{"id":273883929,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/13220-domingo-xxii-do-tempo-comum-toda-a-atencao-ao-que-se-passa-no-coracao"},"modified":"2025-11-07T16:34:01","modified_gmt":"2025-11-07T16:34:01","slug":"domingo-xxii-do-tempo-comum-toda-a-atencao-ao-que-se-passa-no-coracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/domingo-xxii-do-tempo-comum-toda-a-atencao-ao-que-se-passa-no-coracao\/","title":{"rendered":"Domingo XXII do Tempo Comum: \u00abToda a aten\u00e7\u00e3o ao que se passa no cora\u00e7\u00e3o\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031_160503044443.jpg\" \/><\/p>\n<p><p data-adtags-visited=\"true\">Dt 4,1-2.6-8; Sl 15; Tg 1,17-18.21b-22.27; Mc 7,1-8.14-15.21-23<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">1. Depois de termos feito durante cinco Domingos consecutivos, desde o XVII ao XXI, uma incurs\u00e3o pelo Cap\u00edtulo VI do Evangelho segundo S. Jo\u00e3o, regressamos, neste Domingo XXII do Tempo Comum, ao Evangelho segundo S. Marcos, em que nos \u00e9 dado escutar, ainda que com alguns cortes, o texto de Marcos 7,1-23.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">2. O texto referido divide-se claramente em tr\u00eas partes: 1) Marcos 7,1-13, em que os interlocutores de Jesus s\u00e3o os fariseus e os escribas, que abrem a disputa com uma quest\u00e3o sobre a pureza ritual ou a falta dela, \u00e0 qual Jesus responde vigorosamente; 2) Marcos 7,14-16, em que Jesus constitui um novo audit\u00f3rio, chamando a multid\u00e3o e falando para todos, expondo um novo princ\u00edpio \u00e9tico que opera uma reviravolta no pensamento e no comportamento das pessoas: \u00abn\u00e3o \u00e9 o que entra no homem que o torna impuro, mas o que sai do homem\u00bb (Marcos 7,15); 3) Marcos 7,17-23, em que Jesus \u00abentra em casa\u00bb, \u00e9 a\u00ed questionado pelos seus disc\u00edpulos, e lhes d\u00e1 uma resposta concreta e pormenorizada.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">3. No caso dos fariseus e escribas, s\u00e3o estes que fazem uma pergunta a Jesus: \u00abPor que \u00e9 que os teus disc\u00edpulos n\u00e3o seguem a tradi\u00e7\u00e3o (<em>par\u00e1d\u00f4sis<\/em>) dos antigos, e comem o p\u00e3o com as m\u00e3os impuras?\u00bb (Marcos 7,5). Jesus inicia a sua resposta com uma cita\u00e7\u00e3o de Is 29,13, a partir do texto dos LXX: \u00abEste povo honra-me com os l\u00e1bios, mas o seu cora\u00e7\u00e3o est\u00e1 longe de mim; \u00e9 v\u00e3o (<em>m\u00e1t\u00ean<\/em>) o culto que me prestam, e as doutrinas que ensinam s\u00e3o preceitos humanos\u00bb (Marcos 7,6-7). Note-se que o texto hebraico de Isa\u00edas 29,13 abre assim: \u00abEste povo aproxima-se (<em>nagash<\/em>) de mim s\u00f3 com palavras e honra-me com os l\u00e1bios, pois o seu cora\u00e7\u00e3o est\u00e1 longe de mim\u00bb. Esta vers\u00e3o \u00e9 fort\u00edssima, pois reclama Jeremias 30,21 que, ao p\u00f4r Deus a fazer aproximar-se (<em>nagash<\/em>) de si o novo chefe que ser\u00e1 posto \u00e0 frente da comunidade que vem do ex\u00edlio, justifica assim: \u00abNa verdade, quem empenharia o cora\u00e7\u00e3o (<em>?arab ?et-lib\u00f4<\/em>), aproximando-se (<em>nagash<\/em>) de mim?\u00bb. \u00abEmpenhar o cora\u00e7\u00e3o\u00bb n\u00e3o \u00e9 aqui p\u00f4r mais alento e entusiasmo naquilo que se faz, mas \u00e9 simplesmente p\u00f4r o cora\u00e7\u00e3o no prego, numa casa de penhores, penhorar o cora\u00e7\u00e3o. \u00c9, portanto, igual a morrer, \u00e9 como subir a um poste de alta tens\u00e3o, em que vemos escrito: \u00abperigo de morte\u00bb. Portanto, o que Jesus come\u00e7a por criticar aos fariseus e escribas \u00e9 o facto de erguerem \u00e0 sua volta uma sebe de palavras, de ficarem enredados ou ensarilhados nas pr\u00f3prias