{"id":2669063151,"date":"2018-06-21T00:00:00","date_gmt":"2018-06-21T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/326-vaticano\/8054-genebra-homilia-do-papa-francisco-"},"modified":"2018-06-21T00:00:00","modified_gmt":"2018-06-21T00:00:00","slug":"genebra-homilia-do-papa-francisco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/genebra-homilia-do-papa-francisco\/","title":{"rendered":"Genebra: Homilia do Papa Francisco"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/papa_genebra_180622060346.jpeg\"\/><\/p>\n<p><p><em>Papa Francisco celebrou hoje em Genebra a eucaristia, por ocasi\u00e3o do 70\u00ba anivers\u00e1rio da funda\u00e7\u00e3o do Conselho Mundial das Igrejas<\/em><\/p>\n<p>Leia, na \u00edntegra, a homilia do Santo Padre.<\/p>\n<p>Pai, p\u00e3o, perd\u00e3o: tr\u00eas palavras, que encontramos no Evangelho de hoje; tr\u00eas palavras, que nos levam ao cora\u00e7\u00e3o da f\u00e9.<\/p>\n<p>\u00ab<em>Pai<\/em>\u00bb: come\u00e7a assim a ora\u00e7\u00e3o. Pode-se continuar com palavras diferentes, mas n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel esquecer a primeira, porque a palavra \u00abPai\u00bb \u00e9 a chave de acesso ao cora\u00e7\u00e3o de Deus; com efeito, s\u00f3 dizendo\u00a0<em>Pai<\/em>\u00a0\u00e9 que rezamos em l\u00edngua crist\u00e3, \u00e9 que rezamos \u00abcrist\u00e3o\u00bb: n\u00e3o um Deus gen\u00e9rico, mas Deus que \u00e9, antes de mais nada, Pap\u00e1. De facto, Jesus pediu-nos para dizer \u00ab<em>Pai nosso que estais nos c\u00e9us<\/em>\u00bb; n\u00e3o \u00abDeus dos c\u00e9us, que sois Pai\u00bb. Antes de tudo, antes de ser infinito e eterno, Deus \u00e9 Pai.<\/p>\n<p>D\u2019Ele prov\u00e9m toda a paternidade e maternidade (cf.\u00a0<em>Ef<\/em>\u00a03, 15). N\u2019Ele est\u00e1 a origem de todo o bem e da nossa pr\u00f3pria vida. Ent\u00e3o \u00abPai nosso\u00bb \u00e9\u00a0<em>a f\u00f3rmula da vida<\/em>, aquela que revela a nossa identidade: somos\u00a0<em>filhos amados<\/em>. \u00c9 a f\u00f3rmula que resolve o teorema da solid\u00e3o e o problema da orfandade. \u00c9 a equa\u00e7\u00e3o que indica o que se deve fazer: amar a Deus,\u00a0<em>nosso Pai<\/em>, e aos outros,\u00a0<em>nossos irm\u00e3os<\/em>. \u00c9 a ora\u00e7\u00e3o do\u00a0<em>n\u00f3s<\/em>, da Igreja; uma ora\u00e7\u00e3o sem\u00a0<em>o eu<\/em>\u00a0nem\u00a0<em>o meu<\/em>, mas toda voltada para\u00a0<em>o v\u00f3s<\/em>\u00a0de Deus (\u00abo\u00a0<em>vosso<\/em>\u00a0nome\u00bb, \u00abo\u00a0<em>vosso<\/em>\u00a0reino\u00bb, \u00aba\u00a0<em>vossa<\/em>\u00a0vontade\u00bb) e que se conjuga apenas na primeira pessoa do plural. \u00abPai nosso\u00bb: duas palavras que nos oferecem a sinal\u00e9tica da vida espiritual.<\/p>\n<p>Desta forma, sempre que fazemos o sinal da cruz no princ\u00edpio do dia e antes de cada atividade importante, sempre que dizemos \u00abPai nosso\u00bb, reapropriamo-nos das ra\u00edzes que nos servem de fundamento. Precisamos de o fazer nas nossas sociedades frequentemente desenraizadas. O \u00abPai nosso\u00bb revigora as nossas ra\u00edzes. Quando est\u00e1 o Pai, ningu\u00e9m fica exclu\u00eddo; o medo e a incerteza n\u00e3o levam a melhor. Prevalece a mem\u00f3ria do bem, porque, no cora\u00e7\u00e3o do Pai, n\u00e3o somos personagens virtuais, mas filhos amados. Ele n\u00e3o nos une em grupos de partilha, mas gera-nos juntos como fam\u00edlia.