{"id":2798361693,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/326-vaticano\/11529-roma-discurso-do-papa-no-festival-das-familias"},"modified":"2025-11-07T16:34:43","modified_gmt":"2025-11-07T16:34:43","slug":"roma-discurso-do-papa-no-festival-das-familias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/roma-discurso-do-papa-no-festival-das-familias\/","title":{"rendered":"Roma: Discurso do Papa no \u00abFestival das Fam\u00edlias\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/papa_familias_2022_220626034459.png\" \/><\/p>\n<p><p><em>Teve hoje in\u00edcio, em Roma, o X Encontro Mundial das Fam\u00edlias que conta com representantes de todo o mundo. Na presente edi\u00e7\u00e3o, que decorre em simult\u00e2neo no Vaticano e em todas as dioceses cat\u00f3licas do mundo, o Papa Francisco reafirmou o matrim\u00f3nio crist\u00e3o como &#8220;dom maravilhoso, que cont\u00e9m em si a for\u00e7a do amor divino&#8221; e desafiou os casais crist\u00e3os a &#8220;viver com os olhos voltados para o C\u00e9u&#8221;, na consci\u00eancia de que cada fam\u00edlia &#8220;tem uma miss\u00e3o a cumprir no mundo&#8221;<\/em><\/p>\n<p>Leia, na \u00edntegra, o dicurso do Papa na \u00abFesta das Fam\u00edlias\u00bb<\/p>\n<p>Queridas fam\u00edlias!<\/p>\n<p>Sinto-me feliz por estar aqui convosco, depois dos acontecimentos que transtornaram as nossas vidas nos \u00faltimos tempos: primeiro, a pandemia e, agora, a guerra na Europa, que veio juntar-se \u00e0s outras guerras que afligem a fam\u00edlia humana.<\/p>\n<p>Agrade\u00e7o ao Cardeal Farrell, ao Cardeal Donatis e a todos os colaboradores tanto do Dicast\u00e9rio para os Leigos, a Fam\u00edlia e a Vida como da Diocese de Roma, cuja dedica\u00e7\u00e3o tornou poss\u00edvel este encontro.<\/p>\n<p>Depois quero agradecer \u00e0s fam\u00edlias presentes, vindas de diversas partes do mundo, e de modo particular \u00e0quelas que nos deram o seu testemunho: Obrigado, de cora\u00e7\u00e3o! N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil falar a um p\u00fablico t\u00e3o amplo acerca da pr\u00f3pria vida, das dificuldades ou dos dons, maravilhosos mas \u00edntimos e pessoais, que recebestes do Senhor. Os vossos testemunhos serviram de \u00abamplificadores\u00bb: destes voz \u00e0 experi\u00eancia de tantas fam\u00edlias no mundo que, como v\u00f3s, vivem as mesmas alegrias e inquieta\u00e7\u00f5es, as mesmas tribula\u00e7\u00f5es e esperan\u00e7as.<\/p>\n<p>Por isso me dirijo, agora, quer a v\u00f3s aqui presentes quer aos esposos e fam\u00edlias que nos escutam em todo o mundo. Desejo fazer-vos sentir a minha proximidade justamente onde vos encontrais, na vossa condi\u00e7\u00e3o concreta de vida. E este \u00e9 precisamente o meu primeiro encorajamento: come\u00e7ai da vossa situa\u00e7\u00e3o real e, a partir desta, tentai caminhar juntos; juntos como esposos, juntos na vossa fam\u00edlia, juntos com as outras fam\u00edlias, juntos com a Igreja. Penso na par\u00e1bola do bom samaritano que encontra pela estrada um homem ferido:\u00a0<em>aproxima-se dele<\/em>, toma-o ao seu cuidado e ajuda-o a retomar o caminho. Queria que a Igreja fosse precisamente isto para v\u00f3s: um bom samaritano que se faz pr\u00f3ximo, se aproxima de v\u00f3s e vos ajuda a continuar o vosso caminho, vos ajuda a\u00a0<em>dar \u00abum passo mais\u00bb<\/em>, nem que seja pequeno. E n\u00e3o esque\u00e7ais que a proximidade \u00e9 o estilo de Deus: proximidade, compaix\u00e3o, ternura. Este \u00e9 o estilo de Deus. E o tal \u00abpasso mais\u00bb a dar juntos pode tomar v\u00e1rias dire\u00e7\u00f5es, que tento agora indicar-vos retomando os testemunhos que ouvimos.