{"id":2651183785,"date":"2021-12-15T00:00:00","date_gmt":"2021-12-15T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/326-vaticano\/11034-audiencia-geral-aprender-de-jose-a-cultivar-o-silencio-afirma-o-papa"},"modified":"2021-12-15T00:00:00","modified_gmt":"2021-12-15T00:00:00","slug":"audiencia-geral-aprender-de-jose-a-cultivar-o-silencio-afirma-o-papa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/audiencia-geral-aprender-de-jose-a-cultivar-o-silencio-afirma-o-papa\/","title":{"rendered":"Audi\u00eancia-geral: \u00abAprender de Jos\u00e9 a cultivar o sil\u00eancio\u00bb, afirma o Papa"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/papa_sala_paulovi_160810041657.jpeg\"\/><\/p>\n<p><p>Em nova catequese sobre S\u00e3o Jos\u00e9, o Papa convidou os crentes a olharem para o pai adotivo de Jesus como o &#8220;homem do sil\u00eancio&#8221;, um sil\u00eancio cheio de &#8220;escuta, laborioso&#8221; e que mostra a sua grande inerioridade<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Leia, na \u00edntegra, a catequese do Papa Francisco<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Catequese sobre S\u00e3o Jos\u00e9<em>\u00a0<\/em>4.\u00a0S\u00e3o Jos\u00e9, homem do sil\u00eancio<\/strong><\/p>\n<p><em>Estimados irm\u00e3os e irm\u00e3s, bom dia!<\/em><\/p>\n<p>Continuemos o nosso caminho de reflex\u00e3o sobre S\u00e3o Jos\u00e9. Depois de ter ilustrado o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/audiences\/2021\/documents\/papa-francesco_20211117_udienza-generale.html\">ambiente em que ele viveu<\/a>, o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/audiences\/2021\/documents\/papa-francesco_20211124_udienza-generale.html\">seu papel na hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o<\/a>\u00a0e o seu ser\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/audiences\/2021\/documents\/papa-francesco_20211201_udienza-generale.html\">justo e esposo de Maria<\/a>, hoje gostaria de examinar outro aspeto importante da sua figura: o sil\u00eancio. Hoje, muitas vezes precisamos de sil\u00eancio. O sil\u00eancio \u00e9 importante. Estou impressionado com um verso do Livro da Sabedoria que foi lido a pensar no Natal, que diz: \u201cQuando a noite estava no sil\u00eancio mais profundo, a tua palavra desceu \u00e0 terra\u201d. No momento de maior sil\u00eancio Deus manifestou-se. \u00c9 importante pensar no sil\u00eancio nesta \u00e9poca na qual ele parece ter t\u00e3o pouco valor.<\/p>\n<p>Os Evangelhos n\u00e3o registam quaisquer palavras de Jos\u00e9 de Nazar\u00e9, nada, nunca falou. Isto n\u00e3o significa que ele fosse taciturno, n\u00e3o, h\u00e1 uma raz\u00e3o mais profunda. Com este sil\u00eancio, Jos\u00e9 confirma o que Santo Agostinho escreveu: \u00abNa medida em que\u00a0<em>cresce em n\u00f3s a Palavra<\/em>\u00a0\u2013 o Verbo que se fez homem \u2013\u00a0<em>diminuem as palavras<\/em>\u00bb (<em>Serm\u00e3o<\/em>\u00a0288, 5:\u00a0<em>PL<\/em>\u00a038, 1307). Na medida em que Jesus \u2013 a vida espiritual \u2013 cresce, as palavras diminuem. Isto que podemos definir o \u201cpapagalismo\u201d \u2013 falar como papagaios continuamente \u2013 diminui um pouco. Jo\u00e3o Batista, que \u00e9 \u00aba voz que clama no deserto: \u201cPreparai o caminho do Senhor\u201d\u00bb (<em>Mt<\/em>\u00a03, 1), diz em rela\u00e7\u00e3o ao Verbo: \u00abEle deve crescer e eu diminuir\u00bb (<em>Jo<\/em>\u00a03, 30). Significa que Ele deve falar e eu devo ficar calado e Jos\u00e9 com o seu sil\u00eancio convida-nos a deixar espa\u00e7o \u00e0 Presen\u00e7a da Palavra feita carne, a Jesus.