{"id":2646850341,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/7760-domingo-ii-da-quaresma-a-solene-exposicao-do-filho"},"modified":"2025-11-07T16:33:11","modified_gmt":"2025-11-07T16:33:11","slug":"domingo-ii-da-quaresma-a-solene-exposicao-do-filho-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/domingo-ii-da-quaresma-a-solene-exposicao-do-filho-2\/","title":{"rendered":"Domingo II da Quaresma: \u00abA Solene exposi\u00e7\u00e3o do Filho\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031.jpg\" \/><\/p>\n<p><p>1. Batizado com o Esp\u00edrito Santo (Marcos 1,9-10), chamado pelo Pai \u00abo Filho meu\u00bb, \u00abo Amado\u00bb (Marcos 1,11), tentado durante quarenta dias no nosso deserto, mas superando a prova, dominando pela do\u00e7ura os animais e a nossa selvagem animalidade, Jesus, totalmente vinculado ao Pai, pois d\u2019Ele \u00e9 o Filho, o Amado, vincula-se tamb\u00e9m \u00e0 nossa humana condi\u00e7\u00e3o e vincula-nos a Si (\u00abVamos\u00bb [<em>\u00e1g\u00f4men<\/em>]: o mesmo dizer vinculativo em Marcos 1,38, na hora da Miss\u00e3o, e Marcos 14,42, na hora da Paix\u00e3o), refazendo os nossos caminhos h\u00e1 muito por n\u00f3s abandonados. O seu caminho filial batismal \u00e9 agora tamb\u00e9m o nosso caminho.<\/p>\n<p>2. O Evangelho de Marcos refere, de facto, que Jesus nos fez deixar para tr\u00e1s os nossos planos (Marcos 1,37), e nos levou consigo, na hora da Miss\u00e3o, a Anunciar o Evangelho de Deus pelos caminhos da Galileia (Marcos 1,38), prolepse fant\u00e1stica da inteira vida crist\u00e3, discipular e apost\u00f3lica: com Jesus nos caminhos da sua Miss\u00e3o, que passam tamb\u00e9m pelo caminho da sua Paix\u00e3o (Marcos 14,42). A locu\u00e7\u00e3o \u00abno caminho\u00bb (<em>en t\u00ea hod\u00f4<\/em>), usada sobretudo na importante sec\u00e7\u00e3o do seguimento de Jesus \u00abno caminho\u00bb (Marcos 8,27-10,52), fazendo-se a\u00ed ouvir por cinco vezes (Marcos 8,27; 9,33.34; 10,32.52), ajuda-nos a compreender ainda melhor que o disc\u00edpulo de Jesus deve aprender a \u00abdizer vigorosamente n\u00e3o\u00bb (<em>apern\u00e9omai<\/em>) a si mesmo (Marcos 8,34), express\u00e3o fort\u00edssima empregada no texto grego de Isa\u00edas para dizer \u00abdesfazer-se dos seus \u00eddolos de ouro e prata\u00bb (Isa\u00edas 31,7), para fazer completamente seu o mesmo caminho de Jesus.<\/p>\n<p>3. \u00c9 assim que chegamos ao Evangelho deste Domingo II da Quaresma (Marcos 9,2-10), em que nos \u00e9 mostrada, no meio do caminho de Jesus, a cena extraordin\u00e1ria da Transfigura\u00e7\u00e3o de Jesus. A iniciativa come\u00e7a por ser de Jesus, que toma consigo (<em>paralamb\u00e1n\u00f4<\/em>) Pedro, Tigo e Jo\u00e3o, e os faz subir (<em>anaph\u00e9r\u00f4<\/em>) a um monte alto, mas passa logo para Deus com o passivo divino ou teol\u00f3gico \u00abfoi transfigurado\u00bb (<em>metemorph\u00f4th\u00ea<\/em>: aoristo passivo de\u00a0<em>metamorph\u00e9\u00f4<\/em>) (Marcos 9,2). \u00c9 a segunda vez que Jesus toma consigo apenas Pedro, Tiago e Jo\u00e3o (a primeira foi aquando da ressuscita\u00e7\u00e3o da filha de Jairo: 5,35-43). O facto de os levar para um monte alto, significa que o que se vai passar cai fora da agita\u00e7\u00e3o da vida quotidiana; a transfigura\u00e7\u00e3o de Jesus n\u00e3o se realiza na pra\u00e7a p\u00fablica ou perante uma