{"id":2746951538,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/326-vaticano\/8350-epifania-do-senhor-homilia-do-papa-francisco"},"modified":"2025-11-07T16:34:32","modified_gmt":"2025-11-07T16:34:32","slug":"epifania-do-senhor-homilia-do-papa-francisco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/epifania-do-senhor-homilia-do-papa-francisco\/","title":{"rendered":"Epifania do Senhor: Homilia do Papa Francisco"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/papa_epifania_190106085154.jpeg\" \/><\/p>\n<p><p><em>Na Epifania do Senhor o Papa Francisco questionou os crentes interrogando-os se &#8220;trouzemos algum presente a Jesus ou s\u00f3 troc\u00e1mos entre n\u00f3s?&#8221;. Francisco, na homilia convidou os fi\u00e9is a fazerem-se ao caminho, como os magos, pois &#8220;s\u00f3 encontra o mist\u00e9rio de Deus quem deixa os pr\u00f3prios apegos mundanos e se p\u00f5e a caminho&#8221;.<\/em><\/p>\n<p>Leia, na \u00edntegra, a homilia do Papa Francisco<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><em>Epifania<\/em>: esta palavra indica a\u00a0<em>manifesta\u00e7\u00e3o<\/em>\u00a0do Senhor, que Se revela \u2013 como diz S\u00e3o Paulo, na segunda Leitura (cf.\u00a0<em>Ef<\/em>\u00a03, 6) \u2013 aos gentios, hoje representados pelos Magos. Desvenda-se, assim, a verdade sublime que Deus veio para todos: todas as na\u00e7\u00f5es, l\u00ednguas e povos s\u00e3o acolhidos e amados por Ele. S\u00edmbolo disso \u00e9 a luz, que tudo alcan\u00e7a e ilumina.<\/p>\n<p>Ora, se \u00e9 verdade que o nosso Deus Se manifesta para todos, surpreende, por\u00e9m, o modo\u00a0<em>como<\/em>\u00a0o faz. O Evangelho mostra-nos o redopio de gente desencadeado em torno do pal\u00e1cio do rei Herodes, precisamente quando se designa Jesus como rei: \u00abOnde est\u00e1 \u2013 perguntam os Magos \u2013 o rei dos judeus que acaba de nascer?\u00bb (<em>Mt<\/em>\u00a02, 2). Encontr\u00e1-Lo-\u00e3o, mas n\u00e3o onde pensavam: n\u00e3o no pal\u00e1cio real de Jerusal\u00e9m, mas numa casa humilde de Bel\u00e9m. O mesmo paradoxo aparecera nos textos de Natal, quando o Evangelho falava do recenseamento de toda a terra no tempo do imperador Augusto e do governador Quirino (cf.\u00a0<em>Lc<\/em>\u00a02, 2). Mas, nenhum dos poderosos de ent\u00e3o se apercebeu de ter nascido, nos seus dias, o Rei da hist\u00f3ria. E mais tarde quando Jesus \u2013 pelos trinta anos \u2013 Se manifesta publicamente, tendo Jo\u00e3o Batista como precursor, de novo o Evangelho nos proporciona uma solene apresenta\u00e7\u00e3o do contexto: depois de elencar todos os \u00abgrandes\u00bb de ent\u00e3o, tanto no poder secular como no religioso \u2013 Tib\u00e9rio C\u00e9sar, P\u00f4ncio Pilatos, Herodes, Filipe, Lis\u00e2nias, os sumos-sacerdotes An\u00e1s e Caif\u00e1s \u2013, conclui: \u00aba Palavra de Deus foi dirigida a Jo\u00e3o, filho de Zacarias, no deserto\u00bb (<em>Lc<\/em>\u00a03, 2), ou seja, a nenhum dos grandes foi dirigida, mas a um homem que se retirara para o deserto. Eis a surpresa: Deus n\u00e3o sobe \u00e0 ribalta do mundo para Se manifestar.