<\/p>\n<p>O sil\u00eancio de Jos\u00e9 n\u00e3o \u00e9 mutismo; \u00e9 um sil\u00eancio cheio de<em>\u00a0escuta<\/em>, um sil\u00eancio\u00a0<em>laborioso<\/em>, um sil\u00eancio que faz emergir a sua grande interioridade. \u00abO Pai pronunciou uma palavra, e foi o Filho \u2013 comentou S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz \u2013 e ela fala sempre em eterno sil\u00eancio, e no sil\u00eancio deve ser ouvida pela alma\u00bb (<em>Dichos de luz y amor<\/em>, BAC, Madrid, 417, n. 99).\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>Jesus cresceu nesta \u201cescola\u201d, na casa de Nazar\u00e9, com o exemplo di\u00e1rio de Maria e Jos\u00e9. E n\u00e3o surpreende que ele pr\u00f3prio procurar\u00e1 espa\u00e7os de sil\u00eancio nos seus dias (cf.\u00a0<em>Mt<\/em>\u00a014, 23) e convidar\u00e1 os seus disc\u00edpulos a fazerem esta experi\u00eancia, por exemplo: \u00abVinde, retiremo-nos a um lugar deserto, e repousai um pouco\u00bb (<em>Mc<\/em>\u00a06, 31).<\/p>\n<p>Como seria bom se cada um de n\u00f3s, seguindo o exemplo de S\u00e3o Jos\u00e9, conseguisse recuperar esta\u00a0<em>dimens\u00e3o contemplativa da vida aberta precisamente pelo sil\u00eancio<\/em>. Mas todos sabemos por experi\u00eancia que n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil: o sil\u00eancio assusta-nos um pouco, porque nos pede para entrarmos em n\u00f3s mesmos e encontrarmos a parte mais verdadeira de n\u00f3s. Muita gente tem receio do sil\u00eancio, deve falar, falar, falar ou ouvir r\u00e1dio, televis\u00e3o\u2026, mas n\u00e3o pode aceitar o sil\u00eancio porque tem medo. O fil\u00f3sofo Pascal observou que \u00abtoda a infelicidade dos homens prov\u00e9m de uma s\u00f3 coisa: n\u00e3o saber ficar tranquilo num quarto\u00bb (<em>Pensamentos<\/em>, 139).<\/p>\n<p>Queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s, aprendamos de S\u00e3o Jos\u00e9 a cultivar espa\u00e7os de sil\u00eancio, nos quais possa surgir outra Palavra, isto \u00e9, Jesus, a Palavra: a do Esp\u00edrito Santo que habita em n\u00f3s e que traz Jesus. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil reconhecer esta Voz, que muitas vezes se confunde com os milhares de vozes de preocupa\u00e7\u00f5es, tenta\u00e7\u00f5es, desejos e esperan\u00e7as que nos habitam; mas sem este treino que prov\u00e9m precisamente da pr\u00e1tica do sil\u00eancio,\u00a0<em>at\u00e9 a nossa fala pode adoecer<\/em>. Sem a pr\u00e1tica do sil\u00eancio o nosso falar adoece. Ele, em vez de fazer resplandecer a verdade, pode tornar-se uma arma perigosa. De facto, as nossas palavras podem tornar-se adula\u00e7\u00e3o, jact\u00e2ncia, mentira, maledic\u00eancia, cal\u00fania. \u00c9 um dado da experi\u00eancia que, como nos lembra o Eclesi\u00e1stico, \u00aba l\u00edngua mata mais do que a espada\u00bb (28, 18). Jesus disse-o claramente: quem fala mal do irm\u00e3o ou da irm\u00e3, quem calunia o pr\u00f3ximo, \u00e9 homicida (cf.\u00a0<em>Mt\u00a0<\/em>5, 21-22).\u00a0 Mata com a l\u00edngua. N\u00e3o acreditamos nisto, mas \u00e9 a verdade. Recordemos as vezes que matamos com a l\u00edngua, envergonhar-nos-\u00edamos! Contudo, far-nos-\u00e1 muito bem, tanto bem.<\/p>\n<p>A sabedoria b\u00edblica afirma que \u00abmorte e vida est\u00e3o no poder da l\u00edngua: quem fizer bom uso dela comer\u00e1 o seu fruto\u00bb (<em>Pr<\/em>\u00a018, 21). E o ap\u00f3stolo Tiago, na sua Carta, desenvolve este antigo tema do poder, positivo e negativo, da palavra com exemplos impressionantes, diz assim: \u00abSe algu\u00e9m n\u00e3o peca pela palavra, esse \u00e9 um homem perfeito, capaz de dominar o seu corpo [&#8230;] a l\u00edngua \u00e9 um pequeno membro e gloria-se de grandes coisas [&#8230;] Com ela bendizemos a Deus Pai, e com ela amaldi\u00e7oamos os homens, feitos \u00e0 semelhan\u00e7a de Deus. De uma mesma boca procedem a b\u00ean\u00e7\u00e3o e a maldi\u00e7\u00e3o\u00bb (3, 2-10).