grande multid\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 narrada a figura de Jesus transfigurado. Apenas se fala das suas vestes brancas de uma brancura n\u00e3o terrena (Marcos 9,3). Fala-se tamb\u00e9m da \u00abapari\u00e7\u00e3o\u00bb de Elias com Mois\u00e9s (Marcos 9,4). A \u00abapari\u00e7\u00e3o\u00bb de Mois\u00e9s e Elias faz-nos compreender que Jesus n\u00e3o surge de improviso, mas se insere numa longa hist\u00f3ria que retrata a solicitude de Deus com o seu povo. \u00abApari\u00e7\u00e3o\u00bb: literalmente \u00abfez-se ver\u00bb (<em>\u00f4pth\u00ea<\/em>: aoristo passivo de\u00a0<em>hor\u00e1\u00f4<\/em>) \u00aba eles\u00bb (<em>auto\u00ees<\/em>). Trata-se de um passivo intransitivo, isto \u00e9, s\u00e3o Mois\u00e9s e Elias que se fazem ver. De per si, os nossos olhos n\u00e3o t\u00eam capacidade de ver tanto. Por isso tamb\u00e9m, aquele \u00aba eles\u00bb \u00e9 gramaticalmente chamado um dativo do benefici\u00e1rio. \u00c9 tamb\u00e9m desta maneira que s\u00e3o apresentadas as apari\u00e7\u00f5es de Deus no Antigo Testamento e as do Ressuscitado no Novo Testamento.<\/p>\n<p>4. Em Marcos 9,5, Pedro reage a tanto ver. Mas o seu dizer n\u00e3o se ajusta ao contexto, \u00e9 manifestamente desapropriado. Tendas terrenas n\u00e3o podem abrigar seres celestes. Por isso, certeiramente nos diz o narrador que \u00abn\u00e3o sabia o que dizia\u00bb (Marcos 9,6).<\/p>\n<p>5. E eis o cl\u00edmax do relato, com a introdu\u00e7\u00e3o de dois elementos divinos: a nuvem e a voz, s\u00edmbolos respetivamente da presen\u00e7a velada de Deus e da sua transcend\u00eancia (\u00caxodo 24,16). Da nuvem uma voz, a voz de Deus, o \u00fanico que sabe dizer bem o que se passa: \u00abEste \u00e9 o Filho meu, o Amado\u00bb (Marcos 9,8). Notem-se duas pequenas diferen\u00e7as em rela\u00e7\u00e3o ao cen\u00e1rio do Batismo. A\u00ed, a voz de Deus prov\u00e9m do c\u00e9u (n\u00e3o da nuvem), e dirige-se a Jesus, em 2.\u00aa pessoa: \u00abTu \u00e9s o Filho meu, o Amado\u00bb (Marcos 1,11). Aqui, a voz prov\u00e9m da nuvem, e dirige-se a n\u00f3s, em 3.\u00aa pessoa. \u00c9, portanto, a apresenta\u00e7\u00e3o que Deus nos faz do Seu pr\u00f3prio Filho. Tanto que, acrescenta logo o imperativo: \u00abEscutai-O\u00bb (Marcos 9,8). Com este divino dizer, o Pai vincula a Si o Seu Filho do modo mais profundo: Deus n\u00e3o se revela a si mesmo, como no \u00caxodo, mas revela o Filho, e vincula-nos a n\u00f3s tamb\u00e9m ao Seu Filho, sendo Ele a Palavra que devemos escutar todos os dias, a Pessoa a quem devemos prestar aten\u00e7\u00e3o todos os dias. Note-se que o Filho \u00e9, antes de mais, aquele que recebe a vida, e s\u00f3 depois aquele que tem uma miss\u00e3o para cumprir. Est\u00e1 aqui o esc\u00e2ndalo da revela\u00e7\u00e3o: Deus n\u00e3o se qualifica apenas como Criador e Pai que d\u00e1 a vida, mas tamb\u00e9m como Filho que a recebe!<\/p>\n<p>6. Eis-nos, portanto, outra vez a s\u00f3s com Jesus (Marcos 9,8), que p\u00f5e a Transfigura\u00e7\u00e3o em linha com a Ressurrei\u00e7\u00e3o, abrindo-nos j\u00e1 proleticamente os caminhos da Miss\u00e3o depois da Ressurrei\u00e7\u00e3o. Que a Transfigura\u00e7\u00e3o deve ser vista \u00e0 luz da Ressurrei\u00e7\u00e3o, fica bem patente no dizer das Igrejas do Oriente que chamam \u00e0 Festa da Transfigura\u00e7\u00e3o, que se celebra no dia 6 de Agosto, \u00aba P\u00e1scoa do ver\u00e3o\u00bb. Mas est\u00e1 tamb\u00e9m claro na ordem dada por Jesus ao descer do monte de \u00abA ningu\u00e9m narrarem (<em>di\u00eag\u00e9omai<\/em>) o que viram sen\u00e3o quando o Filho do Homem ressuscitar dos mortos\u00bb (Marcos 9,9).