{"id":2804258055,"date":"2013-11-01T00:00:00","date_gmt":"2013-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.educris.com\/v3\/328-liturgia\/13969-domingo-vi-da-pascoa-a-paz-que-so-deus-da"},"modified":"2025-11-07T16:34:05","modified_gmt":"2025-11-07T16:34:05","slug":"domingo-vi-da-pascoa-a-paz-que-so-deus-da","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/domingo-vi-da-pascoa-a-paz-que-so-deus-da\/","title":{"rendered":"Domingo VI da P\u00e1scoa: \u00abA Paz que s\u00f3 Deus d\u00e1\u00bb"},"content":{"rendered":"<p class=\"img\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.ecclesia.pt\/educris\/imagens\/antonio_couto_sorriso_160417093031_160503044443.jpg\" \/><\/p>\n<p><p>Atos 15,1-2.22-29; Salmo 67; Apocalipse 21,10-14.22-23; Jo\u00e3o 14,23-29<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">1. O texto que o Evangelho deste Domingo VI da P\u00e1scoa (Jo\u00e3o 14,23-29) nos oferece enquadra-se naquele monumental Testamento que, no IV Evangelho, Jesus pronuncia, em ondas sucessivas, ap\u00f3s a Ceia com os seus Disc\u00edpulos (Jo\u00e3o 13,12-17,26). Neste imenso arco textual, cujas linhas tem\u00e1ticas ou de constru\u00e7\u00e3o v\u00eam e refluem e voltam a vir, \u00e0 maneira das ondas do mar que v\u00eam sobre a praia, refluem e voltam, assistimos hoje ao segundo dos cinco dizeres de Jesus relativos \u00e0 Vinda do Esp\u00edrito Santo, Par\u00e1clito (<em>par\u00e1kl\u00eatos<\/em>), isto \u00e9, Defensor [Advogado de defesa], Consolador e Int\u00e9rprete. Este \u00faltimo significado deriva do aramaico\u00a0<em>par\u00e1klita<\/em>, dos rabinos, que n\u00e3o tem o significado usual do grego (Defensor e Consolador), mas Int\u00e9rprete, aquele que traduz Deus para n\u00f3s e n\u00f3s para Deus, fonte e ponte permanente de comunica\u00e7\u00e3o, compreens\u00e3o e comunh\u00e3o. O Esp\u00edrito Par\u00e1clito \u00e9 assim o grande construtor de pontes entre n\u00f3s uns com os outros e com Deus. \u00c9, por isso, que Ele \u00e9 o Amor, que destr\u00f3i todos os muros, preconceitos, \u00f3dios, divis\u00f5es, incompreens\u00f5es. Eis os cinco mencionados dizeres de Jesus sobre a Vinda do Esp\u00edrito Santo, sempre dita no futuro: Jo\u00e3o 14,16; 14,26; 15,26; 16,7; 16,13-15.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">2. O primeiro enviado do Pai \u00e9 o Filho Jesus, que cumpre e revela o conte\u00fado da pr\u00f3pria miss\u00e3o. O segundo enviado \u00e9 o Par\u00e1clito. O Pai \u00e9, em rela\u00e7\u00e3o aos dois, o enviante; o Filho e o Esp\u00edrito s\u00e3o, em rela\u00e7\u00e3o ao Pai, ambos enviados, \u00abas duas m\u00e3os do Pai\u00bb, no belo dizer de Ireneu de Li\u00e3o. Confrontando os textos, vemos que h\u00e1 semelhan\u00e7a da rela\u00e7\u00e3o entre o Pai e o Par\u00e1clito com a rela\u00e7\u00e3o entre o Pai e o Filho no que ao envio diz respeito: ambas s\u00e3o expressas pelo mesmo verbo \u00abenviar\u00bb (<em>p\u00e9mp\u00f4<\/em>). Mas, juntamente com a semelhan\u00e7a, deparamos tamb\u00e9m com diferen\u00e7as. A primeira diferen\u00e7a est\u00e1 no facto de que, em rela\u00e7\u00e3o ao Filho, o verbo enviar est\u00e1 no passado, encontrando-se no