{"id":2801245136,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/13061-solenidade-da-santissima-trindade"},"modified":"2025-11-07T16:34:00","modified_gmt":"2025-11-07T16:34:00","slug":"solenidade-da-santissima-trindade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/solenidade-da-santissima-trindade\/","title":{"rendered":"Solenidade da Sant\u00edssima Trindade"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031_160503044443.jpg\" \/><\/p>\n<p><p data-adtags-visited=\"true\">Dt 4,32-34.39-40; Sl 33; Rm 8,14-17; Mt 28,16-20<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">1. A Igreja Una e Santa celebra hoje a Solenidade da Sant\u00edssima Trindade, Pai e Filho e Esp\u00edrito Santo, Vida da nossa vida. A ora\u00e7\u00e3o e a b\u00ean\u00e7\u00e3o \u00abem Nome do Pai e do Filho e do Esp\u00edrito Santo\u00bb pressup\u00f5em o an\u00fancio de Deus, que \u00e9 Pai, Filho e Esp\u00edrito Santo, bem como a f\u00e9 nesse Deus. O Nome de Deus \u00e9 posto em rela\u00e7\u00e3o com o conhecimento que temos dele. Deus manifesta o seu Nome, para que possamos conhec\u00ea-lo, para que nos possamos dirigir a ele e entrar em rela\u00e7\u00e3o com ele. Jesus deu-nos a conhecer Deus como Pai, Filho e Esp\u00edrito Santo, e \u00e9 este o n\u00facleo mais profundo da sua mensagem. Na verdade, Jesus d\u00e1-nos a conhecer Deus de uma forma n\u00e3o acess\u00edvel antes dele. O Antigo Testamento conhecia o Deus Criador do c\u00e9u e da terra, que tem diante de si apenas criaturas, infinitamente diferentes dele, e em que n\u00e3o se entrev\u00ea nenhum digno interlocutor de Deus. No plano divino, este Deus parece estar sozinho consigo mesmo habitando uma sublime solid\u00e3o. Mas Jesus anuncia e manifesta um Deus que, no plano divino, tem um interlocutor de pleno valor: o Deus de Jesus n\u00e3o est\u00e1 sozinho, mas vive em comunh\u00e3o. Diante do Pai est\u00e1 o Filho, ambos unidos entre si, conhecem-se, compreendem-se e amam-se reciprocamente na plenitude e perfei\u00e7\u00e3o divinas, por meio do Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">2. Dando um passo em frente, v\u00ea-se ent\u00e3o que o Deus de Jesus, enquanto d\u00e1diva suprema fundante, princ\u00edpio da doa\u00e7\u00e3o, \u00e9 o Pai. Mas a d\u00e1diva suprema do Pai, infinita riqueza, constitui o Filho, termo da doa\u00e7\u00e3o, infinita pobreza, que tudo recebe. Mas, ao receber tudo, infinita rece\u00e7\u00e3o, o Filho volta a dar tudo numa infinita doa\u00e7\u00e3o sem defesa e sem limites. Dizer que Deus \u00e9 tamb\u00e9m Filho parece escandaloso. Mas \u00e9, ao inv\u00e9s, maravilhoso: o facto de Deus se revelar, n\u00e3o apenas como Pai que d\u00e1 a vida, mas tamb\u00e9m como Filho que a recebe e acolhe, e a vem partilhar connosco, abre imensas e preciosas perspetivas para a nossa vida humana e espiritual. Levantando uma vez mais o olhar para Deus, Pai que se d\u00e1 e Filho que se recebe, verificamos ent\u00e3o que esta comunh\u00e3o-comunica\u00e7\u00e3o-vida-amor de si-a-si, circular, vertiginosa, tranquila e imperec\u00edvel, constitui o Esp\u00edrito Santo, a Pessoa-Dom incriado, para o dizer com a bela express\u00e3o de S. Jo\u00e3o