{"id":2680476403,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/13546-o-natal-do-senhor-por-d-antonio-couto"},"modified":"2025-11-07T16:34:03","modified_gmt":"2025-11-07T16:34:03","slug":"o-natal-do-senhor-por-d-antonio-couto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/o-natal-do-senhor-por-d-antonio-couto\/","title":{"rendered":"O Natal do Senhor, por D. Ant\u00f3nio Couto"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031_160503044443.jpg\" \/><\/p>\n<p><p data-adtags-visited=\"true\">Noite: Is 9,1-6; Sl 96; Tt 2,11-14; Lc 2,1-14<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Aurora: Is 62,11-12; Sl 97; Tt 3,4-7; Lc 2,15-20<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Dia: Is 52,7-10; Sl 98; Hb 1,1-6; Jo 1,1-18<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">1. \u00abExultemos de alegria no Senhor, porque nasceu na terra o nosso Salvador\u00bb, \u00e9 a Ant\u00edfona do C\u00e2ntico de Entrada da Missa da Noite, que d\u00e1 o devido tom de exulta\u00e7\u00e3o a esta Solenidade, magn\u00edfico p\u00f3rtico para este intenso feixe de Luz, Mist\u00e9rio de Jesus, fazendo logo ver o Natal \u00e0 Luz da P\u00e1scoa, \u00aba P\u00e1scoa do Natal\u00bb, assim o diz significativamente a liturgia oriental. A Ant\u00edfona da Missa da Aurora prossegue a mesma sintonia, conjugando Isa\u00edas 9,1 e Lucas 2,11, e soa assim: \u00abHoje sobre n\u00f3s resplandece uma Luz: nasceu o Senhor\u00bb. A Ant\u00edfona da Missa do Dia continua a indicar o \u00abpara n\u00f3s\u00bb deste Filho e do seu Mist\u00e9rio, trazendo ao de cima outra vez a pauta luminosa de Isa\u00edas: \u00abUm menino nasceu para n\u00f3s, um filho nos foi dado\u00bb (Isa\u00edas 9,6).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">2. A linha dos Evangelhos deste Dia \u00e9 de excecional riqueza, e desenvolve-se em quatro andamentos: o acontecimento, o an\u00fancio, o acolhimento e a revela\u00e7\u00e3o do Verbo feito carne. Come\u00e7a com Lucas 2,1-14 (Noite), e continua com Lucas 2,15-20 (Aurora), que nos trazem o quadro hist\u00f3rico-geogr\u00e1fico do nascimento de Jesus (Lucas 2,1-7), o seu an\u00fancio (Lucas 2,8-14) e acolhimento (Lucas 2,15-20), e culmina com o pr\u00f3logo de Jo\u00e3o 1,1-18 (Dia), que nos mostra a Luz fulgurante do Verbo de Deus feito carne, o \u00danico que nos pode dizer Deus. O nascimento de Jesus, na sua nudez, aparece narrado tr\u00eas vezes, nos tr\u00eas andamentos do texto lucano (Lucas 2,7.12.16). Ele \u00e9 claramente o centro. Aparece logo situado no decurso do recenseamento do mundo romano ordenado por C\u00e9sar Augusto, sendo Quirino prefeito romano da S\u00edria (Lucas 2,1-2). O reinado de Augusto estende-se por muitos anos (27 a.C.-14 d.C.), mas P\u00f4ncio Sulp\u00edcio Quirino foi prefeito da S\u00edria apenas no ano 6 d.C., sendo ent\u00e3o que liquida os bens de Arquelau, filho de Herodes o Grande, e anexa definitivamente a Judeia ao Imp\u00e9rio Romano. O leitor menos prevenido dir\u00e1 logo que h\u00e1 aqui uma imprecis\u00e3o hist\u00f3rica. Acrescento ent\u00e3o que este recenseamento foi iniciado em 7-6 a.C. por S\u00eancio Saturnino, prefeito da S\u00edria durante os anos 9-6 a.C. \u00c9 sabido, de resto, que a era crist\u00e3 atualmente em vigor foi fixada no s\u00e9culo VI, em 525, pelo