<\/p>\n<p>N\u00e3o nos cansemos de dizer \u00abPai nosso\u00bb: lembrar-nos-\u00e1 que n\u00e3o existe filho algum sem Pai e, por conseguinte, nenhum de n\u00f3s est\u00e1 sozinho neste mundo; mas lembrar-nos-\u00e1 tamb\u00e9m que n\u00e3o h\u00e1 Pai sem filhos: nenhum de n\u00f3s \u00e9 filho \u00fanico, cada um deve cuidar dos irm\u00e3os na \u00fanica fam\u00edlia humana. Ao dizer \u00abPai\u00a0<em>nosso<\/em>\u00bb, afirmamos que cada ser humano \u00e9 parte nossa e, face aos in\u00fameros malef\u00edcios que ofendem o rosto do Pai, n\u00f3s, seus filhos, somos chamados a reagir como irm\u00e3os, como bons guardi\u00f5es da nossa fam\u00edlia e a trabalhar para que n\u00e3o haja indiferen\u00e7a perante o irm\u00e3o, cada irm\u00e3o: tanto do beb\u00e9 que ainda n\u00e3o nasceu como do idoso que j\u00e1 n\u00e3o fala, tanto dum nosso conhecido a quem n\u00e3o conseguimos perdoar como do pobre descartado. Isto \u00e9 o que o Pai nos pede, nos manda: amar-nos com cora\u00e7\u00e3o de filhos, que s\u00e3o irm\u00e3os entre si.<\/p>\n<p><em>P\u00e3o<\/em>: Jesus diz para pedir cada dia, ao Pai, o p\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 preciso pedir mais: s\u00f3 o p\u00e3o, isto \u00e9, o essencial para viver. O p\u00e3o \u00e9, antes de mais nada, o alimento suficiente para hoje, para a sa\u00fade, para o trabalho de hoje; aquele alimento que, infelizmente, falta a muitos dos nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s. Por isso digo: ai daqueles que especulam sobre o p\u00e3o! O alimento b\u00e1sico para a vida quotidiana dos povos deve ser acess\u00edvel a todos.<\/p>\n<p>Pedir o p\u00e3o de cada dia \u00e9 dizer tamb\u00e9m: \u00abPai, ajuda-me a fazer uma vida mais simples\u00bb. A vida tornou-se t\u00e3o complicada; apetece-me dizer que hoje, para muitos, a vida de certo modo est\u00e1 \u00abdrogada\u00bb: corre-se de manh\u00e3 \u00e0 noite, por entre mil chamadas e mensagens, incapazes de parar fixando os rostos, mergulhados numa complexidade que fragiliza e numa velocidade que fomenta a ansiedade. Imp\u00f5e-se uma op\u00e7\u00e3o de vida s\u00f3bria, livre de pesos sup\u00e9rfluos. Uma op\u00e7\u00e3o contracorrente, como outrora fez S\u00e3o Lu\u00eds Gonzaga que hoje recordamos. A op\u00e7\u00e3o de renunciar a muitas coisas que enchem a vida, mas esvaziam o cora\u00e7\u00e3o. Irm\u00e3os e irm\u00e3s, optemos pela\u00a0<em>simplicidade, a simplicidade do p\u00e3o<\/em>, para voltar a encontrar a coragem do\u00a0<em>sil\u00eancio<\/em>\u00a0e da\u00a0<em>ora\u00e7\u00e3o<\/em>, fermento duma vida verdadeiramente humana. Optemos pelas\u00a0<em>pessoas<\/em>\u00a0em vez das coisas, para que levedem rela\u00e7\u00f5es, n\u00e3o virtuais, mas pessoais. Voltemos a amar a genu\u00edna fragr\u00e2ncia daquilo que nos rodeia. Em casa, quando eu era crian\u00e7a, se o p\u00e3o ca\u00edsse da mesa, ensinavam-nos a apanh\u00e1-lo imediatamente e a beij\u00e1-lo. Apreciar o que temos de simples cada dia e guard\u00e1-lo: n\u00e3o usar e jogar fora, mas apreciar e guardar.<\/p>\n<p>E n\u00e3o esque\u00e7amos tamb\u00e9m que \u00abo P\u00e3o de cada dia\u00bb \u00e9 Jesus. Sem Ele, nada podemos fazer (cf.\u00a0<em>Jo<\/em>\u00a015, 5). Ele \u00e9 o alimento b\u00e1sico para viver bem. \u00c0s vezes, por\u00e9m, reduzimos Jesus a um condimento; mas, se n\u00e3o for o nosso alimento vital, o centro dos nossos dias, o respiro da vida quotidiana, tudo \u00e9 v\u00e3o, temos condimento e nada mais. Ao suplicar o p\u00e3o, pedimos ao Pai e dizemos para n\u00f3s mesmos cada dia: simplicidade de vida, cuidado por aquilo que nos rodeia, Jesus em tudo e antes de tudo.