{"id":276470529,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/9934-domingo-xxx-do-tempo-comum-o-essencial-e-as-sobras"},"modified":"2025-11-07T16:33:41","modified_gmt":"2025-11-07T16:33:41","slug":"domingo-xxx-do-tempo-comum-o-essencial-e-as-sobras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/domingo-xxx-do-tempo-comum-o-essencial-e-as-sobras\/","title":{"rendered":"Domingo XXX do Tempo Comum: \u00abO Essencial e as Sobras\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031.jpg\" \/><\/p>\n<p><p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">1. A\u00ed est\u00e1, no Evangelho deste Domingo XXX do Tempo Comum (Mateus 22,34-40), mais uma pergunta armadilhada [\u00abpara o experimentar\u00bb, verbo grego\u00a0<em>peir\u00e1z\u00f4<\/em>, literalmente \u00abmontar um la\u00e7o, uma armadilha\u00bb] posta a Jesus por um Fariseu, um doutor da lei (<em>nomik\u00f3s<\/em>), \u00fanica men\u00e7\u00e3o deste nome em todo o Evangelho de Mateus. Antes deste \u00ablegista\u00bb partir ao encontro de Jesus com a sua pergunta trai\u00e7oeira, destinada a captur\u00e1-lo na armadilha preparada, \u00e9-nos dito que os Fariseus se reuniram (Mateus 22,34). Mas j\u00e1 o tinham feito tamb\u00e9m em Mateus 22,15, antes da pergunta sobre o imposto, e \u00e9 ainda reunidos que os encontramos em Mateus 22,41, antes da pergunta decisiva de Jesus [a\u00ed \u00e9 Jesus que formula a pergunta] acerca da filia\u00e7\u00e3o do Messias, que os reduzir\u00e1 ao sil\u00eancio (Mateus 22,46). Estas sucessivas reuni\u00f5es dos Fariseus para estudar a maneira de tramar Jesus representam uma clara alus\u00e3o ao Salmo 2, em que se diz que os reis das na\u00e7\u00f5es se amotinam contra Deus e contra o seu Messias (v. 2).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">2. A pergunta armadilhada que o \u00ablegista\u00bb fariseu coloca hoje a Jesus soa assim: \u00abMestre, qual \u00e9 o maior mandamento da Lei?\u00bb (Mateus 22,36). A pergunta parece inofensiva, mas, na verdade, destina-se a tentar arrastar Jesus para o plano inclinado da intermin\u00e1vel discuss\u00e3o acad\u00e9mica. De facto, os mestres judeus, lendo minuciosamente a Lei, ou seja, os cinco primeiros Livros da B\u00edblia [= G\u00e9nesis, \u00caxodo, Lev\u00edtico, N\u00fameros e Deuteron\u00f3mio], e reduzindo-a a preceitos, tinham contado l\u00e1 613 preceitos, sendo 365, tantos quantos os dias do ano, negativos, e 248, tantos quantos, assim se pensava ent\u00e3o, os membros do corpo, positivos.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">3. A quest\u00e3o que entretinha os mestres e as suas escolas era agora a de estabelecer uma ordem nesses 613 preceitos ou mandamentos, dizendo qual consideravam o primeiro ou o mais importante ou o maior, e assim por diante. Discuss\u00e3o intermin\u00e1vel e natural fonte de conflitos, pois, como \u00e9 usual dizer-se, cada mestre sua senten\u00e7a. Qual seria ent\u00e3o a posi\u00e7\u00e3o de Jesus nesta mat\u00e9ria, e como a defenderia?