Paulo II na Carta Enc\u00edclica\u00a0<em>Dominum et vivificantem<\/em>\u00a0[1986]. E, no Encontro que realizou com os Bispos de Portugal em F\u00e1tima [2010], Bento XVI lembrou e advertiu que \u00abos Pastores n\u00e3o s\u00e3o apenas pessoas que ocupam um cargo\u00bb, mas \u00abs\u00e3o respons\u00e1veis pela abertura da Igreja \u00e0 a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo\u00bb, que continua a suscitar e a animar novos movimentos, novas formas eclesiais, novos m\u00e9todos e novos rumos, nova primavera no \u00abinverno da Igreja\u00bb, quantas vezes surpreendendo e pondo em causa a excessiva confian\u00e7a que pusemos nas nossas estruturas e programa\u00e7\u00f5es, distribui\u00e7\u00e3o de poderes e fun\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">3. O Evangelho deste grande Dia da Sant\u00edssima Trindade \u00e9 Mateus 28,16-20: \u00faltima p\u00e1gina do Evangelho de Mateus, que encerra o Evangelho de Mateus, que o condensa e analepticamente o resume, e abre aos Disc\u00edpulos e Irm\u00e3os do Ressuscitado novos e insuspeitados horizontes de Evangeliza\u00e7\u00e3o. Como temos feito em outras ocasi\u00f5es, tamb\u00e9m hoje vale a pena abrir o precioso texto diante dos nossos olhos:<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\"><em>\u00abEnt\u00e3o os Onze Disc\u00edpulos partiram para a Galileia, para o monte que lhes tinha ordenado Jesus. E vendo-o, adoraram-no; alguns deles, por\u00e9m, duvidaram. E aproximando-se, Jesus falou-lhes, dizendo: \u201cFoi-me dada toda a autoridade no c\u00e9u e na terra. Indo, pois, fazei disc\u00edpulos de todas as na\u00e7\u00f5es, batizando-os no Nome do Pai e do Filho e do Esp\u00edrito Santo, ensinando-os a observar todas as coisas que vos ordenei. E eis que Eu convosco Sou todos os dias at\u00e9 ao fim do mundo\u201d\u00bb\u00a0<\/em>(Mateus 28,16-20).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">4. Algumas notas surpreendentes enchem a p\u00e1gina, o p\u00e1tio, o \u00e1trio sempre entreaberto do Evangelho para o mundo: 1) A manifesta\u00e7\u00e3o de Jesus Ressuscitado acontece na Galileia das na\u00e7\u00f5es, aberta ao mundo, e n\u00e3o na Judeia religiosamente severa e fechada. 2) A manifesta\u00e7\u00e3o tem lugar sobre um monte, e n\u00e3o sobre as nuvens, como seria expect\u00e1vel (Mateus 24,30; 26,64; cf. Daniel 7,13). 3) N\u00e3o se fala de julgamento e condena\u00e7\u00e3o dos maus, mas do envio dos Disc\u00edpulos a batizar e ensinar\u00a0<em>todas<\/em>\u00a0as na\u00e7\u00f5es: o Reino dos C\u00e9us \u00e9 inaugurado com a evangeliza\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o com a condena\u00e7\u00e3o. J\u00e1 Jo\u00e3o Batista tinha sido surpreendido com um Jesus sem machado e sem p\u00e1 de joeirar (Mateus 3,1-12). 4) A autoridade soberana e nova de Jesus est\u00e1 assente, n\u00e3o na dist\u00e2ncia, mas na proximidade e familiaridade. 5) A miss\u00e3o universal \u00e9 confiada a uma Igreja discipular, toda reunida \u00e0 volta de um \u00fanico Mestre e Senhor. 6) S\u00f3 nesta p\u00e1gina \u00e9 dito que os Disc\u00edpulos devem, por sua vez, ensinar, n\u00e3o se tornando, todavia, Mestres, mas permanecendo Disc\u00edpulos. 