<\/p>\n<p>Ao ouvir aquela lista de personagens ilustres, poderia vir a tenta\u00e7\u00e3o de \u00abfixar os holofotes\u00bb nelas. Poder\u00edamos pensar: teria sido melhor se a estrela de Jesus aparecesse em Roma, na colina do Palatino, onde reinava Augusto sobre o mundo; todo o imp\u00e9rio ter-se-ia imediatamente tornado crist\u00e3o. Ou ent\u00e3o, se tivesse iluminado o pal\u00e1cio de Herodes, este teria podido fazer o bem em vez do mal. Mas, a luz de Deus n\u00e3o vai para quem brilha de luz pr\u00f3pria. Deus prop\u00f5e-Se, n\u00e3o Se imp\u00f5e; ilumina, mas n\u00e3o encandeia. \u00c9 sempre grande a tenta\u00e7\u00e3o de confundir a luz de Deus com as luzes do mundo. Quantas vezes corremos atr\u00e1s dos clar\u00f5es sedutores do poder e da ribalta, convencidos que prestamos um bom servi\u00e7o ao Evangelho! Mas, assim, voltamos os holofotes para o lado errado, porque Deus n\u00e3o estava l\u00e1. A sua luz am\u00e1vel resplandece no amor humilde. Al\u00e9m disso, quantas vezes tentamos, como Igreja, brilhar de luz pr\u00f3pria! Mas, n\u00e3o somos n\u00f3s o\u00a0<em>sol<\/em>\u00a0da humanidade; somos a\u00a0<em>lua<\/em>\u00a0que, mesmo com as suas sombras, reflete a luz verdadeira, o Senhor. A Igreja \u00e9\u00a0<em>mysterium lunae<\/em>\u00a0e o Senhor \u00e9 a luz do mundo (cf.\u00a0<em>Jo<\/em>\u00a09, 5). Ele\u2026, n\u00e3o n\u00f3s!<\/p>\n<p>A luz de Deus vai para quem a acolhe. Isa\u00edas, na primeira Leitura (cf. 60, 2), lembra-nos que a luz divina n\u00e3o impede as trevas e o nevoeiro denso de cobrirem a terra, mas resplandece em quem est\u00e1 pronto a receb\u00ea-la. Por isso, o profeta dirige um convite, que interpela a cada um: \u00abLevanta-te e resplandece\u00bb (60, 1). \u00c9 preciso levantar-se, isto \u00e9, erguer-se do pr\u00f3prio sedentarismo e prontificar-se a caminhar. Caso contr\u00e1rio, fica-se parado como os escribas consultados por Herodes, que sabiam bem onde nascera o Messias, mas n\u00e3o se moveram. Al\u00e9m disso, \u00e9 preciso revestir-se de Deus \u2013 que \u00e9 a luz \u2013 todos os dias, at\u00e9 que Jesus Se torne a nossa vestimenta di\u00e1ria. Mas, para usar a vestimenta de Deus, que \u00e9 simples como a luz, primeiro \u00e9 preciso desfazer-se das roupas pomposas. Caso contr\u00e1rio, faz-se como Herodes, que preferia as luzes terrenas do sucesso e do poder \u00e0 luz divina. Ao inv\u00e9s, os Magos realizam a profecia, levantam-se para ser revestidos de luz. E s\u00e3o os \u00fanicos que veem a estrela no c\u00e9u: nem os escribas, nem Herodes, ningu\u00e9m em Jerusal\u00e9m a viu. Para encontrar Jesus, deve-se planear um itiner\u00e1rio diferente, deve-se tomar outro caminho: o d\u2019Ele, o caminho do amor humilde. E deve-se perseverar nele. De facto, na conclus\u00e3o do Evangelho de hoje, diz-se que os Magos, tendo encontrado Jesus, \u00abregressaram ao seu pa\u00eds\u00a0<em>por outro caminho<\/em>\u00bb (<em>Mt<\/em>\u00a02, 12). Outro caminho, diferente do de Herodes, distinto do caminho do mundo. Um caminho como o percorrido pelos que est\u00e3o com Jesus, no Natal: Maria e Jos\u00e9, os pastores. Eles, como os Magos, deixaram suas casas e tornaram-se peregrinos pelos caminhos de Deus. Com efeito, s\u00f3 encontra o mist\u00e9rio de Deus quem deixa os pr\u00f3prios apegos mundanos e se p\u00f5e a caminho.<\/p>\n<p>O mesmo vale para n\u00f3s. N\u00e3o basta saber onde nasceu Jesus, como os escribas, se n\u00e3o caminhamos at\u00e9 esse\u00a0<em>onde<\/em>. N\u00e3o basta saber\u00a0<em>que<\/em>\u00a0Jesus nasceu, como Herodes, se n\u00e3o O vamos encontrar. Quando o seu\u00a0<em>onde<\/em>\u00a0se torna o nosso onde, o seu\u00a0<em>quando<\/em>\u00a0o nosso quando, a sua pessoa a nossa vida, ent\u00e3o cumprem-se em n\u00f3s as profecias. Ent\u00e3o Jesus nasce dentro e torna-Se Deus\u00a0<em>vivo para mim<\/em>. Hoje, irm\u00e3os e irm\u00e3s, somos convidados a imitar os