4 eimi<\/em>), e que por mim mesmo nada fa\u00e7o, mas como me ensinou o Pai estas coisas falo (<em>lal\u00e9\u00f4<\/em>)\u00bb (Jo\u00e3o 8,28). Paulo tamb\u00e9m dir\u00e1, na Carta aos Filipenses, acerca deste Jesus, que Deus o \u00absobreexaltou\u00bb (<em>hyperhyps\u00f3\u00f4<\/em>) (Filipenses 2,9).<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">5. Notemos, antes de mais, que o\u00a0<em>levantamento<\/em>\u00a0de Jesus, na Cruz, \u00e9 em ordem a dar a vida eterna a todos os que cr\u00eaem (Jo\u00e3o 3,15-16). \u00c9 por isso que Jesus diz: \u00abQuando eu for\u00a0<em>levantado<\/em>\u00a0(<em>hyps\u00f3\u00f4<\/em>) da terra, atrairei todos a mim\u00bb (Jo\u00e3o 12,32). E ainda: \u00abH\u00e3o?de olhar para aquele que trespassaram\u00bb (Jo\u00e3o 19,37). Na verdade, para ter a Vida verdadeira, \u00e9 necessario\u00a0<em>ver<\/em>\u00a0[= acre\u00additar] o Filho (Jo\u00e3o 3,36; 6,40), Luz da Luz, que brilha sobre a Cruz, novo e \u00faltimo candelabro do amor de Deus (Actos 2,36).\u00a0<em>Ver<\/em>\u00a0o Filho \u00e9 obra do Esp\u00edrito Santo em n\u00f3s (1 Cor\u00edntios 12,3). Para O ver \u00e9 necess\u00e1rio ter nascido da \u00e1gua e do Esp\u00edrito (Jo\u00e3o 3,5), isto \u00e9, do alto e de outra maneira (<em>\u00e1n\u00f4then<\/em>) (Jo\u00e3o 3,3).<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">6.\u00a0<em>Ver<\/em>\u00a0o Filho do Homem\u00a0<em>levantado<\/em>\u00a0na Cruz \u00e9 ver passar dois filmes: 1) o da nossa viol\u00eancia e malvadez, postas a descoberto naquele rosto desfigurado, naqueles chagas abertas, naquele sangue a escorrer ou j\u00e1 coalhado: est\u00e1 ali, bem diante de n\u00f3s, a imagem do pecado que est\u00e1 escondido em n\u00f3s; 2) passa ali tamb\u00e9m o filme do imenso amor de Deus, que n\u00e3o faz frente \u00e0 minha viol\u00eancia, mas a abra\u00e7a. Sendo Deus amor, ent\u00e3o a \u00fanica maneira que Ele tem de curar o meu pecado, n\u00e3o \u00e9 decretar, l\u00e1 do alto e de dentro das paredes douradas da sua eternidade, uma qualquer amnistia. A \u00fanica maneira que Deus tem de me curar \u00e9 descer ao meu mundo, viver no meu mundo, caminhar comigo, sujeitar-se \u00e0s minhas maldades e tropelias, sofr\u00ea-las e absorv\u00ea-las. \u00c9 s\u00f3 assim, desarmado e s\u00f3 amando, que pode dissolver e absolver o pecado que h\u00e1 em mim. \u00abDeus amou tanto o mundo\u00bb (Jo\u00e3o 3,16). A cura n\u00e3o \u00e9 m\u00e1gica. Levantada e exibida bem diante dos nossos olhos, naquele rosto desfigurado e naquele sangue a escorrer, a imagem da viol\u00eancia, mentira, \u00f3dios, dentro de n\u00f3s escondida, mas agora declarada, conhecemos agora a doen\u00e7a de que padecemos. Podemos, portanto, come\u00e7ar a tratar-nos. E o rem\u00e9dio tamb\u00e9m est\u00e1 ali exposto bem diante dos nossos olhos: \u00e9 aquele amor e perd\u00e3o subversivos!<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">7. Era ent\u00e3o necess\u00e1rio que Jesus sofresse na Cruz, daquela maneira, por n\u00f3s? Sim, porque, para nos salvar, Deus n\u00e3o podia sen\u00e3o amar-nos. E, para nos amar, tinha sempre de vir viver connosco, no meio de n\u00f3s, e sujeitar-se naturalmente \u00e0s maldades e viol\u00eancias daqueles que Ele amava. Se n\u00f3s f\u00f4ssemos todos bons, seguramente que Jesus n\u00e3o teria sofrido e morrido naquela Cruz. Porqu\u00ea? Porque n\u00e3o era necess\u00e1rio? Simplesmente, porque, sendo n\u00f3s todos bons, quem de n\u00f3s ia fazer uma coisa daquelas?!<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">8. Aten\u00e7\u00e3o, portanto: a Cruz n\u00e3o \u00e9 o nosso pecado. \u00c9 a imagem do nosso pecado! O pecado, que est\u00e1 em n\u00f3s, produziu aquela imagem. Sim, est\u00e1 ali a imagem da nossa viol\u00eancia e estupidez. Vendo a imagem, podemos ver o pecado, o mal que h\u00e1 em n\u00f3s, habitualmente escondido e dissimulado. A Cruz tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 o amor de Deus. \u00c9 a imagem do Amor de Deus!