{"id":2682346810,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/13103-domingo-xi-do-tempo-comum-uma-semente-pequenina"},"modified":"2025-11-07T16:34:00","modified_gmt":"2025-11-07T16:34:00","slug":"domingo-xi-do-tempo-comum-uma-semente-pequenina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/domingo-xi-do-tempo-comum-uma-semente-pequenina\/","title":{"rendered":"Domingo XI do Tempo Comum: \u00abUma Semente Pequenina\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031_160503044443.jpg\" \/><\/p>\n<p><p data-adtags-visited=\"true\">Ez 17,22-24; Sl 92; 2 Cor 5,6-10; Mc 4,26-34<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">1. O Evangelho deste Domingo XI do Tempo Comum (Marcos 4,26-34) p\u00f5e-nos na m\u00e3o, nos olhos e no cora\u00e7\u00e3o duas par\u00e1bolas singulares: a da semente que germina e cresce sozinha (vv. 26-29), que \u00e9 exclusiva de Marcos, e a do gr\u00e3o de mostarda (vv. 30-32) que, com pequenas variantes, se encontra nos tr\u00eas sin\u00f3ticos. As par\u00e1bolas s\u00e3o pequenas, porque falam do que h\u00e1 de mais pequeno: a semente. A semente \u00e9 a palavra (Marcos 4,14; Lucas 8,11). Ora, a semente \u2013 semente de planta, semente de animal, semente de homem \u2013 \u00e9 a vida. Jesus ensina que \u00e9 a palavra que semeia a vida, pois \u00e9 o seu come\u00e7o. Entenda-se por este prisma o come\u00e7o da vida nova do Reino de Deus que pode sempre nascer em n\u00f3s, quando temos a gra\u00e7a de ver chegar at\u00e9 n\u00f3s a palavra do Evangelho, o pr\u00f3prio Evangelho em pessoa, Jesus Cristo, que nos faz nascer do alto e nos faz nascer de novo (<em>\u00e1n\u00f4then<\/em>) (Jo\u00e3o 3,3).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">2. Tamb\u00e9m pequeninos s\u00e3o os passarinhos do c\u00e9u que v\u00eam \u00abfazer ninho\u00bb (\u00e0 letra: \u00abp\u00f4r a tenda\u00bb [<em>katask\u00ean\u00f3\u00f4<\/em>]) \u00absob a sombra\u00bb (<em>hyp\u00f2 t\u00ean ski\u00e1n<\/em>) dos ramos da planta da mostarda (Marcos 4,32). Mateus e Lucas usam tamb\u00e9m a imagem dos p\u00e1ssaros do c\u00e9u, mas p\u00f5em-nos a \u00abfazer os ninhos entre os seus ramos\u00bb (Mateus 13,32; Lucas 13,19). As coisas pequeninas \u2013 plantas, animais, crian\u00e7as \u2013 requerem uma maior aten\u00e7\u00e3o. Toda a aten\u00e7\u00e3o, portanto, \u00e0 palavra de Jesus, que nos \u00e9 magistralmente repartida aos bocadinhos, como migalhas de p\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">3. Bem entendido, o texto das duas pequenas, mas belas par\u00e1bolas hoje expostas diante de n\u00f3s, vem depois da chamada \u00abpar\u00e1bola do semeador\u00bb ou \u00abda semente\u00bb, que \u00e9 narrada em Marcos 4,1-9, e explicada em Marcos 4,13-20, mas que devemos ter bem presente para compreendermos melhor as duas pequenas par\u00e1bolas de hoje. A par\u00e1bola do \u00absemeador\u00bb ou da \u00absemente\u00bb segue o esquema \u00ab3 + 1\u00bb [caminho, terreno pedregoso, espinhos + terra boa], que \u00e9 j\u00e1, de per si, ilustrativo, pois nos obriga a esperar at\u00e9 ao fim para ver o correto e lento percurso desde a sementeira [novembro\/dezembro] at\u00e9 \u00e0 colheita [abril\/maio]. \u00c9 mesmo dito, na par\u00e1bola, pedagogicamente, que a semente que germina depressa tamb\u00e9m seca depressa (Marcos 4,5-6).