monge xiita, de origem eg\u00edpcia, Dion\u00edsio o Pequeno, com um pequeno erro de c\u00e1lculo que resultou no atraso de 6 ou 7 anos em rela\u00e7\u00e3o ao nascimento de Jesus. Portanto, Jesus ter\u00e1 nascido 6 ou 7 anos antes do in\u00edcio da era crist\u00e3 fixada pelo monge Dion\u00edsio. E a\u00ed est\u00e1 ent\u00e3o tudo em dia: Jesus nasce quando S\u00eancio Saturnino d\u00e1 in\u00edcio ao recenseamento. Dir\u00e1 outra vez o leitor incauto: se assim foi, por que \u00e9 que Lucas fala de Quirino, e n\u00e3o de Saturnino? Se repararmos bem, Lucas faz exatamente como n\u00f3s fazemos hoje. Nas placas que colocamos nos edif\u00edcios p\u00fablicos que inauguramos constam os nomes das autoridades que os terminam e inauguram, e n\u00e3o daqueles que os iniciam. O mesmo se diga da promulga\u00e7\u00e3o de leis e tratados.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">3. \u00c9 ainda no quadro deste recenseamento que Jos\u00e9, acompanhado por Maria, sua esposa, sobe a Bel\u00e9m para se recensear. O texto explica bem que esta desloca\u00e7\u00e3o se fica a dever ao facto de Jos\u00e9 ser da descend\u00eancia de David (Lucas 2,3-4). O pr\u00f3ximo passo refere que, quando chegaram (Jos\u00e9 e Maria), n\u00e3o havia lugar para eles na\u00a0<em>sala<\/em>\u00a0(Lucas 2,7). Note-se que o texto refere, de forma clara,\u00a0<em>sala<\/em>, grego\u00a0<em>kat\u00e1lyma<\/em>, e n\u00e3o\u00a0<em>hospedaria<\/em>, como se l\u00ea em muitas e preconceituosas tradu\u00e7\u00f5es. Na verdade, Lucas sabe bem dizer\u00a0<em>hospedaria<\/em>, como faz na passagem do bom samaritano (Lucas 10,34), em que usa o termo grego\u00a0<em>pandoche\u00eeon<\/em>.\u00a0<em>Kat\u00e1lyma<\/em>\u00a0n\u00e3o significa\u00a0<em>hospedaria<\/em>. Significa\u00a0<em>sala<\/em>. Pode ser a sala do andar superior (Lucas 22,11), que ficou conhecida como\u00a0<em>Cen\u00e1culo<\/em>, onde Jesus comer\u00e1 a Ceia da P\u00e1scoa com os seus disc\u00edpulos. No epis\u00f3dio de Bel\u00e9m, que estamos a ler, pode tratar-se de uma\u00a0<em>sala<\/em>\u00a0destinada a\u00a0<em>h\u00f3spedes<\/em>\u00a0que a arqueologia p\u00f4s a descoberto no r\u00e9s-do-ch\u00e3o de muitas das casas da Judeia do tempo de Jesus. Esta\u00a0<em>sala<\/em>\u00a0apresenta forma quadrangular ou retangular, com um banco rochoso ao longo das paredes, destinado ao descanso das pessoas. A\u00a0<em>sala<\/em>\u00a0tinha uma \u00fanica porta de entrada, por onde entravam as pessoas com os seus animais de transporte. Ao fundo da sala localizava-se outra porta, que dava para um\u00a0<em>est\u00e1bulo<\/em>, para onde as pessoas conduziam naturalmente os animais, depois de descarregarem os seus bens. \u00c9 neste\u00a0<em>est\u00e1bulo<\/em>\u00a0anexo \u00e0\u00a0<em>sala<\/em>\u00a0destinada aos\u00a0<em>h\u00f3spedes<\/em>\u00a0que vai nascer Jesus, e \u00e9 tamb\u00e9m aqui que se compreende perfeitamente a presen\u00e7a da\u00a0<em>manjedoura<\/em>\u00a0(Lucas 2,7 e 12).