<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">4. Jesus responde ao \u00ablegista\u00bb fariseu, n\u00e3o caindo, por\u00e9m, na apertada ratoeira que este lhe arma, mas abrindo portas, janelas e\u2026 cora\u00e7\u00f5es engessados! Na verdade, e como sempre costuma fazer, a resposta de Jesus excede, rebentando-a, a pergunta feita. Jesus cita, em primeiro lugar, o Livro do Deuteron\u00f3mio 6,5: \u00abAMAR\u00c1S o Senhor, teu Deus, com todo o cora\u00e7\u00e3o, toda a alma, todas as for\u00e7as\u00bb. Dito isto, Jesus opera um inesperado, para o \u00ablegista\u00bb, salto de trap\u00e9zio, e acrescenta: \u00abO segundo, por\u00e9m, \u00e9\u00a0<em>semelhante<\/em>\u00a0(<em>homo\u00eda<\/em>) a este, e cita agora o Livro do Lev\u00edtico 19,18: \u00abAMAR\u00c1S o teu pr\u00f3ximo como a ti mesmo\u00bb.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">5. Ora, o \u00ablegista\u00bb estava apenas interessado em saber qual era, segundo o Mestre Jesus, o primeiro mandamento. Jesus respondeu, mas fez logo saber ao \u00ablegista\u00bb tamb\u00e9m o segundo. Mas n\u00e3o disse simplesmente que era o segundo. Disse que este segundo era\u00a0<em>semelhante<\/em>\u00a0ao primeiro. Ora, se \u00e9 semelhante (e s\u00f3 Mateus usa aqui este\u00a0<em>semelhante<\/em>), j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 apenas segundo, mas faz corpo com o primeiro. Sendo assim, ent\u00e3o o AMOR a Deus \u00e9 verific\u00e1vel no AMOR ao pr\u00f3ximo, no nosso dia-a-dia.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">6. Mas Jesus rebenta outra vez a pergunta do \u00ablegista\u00bb, na conclus\u00e3o que tira, e em que refere que \u00abDestes dois mandamentos se\u00a0<em>suspende<\/em>\u00bb (<em>kr\u00e9matai<\/em>) (Mateus 22,40), verbo s\u00f3 aqui usado no Novo Testamento, isto \u00e9, \u00abdepende\u00bb, \u00abdependura\u00bb, \u00abdecorre\u00bb \u00abtoda a Lei e os Profetas\u00bb (Mateus 22,40). N\u00e3o se trata, portanto, de um final, de uma conclus\u00e3o a que se chega, de um resumo, mas de um ponto de partida, de um fundamento. Na linguagem de Santo Agostinho, seria como o fundamento de um edif\u00edcio espiritual que se encontra no cume, na pedra cumeeira. A locu\u00e7\u00e3o \u00aba Lei e os Profetas\u00bb \u00e9 uma forma de dizer toda a Escritura. A pergunta do \u00ablegista\u00bb visava apenas a Lei, mas Jesus acrescenta \u00abos Profetas\u00bb, clarificando, pois, na sua resposta, que \u00e9 a inteira Escritura que est\u00e1 atravessada pelo fio de ouro do AMOR a Deus e ao pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">7. Como quem diz: o grau do teu AMOR a Deus verifica-se pela qualidade do teu AMOR ao pr\u00f3ximo. Diretamente de Jesus para o \u00ablegista\u00bb: se olhas para mim de lado, se vens cheio de m\u00e1s inten\u00e7\u00f5es, se colocas um la\u00e7o, uma armadilha, diante dos meus p\u00e9s, ent\u00e3o est\u00e1s longe de todos os mandamentos. Do 1.\u00ba, do 2.\u00ba, do 3.\u00ba e do 613.\u00ba!<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">8. Tudo somado, aquele \u00ablegista\u00bb, perguntador trai\u00e7oeiro, n\u00e3o se situava corretamente face a Deus e ao seu pr\u00f3ximo. N\u00e3o era o AMOR que o fazia mover. N\u00e3o estava no centro da Escritura Santa. Andava muito pela periferia. Ocupava muito do seu tempo, n\u00e3o a AMAR, mas a \u00abARMAR la\u00e7os\u00bb, a tentar tramar os outros! \u00c9 preciso vigiar todos os dias sobre aquilo que verdadeiramente nos move.