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">4. \u00c9 not\u00f3rio que a semente \u00e9 coisa bem pequenina. \u00c9 o que h\u00e1 de mais pequeno. Mas cont\u00e9m inscrito no seu ADN um percurso semelhante ao de Jesus. De facto, uma vez ca\u00edda \u00e0 terra, a semente dar\u00e1 (<em>parad\u00edd\u00f4mi<\/em>) o gr\u00e3o e o p\u00e3o (Marcos 4,29). Ca\u00edda \u00e0 terra, morre para nascer de outra maneira. \u00c9 a Paix\u00e3o. Da semente semeada, que \u00e9 a Palavra, \u00e0 Paix\u00e3o e ao P\u00e3o. Bem entendido: a par\u00e1bola da semente semeada \u00e9 a par\u00e1bola de Jesus! \u00c9 todo o processo ou par\u00e1bola de Jesus a passar diante dos nossos olhos at\u00f3nitos! Portanto, diz bem o Jesus de Marcos \u00abaos que estavam \u00e0 sua volta com os Doze\u00bb (Marcos 4,10): \u00abSe n\u00e3o entendeis esta par\u00e1bola, como entendereis todas as par\u00e1bolas?\u00bb (Marcos 4,13). Dito por outras palavras: se n\u00e3o entendemos a semente semeada, que \u00e9 o in\u00edcio do processo, como entenderemos o inteiro processo e o seu final? (Marcos 4,13). Como entenderemos a gl\u00f3ria sem a humildade, o c\u00e9u sem o ch\u00e3o?<\/p>\n<p class=\"inline-ad-slot\" data-adtags-visited=\"true\" data-adtags-width=\"450\" id=\"inline-ad-0\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">5. De forma significativa, as duas par\u00e1bolas de hoje, situadas ainda no cone de luz da par\u00e1bola da \u00absemente semeada\u00bb, s\u00f3 reclamam a a\u00e7\u00e3o humana em dois momentos distanciados no tempo: quando \u00e9 lan\u00e7ada a semente \u00e0 terra (Marcos 4,26), e quando chega o tempo da colheita (Marcos 4,29). Entre estes dois momentos, sucedem-se os dias e as noites, o homem dorme e acorda, e a semente semeada na terra germina, cresce e oferece o seu fruto \u00abautomaticamente\u00bb (<em>autom\u00e1t\u00ea<\/em>), sem que o homem saiba \u00abcomo\u00bb (<em>h\u00f4s<\/em>) (Marcos 4,27-28). E \u00e9 verdade que o processo de germina\u00e7\u00e3o e de crescimento vegetal era visto como inexplic\u00e1vel aos olhos do homem do Oriente Antigo. N\u00e3o o sabia e n\u00e3o o sabe o homem simples do campo, de ent\u00e3o e de hoje, embora o saiba hoje a biogen\u00e9tica. Na verdade, \u00abhoje\u00bb, a ci\u00eancia sabe o \u00abcomo\u00bb, mas tamb\u00e9m n\u00e3o sabe responder ao \u00abporqu\u00ea\u00bb. Temos todos de come\u00e7ar mesmo pela atitude sublime da admira\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">6. E no que ao gr\u00e3o de mostarda diz respeito \u2013 trata-se da mostarda negra (<em>brassica nigra<\/em>) \u2013, a a\u00e7\u00e3o humana s\u00f3 \u00e9 evocada quando o pequeno gr\u00e3o que \u00e9 a semente, que \u00e9, sen\u00e3o a menor, pelo menos uma das menores e uma das mais conhecidas sementes de ent\u00e3o devido ao seu uso medicinal, \u00e9 semeado na terra (Marcos 4,31). Depois, s\u00f3 lhe \u00e9 dado constatar o s\u00fabito crescimento de uma planta hort\u00edcola, que chega a atingir tr\u00eas ou quatro metros de altura, com grandes ramos, em que at\u00e9 os p\u00e1ssaros do c\u00e9u v\u00eam fazer os seus ninhos \u00e0 sua sombra (Marcos 4,32).