<\/p>\n<p>7. Jesus imp\u00f5e, portanto, na nossa pauta musical pausa e bemol. Na verdade, n\u00e3o podemos dizer a Transfigura\u00e7\u00e3o do Senhor, antes da Ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor e independentemente da Ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor. E n\u00e3o podemos, porque n\u00e3o sabemos. E n\u00e3o sabemos, porque \u00e9 s\u00f3 o Ressuscitado que faz vir o Esp\u00edrito Santo sobre n\u00f3s. Veja-se a li\u00e7\u00e3o do Livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos: \u00abEste Jesus, Deus o Ressuscitou, e disto todos n\u00f3s somos testemunhas. Exaltado \u00e0 direita de Deus, tendo recebido do Pai a promessa do Esp\u00edrito Santo, derramou-o, e \u00e9 o que vedes e ouvis\u00bb (2,32-33). E o coment\u00e1rio preciso e precioso do narrador \u00e0s palavras que Jesus acabava de proferir: \u00abIsto disse do Esp\u00edrito que haviam de receber os que tinham acreditado n\u2019Ele, pois n\u00e3o havia ainda Esp\u00edrito [para n\u00f3s], porque Jesus ainda n\u00e3o tinha sido glorificado\u00bb (Jo\u00e3o 7,39). Pausa e bemol, porque importa que n\u00e3o sejamos n\u00f3s a falar. Importa que seja o Esp\u00edrito Santo a falar em n\u00f3s. Toda a aten\u00e7\u00e3o, neste sentido, para o grande dizer de Jesus: \u00abQuando vos conduzirem, entregando-vos, n\u00e3o vos preocupeis com o que ides falar (<em>lal\u00e9\u00f4<\/em>); mas o que vos for dado (<em>doth\u00ea<\/em>: conj. aor. pass. de\u00a0<em>d\u00edd\u00f4mi<\/em>) nessa hora, isso falai (<em>lal\u00e9\u00f4<\/em>); na verdade, n\u00e3o sois v\u00f3s que falais (<em>lal\u00e9\u00f4<\/em>), mas o ESP\u00cdRITO SANTO\u00bb (Marcos 13,11). Falar, com o verbo\u00a0<em>lal\u00e9\u00f4<\/em>, \u00e9 linguagem de revela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>8. A tradi\u00e7\u00e3o situa o \u00abmonte alto\u00bb, que abre o epis\u00f3dio da Transfigura\u00e7\u00e3o (Marcos 9,2), no Tabor, um monte de forma arredondada que se ergue nos seus 582 metros no meio da plan\u00edcie galilaica de Jesrael ou Esdrelon. No sop\u00e9 do Tabor ainda hoje se encontra a aldeia palestiniana de\u00a0<em>Daburiyya<\/em>, cujo eco evoca a personagem b\u00edblica mais importante desta regi\u00e3o, a profetisa D\u00e9bora. As Igrejas do Oriente conhecem este epis\u00f3dio da Transfigura\u00e7\u00e3o por \u00abMetamorfose\u00bb (<em>Metam\u00f3rph\u00f4sis<\/em>), a partir das palavras do texto: \u00abE transformou-se (<em>metemorph\u00f4th\u00ea<\/em>) diante deles [= Pedro, Tiago e Jo\u00e3o], e as suas vestes tornaram-se resplandecentes, grandemente brancas\u00bb (Marcos 9,2-3). O branco \u00e9 a cor divina. E a luz \u00e9 o seu vestido, conforme o dizer do Salmo 104,2: \u00abVestido de Luz como de um manto\u00bb. E, nesse cone de luz, o Ap\u00f3stolo exorta-nos: \u00abCaminhai como filhos da luz\u00bb, e lembra-nos que \u00abo fruto da luz \u00e9 toda a bondade, justi\u00e7a e verdade\u00bb (Ef\u00e9sios 5,8 e 9).