{"id":2759995971,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/326-vaticano\/9007-encontro-do-papa-com-jovens-em-toquio"},"modified":"2025-11-07T16:34:35","modified_gmt":"2025-11-07T16:34:35","slug":"encontro-do-papa-com-jovens-em-toquio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/encontro-do-papa-com-jovens-em-toquio\/","title":{"rendered":"Encontro do Papa com Jovens em T\u00f3quio"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/papa_japao_191201063052.jpeg\" \/><\/p>\n<p><p><strong><em>Na visita apost\u00f3lica \u00e0 tail\u00e2ndia e Jap\u00e3o o Papa Francisco encontrou-se hoje com jovens japoneses. Francisco desafiou os mais novos a construir juntos a sociedade do amanh\u00e3 e ouviu testemunhos de experi\u00eancias de bullying e discrimina\u00e7\u00f5es.<\/em><\/strong><\/p>\n<p><em>Queridos jovens!<\/em><\/p>\n<p>Obrigado por terdes vindo, obrigado por estardes aqui. Ver e sentir a vossa energia e entusiasmo d\u00e1-me alegria, d\u00e1-me esperan\u00e7a. Estou-vos grato por isso. Agrade\u00e7o tamb\u00e9m a Leonardo, Miki e Masako as suas palavras de testemunho. \u00c9 preciso grande coragem para partilhar, como v\u00f3s fizestes, o que se tem no cora\u00e7\u00e3o. Estou certo de que as vossas vozes se fizeram eco de muitos dos vossos companheiros presentes. Obrigado! Sei que, no vosso meio, h\u00e1 jovens doutras nacionalidades, sendo alguns deles refugiados. Aprendamos a construir juntos a sociedade que queremos para amanh\u00e3.<\/p>\n<p>Ao fixar-vos, posso ver a diversidade cultural e religiosa dos jovens que, hoje, vivem no Jap\u00e3o, e tamb\u00e9m algo da beleza que a vossa gera\u00e7\u00e3o oferece ao futuro. A amizade entre v\u00f3s e a vossa presen\u00e7a aqui lembram-nos a todos que o futuro n\u00e3o \u00e9 \u00abmonocrom\u00e1tico\u00bb, mas \u2013 se tivermos coragem para isso \u2013 podemos contempl\u00e1-lo na variedade e na diversidade das contribui\u00e7\u00f5es que cada um pode dar. Como precisa a nossa fam\u00edlia humana de aprender a viver conjuntamente em harmonia e paz, sem necessidade de sermos todos iguais! N\u00e3o nos fizeram como carros, todos em s\u00e9rie. Mas cada qual vem do amor de seus pais e da sua fam\u00edlia; por isso, somos todos diferentes, cada um tem uma hist\u00f3ria a partilhar. Necessitamos de crescer em fraternidade, na solicitude pelos outros e no respeito pelas diferentes experi\u00eancias e pontos de vista! Este encontro \u00e9 uma festa, porque estamos a dizer que a cultura do encontro \u00e9 poss\u00edvel, que n\u00e3o \u00e9 uma utopia, e que v\u00f3s, jovens, tendes uma sensibilidade especial para a levar por diante.<\/p>\n<p>Fiquei impressionado com as perguntas que me fizestes, por refletirem as vossas experi\u00eancias concretas e tamb\u00e9m as vossas esperan\u00e7as e sonhos para o futuro.<\/p>\n<p>Obrigado, Leonardo, por teres partilhado a experi\u00eancia do bullying e discrimina\u00e7\u00e3o que sofreste. S\u00e3o cada vez mais os jovens que t\u00eam a coragem de falar de experi\u00eancias como a tua. No meu tempo, quando era novo, n\u00e3o se falava de coisas como as que nos contou Leonardo. O ponto mais cruel do bullying escolar \u00e9 que fere o nosso esp\u00edrito e autoestima no momento em que mais precis\u00e1vamos de for\u00e7a para nos aceitar a n\u00f3s mesmos e enfrentar novos desafios na vida. Por vezes, as v\u00edtimas do bullying chegam a culpar-se a si mesmas por serem alvos \u00abf\u00e1ceis\u00bb. Podem sentir-se fracassadas, fr\u00e1geis e sem valor, e