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">9. Nem de prop\u00f3sito. Salta daqui uma miss\u00e3o aberta, um imenso convite a sairmos de n\u00f3s, sem armadilhas e s\u00f3 com amor, ao encontro dos nossos irm\u00e3os. Dizia o Papa Bento XVI, na sua mensagem para o 85.\u00ba Dia Mission\u00e1rio Mundial (2011): \u00abA miss\u00e3o universal empenha TODOS, TUDO e SEMPRE\u00bb. Entenda-se bem: TODOS, TUDO e SEMPRE! Um silogismo f\u00e1cil: se a miss\u00e3o envolve TODOS, TUDO e SEMPRE, ent\u00e3o atinge-nos no essencial, e n\u00e3o afeta apenas as sobras, porque fic\u00e1mos sem sobras! Verifica\u00e7\u00e3o: ent\u00e3o por que raz\u00e3o continuamos com toda a tranquilidade do mundo a dedicar \u00e0 miss\u00e3o universal apenas as nossas sobras de pessoas, de meios e de tempo? Como podemos andar, afinal, tamb\u00e9m n\u00f3s, armadilhados de boas, subtis e sub-rept\u00edcias inten\u00e7\u00f5es!<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">10. A li\u00e7\u00e3o de hoje do Livro do \u00caxodo (22,20-26) \u00e9 clara e faz de coro e de ch\u00e3o \u00e0 p\u00e1gina sublime do Evangelho: Deus ama com especial predile\u00e7\u00e3o os necessitados, em que a B\u00edblia v\u00ea particularmente os pobres, o \u00f3rf\u00e3o, a vi\u00fava e o estrangeiro, e manda-nos que fa\u00e7amos como Ele. Deus n\u00e3o tolera qualquer armadilha que lhes seja feita!<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">11. Da janela embaciada da casa de Priscila e \u00c1quila, em que agora habita, em Corinto, S. Paulo continua a evocar com amor a sua passagem por Tessal\u00f3nica, como refere um extrato do in\u00edcio da Primeira Carta aos Tessalonicenses hoje lido (1,5-10). N\u00e3o um amor qualquer, mas aquele amor com que ele pr\u00f3prio foi amado por Jesus Cristo (G\u00e1latas 2,20). Portanto, amor de doa\u00e7\u00e3o total, amor sem volta atr\u00e1s. Na p\u00e1gina que escreve, Paulo diz saber que os crist\u00e3os de Tessal\u00f3nica est\u00e3o a imitar o seu modo de proceder, isto \u00e9, de amar, que \u00e9 o do Senhor tamb\u00e9m. Ressoar\u00e1 sempre na Igreja e nas Igrejas este fort\u00edssimo dizer de Paulo: \u00abSede meus imitadores, como eu o sou de Cristo\u00bb (1 Cor\u00edntios 11,1). \u00c9 nesta linha que se devem p\u00f4r tamb\u00e9m as Igrejas e os cora\u00e7\u00f5es que hoje escutam esta p\u00e1gina, escrita com amor.<\/p>\n<p class=\"inline-ad-slot\" data-adtags-visited=\"true\" data-adtags-width=\"450\" id=\"inline-ad-1\">12. Um Deus fiel, seguro, firme como \u00abrocha\u00bb, que n\u00e3o oscila nem engana, atento e pr\u00f3ximo do homem, sobretudo dos mais fragilizados e em dificuldade, eis o fluxo po\u00e9tico que nos oferece o grande\u00a0<em>Te Deum<\/em>\u00a0que \u00e9 o Salmo 18, que tem muitas afinidades com o \u00abC\u00e2ntico de David\u00bb, registado em 2 Samuel 22. Deixemo-lo tomar conta de n\u00f3s. Este Deus e este fluxo po\u00e9tico. E cantemos com o orante e como ele, com todo o cora\u00e7\u00e3o, alma, mente, energia, arte: \u00abEu te amo, Senhor, minha for\u00e7a!\u00bb (Salmo 18,2).<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. 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