palavras, s\u00f3 nas palavras, e de n\u00e3o arriscarem a vida. Neste sentido, s\u00e3o apostrofados por Jesus por tr\u00eas vezes (modo enf\u00e1tico), quase com as mesmas palavras: \u00abV\u00f3s\u00a0<em>abandonais<\/em>\u00a0\/\u00a0<em>violais<\/em>\u00a0\/\u00a0<em>anulais<\/em>\u00a0o mandamento de Deus em favor da vossa tradi\u00e7\u00e3o\u00bb (Marcos 7,8.9.13). Nesta parte do discurso dirigido aos fariseus e escribas (Marcos 7,1-13), Jesus p\u00f5e a nu o culto vazio e exterior, sem Deus e a sem a vida nova que d\u2019Ele vem, e s\u00f3 com rodeios humanos. \u00c9 quanto Jesus diz com as express\u00f5es \u00abs\u00f3 com os l\u00e1bios, e n\u00e3o com o cora\u00e7\u00e3o\u00bb (Marcos 7,6b), \u00abs\u00f3 com preceitos humanos, e sem os preceitos de Deus\u00bb (Marcos 7,8).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">4. Na nova vaga agora iniciada (Marcos 7,14-16), Jesus chama para junto de si a multid\u00e3o, que tinha sido referida pela \u00faltima vez em Marcos 6,34, e lan\u00e7a dois imperativos ilocutivos a todos: \u00abEscutai-me (<em>ako\u00fasat\u00e9 mou<\/em>) todos e compreendei (<em>ka\u00ec s\u00fdnete<\/em>)\u00bb (Marcos 7,14). Com o primeiro imperativo (\u00ab<em>escutai<\/em>-me\u00bb), Jesus reclama de todos a m\u00e1xima aten\u00e7\u00e3o. \u00abEscutai\u00bb indica que Jesus tem uma coisa importante a comunicar, e que quer ser escutado. A posi\u00e7\u00e3o enf\u00e1tica do pronome pessoal \u00ab<em>me<\/em>\u00bb (<em>mo\u00fb<\/em>) em \u00abescutai-<em>me<\/em>\u00bb sugere ainda que Jesus exige obedi\u00eancia aos seus ouvintes. Depois de ter refutado publicamente os fariseus e os escribas (Marcos 7,6-13), com o convite fort\u00edssimo (\u00abescutai-me\u00bb), Jesus apresenta agora a sua autoridade de Mestre, com a qual vai sancionar o princ\u00edpio geral da \u00e9tica. Se at\u00e9 este momento, os ouvintes se deviam submeter \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o dos antigos (Marcos 7,1-5), daqui em diante devem guiar-se pelo novo princ\u00edpio que Jesus vai expor. O facto \u00e9 de uma import\u00e2ncia determinante, porque liberta os membros do audit\u00f3rio dos pesados v\u00ednculos da tradi\u00e7\u00e3o. O segundo imperativo \u2013 \u00abcompreendei\u00bb (<em>s\u00fdnete<\/em>) \u2013 \u00e9 um convite ao entendimento. O verbo \u00abcompreender\u00bb (<em>syn\u00ed\u00eami<\/em>) \u00e9 transitivo e rege um complemento direto, impl\u00edcito no texto: tanto pode ser a senten\u00e7a ou par\u00e1bola (<em>mashal<\/em>\u00a0ou\u00a0<em>parabol\u00ea<\/em>) que Jesus vai apresentar j\u00e1 de seguida, em Marcos 7,15, como pode ser a pr\u00f3pria pessoa de Jesus (cf. Marcos 6,52). No primeiro caso, \u00e9 requerido por parte dos ouvintes a compreens\u00e3o de que a pureza ou a impureza rituais n\u00e3o s\u00e3o da ordem da natureza (utens\u00edlios, alimentos, limpeza material), mas da ordem da liberdade: t\u00eam as suas ra\u00edzes no cora\u00e7\u00e3o do homem. No segundo, \u00e9 requerido que se compreenda que Jesus est\u00e1 investido numa autoridade e compet\u00eancia \u00fanicas, que lhe v\u00eam do Pai (cf. Marcos 1,11), pelo que deve ser obedecido. Aberto este novo cen\u00e1rio, Jesus enuncia ent\u00e3o o novo princ\u00edpio \u00e9tico do Novo Testamento: a pureza do cora\u00e7\u00e3o. Trata-se de uma novidade absoluta, que requer dos seus ouvintes uma viagem de fora para dentro: da fisiologia (lavar as m\u00e3os, os jarros\u2026) para a \u00e9tica assente na limpeza e na pureza do cora\u00e7\u00e3o, assim enunciada: \u00abNada h\u00e1 fora do homem que, entrando nele, o possa tornar impuro; s\u00e3o as coisas que saem do homem que tornam o homem impuro\u00bb (Marcos 7,15). Novidade absoluta: n\u00e3o de fora para dentro, mas de dentro para fora.