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">4. Vem depois a cena maravilhosa da manifesta\u00e7\u00e3o desta Not\u00edcia aos pastores dos campos de Bel\u00e9m. Os pastores s\u00e3o os \u00faltimos da sociedade, e n\u00e3o entram nas contas de ningu\u00e9m, tal como o pequeno pastor de Bel\u00e9m, David, n\u00e3o entra nas contas j\u00e1 encerradas de seu pai (1 Samuel 16,10-11), mas entra nas contas de Deus (1 Samuel 16,11-12). O mesmo acontece com os pastores de Bel\u00e9m, a quem o mensageiro celeste anuncia a Alegria do nascimento de um Salvador para todo o povo, Hoje nascido em Bel\u00e9m (Lucas 2,8-11). E, deste acontecimento, o mensageiro celeste d\u00e1 um sinal (<em>s\u00eame\u00eeon<\/em>) aos pastores e a n\u00f3s: \u00abencontrareis um rec\u00e9m-nascido envolto em faixas e deposto numa manjedoura\u00bb (Lucas 2,12). E, depois daquele celestial e humano\u00a0<em>Gloria in excelsis Deo<\/em>\u00a0e Paz na terra aos homens que Ele ama (Lucas 2,14), a\u00ed v\u00e3o eles, os pastores, aqueles com quem ningu\u00e9m conta e que n\u00e3o entram em nenhuma lista de pessoas dignas de considera\u00e7\u00e3o, a\u00ed v\u00e3o eles\u00a0<em>apressadamente<\/em>\u00a0(Lucas 2,16), como Maria (Lucas 1,39), verificar (<em>ide\u00een<\/em>) os acontecimentos a eles dados a conhecer por Deus (Lucas 2,15), e que, como verdadeiros anunciadores, n\u00e3o podem calar, e devem dar tamb\u00e9m a conhecer a todos (Lucas 2,17). Note-se o aroma desta Paz diferente, que n\u00e3o \u00e9 obra das armas, como no mundo romano, nem de acordos entre as partes, como no juda\u00edsmo palestinense, mas dom de Deus!<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">5. Cena sublime e suprema ironia. Os senhores do mundo (C\u00e9sar Augusto e Quirino) s\u00e3o mencionados, mas saem logo de cena, para dar lugar aos pastores, que assumem o papel de verdadeiros protagonistas. Os senhores do mundo ocupam um \u00fanico vers\u00edculo cada um (Lucas 2,1 e 2). Os pastores enchem treze vers\u00edculos (Lucas 2,8-20). Tamb\u00e9m l\u00e1 est\u00e3o Maria, Jos\u00e9 e o Menino, mas n\u00e3o dizem uma \u00fanica palavra. A palavra \u00e9 toda dos Anjos e dos pastores. Mas Maria \u00e9 estupendamente retratada a \u00abguardar todas aquelas palavras,\u00a0<em>compondo-as<\/em>\u00a0(<em>symb\u00e1llousa<\/em>) no seu cora\u00e7\u00e3o\u00bb (Lucas 2,19). Note-se ainda o\u00a0<em>sinal<\/em>\u00a0dado aos pastores e a n\u00f3s, leitores: um rec\u00e9m-nascido\u00a0<em>envolto<\/em>\u00a0em faixas,\u00a0<em>deposto<\/em>\u00a0numa manjedoura. \u00c9 preciso tamb\u00e9m come\u00e7ar a ver j\u00e1 aqui a Luz da P\u00e1scoa, a \u00abP\u00e1scoa do Natal\u00bb, com o corpo de Jesus a ser\u00a0<em>envolto<\/em>\u00a0num len\u00e7ol e\u00a0<em>deposto<\/em>\u00a0num sepulcro (Lucas 23,53). Mas tamb\u00e9m a\u00a0<em>sala<\/em>\u00a0(<em>kat\u00e1lyma<\/em>) onde n\u00e3o havia lugar para eles (Lucas 2,7) reclama j\u00e1 a\u00a0<em>sala<\/em>\u00a0(<em>kat\u00e1lyma<\/em>) para comer a P\u00e1scoa (Lucas 22,11), onde haver\u00e1 lugar para Jesus e para n\u00f3s! O Evangelho do Dia, o pr\u00f3logo do Evangelho de Jo\u00e3o 1,1-18, deixa-nos de joelhos em contempla\u00e7\u00e3o: \u00abE o Verbo se fez carne e p\u00f4s a sua tenda (<em>esk\u00ean\u00f4sen<\/em>) entre n\u00f3s, e n\u00f3s contempl\u00e1mos (<em>the\u00e1omai<\/em>) a sua gl\u00f3ria\u00bb (Jo\u00e3o 1,14). Mas tamb\u00e9m: \u00abVeio para o que era seu, e os seus n\u00e3o o receberam\u00bb (Jo\u00e3o 1,11). Leitura sublime do pres\u00e9pio, da falta de lugar para Jesus, e a sua rejei\u00e7\u00e3o j\u00e1 desde ent\u00e3o encenada e em prolepse acenada.