<\/p>\n<p>Por este motivo, devemos aprender de Jos\u00e9 a cultivar o sil\u00eancio: aquele espa\u00e7o de interioridade nos nossos dias nos quais damos ao Esp\u00edrito a oportunidade de nos regenerar, de nos consolar, de nos corrigir. N\u00e3o estou a dizer que devemos cair num mutismo, n\u00e3o, mas devemos cultivar o sil\u00eancio. Cada um olhe para dentro de si mesmo: muitas vezes estamos a fazer um trabalho e quando terminamos procuramos imediatamente o telem\u00f3vel para fazer outra coisa, somos sempre assim. E isto n\u00e3o ajuda, faz-nos escorregar para a superficialidade. A profundidade do cora\u00e7\u00e3o cresce com o sil\u00eancio, um sil\u00eancio que n\u00e3o \u00e9 mutismo, como eu disse, mas que deixa espa\u00e7o \u00e0 sabedoria, \u00e0 reflex\u00e3o e ao Esp\u00edrito Santo. Por vezes temos medo dos momentos de sil\u00eancio, mas n\u00e3o devemos recear! O sil\u00eancio far-nos-\u00e1 muito bem. E o benef\u00edcio para os nossos cora\u00e7\u00f5es curar\u00e1 tamb\u00e9m a nossa l\u00edngua, as nossas palavras e, sobretudo, as nossas escolhas. Com efeito, Jos\u00e9\u00a0<em>uniu o sil\u00eancio \u00e0 a\u00e7\u00e3o<\/em>. Ele n\u00e3o falou, mas fez, e assim mostrou-nos o que Jesus disse outrora aos seus disc\u00edpulos: \u00abNem todo o que me diz Senhor, Senhor, entrar\u00e1 no reino dos C\u00e9us, mas sim aquele que faz a vontade do meu Pai que est\u00e1 nos C\u00e9us\u00bb (<em>Mt<\/em>\u00a07, 21). Palavras fecundas quando falamos e temos a recorda\u00e7\u00e3o daquela can\u00e7\u00e3o \u201cParole, parole, parole\u2026\u201d [\u201cPalavras, palavras, palavras\u2026\u201d] e nenhuma subst\u00e2ncia. Sil\u00eancio, falar o suficiente, \u00e0s vezes morder a l\u00edngua um pouquinho, que faz bem, em vez de dizer parvo\u00edces.<\/p>\n<p>Concluamos com uma ora\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>S\u00e3o Jos\u00e9, homem do sil\u00eancio,<br \/>v\u00f3s que no Evangelho n\u00e3o proferistes palavra alguma,<br \/>ensinai-nos a jejuar de palavras v\u00e3s,<br \/>a redescobrir o valor das palavras que edificam, encorajam, consolam e apoiam.<br \/>Estai pr\u00f3ximo de quantos sofrem por causa das palavras que ferem,<br \/>como as cal\u00fanias e as maledic\u00eancias,<br \/>e ajudai-nos a unir sempre as a\u00e7\u00f5es \u00e0s palavras. Am\u00e9m.<\/p>\n<p>Imagem: Vatican Media<\/p>\n<p>Educris|15.12.2021<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em nova catequese sobre S\u00e3o Jos\u00e9, o Papa convidou os crentes a olharem para o pai adotivo de Jesus como [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4294987824,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[64],"class_list":["post-2651183785","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-vaticano"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2651183785","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2651183785"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2651183785\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4294987824"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2651183785"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2651183785"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2651183785"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}