7) N\u00e3o ensinam, por isso, nada de pr\u00f3prio nem por conta pr\u00f3pria, mas apenas e s\u00f3 \u00abtudo o que Ele ordenou\u00bb, como Jesus, o Filho, que s\u00f3 diz o que ouviu dizer (Jo\u00e3o 7,16-17; 8,26.38.40; 14,24; 17,8) e s\u00f3 faz o que viu fazer (Jo\u00e3o 5,19; 17,4), e como o Esp\u00edrito Santo, que n\u00e3o falar\u00e1 de si mesmo, mas apenas o que tiver ouvido (Jo\u00e3o 16,13). 8) A Presen\u00e7a nova e permanente [= \u00abtodos os dias\u00bb] do Ressuscitado na comunidade discipular. 9) Este \u00e9 o tempo novo e cheio, pleno, plenificado, a transbordar de plenitude e universalidade. Da\u00ed, a repeti\u00e7\u00e3o por quatro vezes do adjetivo\u00a0<em>todo<\/em>\u00a0(grego\u00a0<em>p\u00e3s<\/em>): foi-me dada\u00a0<em>toda<\/em>\u00a0a autoridade, fazei disc\u00edpulos de\u00a0<em>todas<\/em>\u00a0as na\u00e7\u00f5es, ensinando-os a observar\u00a0<em>todas<\/em>\u00a0as coisas, convosco sou\u00a0<em>todos<\/em>\u00a0os dias.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">5. A soberania nova, pr\u00f3xima e familiar de Jesus, \u00e9 j\u00e1 preparada pela cena anterior em que o anjo reorienta os passos das mulheres do t\u00famulo para a Galileia, dizendo-lhes: \u00abIndo\u00a0<em>depressa<\/em>\u00a0(<em>tach\u00fd<\/em>), dizei\u00a0<em>aos seus disc\u00edpulos<\/em>\u00a0que Ele ressuscitou dos mortos e vos precede (<em>pro\u00e1gei hym\u00e2s<\/em>) na Galileia\u00bb (Mateus 28,7). De forma grandemente significativa, o pr\u00f3prio Jesus surpreende as mulheres no caminho, e reformula assim o dizer do anjo: \u00abIde e anunciai\u00a0<em>aos meus irm\u00e3os<\/em>\u00a0que partam para a Galileia, e l\u00e1 me ver\u00e3o\u00bb (Mateus 28,10). A\u00ed est\u00e1 a nascer a nova e indestrut\u00edvel familiaridade:\u00a0<em>meus irm\u00e3os<\/em>, diz Jesus, o Ressuscitado, apontando para n\u00f3s e envolvendo-nos num imenso abra\u00e7o fraternal. E chegados \u00e0 Galileia, de acordo com o dizer de Jesus, e ao monte indicado por Jesus (Mateus 28,16), \u00e9 ainda Jesus que toma a dianteira e se aproxima deles e de n\u00f3s (Mateus 28,18). \u00c9 sempre d\u2019Ele a iniciativa. O monte lembra e re\u00fane em analepse todos os montes que atravessam a inteira Escritura Santa o Evangelho de Mateus: o monte da Alian\u00e7a e dos Mandamentos (\u00caxodo 19-24), o monte do Banquete Divino (Isa\u00edas 25,6-12), o monte da tenta\u00e7\u00e3o (Mateus 4,8), o das bem-aventuran\u00e7as (Mateus 5,1), o da ora\u00e7\u00e3o (Mateus 14,23), o das curas (Mateus 15,29-31) e o da Transfigura\u00e7\u00e3o (Mateus 17,1), em que \u00e9 sempre Ele que abra\u00e7a e abre caminhos novos \u00e0 nossa fr\u00e1gil humanidade.