<\/p>\n<p>9. A Li\u00e7\u00e3o do Livro do G\u00e9nesis 22,1-18 apresenta-nos a figura de Abra\u00e3o, tamb\u00e9m ele vencedor da prova da sempre idol\u00e1trica posse que se apega a n\u00f3s e a que n\u00f3s nos apegamos. Na verdade, h\u00e1 ainda uma \u00faltima posse de que Abra\u00e3o tem de ser libertado: em rela\u00e7\u00e3o a Abra\u00e3o, o narrador insiste em chamar a Isaac \u00abseu\u00bb filho (G\u00e9nesis 22,3.6.9.10.13), e o pr\u00f3prio Abra\u00e3o diz para Isaac \u00abmeu\u00bb filho (G\u00e9nesis 22,7 e 8). Um refr\u00e3o os re\u00fane por duas vezes: \u00abE iam os dois juntos\u00bb (G\u00e9nesis 22,6 e 8). Ora, Isaac \u00e9 o filho da promessa, \u00e9 um dom, e um dom n\u00e3o \u00e9 para se reter ou possuir. Segundo o dizer autorizado do anjo do Senhor que se faz ouvir dos c\u00e9us por duas vezes, Abra\u00e3o passa a prova exatamente porque \u00abn\u00e3o retiveste o teu filho, o teu \u00fanico, longe de mim\u00bb (G\u00e9nesis 22,12 e 16). N\u00e3o o reteve. Deu-o. Desapossou-se dele. Deu-o a Deus e deu-se a Deus na sua paternidade, \u00abfazendo subir em holocausto\u00bb, n\u00e3o um\u00a0<em>cordeiro<\/em>(<em>seh<\/em>) (G\u00e9nesis 22,7-8), mas um\u00a0<em>carneiro<\/em>\u00a0(<em>?ayil<\/em>) (Gn 22,13). Neste epis\u00f3dio imenso, intenso e nebuloso, n\u00f3s podemos, todavia, compreender que, em vez de sacrificar Isaac, Abra\u00e3o dever\u00e1 sacrificar a sua vontade de o possuir como propriedade: \u00e9 esta vontade que \u00e9 mortal. Procedendo assim, Abra\u00e3o \u00e9 o anti-<em>Adam<\/em>. \u00c9 preciso testemunhas desta liberta\u00e7\u00e3o imensa, incr\u00edvel, dram\u00e1tica, divina. S\u00e3o os dois jovens deposit\u00e1rios do dizer de Abra\u00e3o: \u00abVamos l\u00e1 acima adorar, e\u00a0<em>voltaremos<\/em>\u00a0para v\u00f3s\u00bb (G\u00e9nesis 22,5. Importante dizer, dado que, ap\u00f3s a a\u00e7\u00e3o de adora\u00e7\u00e3o l\u00e1 em cima, o narrador dir\u00e1: \u00ab<em>Voltou<\/em>\u00a0Abra\u00e3o para os jovens\u00bb (Gn 22,19). Deposit\u00e1rios de um dizer que afirmava o regresso de Abra\u00e3o e Isaac, as duas testemunhas podem constatar agora, n\u00e3o o regresso dos dois, mas somente de Abra\u00e3o. Li\u00e7\u00e3o de insuper\u00e1vel liberdade.<\/p>\n<p>10. Outro imenso texto de S\u00e3o Paulo atravessa este Domingo II da Quaresma: Romanos 8,31?34. \u00abDeus entregou o seu Filho por n\u00f3s\u00bb (Romanos 8,32). Eis o\u00a0<em>Des\u00edgnio\u00a0<\/em>(<em>Mist\u00e9rio<\/em>) de Deus anunciado no Antigo Testamento, realizado em Cristo, batizado para a Morte, confirmado para a Morte, entregue por Deus \u00e0 Morte. Nesta Morte Gloriosa fomos n\u00f3s batizados e confirmados com o Esp\u00edrito Santo e com o fogo, e foi?nos dado a conhecer esse\u00a0<em>Des\u00edgnio\u00a0<\/em>(<em>Mist\u00e9rio conhecido!<\/em>) (Romanos 16,25?26; 1 Cor\u00edntios 2,7?l0; Ef\u00e9sios 3,3?11; Colossenses 1,26?27).\u00a0<em>Des\u00edgnio\u00a0<\/em>(<em>Mist\u00e9rio<\/em>) de Deus anunciado, realizado, e dado a conhecer. A nossa miss\u00e3o filial batismal \u00e9 proclam\u00e1?lo e testemunh\u00e1?lo como o Ap\u00f3stolo o proclama e testemunha.