<\/p>\n<p>1.<em>\u00a0\u00abUm passo mais\u00bb rumo ao matrim\u00f3nio<\/em><\/p>\n<p>Agrade\u00e7o-vos, Luigi e Serena, por terdes contado com grande honestidade a vossa experi\u00eancia, com as suas dificuldades e aspira\u00e7\u00f5es. Penso que \u00e9 doloroso para todos aquilo que contastes: \u00abN\u00e3o conseguimos encontrar uma comunidade que, de bra\u00e7os abertos, nos apoiasse assim como somos\u00bb. Isto \u00e9 penoso; deve fazer-nos refletir. Temos de nos converter e caminhar como Igreja acolhedora, para que as nossas dioceses e par\u00f3quias se tornem cada vez mais \u00abcomunidades que, de bra\u00e7os abertos, apoiem a todos\u00bb. H\u00e1 tanta necessidade disso, nesta cultura da indiferen\u00e7a! Providencialmente, v\u00f3s encontrastes apoio noutras fam\u00edlias, que, na realidade, s\u00e3o Igrejas em miniatura.<\/p>\n<p>Entretanto veio-me consolar a explica\u00e7\u00e3o do motivo que vos levou a batizar os vossos filhos. Dissestes uma frase muito linda: \u00abAinda que empreg\u00e1ssemos os mais nobres esfor\u00e7os humanos, n\u00e3o nos bastar\u00edamos a n\u00f3s mesmos\u00bb. \u00c9 verdade! Podemos ter os mais belos sonhos, os mais elevados ideais, mas no fim embatemos tamb\u00e9m nos nossos limites \u2013 revela sabedoria conhecer os pr\u00f3prios limites \u2013, limites que n\u00e3o superamos sozinhos, mas abrindo-nos ao Pai, ao seu amor, \u00e0 sua gra\u00e7a. Este \u00e9 o significado dos sacramentos do Batismo e do Matrim\u00f3nio: s\u00e3o a ajuda concreta que Deus nos d\u00e1 para n\u00e3o nos deixar sozinhos, porque \u00abn\u00e3o nos bastar\u00edamos a n\u00f3s mesmos\u00bb. Fez-me muito bem ouvir esta frase: \u00abn\u00e3o nos bastar\u00edamos a n\u00f3s mesmos\u00bb.<\/p>\n<p>Podemos dizer que, quando um homem e uma mulher se apaixonam, Deus oferece-lhes um presente: o matrim\u00f3nio. Um dom maravilhoso, que cont\u00e9m em si a for\u00e7a do amor divino: forte, duradouro, fiel, capaz de se restabelecer depois de qualquer fracasso ou fragilidade. O matrim\u00f3nio n\u00e3o \u00e9 uma formalidade a ser cumprida. N\u00e3o vos casais para ser cat\u00f3licos \u00abcom a etiqueta\u00bb, para obedecer a uma regra ou porque a Igreja assim o diz ou ent\u00e3o para fazer uma festa. N\u00e3o! Casais-vos,\u00a0<em>porque quereis fundar o matrim\u00f3nio no amor de Cristo<\/em>, que \u00e9 firme como uma rocha. No matrim\u00f3nio, Cristo d\u00e1-Se a v\u00f3s para terdes a for\u00e7a de vos dar um ao outro. Por isso, coragem! A vida familiar n\u00e3o \u00e9 uma miss\u00e3o imposs\u00edvel. Com a gra\u00e7a do sacramento, Deus torna-a uma viagem maravilhosa que se h\u00e1 de fazer juntamente com Ele; nunca sozinhos. A fam\u00edlia n\u00e3o \u00e9 um ideal, belo mas na realidade inating\u00edvel. Deus garante a sua presen\u00e7a no matrim\u00f3nio e na fam\u00edlia, n\u00e3o s\u00f3 no dia do casamento, mas ao longo da vida inteira. Apoia-vos todos os dias no vosso caminho.