<\/p>\n<p><em>Perd\u00e3o<\/em>: \u00e9 dif\u00edcil perdoar, dentro trazemos sempre um pouco de queixume, de ressentimento e, quando somos provocados por quem j\u00e1 t\u00ednhamos perdoado, o rancor volta e\u2026 com juros. Mas, como dom, o Senhor pretende o nosso perd\u00e3o. Impressiona o facto de o \u00fanico coment\u00e1rio original ao\u00a0<em>Pai nosso<\/em>, o de Jesus, se concentrar numa \u00fanica frase: \u00abPorque, se perdoardes aos outros as suas ofensas, tamb\u00e9m o vosso Pai celeste vos perdoar\u00e1 a v\u00f3s. Se, por\u00e9m, n\u00e3o perdoardes aos homens as suas ofensas, tamb\u00e9m o vosso Pai vos n\u00e3o perdoar\u00e1 as vossas\u00bb (<em>Mt<\/em>\u00a06, 14-15). O \u00fanico coment\u00e1rio que faz o Senhor! O perd\u00e3o \u00e9 a cl\u00e1usula vinculante do\u00a0<em>Pai nosso<\/em>. Deus liberta-nos o cora\u00e7\u00e3o de todo o pecado, Deus perdoa tudo, tudo; mas pede uma coisa: que n\u00f3s, por nossa vez, n\u00e3o nos cansemos de perdoar. De cada um de n\u00f3s pretende uma amnistia geral das culpas alheias. Seria preciso fazer uma boa radiografia do cora\u00e7\u00e3o, para ver se, dentro de n\u00f3s, h\u00e1 bloqueios, obst\u00e1culos ao perd\u00e3o, pedras a remover. E ent\u00e3o dizer ao Pai: \u00abVede este penedo! Confio-o a V\u00f3s e pe\u00e7o-Vos por esta pessoa, por esta situa\u00e7\u00e3o; embora sinta dificuldade em perdoar, pe\u00e7o-Vos a for\u00e7a de o fazer\u00bb.<\/p>\n<p>O perd\u00e3o\u00a0<em>renova,\u00a0<\/em>o perd\u00e3o\u00a0<em>faz milagres<\/em>. Pedro experimentou o perd\u00e3o de Jesus e tornou-se pastor do seu rebanho; Saulo tornou-se Paulo depois do perd\u00e3o que recebeu de Est\u00eav\u00e3o; cada um de n\u00f3s renasce como nova criatura quando, perdoado pelo Pai, ama os irm\u00e3os. S\u00f3 ent\u00e3o introduzimos uma novidade verdadeira no mundo, porque n\u00e3o h\u00e1 novidade maior do que o perd\u00e3o, este perd\u00e3o que\u00a0<em>muda o mal em bem<\/em>. Vemo-lo na hist\u00f3ria crist\u00e3. Como nos fez e continua a fazer bem o facto de nos perdoarmos uns aos outros, de voltar a descobrir-nos irm\u00e3os depois de s\u00e9culos de controv\u00e9rsias e lacera\u00e7\u00f5es! O Pai \u00e9 feliz, quando nos amamos e perdoamos verdadeiramente de cora\u00e7\u00e3o (cf.\u00a0<em>Mt<\/em>\u00a018, 35); e ent\u00e3o d\u00e1-nos o seu Esp\u00edrito. Pe\u00e7amos esta gra\u00e7a: de n\u00e3o nos fecharmos com \u00e2nimo endurecido, sempre a reivindicar dos outros, mas de dar o primeiro passo, na ora\u00e7\u00e3o, no encontro fraterno, na caridade concreta. Assim seremos mais parecidos com o Pai, que ama sem esperar reembolso. E Ele derramar\u00e1 sobre n\u00f3s o Esp\u00edrito de unidade.<\/p>\n<p>Imagem: <a href=\"http:\/\/www.vatican.va\">www.vatican.va<\/a><\/p>\n<p>Educris|21.06.2018<\/p>\n<p>\u00a0<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Papa Francisco celebrou hoje em Genebra a eucaristia, por ocasi\u00e3o do 70\u00ba anivers\u00e1rio da funda\u00e7\u00e3o do Conselho Mundial das Igrejas [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2394147605,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[64],"class_list":["post-2669063151","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-vaticano"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2669063151","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2669063151"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2669063151\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2394147605"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2669063151"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2669063151"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2669063151"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}