<\/p>\n<p>11. O Salmo 116 \u00e9 o quarto canto do chamado \u00abHallel Pascal\u00bb, que re\u00fane os Salmos 113-118. O Salmo 116 enche de m\u00fasica e de cor a Ceia Pascal hebraica. Na verdade, neste Salmo, canta-se a liberdade e a alegria confiante de vermos a nossa vida segura nas m\u00e3os de Deus, que nos retira do esquecimento do t\u00famulo, e reacende a chama que se extingue. Entre os admiradores deste Salmo conta-se, com algum espanto nosso, o fil\u00f3sofo franc\u00eas Voltaire (1694-1778), que privilegiava o v. 12: \u00abComo restituirei (<em>hesh\u00eeb<\/em>) ao Senhor por todos os seus benef\u00edcios (<em>g<sup>e<\/sup>m\u00fbl\u00f4t<\/em>) que me deu?\u00bb. O Salmo fornece logo a seguir a resposta: \u00abO c\u00e1lice da salva\u00e7\u00e3o erguerei,\/ e o Nome do Senhor invocarei.\/ Os meus votos ao Senhor cumprirei,\/ diante de todo o seu povo\u00bb (vv. 13-14). Este c\u00e1lice erguido e partilhado assinala, no ritual (<em>seder<\/em>) da Ceia Pascal hebraica, o momento em que ia passando entre os comensais a terceira ta\u00e7a de vinho, a da A\u00e7\u00e3o de Gra\u00e7as. De resto, o orante sabe bem que n\u00e3o pode \u00abrestituir\u00bb a Deus. Por isso, no Salt\u00e9rio, o sujeito do verbo \u00abrestituir\u00bb (<em>hesh\u00eeb<\/em>: hiphil de\u00a0<em>sh\u00fbb<\/em>) \u00e9, por norma, Deus (21 sobre 28 vezes). Mas o orante pode sempre agradecer a Deus e anunciar a todos que Deus atua em favor do seu povo, a\u00e7\u00e3o de evangeliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A quaresma \u00e9 uma estrada<\/p>\n<p>Entrecortada<\/p>\n<p>Por esta\u00e7\u00f5es de servi\u00e7o de paz e de perd\u00e3o,<\/p>\n<p>Uma avenida<\/p>\n<p>Florida<\/p>\n<p>De ora\u00e7\u00e3o,<\/p>\n<p>Uma pra\u00e7a<\/p>\n<p>De gra\u00e7a<\/p>\n<p>E contempla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A quaresma \u00e9 uma escada,<\/p>\n<p>Que do c\u00e9u desce,<\/p>\n<p>Trazendo at\u00e9 n\u00f3s a m\u00e3o de Deus,<\/p>\n<p>E ao c\u00e9u se eleva,<\/p>\n<p>Levando at\u00e9 Deus a nossa prece.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A quaresma \u00e9 um caminho<\/p>\n<p>Direitinho<\/p>\n<p>Ao cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso limp\u00e1-lo<\/p>\n<p>De todo o lixo acumulado.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso entreg\u00e1-lo a Deus,<\/p>\n<p>Limpo e cultivado.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Senhor desta estrada deserta,<\/p>\n<p>Que vai de Jerusal\u00e9m a Gaza,<\/p>\n<p>Conduz os meus passos<\/p>\n<p>At\u00e9 ao limiar da tua casa.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. Batizado com o Esp\u00edrito Santo (Marcos 1,9-10), chamado pelo Pai \u00abo Filho meu\u00bb, \u00abo Amado\u00bb (Marcos 1,11), tentado durante [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":920925217,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[70],"class_list":["post-2646850341","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-liturgia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2646850341","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2646850341"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2646850341\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4294994400,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2646850341\/revisions\/4294994400"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media\/920925217"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2646850341"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2646850341"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2646850341"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}