chegar a situa\u00e7\u00f5es profundamente dram\u00e1ticas: \u00abSe ao menos eu fosse diferente&#8230;\u00bb. Paradoxalmente, por\u00e9m, os molestadores, aqueles que fazem o bullying, \u00e9 que s\u00e3o fr\u00e1geis de verdade, pois pensam que podem afirmar a sua identidade fazendo mal aos outros. \u00c0s vezes, atacam quem quer que considerem diferente e que veem como uma amea\u00e7a. No fundo, os molestadores, aqueles que fazem bullying, t\u00eam medo; s\u00e3o medrosos que se escondem por tr\u00e1s da for\u00e7a. Aten\u00e7\u00e3o a isto! Quando ouvirdes e virdes algu\u00e9m que sente necessidade de ferir o outro, de fazer bullying ao outro, de o molestar, esse \u00e9 o fr\u00e1gil. O molestado n\u00e3o \u00e9 o fr\u00e1gil; fr\u00e1gil \u00e9 aquele que molesta, porque tem necessidade de se fazer grande, forte, para se sentir algu\u00e9m. H\u00e1 pouco disse a Leonardo: quando te disserem que \u00e9s gordo, responde-lhe \u00ab\u00e9 pior ser magro como tu\u00bb. Todos nos devemos unir contra esta cultura do bullying, todos juntos contra esta cultura do bullying, e aprender a dizer: Basta! \u00c9 uma epidemia, cujo melhor rem\u00e9dio o podeis encontrar v\u00f3s pr\u00f3prios. N\u00e3o \u00e9 suficiente que as institui\u00e7\u00f5es educacionais ou os adultos usem todos os recursos \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o para prevenir esta trag\u00e9dia; ocorre que vos junteis entre v\u00f3s, entre amigos, entre companheiros, para dizer n\u00e3o ao bullying, n\u00e3o \u00e0 agress\u00e3o ao outro.\u00a0 Dizer: Isto n\u00e3o! Isto \u00e9 mal! N\u00e3o existe arma maior para se defender de tais a\u00e7\u00f5es do que poderdes levantar-vos, entre companheiros e amigos, e dizer: Aquilo que est\u00e1s a fazer, o bullying, \u00e9 grave.<\/p>\n<p>Quem faz bullying \u00e9 um medroso, e o medo \u00e9 sempre inimigo do bem; por isso, \u00e9 inimigo do amor e da paz. As grandes religi\u00f5es \u2013 todas as religi\u00f5es que s\u00e3o praticadas por cada um de n\u00f3s \u2013 ensinam toler\u00e2ncia, ensinam harmonia, ensinam miseric\u00f3rdia; as religi\u00f5es n\u00e3o ensinam medo, divis\u00e3o e conflito. Quanto a n\u00f3s, crist\u00e3os, sabemos que Jesus n\u00e3o Se cansava de dizer aos seus seguidores para n\u00e3o terem medo. Porqu\u00ea? Porque, se estamos com Deus e, com Deus, amamos os nossos irm\u00e3os,\u00a0<em>este amor expulsa o temor<\/em>\u00a0(cf.\u00a0<em>1 Jo<\/em>\u00a04, 18). Para muitos de n\u00f3s \u2013 como nos lembraste, Leonardo \u2013 contemplar a vida de Jesus permite-nos encontrar conforto, porque o pr\u00f3prio Jesus sabia o que significa ser desprezado e rejeitado, chegando ao ponto de O crucificarem. Sabia tamb\u00e9m o que era ser um estrangeiro, um migrante, um \u00abdiferente\u00bb. Em certo sentido \u2013 e aqui dirijo-me aos crist\u00e3os; aqueles que n\u00e3o s\u00e3o crist\u00e3os, vejam-No como modelo religioso \u2013, Jesus foi o mais \u00abmarginalizado\u00bb, um marginalizado cheio de Vida para dar. Leonardo, sempre podemos olhar para tudo o que nos falta, mas podemos tamb\u00e9m descobrir a vida que somos capazes de comunicar e oferecer. O mundo precisa de ti: nunca te esque\u00e7as disto! O Senhor tem necessidade de ti, para poderes dar coragem a tantos que hoje pedem uma m\u00e3o para os ajudar a levantar-se.