{"id":2773079175,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/12351-domingo-xv-do-tempo-comum-a-parabola-que-e-jesus"},"modified":"2025-11-07T16:33:55","modified_gmt":"2025-11-07T16:33:55","slug":"domingo-xv-do-tempo-comum-a-parabola-que-e-jesus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/domingo-xv-do-tempo-comum-a-parabola-que-e-jesus\/","title":{"rendered":"Domingo XV do Tempo Comum: \u00abA Par\u00e1bola que \u00e9 Jesus\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031.jpg\" \/><\/p>\n<p><p data-adtags-visited=\"true\">Is 55,10-11; Sl 65; Rm 8,18-23; Mt 13,1-23<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">\u00abSe o gr\u00e3o de trigo que cai na terra n\u00e3o morrer, fica s\u00f3; mas se morrer dar\u00e1 muito fruto\u00bb (Jo 12,24)<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">\u00abN\u00e3o entendeis esta par\u00e1bola? E como compreendereis todas as par\u00e1bolas?\u00bb (Mc 4,13)<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">1. Neste Domingo XV do Tempo Comum, come\u00e7\u00e1mos a escutar o Discurso das Par\u00e1bolas de Jesus, que preenche por inteiro o Cap\u00edtulo 13 do Evangelho de Mateus, e \u00e9 considerado o centro deste Evangelho. Formam-no sete par\u00e1bolas: da \u00absemente\u00bb (13,1-23), do \u00abtrigo e ciz\u00e2nia\u00bb (13,24-30.36-43), do \u00abgr\u00e3o de mostarda\u00bb (13,31-32), do \u00abfermento\u00bb (13,33), do \u00abtesouro escondido no campo\u00bb (13,44), da \u00abp\u00e9rola de grande valor\u00bb (13,45-46) e da \u00abrede lan\u00e7ada ao mar\u00bb (13,47-52). Dada a import\u00e2ncia deste Discurso, ele ser\u00e1 escutado na \u00edntegra ao longo de tr\u00eas Domingos: neste Domingo XV, \u00e9-nos dada a gra\u00e7a de escutar a par\u00e1bola da \u00absemente\u00bb (v. 1-23); no Domingo XVI, escutaremos as par\u00e1bolas do \u00abtrigo e ciz\u00e2nia\u00bb, do \u00abgr\u00e3o de mostarda\u00bb e do \u00abfermento\u00bb (v. 24-43); no Domingo XVII, escutaremos as par\u00e1bolas do \u00abtesouro escondido no campo\u00bb, da \u00abp\u00e9rola de grande valor\u00bb e da \u00abrede lan\u00e7ada ao mar\u00bb (v. 44-52). Seguindo a par e passo o ritmo das par\u00e1bolas, vamos dando conta que vai sendo posta em causa a nossa apet\u00eancia para decis\u00f5es r\u00e1pidas, bem como do nosso gosto de coisas claras e distintas, imponentes e concludentes: veja-se Jo\u00e3o Batista (cf. Mateus 3,10-12), os fariseus, os zelotes, os ess\u00e9nios\u2026 Na verdade, o teor das par\u00e1bolas esbarra contra estes nossos preconceitos, e faz vir ao de cima a lentid\u00e3o [semente e fermento], a espera, a paci\u00eancia e a toler\u00e2ncia [semente, trigo e ciz\u00e2nia, e rede], a pequenez [semente, gr\u00e3o de mostarda e fermento], a riqueza diferente, que n\u00e3o se pode trocar por nada deste mundo [tesouro escondido e p\u00e9rola].<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">2. Escutemos, pois, a par\u00e1bola da semente, que abre a s\u00e9rie das par\u00e1bolas expostas por Jesus, e que re\u00fane particular import\u00e2ncia. Notamos logo que a par\u00e1bola se estende por 23 vers\u00edculos, e se articula em tr\u00eas partes importantes: A) a par\u00e1bola propriamente dita (v. 1-9); B) a raz\u00e3o pela qual Jesus fala em par\u00e1bolas (v. 10-17); C) a explica\u00e7\u00e3o da par\u00e1bola feita por Jesus aos seus disc\u00edpulos (v. 18-23). Al\u00e9m das tr\u00eas partes assinaladas, notamos tamb\u00e9m que a par\u00e1bola se apresenta constru\u00edda segundo o esquema ret\u00f3rico \u201c3 + 1\u201d. Assim, vamos vendo a semente a cair sucessivamente no caminho (1), no terreno pedregoso (2), entre os espinhos (3) e, finalmente, na terra boa (4). O pr\u00f3prio modelo ou esquema ret\u00f3rico empregado \u00e9 j\u00e1, de per si, ilustrativo, duplamente ilustrativo, pois vai colocando diante dos nossos olhos um mapa de situa\u00e7\u00f5es diferentes e falsas, as tr\u00eas primeiras, para depois, finalmente, expor diante de n\u00f3s a situa\u00e7\u00e3o boa e verdadeira. Fazendo este percurso pedag\u00f3gico, somos ainda obrigados a esperar at\u00e9 ao fim para ver o correto e lento percurso da semente desde a sementeira [novembro\/dezembro] at\u00e9 \u00e0 colheita [abril\/maio]. \u00c9 mesmo dito, na par\u00e1bola, pedagogicamente, contra a nossa tenta\u00e7\u00e3o de rapidez, do \u00abpronto-a-vestir\u00bb, do \u00abpronto-a-comer\u00bb, do \u00abpronto-a-brincar\u00bb, etc., que a semente que germina depressa seca depressa: \u00abOutras, por\u00e9m, ca\u00edram em terrenos pedregosos, onde n\u00e3o havia muita terra, e brotaram logo (<em>euth\u00e9\u00f4s<\/em>) por a terra n\u00e3o ter profundidade; mas, ao nascer o sol, foram queimadas, e, por n\u00e3o terem raiz, secaram\u00bb (v. 5-6). A mesma pressa, sublinhada na negativa, soa ainda por duas vezes na explica\u00e7\u00e3o dada por Jesus aos seus disc\u00edpulos: \u00abO semeado sobre os terrenos pedregosos \u00e9 o que escuta a palavra e logo (<em>euth\u00fds<\/em>) a recebe com alegria; n\u00e3o tem, por\u00e9m, raiz em si mesmo. \u00c9 inconstante. Quando surge uma tribula\u00e7\u00e3o ou uma persegui\u00e7\u00e3o por causa da palavra, logo (<em>euth\u00fds<\/em>) se escandaliza\u00bb (v. 20-21).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">3. Voltemos \u00e0 par\u00e1bola na p\u00e1gina poisada. O narrador come\u00e7a por dizer que, naquele dia, Jesus saiu de casa, em Cafarnaum, e foi sentar-se ali \u00e0 beira, na praia do mar da Galileia (v. 1), vendo-se logo rodeado por uma grande multid\u00e3o. Jesus subiu ent\u00e3o para uma barca, afastou-se ligeiramente da praia, sentou-se na barca como numa c\u00e1tedra (v. 2), e p\u00f4s-se a falar \u00e0 multid\u00e3o de muitas coisas em par\u00e1bolas (v. 3). O primeiro dizer de Jesus \u00e9 a hist\u00f3ria daquela semente pequenina e dos quatro cen\u00e1rios que percorre e faz passar diante dos seus ouvintes, sendo os tr\u00eas primeiros de completo fracasso, totalmente infrut\u00edferos (v. 4-7), e o quarto e \u00faltimo, um verdadeiro sucesso registando altas percentagens de fruto (v. 8). Jesus termina esta primeira par\u00e1bola, dirigida \u00e0 multid\u00e3o, deixando as palavras \u00e0 solta, com aquele: \u00abQuem tem ouvidos, ou\u00e7a!\u00bb (v. 9).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">4. \u00c9 ent\u00e3o que os disc\u00edpulos, at\u00e9 agora n\u00e3o mencionados na par\u00e1bola, entram abruptamente em cena, e dirigem a Jesus um dizer quase recriminat\u00f3rio, que soa: \u00abPor que lhes falas em par\u00e1bolas?\u00bb (v. 10), como quem diz: \u00abPor que \u00e9 que n\u00e3o lhes falas \u00e0s claras?\u00bb. Jesus responde de forma categ\u00f3rica: \u00abPorque a v\u00f3s\u00a0<em>foi dado<\/em>\u00a0(<em>d\u00e9dotai<\/em>: perf. passivo de\u00a0<em>d\u00edd\u00f4mi<\/em>) conhecer os mist\u00e9rios do Reino de Deus, mas a eles\u00a0<em>n\u00e3o foi dado<\/em>\u00a0(<em>ou d\u00e9dotai<\/em>)\u00bb (v. 11). Na sua resposta, Jesus acentua claramente o contraste entre \u00abv\u00f3s\u00bb e \u00abeles\u00bb, e, mediante o uso daquele perfeito passivo, tamb\u00e9m chamado \u201cpassivo divino\u201d: \u00aba v\u00f3s\u00a0<em>foi dado<\/em>; a eles\u00a0<em>n\u00e3o foi