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">6. Aquele \u00abIndo, fazei disc\u00edpulos (<em>math\u00eate\u00fasate<\/em>) de\u00a0<em>todas<\/em>\u00a0as na\u00e7\u00f5es\u00bb (Mateus 28,19), \u00e9 a miss\u00e3o sem fim que \u00e9 colocada diante dos nossos olhos, pois todas as na\u00e7\u00f5es s\u00e3o todos os cora\u00e7\u00f5es. E \u00abIndo\u00bb \u00e9 n\u00e3o ficar\u00a0<em>aqui<\/em>\u00a0ou\u00a0<em>ali<\/em>\u00a0\u00e0 espera. Implica mudan\u00e7a\u00a0<em>de lugar<\/em>\u00a0e\u00a0<em>de modo<\/em>: n\u00e3o ficar aqui ou ali e n\u00e3o ficar assim, preparando j\u00e1 as palavras inteiras de S. Jo\u00e3o Paulo II na prepara\u00e7\u00e3o do Grande Jubileu do ano 2000, e que Bento XVI evocou em 2005: \u00abPar\u00f3quia, procura-te a ti mesma e encontra-te a ti mesma fora de ti mesma\u00bb. E o Papa Francisco n\u00e3o se cansa de repetir que \u00abh\u00e1 duas imagens de Igreja: a Igreja evangelizadora, que sai de si mesma, e a Igreja mundana e autorreferencial, que vive em si mesma, de si mesma e para si mesma\u00bb. \u00c9 a estrada sem medida de Abra\u00e3o que se abre \u00e0 nossa frente. E se medida tem \u00e9 a medida sem medida da elei\u00e7\u00e3o, da b\u00ean\u00e7\u00e3o e da miss\u00e3o. Mas n\u00e3o estamos sozinhos nessa estrada. Ele est\u00e1 connosco\u00a0<em>todos<\/em>\u00a0os dias. Aquele \u00abIndo\u00bb (<em>poreuth\u00e9ntes<\/em>), partic\u00edpio aoristo, implica, pois, a nossa participa\u00e7\u00e3o di\u00e1ria n\u2019Ele e na miss\u00e3o d\u2019Ele. O seu Nome, a sua identidade, \u00e9 estar connosco. \u00c9 assim a terminar o Evangelho: \u00abEu convosco Sou todos os dias at\u00e9 ao fim dos tempos\u00bb (Mateus 28,20). Note-se a intensidade e a beleza da sandu\u00edche: \u00abEu [convosco] Sou\u00bb (<em>Eg\u00f4 [meth\u2019 hym\u00f4n] eimi<\/em>). \u00c9 assim tamb\u00e9m a abrir o Evangelho: \u00abEis que a Virgem conceber\u00e1 e dar\u00e1 \u00e0 luz um Filho, e cham\u00e1-lo-\u00e3o (<em>kal\u00e9sousin<\/em>) Emanuel, que se traduz: \u201cconnosco Deus\u201d\u00bb (Mateus 1,23). \u00abConnosco\u00bb a abrir. \u00abConnosco\u00bb a fechar. Ent\u00e3o \u00e9 assim todo o Evangelho, como indica a figura da inclus\u00e3o liter\u00e1ria. Mas a inclus\u00e3o liter\u00e1ria em paralelismo ou em confronto vai ainda da Galileia para onde se dirige Jesus (Mateus 4,12-17) \u00e0 Galileia para onde se dirigem os Disc\u00edpulos (Mateus 28,16), da vis\u00e3o do Menino pelos Magos (Mateus 2,11) \u00e0 vis\u00e3o do Ressuscitado pelos Disc\u00edpulos (Mateus 28,17), da adora\u00e7\u00e3o do Menino pelos Magos (Mateus 2,2.11) \u00e0 adora\u00e7\u00e3o do Ressuscitado pelos Disc\u00edpulos (Mateus 28,17), do (algum) poder deste mundo prometido pelo diabo a Jesus (Mateus 4,9) ao (todo) poder sobre o c\u00e9u e a terra dado por Deus ao Ressuscitado (Mateus 28,18). Sim, o Senhor sempre no meio de n\u00f3s, Deus sempre connosco. N\u00e3o apenas com alguns. Mas com todos. Note-se a aus\u00eancia do julgamento que excluiria os maus, e como o narrador, que est\u00e1 a citar Isa\u00edas 7,14, atualizou para o plural a forma verbal: de cham\u00e1-lo-\u00e1s (<em>kal\u00e9seis<\/em>) para cham\u00e1-lo-\u00e3o (<em>kal\u00e9sousin<\/em>): da \u00abvirgem-m\u00e3e\u00bb de Isa\u00edas 7,14 para \u00abtodos os povos\u00bb de Mateus 1,23).