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">6. Mas \u00e9 imperioso ler este extraordin\u00e1rio texto at\u00e9 ao fim. E, no final, no v. 18, lemos: \u00abDeus (<em>the\u00f3n<\/em>), ningu\u00e9m (<em>oude\u00eds<\/em>) viu (<em>he\u00f4raken<\/em>: perf. de\u00a0<em>hor\u00e1\u00f4<\/em>) nunca (<em>p\u00f4pote<\/em>); o Monog\u00e9nito Deus (<em>monogen\u00eas the\u00f3s<\/em>), Aquele-que-\u00e9 (<em>ho \u00f4n<\/em>) para o seio do Pai (<em>heis t\u00f2n k\u00f3lpon to\u00fb patr\u00f3s<\/em>), Ele (<em>eke\u00eenos<\/em>) fez exegese (<em>ex\u00eag\u00easato<\/em>)\u00bb (Jo 1,18). Este texto imenso introduz a afirma\u00e7\u00e3o da revela\u00e7\u00e3o pelo Filho Monog\u00e9nito e marca bem a\u00a0<em>invisibilidade<\/em>\u00a0de Deus por n\u00f3s, que exclui toda a esp\u00e9cie de \u201cvis\u00e3o\u201d humana, quer f\u00edsica quer intelectual. Revela\u00e7\u00e3o exclusiva: nenhum ser humano atinge diretamente Deus. E gratuita: note-se a mudan\u00e7a de sujeito: n\u00e3o n\u00f3s, mas o Filho Monog\u00e9nito trouxe a revela\u00e7\u00e3o. \u00c9 sobre esta nova dimens\u00e3o da revela\u00e7\u00e3o de Deus a cargo do Verbo, na parte final do v. 18, que recai o acento do inteiro vers\u00edculo. Este texto traz, portanto, um dado novo: a exclusividade do agente da revela\u00e7\u00e3o. S\u00f3 o Filho \u00danico de Deus (<em>monogen\u00eas<\/em>\u00a0designa o Filho e exprime a sua rela\u00e7\u00e3o \u00fanica, que n\u00e3o se pode comparar a nenhuma outra, com Deus), voltado para o seio do Pai, para a sua\u00a0<em>Origem<\/em>, para o seio em que \u00e9 eternamente gerado, verdadeira \u00abc\u00e1tedra\u00bb divina, pode explicar-nos o Deus que nunca ningu\u00e9m viu (<em>he\u00f4raken<\/em>). N\u00e3o \u00e9 que a tese seja a\u00a0<em>invisibilidade<\/em>\u00a0de Deus. O texto, imenso, n\u00e3o tem voca\u00e7\u00e3o metaf\u00edsica. Com o recurso ao verbo no tempo perfeito (<em>he\u00f4raken<\/em>), que cobre o passado e o presente, e ao adv\u00e9rbio temporal\u00a0<em>p\u00f4pote<\/em>\u00a0[= nunca], que exclui a hist\u00f3ria humana, o texto pretende colocar-nos perante o momento decisivo da hist\u00f3ria entre Deus e a humanidade. E \u00e9 Jesus o centro dessa hist\u00f3ria.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">7. Este Filho em Bel\u00e9m e na Cruz nascido, totalmente voltado para o seio do Pai, e que \u00e9 eternamente consciente de receber do Pai todo o seu ser filial, \u00e9 o \u00fanico capaz de nos trazer a revela\u00e7\u00e3o. Sendo o revelador definido pela sua rela\u00e7\u00e3o filial e intradivina, podemos ent\u00e3o esperar que o ato de revela\u00e7\u00e3o e o seu conte\u00fado sejam constitu\u00eddos por esta rela\u00e7\u00e3o filial. Neste sentido, podemos agora notar com aten\u00e7\u00e3o meticulosa como o termo\u00a0<em>the\u00f3s<\/em>\u00a0[= Deus], que abre o v. 18, vem a ser intencionalmente substitu\u00eddo no fecho, em 18b, pelo termo\u00a0<em>patr\u00f3s<\/em>\u00a0[= Pai]. Na verdade, esta rela\u00e7\u00e3o divina, inef\u00e1vel oceano da Divindade \u00danica, \u00e9, sem media\u00e7\u00e3o temporal, coextensivamente e coeternamente,\u00a0<em>in eterno<\/em>, o Gerar paterno e o Ser-gerado filial: um \u00fanico Gerar, um \u00fanico Ser-gerado. Seguindo a preciosa formula\u00e7\u00e3o