<\/p>\n<p>2.\u00a0<em>\u00abUm passo mais\u00bb para abra\u00e7ar a cruz.<\/em><\/p>\n<p>Agrade\u00e7o-vos, Roberto e Maria Anselma, por nos terdes contado a hist\u00f3ria comovente da vossa fam\u00edlia, particularmente de Chiara. Falastes-nos da cruz, que faz parte da vida de cada pessoa e de cada fam\u00edlia. E destes testemunho de que a dura cruz da doen\u00e7a e da morte de Chiara n\u00e3o destruiu a fam\u00edlia nem eliminou a serenidade e a paz dos vossos cora\u00e7\u00f5es. Isto mesmo \u00e9 vis\u00edvel tamb\u00e9m nos vossos olhos. N\u00e3o sois pessoas abatidas, desesperadas e zangadas com a vida. Pelo contr\u00e1rio! De v\u00f3s transparece uma grande serenidade e uma grande f\u00e9. Dissestes: \u00abA serenidade de Chiara abriu-nos uma janela para a eternidade\u00bb. Ver como ela viveu a prova da doen\u00e7a ajudou-vos a levantar o olhar, n\u00e3o ficando prisioneiros da tribula\u00e7\u00e3o, mas abrindo-vos para algo maior: os des\u00edgnios misteriosos de Deus, a eternidade, o C\u00e9u. Obrigado por este testemunho de f\u00e9! Citastes tamb\u00e9m esta frase que Chiara dizia: \u00abDeus coloca a verdade em cada um de n\u00f3s, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel retorc\u00ea-la\u00bb. No cora\u00e7\u00e3o de Chiara, Deus colocou a verdade duma vida santa e, por isso, quis salvar a vida do seu filho \u00e0 custa da pr\u00f3pria vida. E como esposa, ao lado do marido, percorreu o caminho do Evangelho da fam\u00edlia de forma simples e espont\u00e2nea. No cora\u00e7\u00e3o de Chiara, entrou tamb\u00e9m a verdade da cruz como dom de si mesma: uma vida doada \u00e0 sua fam\u00edlia, \u00e0 Igreja, ao mundo inteiro. Precisamos sempre de ter diante dos olhos grandes exemplos: sirva-nos Chiara de inspira\u00e7\u00e3o no nosso caminho de santidade, e que o Senhor sustente e torne fecundas as variadas cruzes que as fam\u00edlias carregam.<\/p>\n<p>3.\u00a0<em>\u00abUm passo mais\u00bb rumo ao perd\u00e3o<\/em><\/p>\n<p>Paul e Germaine, tivestes a coragem de contar a crise que vivestes no vosso matrim\u00f3nio. Agrade\u00e7o-vos por isso. Com efeito, h\u00e1 crises em todo o casamento: h\u00e1 que o reconhecer, devemos faz\u00ea-lo saber e procurar o caminho para as resolver. E n\u00e3o procurastes suavizar a realidade; mas chamastes pelo nome a todas as causas da crise: a falta de sinceridade, a infidelidade, o mau uso do dinheiro, os \u00eddolos do poder e da carreira, o rancor crescente e o endurecimento do cora\u00e7\u00e3o. Acho que, enquanto fal\u00e1veis, todos revivemos a dolorosa experi\u00eancia sentida perante situa\u00e7\u00f5es semelhantes de fam\u00edlias divididas. Ver a fam\u00edlia desagregar-se \u00e9 um drama que n\u00e3o nos pode deixar indiferentes. O sorriso dos esposos desaparece, os filhos sentem-se perdidos, de todos desaparece a serenidade. E, na maioria dos casos, n\u00e3o se sabe o que fazer.