<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">9. Se olharmos agora para o texto do Livro dos N\u00fameros 21,4-9, tudo fica claro. O pecado camuflava-se nos interst\u00edcios do cora\u00e7\u00e3o do povo de Israel no deserto. O resultado era a murmura\u00e7\u00e3o contra Deus e contra Mois\u00e9s, o n\u00e3o reconhecimento da ac\u00e7\u00e3o libertadora de Deus no \u00caxodo e o desprezo do alimento dado por Deus, causa de fastio, e n\u00e3o de maravilha (N\u00fameros 21,5). Como corrigir, com boa pedagogia, esta situa\u00e7\u00e3o? A\u00ed est\u00e3o as cobras (<em>n<sup>e<\/sup>hash\u00eem<\/em>) venenosas, que mordem e matam (N\u00fameros 21,6). A cobra \u00e9, por excel\u00eancia, imagem do pecado. Esconde-se e dissimula-se como o pecado. E o veneno que transporta, igualmente dissimulado, conduz \u00e0 morte, como o pecado. A cobra, como o pecado, anda dentro de n\u00f3s, dissimulada nas pregas do nosso cora\u00e7\u00e3o. \u00c9 sintom\u00e1tico que o Livro do G\u00e9nesis 3,14 refira que a cobra se alimenta de p\u00f3 (<em>?aphar<\/em>). De p\u00f3 (<em>?aphar<\/em>) foi modelado o homem (G\u00e9nesis 2,7). Salta ent\u00e3o \u00e0 vista que a cobra se alimenta de n\u00f3s. \u00c9 um parasita perigoso. Como o pecado.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">10. Mois\u00e9s exp\u00f5e num poste uma cobra de bronze. Quem olhar para ela, fica curado (N\u00fameros 21,8-9). N\u00e3o se trata de magia, mas, outra vez, do realismo b\u00edblico. Note-se tamb\u00e9m, antes de mais, que n\u00e3o era uma cobra que Mois\u00e9s fixava no poste, mas a imagem de uma cobra. Olhar bem para a imagem da cobra leva-nos a descobrir a cobra verdadeira que anda dentro de n\u00f3s, o veneno que transportamos, que nos mata e mata os nossos irm\u00e3os. Feito o diagn\u00f3stico, reconhecido o mal de que padecemos, podemos ent\u00e3o iniciar o processo da cura. \u00c9 neste ponto preciso que a boa pedagogia de Jesus em Jo\u00e3o 3,14 nos leva a ver bem o Filho do Homem\u00a0<em>levantado<\/em>\u00a0como Mois\u00e9s\u00a0<em>levantou<\/em>\u00a0a cobra no deserto.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">11. O chamado \u00abhino cristol\u00f3gico\u00bb, que encontramos na Carta aos Filipenses 2,6-11, volta a p\u00f4r diante de n\u00f3s o Filho de Deus, humilhado e exaltado, Jesus, que recebeu, na sua Humanidade, o Nome divino (ver tamb\u00e9m Hebreus 1,1-4), Nome incompar\u00e1vel (Filipenses 2,9). Por isso, agora, todos os seres criados adoram o Nome-Jesus (Filipenses 2,10), e \u00abtoda a l\u00edngua\u00bb, isto \u00e9, todo o ser humano racional, professa: \u00abSenhor \u00e9 Jesus Cristo!\u00bb. Notar a ordem dos tr\u00eas termos, errada nas vers\u00f5es modernas: Senhor, isto \u00e9, Deus eterno, \u00e9 o Homem-Jesus Cristo. O acento cai, pois, sobre Senhor. O fim em vista: a Gl\u00f3ria do Pai com o Esp\u00edrito (Filipenses 2,11). \u00c9 quanto Deus operou na Cruz e semeou no nosso cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">12. O Salmo 78 ensina-nos que a B\u00edblia \u00e9 a longa hist\u00f3ria de uma salva\u00e7\u00e3o sempre oferecida, acolhida e, por vezes, rejeitada. Lembra-nos que que as maravilhas de Deus n\u00e3o s\u00e3o para guardar no cofre da fam\u00edlia, mas para passar, de m\u00e3o em m\u00e3o, de cora\u00e7\u00e3o a cora\u00e7\u00e3o, de pais para filhos, de gera\u00e7\u00e3o a gera\u00e7\u00e3o. A catequese \u00e9 o an\u00fancio de um acontecimento em carne viva que nos deve comprometer, e n\u00e3o de uma s\u00e9rie de frias ou requentadas teses teol\u00f3gicas.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u00a0<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Irei tamb\u00e9m, Senhor,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Em prociss\u00e3o de amor,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Beijar a tua Cruz.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u00a0<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">E quando eu olhar para ti,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Para o teu rosto ferido e desfigurado,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Para as tuas muitas chagas a sangrar,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">D\u00e1-me a gra\u00e7a de a\u00ed ver bem o meu pecado.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u00a0<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">E quando Tu, Senhor, olhares para mim,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Com esse meigo olhar de serena compaix\u00e3o,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">D\u00e1-me a gra\u00e7a de a\u00ed ver o teu perd\u00e3o nunca poupado,<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">E de sair com o cora\u00e7\u00e3o transfigurado.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u00a0<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. 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