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">7. E aquele \u00abensinando\u00bb (<em>did\u00e1skontes<\/em>) discipular, e n\u00e3o magistral, apela mais \u00e0 nossa fidelidade do que \u00e0 nossa autoridade, iniciativa e capacidade. De resto, para evitar d\u00favidas e deixar tudo claro, l\u00e1 est\u00e1 bem expresso o conte\u00fado deste ensinamento novo: \u00ab<em>tudo<\/em>\u00a0o que Eu vos ordenei\u00bb (Mateus 28,20). \u00c9 s\u00f3 permanecendo Disc\u00edpulos fi\u00e9is que se pode ensinar. Disc\u00edpulo define o estilo de vida de quem segue com fidelidade o Senhor que nos preside e nos precede sempre (Mateus 28,7). Portanto, \u00abV\u00f3s, n\u00e3o vos fa\u00e7ais chamar por\u00a0<em>Rabb\u00ee<\/em>\u00a0[literalmente \u00abmeu maior\u00bb], pois um s\u00f3 \u00e9 o vosso Mestre (<em>did\u00e1skalos<\/em>), e v\u00f3s sois todos irm\u00e3os\u00bb (Mateus 23,8). Irm\u00e3os e pequeninos. Tornemo-nos, pois, imitadores de Paulo, por sua vez imitador de Cristo (1 Cor\u00edntios 11,1), que se atreve a confessar: \u00abTorn\u00e1mo-nos crian\u00e7as (<em>n\u00eapioi<\/em>) no meio de v\u00f3s, como uma m\u00e3e (<em>troph\u00f3s<\/em>) que acalenta (<em>th\u00e1lp\u00ea<\/em>) os pr\u00f3prios filhos (<em>heaut\u00eas t\u00e9kna<\/em>) (1 Tessalonicenses 2,7); \u00abfiz-me escravo de todos\u00bb; \u00abfiz-me tudo para todos\u00bb; \u00abtudo fa\u00e7o por causa do Evangelho\u00bb (1 Cor\u00edntios 9,19.22.23). Disse bem S. Jo\u00e3o Paulo II: \u00abQuem verdadeiramente encontrou Cristo, n\u00e3o pode guard\u00e1-l\u2019O para si; tem de O anunciar\u00bb (<em>Novo Millennio Ineunte<\/em>\u00a0[2001], n.\u00ba 40). E, se porventura O vier a perder, tem de ir rapidamente \u00e0 procura d\u2019Ele, como Maria e Jos\u00e9 no epis\u00f3dio narrado em Lucas 2,41-50, pois \u00e9 Ele que as pessoas nos pedem, como ficou bem claro no Evangelho de Jo\u00e3o 12,21: \u00abN\u00f3s queremos ver Jesus!\u00bb.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">8. Atente-se tamb\u00e9m neste discurso em dois tempos de Mois\u00e9s no Livro do Deuteron\u00f3mio (4,32-40), salientando a iniciativa gratuita de Deus e exortando-nos \u00e0 verdadeira Sabedoria b\u00edblica: SABE HOJE! N\u00e3o se trata de um saber assente naquilo que fizemos, fazemos ou faremos, centrado em n\u00f3s, a partir de n\u00f3s, mas naquilo que, por amor, nos foi feito, nos \u00e9 feito e nos ser\u00e1 feito. P\u00e1ginas admir\u00e1veis, em que a consci\u00eancia do homem n\u00e3o \u00e9 a autoconsci\u00eancia daquilo que eu fiz, mas a h\u00e9tero-consci\u00eancia daquilo que me \u00e9 feito e que eu sou HOJE chamado a\u00a0<em>reconhecer<\/em>: \u00abSABE HOJE e volta-o no teu cora\u00e7\u00e3o: sim, o Senhor, teu Deus, \u00e9 o \u00fanico Deus nos c\u00e9us, no alto, e sobre a terra, em baixo, e n\u00e3o h\u00e1 outro\u00bb (Deuteron\u00f3mio 4,39).\u00a0<em>Reconhecer<\/em>\u00a0no duplo sentido de nos sabermos antecipados pela Bondade que faz do \u00abeu\u00bb um \u00abeu\u00bb recetivo e da sua pr\u00f3pria raz\u00e3o uma raz\u00e3o constitutivamente reconhecida no sentido de que n\u00e3o pode n\u00e3o reconhecer a anterioridade do Bem (primeira ace\u00e7\u00e3o do termo reconhecer), e com isso ficar maravilhado e grato (segunda ace\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">9. SABE hoje e VOLTA-O NO TEU CORA\u00c7\u00c3O! Outra Sabedoria, outro saber, outro sabor. \u00c0 outra luz do cora\u00e7\u00e3o, que \u00e9 onde arde o dom de Deus, Sabedoria de Deus, escrita nova de Deus no cora\u00e7\u00e3o, viagem de Jeremias 17,1 a Jeremias 31,33, lume novo no cora\u00e7\u00e3o dos dois Disc\u00edpulos de Ema\u00fas (Lucas 24,32), em todos os que estavam reunidos em Jerusal\u00e9m (Atos 2,3), e que Paulo quer acender no cora\u00e7\u00e3o de Tim\u00f3teo e no nosso (2 Tim\u00f3teo 1,6).