<\/p>\n<p>Gostaria de dizer a todos algo que pode ser \u00fatil na vida. Olhar com desprezo uma pessoa, como quem a olha de cima para baixo, \u00e9 dizer: \u00abEu sou superior e tu \u00e9s inferior\u00bb. Ora, s\u00f3 existe uma maneira l\u00edcita e justa de olhar uma pessoa de cima para baixo: para ajud\u00e1-la a levantar-se. Se um de n\u00f3s \u2013 incluindo-me a mim mesmo \u2013 olha uma pessoa de cima para baixo com desprezo, vale pouco. Mas, se um de n\u00f3s olha uma pessoa de cima para baixo a fim de lhe estender a m\u00e3o e ajud\u00e1-la a erguer-se, este homem ou esta mulher \u00e9 grande. Ent\u00e3o, quando olhardes uma pessoa de cima para baixo, perguntai-vos: \u00abOnde est\u00e1 a minha m\u00e3o? Est\u00e1 escondida ou est\u00e1 a ajud\u00e1-la a levantar-se?\u00bb E sereis felizes. Estais de acordo?<\/p>\n<p>Isto sup\u00f5e aprender a desenvolver uma qualidade muito importante, mas desvalorizada: a capacidade de disponibilizar tempo para os outros, ouvi-los, partilhar com eles, compreend\u00ea-los. E s\u00f3 assim abriremos as nossas hist\u00f3rias e as nossas feridas a um amor que nos possa transformar, come\u00e7ando a mudar o mundo que nos rodeia. Se n\u00e3o oferecermos, se n\u00e3o perdermos tempo e \u00abganharmos\u00bb tempo com as pessoas, perd\u00ea-lo-emos em muitas coisas que, no final do dia, nos deixar\u00e3o vazios e maldispostos. Na minha terra natal diriam: enchem-nos de coisas at\u00e9 apanharmos uma indigest\u00e3o. Ent\u00e3o, por favor, dedicai tempo \u00e0 vossa fam\u00edlia, dedicai tempo aos vossos amigos e tamb\u00e9m a Deus, rezando e meditando, cada qual segundo a pr\u00f3pria cren\u00e7a. E se sentirdes dificuldade em rezar, n\u00e3o desistais. Uma guia espiritual s\u00e1bia disse uma vez: a ora\u00e7\u00e3o consiste principalmente em estar l\u00e1. Fica quieto, d\u00e1 espa\u00e7o para fazer entrar<s>\u00a0<\/s>Deus, deixa-te olhar por Ele e Ele te encher\u00e1 da sua paz.<\/p>\n<p>A isto mesmo aludia Miki, quando perguntou como podem os jovens dar espa\u00e7o a Deus numa sociedade fren\u00e9tica e focalizada apenas em ser competitiva e produtiva. \u00c9 comum ver que uma pessoa, uma comunidade ou mesmo uma sociedade inteira podem estar altamente desenvolvidas no seu exterior, mas com uma vida interior pobre e tolhida, com a alma e a vitalidade amortecidas; parecem bonecas, que n\u00e3o t\u00eam nada dentro. Tudo lhes aborrece. S\u00e3o jovens que j\u00e1 n\u00e3o sonham. \u00c9 terr\u00edvel um jovem que n\u00e3o sonha, um jovem que n\u00e3o abre espa\u00e7o para o sonho, para deixar Deus entrar, para fazer entrar os desejos e ser fecundo na vida. H\u00e1 homens e mulheres que j\u00e1 n\u00e3o sabem rir, que n\u00e3o brincam, nem conhecem o sentimento de admira\u00e7\u00e3o e surpresa. Homens e mulheres que vivem como duendes, o seu cora\u00e7\u00e3o deixou de bater. Porqu\u00ea? Porque incapaz de celebrar a vida com os outros. Aten\u00e7\u00e3o! Sereis felizes, sereis fecundos se mantiverdes a capacidade de celebrar a vida com os outros. Em todo o mundo, quantas pessoas s\u00e3o materialmente ricas, mas vivem como escravas duma solid\u00e3o sem igual! Penso na solid\u00e3o que vivem tantas pessoas, jovens e adultas, das nossas sociedades pr\u00f3speras mas frequentemente t\u00e3o an\u00f3nimas. Uma vez Madre Teresa, que trabalhava entre os mais pobres dos pobres, disse algo que \u00e9 prof\u00e9tico, uma coisa importante: \u00abA solid\u00e3o e a sensa\u00e7\u00e3o de n\u00e3o ser amado \u00e9 a pobreza mais terr\u00edvel\u00bb.<\/p>\n<p>Talvez nos ajude perguntarmo-nos: para mim, qual \u00e9 a pobreza mais terr\u00edvel? Para mim qual seria o maior grau de pobreza? E, se formos honestos, perceberemos que a pobreza maior que podemos ter \u00e9 a solid\u00e3o e a sensa\u00e7\u00e3o de n\u00e3o ser amado. Compreendeis?