futuro em rela\u00e7\u00e3o ao Par\u00e1clito. O envio de Jesus pelo Pai j\u00e1 se realizou [\u00abo Pai que me enviou\u00bb: Jo\u00e3o 5,23.37; 6,44; 8,16.18; 12,49; 14,24; \u00abAquele que me enviou\u00bb: Jo\u00e3o 4,34; 5,24.30; 6,38.39.40; 7,16.28.33; 8,26.29; 9,4; 12,44-45; 13,20; 15,21; 16,5], enquanto que o envio do Par\u00e1clito \u00e9 anunciado, mas deve ainda realizar-se [\u00abo Pai envi\u00e1-lo-\u00e1 no meu nome\u00bb: Jo\u00e3o 14,26], do mesmo modo que a sua tarefa de ensinar e de recordar aparece igualmente enunciada no futuro. A segunda diferen\u00e7a reside no facto de o envio de Jesus ser feito diretamente pelo Pai, sem intermedi\u00e1rios, enquanto que o envio do Par\u00e1clito \u00e9 feito pelo Pai mediante a interven\u00e7\u00e3o de Jesus, traduzida pela express\u00e3o \u00abno meu nome\u00bb (<em>en t\u00f4 on\u00f3mat\u00ed mou<\/em>) (Jo\u00e3o 14,26), mas tamb\u00e9m por outras indica\u00e7\u00f5es. Assim, em rela\u00e7\u00e3o ao Par\u00e1clito, o pr\u00f3prio Jesus \u00e9 tamb\u00e9m por duas vezes sujeito do verbo \u00abenviar\u00bb: \u00abEu envi\u00e1-lo-ei de junto do Pai\u00bb (Jo\u00e3o 15,26); \u00abQuando eu for, envi\u00e1-lo-ei para junto de v\u00f3s\u00bb (Jo\u00e3o 16,7). O que se passa com o verbo \u00abenviar\u00bb em termos de semelhan\u00e7a e diferen\u00e7as, passa-se tamb\u00e9m com o verbo \u00abdar\u00bb (<em>d\u00edd\u00f4mi<\/em>): o Filho foi dado, verbo no passado, diretamente pelo Pai: \u00abDeus (\u2026) deu o seu Filho unig\u00e9nito\u00bb (Jo\u00e3o 3,16); o Par\u00e1clito ser\u00e1 dado, verbo no futuro, pelo Pai a pedido de Jesus: \u00abEu pedirei ao Pai, e Ele dar-vos-\u00e1 outro Par\u00e1clito\u00bb (Jo\u00e3o 14,16).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">3. Mas o texto de hoje p\u00f5e Jesus a dizer que o Pai enviar\u00e1 o Par\u00e1clito, o Esp\u00edrito Santo, em seu nome (Jo\u00e3o 14,26), isto \u00e9, mediante a sua interven\u00e7\u00e3o. Jesus afirma tamb\u00e9m que n\u00e3o diz sen\u00e3o a Palavra do Pai (Jo\u00e3o 14,24), e que o Esp\u00edrito Santo tamb\u00e9m n\u00e3o falar\u00e1 de si mesmo, mas apenas o que tiver ouvido (Jo\u00e3o 16,13). Assim, o Esp\u00edrito Santo, que ser\u00e1 enviado, ensinar\u00e1 todas as coisas e recordar\u00e1 tudo o que disse Jesus (Jo\u00e3o 14,26). Por outras palavras: receber\u00e1 do que \u00e9 meu e vos anunciar\u00e1 (Jo\u00e3o 16,14).<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">4.\u00a0 No Evangelho de hoje, Jesus fala ainda do amor, da escuta qualificada da sua Palavra, da habita\u00e7\u00e3o de Deus em n\u00f3s, no meio de n\u00f3s, da paz por Ele dada, que \u00e9 diferente da paz que o mundo d\u00e1 e como o mundo a d\u00e1. Ele pode dar a paz, porque \u00abEle \u00e9 a paz\u00bb (Ef\u00e9sios 2,14). Ele n\u00e3o tem a paz. Ele \u00e9 a paz. Portanto, a Paz b\u00edblica \u00e9 pessoal, tem um rosto e um nome: Jesus! A Paz b\u00edblica \u00e9, portanto, o estilo pessoal de viver de Jesus, que podemos e devemos aprender, seguindo-o e imitando-o. N\u00e3o, a Paz b\u00edblica n\u00e3o \u00e9 a paz romana, assente no poder das armas, nem a paz do juda\u00edsmo palestinense, assente nos acordos entre as partes. A Paz b\u00edblica \u00e9 um Dom de Deus! Portanto, mais do que conquist\u00e1-la, \u00e9 preciso receb\u00ea-la, viv\u00ea-la e partilh\u00e1-la. Imenso desafio para o mundo de hoje.