dado<\/em>\u00bb, aponta para Deus, a quem compete revelar os mist\u00e9rios do Reino de Deus numa clara alus\u00e3o a Daniel 2,28. Esses mist\u00e9rios est\u00e3o escondidos e permanecem inacess\u00edveis aos s\u00e1bios e inteligentes; \u00e9 Deus que os d\u00e1 a conhecer aos pequeninos (cf. Mateus 11,25). E Jesus continua a lan\u00e7ar cada vez mais luz sobre o contraste que j\u00e1 vem de tr\u00e1s entre \u00abv\u00f3s\u00bb e \u00abeles\u00bb: \u00ab\u00c0quele que tem (<em>\u00e9chei<\/em>), ser\u00e1 dado, e viver\u00e1 na abund\u00e2ncia; mas \u00e0quele que n\u00e3o tem (<em>ouk \u00e9chei<\/em>), at\u00e9 o que tem lhe ser\u00e1 tirado\u00bb (v. 12). Entenda-se aqui a clara divis\u00f3ria tra\u00e7ada por Deus entre os pequeninos que acolhem o Reino de Deus manifestado em Jesus, e os arrogantes, orgulhosos e ignorantes que n\u00e3o acolhem o Reino de Deus manifestado em Jesus. Parafraseando o t\u00edtulo de um belo livro de Paul Ricoeur, \u00abO S\u00edmbolo d\u00e1 que pensar\u00bb, tamb\u00e9m poder\u00edamos dizer que \u00abA par\u00e1bola d\u00e1 que pensar\u00bb. Este aforismo diz duas coisas importantes: 1) o s\u00edmbolo d\u00e1: n\u00e3o sou eu que ponho o sentido; \u00e9 o s\u00edmbolo que o oferece; oferece de que pensar, mas o pensamento n\u00e3o se alimenta de si mesmo; 2) a par\u00e1bola d\u00e1: n\u00e3o sou eu que ponho o sentido; \u00e9 Deus que nos d\u00e1 o seu Filho Monog\u00e9nito (cf. Jo\u00e3o 3,16), para que n\u00f3s o acolhamos. Quando dizemos que Jesus fala em par\u00e1bolas, linguagem simples, que todos entendem, n\u00e3o sabemos bem o que estamos a dizer.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">5. De forma progressiva, a par\u00e1bola da semente caminha para a par\u00e1bola de Jesus, que \u00e9 Jesus. De forma clarividente, Jesus afirma no Evangelho de Jo\u00e3o: \u00abSe o gr\u00e3o de trigo que cai na terra n\u00e3o morrer, fica s\u00f3; mas se morrer dar\u00e1 muito fruto\u00bb (Jo\u00e3o 12,24). Lado a lado, a semente e Jesus. Paralelismo perfeito. Uma vez ca\u00edda \u00e0 terra, a semente dar\u00e1 o gr\u00e3o e o p\u00e3o. Ca\u00edda \u00e0 terra, a semente morre para nascer de outra maneira. \u00c9 a Paix\u00e3o. Da semente \u00e0 Paix\u00e3o e ao P\u00e3o: \u00e9 todo o processo ou par\u00e1bola de Jesus a passar diante dos nossos olhos at\u00f3nitos! Como se v\u00ea, a par\u00e1bola da semente \u00e9 decisiva para entender a par\u00e1bola de Jesus. E n\u00e3o espanta que, no texto de Marcos, Jesus questione de forma contundente os seus disc\u00edpulos a prop\u00f3sito da sua n\u00e3o compreens\u00e3o da par\u00e1bola da semente: \u00abN\u00e3o entendeis esta par\u00e1bola? E como compreendereis todas as par\u00e1bolas?\u00bb (Marcos 4,13). Fica tudo transparente: se n\u00e3o entendemos a semente, o in\u00edcio do processo, como entenderemos o inteiro processo?<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">6. No texto de hoje, e para levar os seus disc\u00edpulos \u00e0 correta compreens\u00e3o das par\u00e1bolas de Jesus, ou da par\u00e1bola que \u00e9 Jesus, o pr\u00f3prio Jesus p\u00f5e os seus disc\u00edpulos a ler atentamente a miss\u00e3o de Isa\u00edas que, de resto, Jesus faz sua, citando-a (cf. Mateus 13,14-15). Trata-se de uma estranha miss\u00e3o, aparentemente votada ao fracasso. Transcrevemos: \u00abEle disse: \u201cVai e diz a este povo: escutai escutando, e n\u00e3o compreendereis; vede vendo, e n\u00e3o conhecereis. Engorda o cora\u00e7\u00e3o deste povo, torna-lhe pesados os ouvidos, gruda-lhe os olhos, para que n\u00e3o veja com os seus olhos, e n\u00e3o ou\u00e7a com os seus ouvidos, e n\u00e3o compreenda com o seu cora\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o se converta e n\u00e3o seja curado\u201d. E eu disse: \u201cAt\u00e9 quando, Senhor?