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">5. Proclamado diante de todos o novo princ\u00edpio \u00e9tico fundamental (o que se passa dentro, no cora\u00e7\u00e3o, \u00e9 a chave da \u00e9tica), Jesus separa-se da multid\u00e3o e entra em casa, novo espa\u00e7o relacional, e a\u00ed e desse modo, a s\u00f3s com os seus disc\u00edpulos e por eles solicitado, explica-lhes o princ\u00edpio sapiencial, o\u00a0<em>mashal<\/em>, a senten\u00e7a, a par\u00e1bola, propostos \u00e0 escuta e compreens\u00e3o de todos. Note-se, todavia, s\u00e3o os disc\u00edpulos que pedem explica\u00e7\u00f5es em casa (Marcos 7,17). S\u00f3 eles est\u00e3o com Jesus \u00abem casa\u00bb, e pretendem, n\u00e3o tirar-se de raz\u00f5es, atropelar-se com palavras, mas compreender melhor o dizer sapiencial (<em>mashal<\/em>,\u00a0<em>parabol\u00ea<\/em>) de Jesus \u00e0 multid\u00e3o. E Jesus adverte-os, como quem espera deles e de n\u00f3s uma melhor compreens\u00e3o. Mas explica, apontando outra vez o dedo ao cora\u00e7\u00e3o: \u00abN\u00e3o compreendeis que tudo o que, de fora, entra no homem, n\u00e3o o pode tornar impuro, porque n\u00e3o entra no seu cora\u00e7\u00e3o, mas no ventre, e vai para a fossa? (Marcos 7,18-19). E dizia-lhes: o que sai do homem, isso sim, torna o homem impuro. Na verdade, \u00e9 de dentro do cora\u00e7\u00e3o dos homens que saem as m\u00e1s inten\u00e7\u00f5es, imoralidades, roubos, homic\u00eddios, adult\u00e9rios, cobi\u00e7as, malvadez, fraudes, lux\u00faria, mau-olhado, cal\u00fania, soberba, insensatez. Todas estas coisas m\u00e1s v\u00eam de dentro, e tornam o homem impuro\u00bb (Marcos 7,20-23). Not\u00e1vel elenco de v\u00edcios. Doze v\u00edcios. E como nos d\u00e1 Jesus uma extraordin\u00e1ria e incisiva explica\u00e7\u00e3o, pondo completamente a nu a nossa vida antiga, e ensinando-nos nov\u00edssimas maneiras de viver.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">6. V\u00ea-se bem que n\u00e3o basta lavar ou aspergir por fora seja o que for. O essencial n\u00e3o \u00e9 o \u00abenvelope\u00bb no bolso, \u00e0 entrada da porta, por cima ou por baixo da mesa. N\u00e3o basta, portanto, a \u00ablavagem das m\u00e3os\u00bb, a chamada\u00a0<em>n<sup>e<\/sup>tilat yadayim<\/em>, como forma exterior de traduzir a pureza interior, do cora\u00e7\u00e3o. Na verdade, \u00e9 sempre necess\u00e1rio manter puro o cora\u00e7\u00e3o, e nada de exterior pode iludir ou camuflar esta a\u00e7\u00e3o fundamental. Resulta clara a reviravolta operada por Jesus e que implica fariseus e escribas, a multid\u00e3o, os seus disc\u00edpulos e a n\u00f3s tamb\u00e9m: n\u00e3o \u00e9 de fora para dentro que se processa a impureza. \u00c9, antes, de dentro para fora. O cora\u00e7\u00e3o \u00e9 a sede do pensamento e de todas as decis\u00f5es. \u00c9 a\u00ed que se faz ver e sentir o lixo ou a pureza das nossas atitudes. Toda a vigil\u00e2ncia no cora\u00e7\u00e3o, portanto.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">7. Fica claro que os caminhos fundamentais n\u00e3o s\u00e3o os que conduzem ao est\u00f4mago. S\u00e3o, antes, os caminhos do cora\u00e7\u00e3o. Ao ar livre e dentro de casa, \u00e0 multid\u00e3o e aos seus disc\u00edpulos, Jesus mostra que \u00e9 necess\u00e1rio fazer da pureza do cora\u00e7\u00e3o o novo princ\u00edpio \u00e9tico fundamental. Na verdade, o cora\u00e7\u00e3o \u00e9 o centro da compreens\u00e3o, do querer e do sentir. O alimento, que entra pela boca, n\u00e3o chega ao cora\u00e7\u00e3o. Por isso, a pureza ou impureza n\u00e3o reside no exterior, nos alimentos. Todos, na verdade, s\u00e3o puros (7,18-19). O cora\u00e7\u00e3o, sim, \u00e9 que pode estar habitado pela desordem, e transformar-se num verdadeiro ninho de v\u00edboras. E, neste caso, fica cego, e confunde facilmente o bem com o mal, o essencial com o secund\u00e1rio, a vontade boa e criadora de Deus com as tradi\u00e7\u00f5es dos homens. O mal nasce e cresce, portanto, nos pensamentos desordenados do cora\u00e7\u00e3o. E o elenco de doze v\u00edcios que Jesus apresenta (7,21-22), e que t\u00eam assento no nosso cora\u00e7\u00e3o, constitui para todos uma clara advert\u00eancia da lixeira que se pode instalar dentro de n\u00f3s.