<\/p>\n<p>Por isso, a vossa hist\u00f3ria transmite esperan\u00e7a. Paul disse que, justamente no momento mais escuro da crise, o Senhor respondeu ao desejo mais profundo do seu cora\u00e7\u00e3o e salvou o seu casamento. \u00c9 mesmo assim. O desejo que existe no fundo do cora\u00e7\u00e3o de cada um \u00e9 que o amor n\u00e3o acabe, que a hist\u00f3ria constru\u00edda juntamente com a pessoa amada n\u00e3o se interrompa, que os frutos nela gerados n\u00e3o se percam. Todos t\u00eam este desejo. Ningu\u00e9m quer um amor de \u00abcurto prazo\u00bb ou com \u00abprazo estabelecido\u00bb. E por isso sofre-se tanto, quando as falhas, as neglig\u00eancias e os pecados humanos fazem naufragar um casamento. Entretanto, mesmo no meio da tempestade, Deus v\u00ea o que se passa no cora\u00e7\u00e3o. Providencialmente, v\u00f3s encontrastes um grupo de leigos que se dedica precisamente \u00e0s fam\u00edlias. A\u00ed come\u00e7ou um caminho de reaproxima\u00e7\u00e3o e cura da vossa rela\u00e7\u00e3o. Voltastes a falar entre v\u00f3s, a abrir-vos com sinceridade, a reconhecer as culpas, a rezar juntamente com outros casais, e tudo isso levou \u00e0 reconcilia\u00e7\u00e3o e ao perd\u00e3o.<\/p>\n<p>O perd\u00e3o, irm\u00e3os e irm\u00e3s, o perd\u00e3o cura todas as feridas; o perd\u00e3o \u00e9 um dom que brota da gra\u00e7a com a qual Cristo inunda o casal e a fam\u00edlia inteira, quando se deixa Ele agir, quando se volta para Ele. Foi muito bom terdes celebrado a vossa \u00abfesta do perd\u00e3o\u00bb, com os vossos filhos, renovando as promessas matrimoniais na Celebra\u00e7\u00e3o Eucar\u00edstica. Isto traz-me ao pensamento a festa que o pai organiza para o filho pr\u00f3digo na par\u00e1bola de Jesus (cf.\u00a0<em>Lc<\/em>\u00a015, 20-24). S\u00f3 que desta vez foram os pais que se extraviaram, n\u00e3o o filho! Os \u00abpais pr\u00f3digos\u00bb. Mas tamb\u00e9m isto \u00e9 bom, revelando-se um grande testemunho para os filhos. Com efeito eles, ultrapassada a inf\u00e2ncia, apercebem-se de que os pais n\u00e3o s\u00e3o \u00absuper-her\u00f3is\u00bb, n\u00e3o s\u00e3o omnipotentes e sobretudo n\u00e3o s\u00e3o perfeitos. Os vossos filhos viram em v\u00f3s algo muito mais importante: viram a humildade de pedir mutuamente perd\u00e3o e a for\u00e7a que recebestes do Senhor para vos levantar da queda. E os filhos t\u00eam verdadeiramente necessidade disto! De facto, tamb\u00e9m eles cometer\u00e3o erros na vida e descobrir\u00e3o que n\u00e3o s\u00e3o perfeitos; ent\u00e3o lembrar-se-\u00e3o que o Senhor nos levanta, que todos somos pecadores perdoados, que devemos pedir perd\u00e3o aos outros e por nossa vez deveremos tamb\u00e9m n\u00f3s perdoar. Esta li\u00e7\u00e3o que de v\u00f3s receberam permanecer\u00e1 no seu cora\u00e7\u00e3o para sempre. E, a n\u00f3s, tamb\u00e9m nos fez bem ouvir-vos: obrigado por este testemunho de perd\u00e3o! Muito obrigado!<\/p>\n<p>4.\u00a0<em>\u00abUm passo mais\u00bb rumo ao acolhimento<\/em><\/p>\n<p>Agrade\u00e7o-vos, Iryna e Sofia, pelo vosso testemunho. Destes voz a muitas pessoas, cuja vida foi transtornada pela guerra na Ucr\u00e2nia. Em v\u00f3s, vemos os rostos e as hist\u00f3rias de tantos homens e mulheres que tiveram de fugir da sua terra. Obrigado por n\u00e3o terdes perdido a f\u00e9 na Provid\u00eancia, vendo como Deus atua em vosso favor inclusivamente atrav\u00e9s das pessoas concretas que vos fez encontrar: fam\u00edlias hospitaleiras, m\u00e9dicos que vos ajudaram e tantas pessoas de bom cora\u00e7\u00e3o. A guerra confrontou-vos com o cinismo e a brutalidade humana, mas encontrastes tamb\u00e9m pessoas de grande humanidade.