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">7. O que \u00e9 que isto quer dizer? Quer dizer com certeza que o Reino de Deus tem o seu dinamismo pr\u00f3prio, e que \u00e9 de crescimento. E mais do que querer saber qual \u00e9 esse dinamismo, porventura para dele se apoderar e controlar e at\u00e9 empenhar-se no seu desenvolvimento, a rea\u00e7\u00e3o do homem deve ser, antes de mais, de admira\u00e7\u00e3o, adora\u00e7\u00e3o, louvor e gratid\u00e3o. Jesus, o Filho de Deus, Deus Ele mesmo, atravessa o nosso mundo na condi\u00e7\u00e3o humilde da nossa humana natureza, utilizando a cultura hebraica em que nasceu, falando a l\u00edngua ent\u00e3o popular nessa cultura, o aramaico, servindo-se das imagens mais simples e pr\u00f3ximas, ao alcance de todos: os campos, a semente, as \u00e1rvores, as aves do c\u00e9u\u2026 Tamb\u00e9m passar\u00e1 pelo sofrimento e pela morte. S\u00f3 depois vir\u00e1 a gl\u00f3ria da ressurrei\u00e7\u00e3o. E o Ap\u00f3stolo Paulo dir\u00e1: o que aconteceu a Ele, tamb\u00e9m nos acontecer\u00e1 a n\u00f3s; como aconteceu a Ele, tamb\u00e9m nos acontecer\u00e1 a n\u00f3s! Dito por Jesus: a eles (Marcos 4,34a), aos de fora (Marcos 4,11b), tudo chega em par\u00e1bolas, mas a v\u00f3s (Marcos 4,11a), \u00abaos pr\u00f3prios disc\u00edpulos\u00bb (<em>to\u00ees id\u00edois matheta\u00ees<\/em>) (Marcos 4,34b), express\u00e3o s\u00f3 aqui usada, \u00e9 dado o mist\u00e9rio do Reino de Deus (Marcos 4,11a), e explicava-lhes tudo (Marcos 4,34b). De notar que a express\u00e3o \u00abos pr\u00f3prios disc\u00edpulos\u00bb s\u00f3 se encontra nesta passagem, e mostra a particular\u00edssima rela\u00e7\u00e3o que os une a Jesus.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">8. A par\u00e1bola do pequeno rebento do cedro, apresentada por Ezequiel (17,22-24), est\u00e1 em perfeita sintonia com as par\u00e1bolas do Evangelho de hoje. Um pequeno rebento plantado por Deus em Israel crescer\u00e1 tanto que servir\u00e1 de abrigo a todas as aves do c\u00e9u. E al\u00e9m disso servir\u00e1 ainda de aviso a todas as grandes \u00e1rvores do campo, pois, na verdade, Deus derruba a \u00e1rvore grande e exalta a pequena, seca a \u00e1rvore verde e reverdece a seca. Esta pequena par\u00e1bola ganha ainda mais relevo se posta em confronto com a par\u00e1bola da videira luxuriante, que \u00e9 o rei Sedecias, plantada por Nabucodonosor em 597, e que volta os seus ramos quer para a Babil\u00f3nia quer para o Egito, as duas grandes \u00e1guias, os dois senhores do tempo. N\u00e3o ter\u00e1 sucesso Sedecias, pois ser\u00e1 apanhado nas malhas da rede de Deus, e n\u00e3o vingar\u00e1 (Ezequiel 17,1-21). Na verdade, embora tendo fugido, \u00e9 alcan\u00e7ado por Nabucodonosor perto de Jeric\u00f3, em 587. Antes de lhe serem vazados os olhos e de ser levado cego para a Babil\u00f3nia, ter\u00e1 de ver ainda, com os seus olhos, serem mortos os seus filhos e a sua mulher. Li\u00e7\u00e3o: assim caem as \u00e1rvores grandes! Mas a \u00e1rvore pequenina, plantada por Deus continuar\u00e1 a crescer sem sobressaltos e servir\u00e1 de morada aos passarinhos!