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">10. Mas tamb\u00e9m o Esp\u00edrito Santo, ensina-nos Paulo na Carta aos Romanos 8,14-17, hoje lida, escutada e meditada, opera em n\u00f3s, tornando-nos de tal modo participantes da vida do Filho, \u00abfilhos no Filho\u00bb, capacitando-nos para tratar a Deus por\u00a0<em>?Abba?<\/em>, Pai, com a mesma intimidade de Jesus (Romanos 8,15). \u00c9 a ado\u00e7\u00e3o filial, a\u00a0<em>hyiothes\u00eda<\/em>, termo jur\u00eddico grego, desconhecido no mundo hebraico, com o qual Paulo quer indicar a gra\u00e7a divina que constitui o homem na dignidade de filho de Deus de modo totalmente imprevis\u00edvel e gratuito. Oh admir\u00e1vel ci\u00eancia do amor e da gra\u00e7a, que nos p\u00f5e a n\u00f3s, filhos acabados de nascer, a balbuciar o mais belo nome de Deus!<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">11. Enfim, o Salmo 33, que hoje cantamos, \u00e9 um verdadeiro \u00abcanto novo\u00bb (<em>sh\u00eer hadash<\/em>) a fazer vibrar as fibras do nosso cora\u00e7\u00e3o. Mas \u00e9 tamb\u00e9m m\u00fasica sem palavras (<em>t<sup>e<\/sup>r\u00fb?ah<\/em>) (Salmo 33,2), jubila\u00e7\u00e3o, exulta\u00e7\u00e3o, lala\u00e7\u00e3o de radical confian\u00e7a da crian\u00e7a que em n\u00f3s sorri e dan\u00e7a, porque Deus vela por n\u00f3s.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\" data-adtags-visited=\"true\">12. E n\u00e3o nos esque\u00e7amos que \u00abadorar\u00bb \u00e9 \u00aborientar a vida toda para\u2026\u00bb. Adorar Jesus \u00e9 orientar a vida toda para Jesus. Adoremos hoje o Pai e o Filho e o Esp\u00edrito Santo, unidos no mesmo Nome (Mateus 28,19). N\u00e3o adores nunca ningu\u00e9m mais\u2026<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">\u00a0<\/p>\n<p data-adtags-visited=\"true\">Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dt 4,32-34.39-40; Sl 33; Rm 8,14-17; Mt 28,16-20 1. A Igreja Una e Santa celebra hoje a Solenidade da Sant\u00edssima [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2378586270,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[70],"class_list":["post-2801245136","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-liturgia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2801245136","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2801245136"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2801245136\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4294994957,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2801245136\/revisions\/4294994957"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2378586270"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2801245136"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2801245136"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2801245136"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}