Magos. Eles n\u00e3o discutem\u2026, caminham; n\u00e3o ficam a ver, mas entram na casa de Jesus; n\u00e3o se colocam no centro, mas prostram-se aos p\u00e9s d\u2019Ele, que \u00e9 o centro; n\u00e3o se fincam nos seus planos, mas prontificam-se a tomar outro caminho. Nos seus gestos, temos um contacto estreito com o Senhor, uma abertura radical a Ele, um envolvimento total com Ele. Com Ele, usam a linguagem do amor, a pr\u00f3pria linguagem que Jesus, ainda infante, j\u00e1 fala. De facto, os Magos v\u00e3o ter com o Senhor, n\u00e3o para receber, mas para dar. Perguntemo-nos: no Natal, trouxemos algum presente a Jesus, pela sua festa, ou trocamos presentes apenas entre n\u00f3s?<\/p>\n<p>Se fomos ter com o Senhor de m\u00e3os vazias, hoje podemos remediar. Com efeito, o Evangelho cont\u00e9m por assim dizer uma pequena lista de prendas: ouro, incenso e mirra. O\u00a0<em>ouro<\/em>, considerado o elemento mais precioso, lembra-nos que, a Deus, deve ser dado o primeiro lugar. Deve ser adorado. Mas, para isso, \u00e9 preciso privar-se a si mesmo do primeiro lugar e considerar-se necessitado, n\u00e3o autossuficiente. E aqui entra o\u00a0<em>incenso<\/em>, que simboliza o relacionamento com o Senhor, a ora\u00e7\u00e3o, que se eleva para Deus como perfume (cf.\u00a0<em>Sal<\/em>\u00a0141, 2). Ora, como o incenso para exalar o seu perfume se deve queimar, assim tamb\u00e9m para a ora\u00e7\u00e3o \u00e9 preciso \u00abqueimar\u00bb um pouco de tempo, gast\u00e1-lo para o Senhor. Mas faz\u00ea-lo de verdade, e n\u00e3o s\u00f3 em palavras. A prop\u00f3sito de factos, entra a\u00a0<em>mirra<\/em>, unguento que seria utilizado ao envolver amorosamente o corpo de Jesus descido da cruz (cf.\u00a0<em>Jo<\/em>\u00a019, 39). Agrada ao Senhor que cuidemos dos corpos provados pelo sofrimento, da sua carne mais fr\u00e1gil, de quem ficou para tr\u00e1s, de quem s\u00f3 pode receber n\u00e3o tendo nada de material para retribuir. \u00c9 preciosa aos olhos de Deus a miseric\u00f3rdia com quem n\u00e3o tem para restituir, a gratuidade. \u00c9 preciosa aos olhos de Deus a gratuidade. Neste tempo de Natal que est\u00e1 a terminar, n\u00e3o percamos a ocasi\u00e3o para dar um lindo presente ao nosso Rei, que veio para todos, n\u00e3o nos cen\u00e1rios faustosos do mundo, mas na pobreza luminosa de Bel\u00e9m. Se o fizermos, resplandecer\u00e1 sobre n\u00f3s a sua luz.<\/p>\n<p>Educris a partir do original em italiano<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na Epifania do Senhor o Papa Francisco questionou os crentes interrogando-os se &#8220;trouzemos algum presente a Jesus ou s\u00f3 troc\u00e1mos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4294987941,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[64],"class_list":["post-2746951538","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-vaticano"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2746951538","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2746951538"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2746951538\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4294995724,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2746951538\/revisions\/4294995724"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4294987941"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2746951538"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2746951538"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2746951538"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}