\u201d Ele disse: \u201cAt\u00e9 que fiquem desertas as cidades, sem habitantes, e as casas sem gente, e a terra deserta e desolada, e o Senhor remova para longe a gente, e muita solid\u00e3o no interior do pa\u00eds. E se ficar nele ainda um d\u00e9cimo, ser\u00e1 por sua vez lan\u00e7ado ao fogo, como o carvalho e o terebinto que s\u00e3o abatidos, ficando l\u00e1 apenas um\u00a0<em>toco<\/em>\u00a0(<em>matstsebet<\/em>).\u00a0<em>Semente santa<\/em>\u00a0(<em>zera\u2018 qodesh<\/em>\u00a0\u00e9 esse\u00a0<em>toco<\/em>\u00a0(<em>matstsebet<\/em>)\u201d\u00bb (Isa\u00edas 6,9-13).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">7. Compreende-se que \u00e9 preciso deixar tudo nas m\u00e3os de Deus. S\u00f3 Deus pode fazer brotar p\u00e3o de um\u00a0<em>toco seco<\/em>. \u00c9 esta a verdadeira par\u00e1bola da Palavra e do Profeta, classificado \u00abcomo raiz que brota de uma terra \u00e1rida\u00bb (Isa\u00edas 53,2b), e de Jesus cuja Luz desponta naquela Cruz (cf. Romanos 3,24-25). Na verdade, segundo o pr\u00f3prio dizer de Jesus, Ele fala em par\u00e1bolas para que, de acordo com a li\u00e7\u00e3o de Isa\u00edas acima transcrita, \u00abvejam sem ver e ou\u00e7am sem ouvir\u00bb (Mateus 13,13). \u00c9, na verdade, o que acontece. Os pr\u00f3prios disc\u00edpulos est\u00e3o sempre a pedir explica\u00e7\u00f5es (cf. Mateus 13,36; Marcos 4,10). E s\u00f3 a eles Jesus explica tudo devagar (cf. Marcos 4,34). Desiludam-se os que pensam e dizem que Jesus fala em par\u00e1bolas para que todos possam compreender. Na verdade, a par\u00e1bola que \u00e9 Jesus passa despercebida \u00e0s multid\u00f5es, e at\u00e9 os seus disc\u00edpulos saem de cena desconcertados (cf. Mateus 26,56; Marcos 14,50). Poucos chegar\u00e3o a ver e a compreender que Jesus \u00e9 a semente que cai \u00e0 terra e morre para viver e fazer viver. Poucos chegar\u00e3o a ver e a compreender que Jesus \u00e9 o \u00abtoco seco\u00bb, a raiz que brota de uma terra \u00e1rida ou daquela Cruz, semente santa vinda de Deus e por Deus semeada. E que dar\u00e1 muito fruto, muito p\u00e3o sobre a mesa do Altar.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">8. Tudo anunciado por Deus. Como a chuva rega o ch\u00e3o e faz germinar o p\u00e3o, assim a Palavra de Deus h\u00e1 de regar o cora\u00e7\u00e3o e fazer germinar a convers\u00e3o e a salva\u00e7\u00e3o, cumprindo assim a sua miss\u00e3o. \u00c9 a li\u00e7\u00e3o de Deus em Isa\u00edas 55,10-11, que, por gra\u00e7a, escutaremos tamb\u00e9m neste Domingo.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">9. Brotar\u00e1 ent\u00e3o dos nossos l\u00e1bios a bela can\u00e7\u00e3o do Salmo 65, em que o nosso cora\u00e7\u00e3o se veste de festa e de primavera para enaltecer as maravilhas da cria\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m ela com rosto, e com rosto tenso, completamente voltado para Deus, porque tudo recebe de Deus, porque se recebe de Deus. A cria\u00e7\u00e3o com rosto, e com rosto completamente tendido para Deus, quase saindo fora do pesco\u00e7o, tal a intensidade da espera, \u00e9 uma imagem cunhada por Paulo com dois bel\u00edssimos termos gregos, ambos utilizados na li\u00e7\u00e3o deste Domingo da Carta aos Romanos 8,18-23, de que aqui transcrevemos os vers\u00edculos 18 e 19: \u00abPenso, de facto, que os sofrimentos do tempo presente n\u00e3o t\u00eam medida de compara\u00e7\u00e3o com a gl\u00f3ria que est\u00e1 para ser revelada (<em>apokalyphth\u00eanai<\/em>) em n\u00f3s. Com efeito, O ROSTO TENSO (<em>apo-kara-dok\u00eda<\/em>) da cria\u00e7\u00e3o (<em>t\u00eas kt\u00edseos<\/em>) a revela\u00e7\u00e3o (<em>apok\u00e1lypsis<\/em>) dos filhos de Deus ESPERA em tens\u00e3o RECEBER (<em>apekd\u00e9chetai<\/em>:\u00a0<em>ap\u00f2<\/em>\u00a0+\u00a0<em>ek<\/em>\u00a0+\u00a0<em>d\u00e9chomai<\/em>)\u00bb (Romanos 8,18-19).