\u00a0<em>O pior e o melhor do ser humano!<\/em>\u00a0\u00c9 importante, para todos, n\u00e3o permanecer fixados no pior, mas valorizar o melhor, o bem imenso de que \u00e9 capaz todo ser humano e, a partir da\u00ed, recome\u00e7ar&#8230;<\/p>\n<p>Agrade\u00e7o tamb\u00e9m a v\u00f3s, Pietro e Erika, por terdes narrado a vossa hist\u00f3ria e pela generosidade com que acolhestes Iryna e Sofia no seio da vossa j\u00e1 numerosa fam\u00edlia. Confidenciastes-nos t\u00ea-lo feito por gratid\u00e3o a Deus e com esp\u00edrito de f\u00e9, como um apelo do Senhor. Erika disse que o acolhimento foi uma \u00abb\u00ean\u00e7\u00e3o do C\u00e9u\u00bb. De facto, o acolhimento \u00e9 precisamente um \u00abcarisma\u00bb das fam\u00edlias, sobretudo das numerosas! Pensa-se que, numa casa onde j\u00e1 est\u00e3o muitos, seja mais dif\u00edcil acolher outros; mas na realidade n\u00e3o \u00e9 assim, porque as fam\u00edlias com muitos filhos est\u00e3o treinadas para dar espa\u00e7o aos outros. Conseguem sempre encontrar espa\u00e7o para os outros.<\/p>\n<p>E esta, no fim de contas, \u00e9 a din\u00e2mica pr\u00f3pria da fam\u00edlia. Na fam\u00edlia, vive-se uma din\u00e2mica de acolhimento, porque antes de mais nada os esposos acolheram-se mutuamente, como disseram um ao outro no dia do casamento: \u00abEu \u2026 recebo-te a ti \u2026\u00bb. E depois, ao trazer os filhos ao mundo, acolheram a vida de novas criaturas. E enquanto, nos contextos an\u00f3nimos, quem \u00e9 mais fr\u00e1gil acaba frequentemente rejeitado, j\u00e1 nas fam\u00edlias \u00e9 natural acolh\u00ea-lo: um filho portador duma defici\u00eancia, uma pessoa idosa necessitada de cuidados, um parente em dificuldade que n\u00e3o tem ningu\u00e9m&#8230; E isto d\u00e1 esperan\u00e7a. As fam\u00edlias s\u00e3o lugares de acolhimento, e ai de n\u00f3s se deixassem de existir! Ai de n\u00f3s! Sem fam\u00edlias acolhedoras, a sociedade tornar-se-ia fria e inabit\u00e1vel. Estas fam\u00edlias acolhedoras e generosas s\u00e3o de certo modo o calor da sociedade.<\/p>\n<p>5.\u00a0<em>\u00abUm passo mais\u00bb rumo \u00e0 fraternidade<\/em><\/p>\n<p>Agrade\u00e7o-te, Zakia, por nos teres contado a tua hist\u00f3ria. \u00c9 maravilhoso e consolador ver que continua vivo aquilo que constru\u00edstes juntos, tu e Luca. A vossa hist\u00f3ria nasceu e assentou na partilha de ideais muito altos, que tu assim descreveste: \u00abBaseamos a nossa fam\u00edlia no amor aut\u00eantico, com respeito, solidariedade e di\u00e1logo entre as nossas culturas\u00bb. E nada disto se perdeu, nem mesmo depois da tr\u00e1gica morte de Luca. De facto, n\u00e3o s\u00f3 permanecem vivos e interpelam a consci\u00eancia de muitos o exemplo e a heran\u00e7a espiritual de Luca, mas a pr\u00f3pria organiza\u00e7\u00e3o que Zakia fundou de certo modo continua a sua miss\u00e3o. Mais, podemos dizer que a miss\u00e3o diplom\u00e1tica de Luca agora tornou-se uma \u00abmiss\u00e3o de paz\u00bb de toda a fam\u00edlia. V\u00ea-se bem, na vossa hist\u00f3ria, como se podem entrela\u00e7ar aquilo que \u00e9 humano e aquilo que \u00e9 religi\u00e3o, dando \u00f3timos frutos. Em Zakia e Luca, encontramos a beleza do amor humano, a paix\u00e3o pela vida, o altru\u00edsmo e tamb\u00e9m a fidelidade ao pr\u00f3prio credo e \u00e0 pr\u00f3pria tradi\u00e7\u00e3o religiosa, fonte de inspira\u00e7\u00e3o e de for\u00e7a interior.