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">8. Acompanha a proclama\u00e7\u00e3o do Evangelho de hoje a leitura do Livro do Deuteron\u00f3mio 4,1-8. Fant\u00e1stico discurso de Mois\u00e9s ao povo reunido \u00e0 entrada da Terra Prometida. O Deuteron\u00f3mio inteiro \u00e9 formado por quatro longos discursos proferidos por Mois\u00e9s no \u00faltimo dia da sua vida. O assunto \u00e9 insistentemente o mesmo: para viver feliz na Terra Prometida em que o povo de Israel est\u00e1 para entrar, isto \u00e9, para entrar e viver na Casa de Deus, perto de Deus, Israel tem de escutar e praticar os mandamentos de Deus, aos quais n\u00e3o deve acrescentar nada, e dos quais n\u00e3o deve retirar nada. S\u00e3o, pois, os mandamentos de Deus que devem ser escutados e praticados, e n\u00e3o os preceitos humanos.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">9. E S. Tiago, na sua Carta, tamb\u00e9m hoje lida (1,17-27), insiste no mesmo tom: sede\u00a0<em>fazedores<\/em>\u00a0(<em>poi\u00eata\u00ed<\/em>) e n\u00e3o apenas ouvintes da Palavra de Deus (1,22) todos os dias e em todas as circunst\u00e2ncias, atentos sempre aos mais pobres. A nossa atitude para com os pobres pode servir de princ\u00edpio de verifica\u00e7\u00e3o da nossa atitude para com Deus, pois \u00e9 pela nossa atitude para com os pobres e necessitados (1,27), que podemos saber se somos ou n\u00e3o fazedores da Palavra de Deus.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">10. O Salmo 15 \u00e9 uma \u00abLiturgia de ingresso\u00bb no santu\u00e1rio, ou \u00abLiturgia das portas\u00bb. Constitu\u00eda, na pr\u00e1tica, uma esp\u00e9cie de liturgia penitencial ou exame de consci\u00eancia feito \u00e0 porta do Templo, antes de entrar no Templo, para se aquilatar se a pessoa re\u00fane condi\u00e7\u00f5es para poder entrar no Templo. Quer isto dizer que, para algu\u00e9m poder transpor o limiar do Templo, para poder ir \u00e0 presen\u00e7a de Deus, tem de preencher uma s\u00e9rie de requisitos morais e existenciais, e n\u00e3o apenas acess\u00f3rios de pureza ritual, que nem sequer \u00e9 referida no Salmo. Nas fachadas dos santu\u00e1rios do Egito e da Mesopot\u00e2mia estavam inscritas as condi\u00e7\u00f5es requeridas para se aceder ao culto. Tratava-se, em quase todos os casos, de preceitos de natureza ritual ou exterior. Tamb\u00e9m o Talmude lembrava que \u00abo homem n\u00e3o deve subir ao monte do Templo com sapatos ou bolsa ou com os p\u00e9s cheios de p\u00f3; n\u00e3o deve reduzir os \u00e1trios do templo a entradas apressadas, e muito menos cuspir neles\u00bb. Como se v\u00ea, o nosso Salmo n\u00e3o se entret\u00e9m com ritualismos exteriores, mas requer comportamentos como o cumprimento de atos \u00e9ticos e existenciais, que envolvam a justi\u00e7a e a verdade, que evitem a cal\u00fania e o insulto e a usura. Tenha-se presente que, no mundo oriental, o empr\u00e9stimo interesseiro atingia, por vezes, n\u00edveis alt\u00edssimos. Por exemplo, na Mesopot\u00e2mia, as taxas de empr\u00e9stimo chegaram a variar entre 17 e 50%. O nosso Salmo apela \u00e0 generosidade.<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dt 4,1-2.6-8; Sl 15; Tg 1,17-18.21b-22.27; Mc 7,1-8.14-15.21-23 1. 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