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">10. O primeiro termo \u00e9\u00a0<em>apokaradok\u00eda<\/em>, de<em>\u00a0ap\u00f2<\/em>\u00a0+\u00a0<em>kara<\/em>\u00a0+\u00a0<em>dok\u00e9\u00f4<\/em>\u00a0[= fora de + cara (rosto) + esperar\/olhar atentamente], que s\u00f3 Paulo usa no Novo Testamento na Carta aos Romanos 8,19 e na Carta aos Filipenses 1,20, e que \u00e9 desconhecido no grego antes do Cristianismo. Traduz a atitude de quem se coloca em bicos de p\u00e9s, alongando o pesco\u00e7o o mais que pode, com \u00e2nsia extrema e intensa de tentar ver o que ainda n\u00e3o se v\u00ea. \u00c9 a atitude da esperan\u00e7a. E \u00e9 esperando assim que se apanha o \u00abtique\u00bb da esperan\u00e7a que, na l\u00edngua hebraica se diz\u00a0<em>tiqwah<\/em>! Diz bem o poeta da esperan\u00e7a: \u00abDif\u00edcil \u00e9 esperar, com humildade e paci\u00eancia. F\u00e1cil \u00e9 desesperar, e \u00e9 a grande tenta\u00e7\u00e3o\u00bb (Charles P\u00e9guy). O segundo termo \u00e9 o verbo\u00a0<em>apekd\u00e9chomai<\/em>, de\u00a0<em>ap\u00f2-ek-d\u00e9chomai<\/em>\u00a0[= fora de + desde + receber], usado 8 vezes no Novo Testamento, 6 das quais em Paulo (Romanos 8,19.23.25; 1 Cor\u00edntios 1,7; G\u00e1latas 5,5; Filipenses 3,20; ver tamb\u00e9m Hebreus 9,28; 1 Pedro 3,30), e desconhecido nos LXX, implica uma forte conota\u00e7\u00e3o de recep\u00e7\u00e3o, tens\u00e3o para receber a salva\u00e7\u00e3o de Deus \u2013 viver de (<em>ek<\/em>) receber e de se receber (<em>d\u00e9chomai<\/em>) de Deus (1 Cor\u00edntios 1,7), saindo de si (<em>ap\u00f3<\/em>) para se orientar completamente para Deus, tens\u00e3o para o dom, pois um dom n\u00e3o o podemos produzir com as nossas m\u00e3os; s\u00f3 o podemos receber de outras m\u00e3os. A esperan\u00e7a b\u00edblica e crist\u00e3 consiste na dupla atitude amante de estarmos sempre \u00e0 espera de Algu\u00e9m, e de sabermos bem que Algu\u00e9m espera por n\u00f3s. Espera, n\u00e3o vazia, mas gr\u00e1vida de realiza\u00e7\u00e3o e de confian\u00e7a: \u00abespera que cont\u00e9m a presen\u00e7a, pergunta que cont\u00e9m a resposta, esperan\u00e7a que cont\u00e9m o cumprimento\u00bb (Karl Barth).<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Is 55,10-11; Sl 65; Rm 8,18-23; Mt 13,1-23 \u00abSe o gr\u00e3o de trigo que cai na terra n\u00e3o morrer, fica [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":920925217,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[70],"class_list":["post-2773079175","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-liturgia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2773079175","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2773079175"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2773079175\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4294994908,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2773079175\/revisions\/4294994908"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media\/920925217"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2773079175"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2773079175"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2773079175"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}