<\/p>\n<p>O discurso \u00e9 muito chato, ou posso continuar? \u00c9 chato? [<em>os jovens<\/em>: \u00abN\u00e3o!\u00bb] Falta pouco\u2026 Combater esta pobreza espiritual \u00e9 um dever a que todos somos chamados, e v\u00f3s, jovens, tendes um papel especial a desempenhar nisso, porque requer uma grande altera\u00e7\u00e3o nas nossas prioridades, nas nossas op\u00e7\u00f5es. Implica reconhecer que o mais importante n\u00e3o \u00e9 a quantidade de coisas que tenha ou possa adquirir, mas as pessoas com quem posso partilh\u00e1-las. Importante n\u00e3o \u00e9 tanto concentrar-me e questionar-me por que vivo, como sobretudo\u00a0<em>para quem<\/em>\u00a0vivo. Aprendei a colocar-vos a pergunta: n\u00e3o\u00a0<em>para que coisa<\/em>\u00a0vivo, mas\u00a0<em>para quem<\/em>\u00a0vivo, com quem partilho a minha vida? As coisas s\u00e3o importantes, mas as pessoas s\u00e3o indispens\u00e1veis; sem elas, desumanizamo-nos, perdemos o rosto, perdemos o nome e tornamo-nos mais um objeto; talvez o melhor de todos, mas sempre um objeto; e n\u00f3s n\u00e3o somos objetos, somos pessoas. L\u00ea-se no livro de Ben Sir\u00e1: \u00abUm amigo fiel \u00e9 uma poderosa prote\u00e7\u00e3o; quem o encontrou, descobriu um tesouro\u00bb (6, 14). Por isso, sempre \u00e9 importante perguntar-me: \u00ab\u201c<em>Para quem<\/em>\u00a0sou eu?\u201d \u00c9s para Deus, sem d\u00favida alguma; mas Ele quis que fosses tamb\u00e9m para os outros, e colocou em ti muitas qualidades, inclina\u00e7\u00f5es, dons e carismas que n\u00e3o s\u00e3o para ti, mas para os outros\u00bb (<em><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20190325_christus-vivit.html\">Christus vivit<\/a><\/em>, 286), para partilhar com os outros. N\u00e3o s\u00f3 viver a vida, mas partilhar a vida. Sim, partilhar a vida.<\/p>\n<p>Isto \u00e9 algo estupendo que podeis oferecer ao nosso mundo. Os jovens podem dar algo ao mundo. Sede testemunhas de que a amizade social, a amizade entre v\u00f3s \u00e9 poss\u00edvel! Tende esperan\u00e7a num futuro baseado na cultura do encontro, na aceita\u00e7\u00e3o, na fraternidade e no respeito pela dignidade de cada pessoa, especialmente para com os mais carecidos de amor e compreens\u00e3o; sem necessidade de agredir ou desprezar, mas aprendendo a reconhecer a riqueza dos outros.<\/p>\n<p>Uma reflex\u00e3o que pode ajudar-nos: para nos manter vivos fisicamente, temos que respirar: \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o que se realiza sem nos darmos conta, todos respiramos de maneira autom\u00e1tica. Para nos manter vivos no sentido mais amplo e pleno da palavra, devemos tamb\u00e9m aprender a respirar espiritualmente, atrav\u00e9s da ora\u00e7\u00e3o, da medita\u00e7\u00e3o, num movimento interior, pelo qual podemos escutar a Deus que nos fala no \u00edntimo do nosso cora\u00e7\u00e3o. Mas necessitamos tamb\u00e9m dum movimento exterior, pelo qual nos aproximamos dos outros mediante atos de amor, com atos de servi\u00e7o. Este duplo movimento permite-nos crescer e descobrir n\u00e3o s\u00f3 que Deus nos amou, mas tamb\u00e9m que confiou a cada um de n\u00f3s uma miss\u00e3o, uma voca\u00e7\u00e3o \u00fanica, que descobriremos na medida em que nos dermos aos outros, \u00e0s pessoas concretas.