de S. Greg\u00f3rio de Nazianzo (329-389), que mereceu o t\u00edtulo de \u00abO te\u00f3logo\u00bb (<em>ho the\u00f3logos<\/em>), desta rela\u00e7\u00e3o intradivina \u00fanica entre o Pai e o Filho, o Pai, Arqu\u00e9tipo divino paterno, que \u00e9 eternamente, \u00abAquele que \u00e9 sem princ\u00edpio\u00bb (<em>\u00e1narchos<\/em>), e o Filho Monog\u00e9nito, que \u00e9 eternamente gerado, \u00abAquele que \u00e9 gerado sem princ\u00edpio\u00bb (<em>\u00e1narch\u00f4s genn\u00eath\u00e9ntes<\/em>), Imagem divina filial, nada saber\u00edamos, se o Verbo \u00danico do Pai, Imagem eterna do Pai, e em si mesmo, como Deus,\u00a0<em>invis\u00edvel<\/em>\u00a0por defini\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se tivesse feito, filialmente, tamb\u00e9m Imagem espacial e temporal do Pai, atrav\u00e9s da Incarna\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m esplendidamente afirmada e formulada no pr\u00f3logo joanino (v. 14), que aqui inserimos novamente: \u00abE o Verbo fez-se (<em>eg\u00e9neto<\/em>) carne e p\u00f4s a sua tenda (<em>esk\u00ean\u00f4sen<\/em>) no meio de n\u00f3s, e n\u00f3s contempl\u00e1mos (<em>etheas\u00e1mmetha<\/em>) a sua Gl\u00f3ria (<em>d\u00f3xa<\/em>), Gl\u00f3ria do Monog\u00e9nito do Pai, Cheio de gra\u00e7a e de verdade\u00bb (Jo\u00e3o 1,14).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">8. Fica assim a claro a vincula\u00e7\u00e3o e unidade entre os v. 14 e 18, entre a\u00a0<em>invisibilidade<\/em>\u00a0de Deus (v. 18) e a\u00a0<em>visibilidade<\/em>\u00a0da Gl\u00f3ria do Verbo Incarnado (v. 14), que podemos demorada e intensamente contemplar, como sugere o uso do verbo\u00a0<em>the\u00e1omai<\/em>, um olhar prolongado que se abre \u00e0 contempla\u00e7\u00e3o e interioridade. O Verbo \u00danico de Deus, Deus Ele mesmo, sem deixar de ser o que eternamente \u00e9 junto do Pai, com o Esp\u00edrito Santo, fez-se tamb\u00e9m a nossa carne humana, e cumpriu o \u00caxodo hist\u00f3rico juntamente connosco ao p\u00f4r a sua tenda no deserto da vida humana, \u00abentre n\u00f3s, em n\u00f3s\u00bb, connosco. H\u00e1 que acentuar aquele \u00abfez-se\u00bb (<em>eg\u00e9neto<\/em>), que p\u00f5e em rela\u00e7\u00e3o a divindade com a carne, associa\u00e7\u00e3o que \u00e9 absolutamente estranha e incompreens\u00edvel para a mentalidade grega, segundo a qual a ess\u00eancia divina \u00e9 por defini\u00e7\u00e3o imut\u00e1vel e impass\u00edvel, excluindo a\u00a0<em>ous\u00eda<\/em>\u00a0divina qualquer altera\u00e7\u00e3o, que seria \u201cgera\u00e7\u00e3o e corru\u00e7\u00e3o\u201d. Outra vez a feliz formula\u00e7\u00e3o de S. Greg\u00f3rio de Nazianzo: \u00abO que era, manteve; e o que n\u00e3o era, assumiu. Antes, era sem causa (<em>anait\u00ed\u00f4s<\/em>), pois a causa (<em>ait\u00eda<\/em>) de Deus, qual \u00e9? Mais tarde, nasceu devido a uma causa (<em>di\u2019 ait\u00edan<\/em>), para que tu fosses salvo, tu, que o insultaste; tu, que desprezaste a divindade, por ela ter acolhido a tua baixeza\u00bb. Oh insond\u00e1vel mist\u00e9rio do amor de Deus!