<\/p>\n<p class=\"inline-ad-slot\" data-adtags-visited=\"true\" data-adtags-width=\"450\" id=\"inline-ad-1\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">9. Tenha-se sempre bem presente que a semente \u00e9 a Palavra de Deus (Marcos 4,14; Lucas 8,11). A semente \u00e9 Jesus, e todo o processo de germina\u00e7\u00e3o na terra \u00e9 a sua Paix\u00e3o e Morte. E o gr\u00e3o \u00e9 o fruto novo da Ressurrei\u00e7\u00e3o. Portanto, \u00e9 fundamental entender e viver a par\u00e1bola da semente, que aparece nos tr\u00eas Evangelhos sin\u00f3ticos. Jesus ensinou muitas vezes em par\u00e1bolas, as\u00a0<em>m<sup>e<\/sup>shal\u00eem<\/em>\u00a0hebraicas, que entusiasmavam o povo, que gostava de as ouvir, ainda que, como sabemos, nem sempre as entendesse. A par\u00e1bola \u00e9 uma forma de ensino concreto e pouco sistem\u00e1tico. Da\u00ed, o facto de despertar o gosto do ouvinte. Mas veja-se aqui j\u00e1, na par\u00e1bola da semente e nas duas par\u00e1bolas de hoje, o trabalho de evangeliza\u00e7\u00e3o a cargo dos disc\u00edpulos, a quem Jesus enviar\u00e1 a semear a semente pequenina da Palavra de Deus. Ficando eles a saber tamb\u00e9m que grande parte do processo n\u00e3o ser\u00e1 obra deles, mas de Deus. E o fruto dado ser\u00e1 sempre muito maior do que a semente semeada.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">9. O Ap\u00f3stolo Paulo continua, na li\u00e7\u00e3o cont\u00ednua ou semi-cont\u00ednua da Segunda Carta aos Cor\u00edntios (5,6-10), a encorajar-nos a habitar sempre na Casa do Senhor, mesmo quando habitamos ainda neste corpo, aparentemente longe do Senhor. Os verbos a que Paulo mais recorre nestes poucos vers\u00edculos s\u00e3o os verbos\u00a0<em>end\u00eam\u00e9\u00f4<\/em>\u00a0e\u00a0<em>ekd\u00eam\u00e9\u00f4<\/em>\u00a0(tr\u00eas vezes cada um). O termo chave, que explica as duas formas verbais, \u00e9\u00a0<em>d\u00eamos<\/em>\u00a0[= povo], com as duas part\u00edculas\u00a0<em>en<\/em>\u00a0[= em] e\u00a0<em>ek<\/em>\u00a0[= fora de].\u00a0<em>End\u00eam\u00e9\u00f4<\/em>\u00a0significa ent\u00e3o habitar junto do seu povo, sentir-se em casa, enquanto que\u00a0<em>ekd\u00eam\u00e9\u00f4<\/em>\u00a0significa habitar fora do seu povo, distante de casa. A nossa casa verdadeira \u00e9 estar em Casa com o Senhor. Mas enquanto estamos distantes dele, sabemos, pela f\u00e9, que \u00e9 para a sua Casa que caminhamos.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">10. O belo Salmo 92 continua a fazer vibrar em n\u00f3s a m\u00fasica da semente, das \u00e1rvores, das aves e dos dias breves e belos, da eternidade. O orante real\u00e7a a imagem vegetal, fresca e verdejante, da palmeira e do cedro, verdadeiro bras\u00e3o do justo. Quer a palmeira quer o cedro evocam uma vitalidade contra a qual em v\u00e3o atenta o deserto. Al\u00e9m disso, o cedro, com a sua altura, simboliza a longevidade: pode durar um mil\u00e9nio. E a palmeira,\u00a0<em>pho\u00ednix<\/em>\u00a0no texto grego, com o seu duplo significado de palmeira e f\u00e9nix, a ave da imortalidade, servir\u00e1 \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 para celebrar a vit\u00f3ria da vida nova e eterna. No culto sinagogal, este Salmo \u00e9 cantado \u00e0 entrada do S\u00e1bado, ao p\u00f4r-do-sol de sexta-feira. L\u00ea-se na Mishna: \u00abAo s\u00e1bado canta-se o C\u00e2ntico do dia de s\u00e1bado (Salmo 92), C\u00e2ntico para o tempo que h\u00e1 de vir, para o dia que ser\u00e1 inteiramente s\u00e1bado e repouso para a vida eterna. Mas \u00e9 o Senhor que est\u00e1 por detr\u00e1s de tudo isto. \u00c9 por isso que \u00e9 bom e belo louv\u00e1-lo!<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u00a0<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ez 17,22-24; Sl 92; 2 Cor 5,6-10; Mc 4,26-34 1. 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