<\/p>\n<p>Na vossa fam\u00edlia, expressa-se o ideal da fraternidade. Al\u00e9m de serdes marido e mulher, vivestes como irm\u00e3os na humanidade, como irm\u00e3os nas v\u00e1rias experi\u00eancias religiosas, como irm\u00e3os no compromisso social. Tamb\u00e9m esta \u00e9 uma escola que se aprende em fam\u00edlia. Vivendo juntos com quem \u00e9 diverso de mim, na fam\u00edlia aprende-se a ser irm\u00e3os e irm\u00e3s. Aprende-se a superar divis\u00f5es, preconceitos, fechamentos e a construir juntos algo grande e belo a partir daquilo que temos em comum. Exemplos vivos de fraternidade, como o de Luca e Zakia, d\u00e3o-nos esperan\u00e7a e fazem-nos olhar com mais confian\u00e7a para o nosso mundo dilacerado por divis\u00f5es e inimizades. Obrigado por este exemplo de fraternidade! E n\u00e3o quero terminar esta lembran\u00e7a de ambos, tu e Luca, sem mencionar a tua m\u00e3e. A tua m\u00e3e que est\u00e1 aqui e sempre te acompanhou no teu percurso: aqui vemos o bem que as sogras fazem numa fam\u00edlia: as boas sogras, as boas m\u00e3es! Agrade\u00e7o-lhe por ter vindo hoje contigo.<\/p>\n<p>Queridos amigos, cada uma das vossas fam\u00edlias tem uma miss\u00e3o a cumprir no mundo, um testemunho a dar. De modo particular n\u00f3s, os batizados, somos chamados a ser \u00abuma mensagem que o Esp\u00edrito Santo extrai da riqueza de Jesus Cristo e d\u00e1 ao seu povo\u00bb (Francisco, Exort. ap.\u00a0<em><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#A_tua_miss%C3%A3o_em_Cristo\">Gaudete et exsultate<\/a><\/em>, 21). Por isso proponho-vos que ponhais a v\u00f3s mesmos esta pergunta: Qual \u00e9 a palavra que o Senhor quer dizer, com a nossa vida, \u00e0s pessoas que encontramos? Qual \u00abpasso mais\u00bb pede hoje \u00e0 nossa fam\u00edlia? Melhor: \u00e0 minha fam\u00edlia, pois cada um se deve interrogar sobre isto. Colocai-vos \u00e0 escuta. Deixai-vos transformar por Ele, para que tamb\u00e9m v\u00f3s possais transformar o mundo e torn\u00e1-lo \u00abcasa\u00bb para quem tem necessidade de ser acolhido, para quem precisa de encontrar Cristo e sentir-se amado. Devemos viver com os olhos voltados para o C\u00e9u; como diziam os Beatos Maria e Luigi Beltrame Quattrocchi aos seus filhos, ao enfrentar as canseiras e as alegrias da vida, \u00abolhemos sempre do telhado para cima\u00bb.<\/p>\n<p>Obrigado por terdes vindo aqui. Agrade\u00e7o-vos pelo empenho com que levais por diante as vossas fam\u00edlias. Avante! Com coragem, com alegria\u2026 E, por favor, n\u00e3o vos esque\u00e7ais de rezar por mim.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o Educris a partir do original em italiano<\/p>\n<p>Imagem: Vatican Media<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Teve hoje in\u00edcio, em Roma, o X Encontro Mundial das Fam\u00edlias que conta com representantes de todo o mundo. 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