<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">9. Os passos dos peregrinos e os nossos convergem Hoje para a Bas\u00edlica da Natividade em Bel\u00e9m. N\u00e3o obstante os m\u00faltiplos trabalhos de reconstru\u00e7\u00e3o e conserva\u00e7\u00e3o ao longo dos s\u00e9culos, a Bas\u00edlica que hoje se depara ao peregrino \u00e9, nas suas linhas gerais, obra do imperador Justiniano, edificada entre 531 e 565, e \u00e9 mesmo o \u00fanico Templo, provindo de Justiniano, que resta na Palestina. Escapou \u00e0 razia dos Persas de Cosro\u00e9 II, em 614, contra os templos crist\u00e3os, devido ao facto de os frescos que adornam a Bas\u00edlica conterem representa\u00e7\u00f5es dos Magos, o que muito ter\u00e1 sensibilizado os Persas. Esta n\u00e3o \u00e9, por\u00e9m, a Bas\u00edlica primitiva. Os trabalhos arqueol\u00f3gicos efectuados pelo P. Bagatti em 1949-1950 mostraram, por debaixo do pavimento da atual Bas\u00edlica, os tra\u00e7os arquitet\u00f3nicos de outra grandiosa Bas\u00edlica, levantada entre 326 e 333, por Santa Helena, m\u00e3e do imperador Constantino. Esta primitiva Bas\u00edlica foi assolada por diversos inc\u00eandios e depois grandemente devastada pela revolta dos Samaritanos de Nablus em 529 contra o governo bizantino. Foi sobre as ru\u00ednas desta Bas\u00edlica Constantiniana que o imperador Justiniano fez construir, com tra\u00e7os arquitet\u00f3nicos diferentes, a Bas\u00edlica atual.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">10. Mas a Bas\u00edlica Constantiniana tamb\u00e9m n\u00e3o representa o est\u00e1dio primitivo do culto crist\u00e3o em Bel\u00e9m. Este encontra-se certamente na cripta da Bas\u00edlica atual, guardado num espa\u00e7o retangular de 12,30 metros de comprimento por 3,50 metros de largura, para onde convergem os passos dos peregrinos. Este espa\u00e7o corresponde ao est\u00e1bulo anexo \u00e0 j\u00e1 mencionada sala de h\u00f3spedes. A\u00ed se encontra o Altar da Natividade, debaixo do qual se pode ver uma estrela de prata com a inscri\u00e7\u00e3o:\u00a0<em>Hic de Virgine Mariae Jesus Christus natus est<\/em>\u00a0[= \u00abAqui da Virgem Maria nasceu Jesus Cristo\u00bb]. A Bas\u00edlica da Natividade guarda na sua cripta o mist\u00e9rio do nascimento de Jesus, da pobreza, da humildade, do amor, da paz. Daquele e daquilo que n\u00e3o tem lugar na sala do nosso bem-estar, poder, \u00f3dio, ostenta\u00e7\u00e3o, tirania. Na tua casa e na tua sala h\u00e1 lugar para quem e para qu\u00ea, meu irm\u00e3o deste Dia de Natal?<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Noite: Is 9,1-6; Sl 96; Tt 2,11-14; Lc 2,1-14 Aurora: Is 62,11-12; Sl 97; Tt 3,4-7; Lc 2,15-20 Dia: Is [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2378586270,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[70],"class_list":["post-2680476403","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-liturgia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2680476403","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2680476403"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2680476403\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4294994989,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2680476403\/revisions\/4294994989"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2378586270"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2680476403"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2680476403"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2680476403"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}