<\/p>\n<p>Destas coisas nos falou Masako, a partir da pr\u00f3pria experi\u00eancia como aluna e professora. Perguntou como se pode ajudar os jovens a darem-se conta da bondade e valor pr\u00f3prios. Gostaria de dizer uma vez mais que, para crescer, para descobrir a nossa identidade, a nossa bondade e a nossa beleza interior, n\u00e3o serve olhar-nos ao espelho. Inventaram-se muitas coisas, mas, gra\u00e7as a Deus, n\u00e3o existem ainda<em>\u00a0selfies<\/em>\u00a0da alma. Para ser felizes, devemos pedir ajuda aos outros, pedir a outro que tire a fotografia, ou seja, sair de n\u00f3s mesmos e ir ter com os outros, especialmente os mais necessitados (cf.\u00a0<em><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20190325_christus-vivit.html\">ibid<\/a>.<\/em>, 171). Quero dizer-vos uma coisa: n\u00e3o olheis demasiado para v\u00f3s mesmos, n\u00e3o vos olheis demasiado ao espelho, porque h\u00e1 o risco de, \u00e0 for\u00e7a de vos olhardes nele, o espelho se romper!<\/p>\n<p>E agora termino! Era tempo\u2026 De modo particular pe\u00e7o-vos que estendais os bra\u00e7os da amizade e recebais quantos v\u00eam, muitas vezes depois dum grande sofrimento, buscar ref\u00fagio no vosso pa\u00eds. Est\u00e1 aqui presente connosco um pequeno grupo de refugiados; a vossa aceita\u00e7\u00e3o dar\u00e1 testemunho de que, embora para muitos possam ser estrangeiros, v\u00f3s os considerais irm\u00e3os e irm\u00e3s.<\/p>\n<p>Um s\u00e1bio professor disse um dia que a chave para crescer na sabedoria n\u00e3o est\u00e1 tanto em encontrar as respostas certas, como sobretudo em descobrir as perguntas certas. Pense cada um de v\u00f3s: Sei responder \u00e0s coisas? Sei responder bem \u00e0s coisas? Tenho as respostas corretas? Se algum de v\u00f3s me responder que sim, alegro-me por ele. Mas coloca-te outra pergunta: Sei fazer as perguntas certas? Tenho um cora\u00e7\u00e3o inquieto que leva a interrogar-me continuamente sobre a vida, sobre mim mesmo, sobre os outros, sobre Deus? Com as respostas corretas, passas no exame, mas sem as perguntas certas, n\u00e3o conseguireis passar na vida! Nem todos v\u00f3s sois professores como Masako, mas espero que possais colocar-vos \u00f3timas perguntas, questionar-vos e ajudar os outros a colocarem-se perguntas boas e interpeladoras sobre o significado da vida e como podemos construir um futuro melhor para quantos vierem depois de n\u00f3s.<\/p>\n<p>Queridos jovens, obrigado pela vossa aten\u00e7\u00e3o amiga, obrigado pela paci\u00eancia, por todo este tempo que me destes e por terdes compartilhado um pouco da vossa vida. N\u00e3o tapeis os sonhos! N\u00e3o entorpe\u00e7ais os vossos sonhos, dai espa\u00e7o aos sonhos e ousai contemplar grandes horizontes, ousai ver o que vos espera se tiverdes a coragem de constru\u00ed-lo juntos. O Jap\u00e3o precisa de v\u00f3s, o mundo precisa de v\u00f3s, despertos, n\u00e3o adormecidos. Tem necessidade de v\u00f3s generosos, alegres e entusiastas, capazes de construir uma casa para todos. Prometo rezar por v\u00f3s para que cres\u00e7ais em sabedoria espiritual, para que saibais fazer as perguntas certas, para que vos esque\u00e7ais do espelho e saibais fixar os outros nos olhos.<\/p>\n<p>Formulo para todos v\u00f3s, vossas fam\u00edlias e amigos, venturosos votos e dou-vos a minha b\u00ean\u00e7\u00e3o. E pe\u00e7o-vos para vos lembrardes tamb\u00e9m de me mandar bons votos e b\u00ean\u00e7\u00e3os.<\/p>\n<p>Muito obrigado!<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na visita apost\u00f3lica \u00e0 tail\u00e2ndia e Jap\u00e3o o Papa Francisco encontrou-se hoje com jovens japoneses. 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