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">5. A li\u00e7\u00e3o do Livro dos Atos dos Ap\u00f3stolos (15,1-2.22-29) leva-nos ao incidente de Antioquia (15,1-2), que exp\u00f5e uma divis\u00e3o entre os judeo-crist\u00e3os e os gentio-crist\u00e3os, que provoca o Conc\u00edlio de Jerusal\u00e9m, em que o Esp\u00edrito Santo e os Ap\u00f3stolos Pedro e Paulo e Tiago se deram as m\u00e3os em sinal de comunh\u00e3o (\u00abn\u00f3s e o Esp\u00edrito Santo\u00bb) (15,28), para que o Evangelho fosse levado a todos os cora\u00e7\u00f5es. O que importa \u00e9 o Evangelho, e n\u00e3o as nossas diferentes maneiras de pensar!<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">6. O Apocalipse (21,10-14.22-23) traz-nos a imagem da Jerusal\u00e9m nova, que desce do c\u00e9u, com o brilho de uma pedra de jaspe, que \u00e9, no simbolismo do Apocalipse, o pr\u00f3prio Cristo. A cidade assenta os seus alicerces nos Doze Ap\u00f3stolos do Cordeiro, e a luz que a ilumina \u00e9 a luz de Deus. A\u00ed est\u00e1 diante de n\u00f3s a Igreja bela, alumiada por Deus, vestida por Deus, tu a tu com Deus, sem a media\u00e7\u00e3o de um templo material, porque o seu Templo \u00e9 Deus e o Cordeiro, que \u00e9 Cristo.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">7. O Salmo 67 \u00e9 uma ora\u00e7\u00e3o de b\u00ean\u00e7\u00e3o em forma de peti\u00e7\u00e3o. Em termos t\u00e9cnicos, equivale a uma epiclese: n\u00e3o \u00abeu te bendigo\u00bb, mas \u00abDeus nos bendiga\u00bb. O nosso Salmo recolhe os temas da b\u00ean\u00e7\u00e3o sacerdotal de N\u00fameros 6,24-26, como a gra\u00e7a, a luz, a benevol\u00eancia, a paz, pondo o plural onde estava o singular, por assim dizer, \u00abdemocratizando\u00bb a b\u00ean\u00e7\u00e3o, agora dirigida a todos, onde, na b\u00ean\u00e7\u00e3o sacerdotal do Livro dos N\u00fameros, se dirigia apenas a Israel.<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">8. Diz, de forma absolutamente maravilhosa, o velho coment\u00e1rio rab\u00ednico aos Salmos, dito\u00a0<em>Midrash T<sup>e<\/sup>hill\u00eem<\/em>, que, quando Israel estava no Sinai para fazer alian\u00e7a com Deus, \u00abo ventre das mulheres gr\u00e1vidas se tornou transparente como vidro, para que os embri\u00f5es pudessem ver Deus e conversar com Ele\u00bb. Oh admir\u00e1vel mundo novo!<\/p>\n<p class=\"has-text-align-justify\">9. O Esp\u00edrito Santo faz nascer em n\u00f3s esta transpar\u00eancia luminosa e maravilhosa. Luz que alumia, e n\u00e3o engana, Amor, s\u00f3 Amor, nada mais que Amor. Vem, Esp\u00edrito de Luz, construtor e Senhor das mais belas transpar\u00eancias e viv\u00eancias. Precisamos tanto de Ti nesta cal\u00e7ada enlameada e escura e escorregadia em que andamos.<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Couto<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Atos 15,1-2.22-29; Salmo 67; Apocalipse 21,10-14.22-23; Jo\u00e3o 14,23-29 1. 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